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É preciso mudar

O Vasco conseguiu um empate contra o Santa Cruz na bacia das almas.

O Santa Cruz, que jogou com um time misto. Que está lutando para não cair no Brasileirão. Que prefere sair da Copa do Brasil para disputar a Sul-Americana.

Mesmo com tudo isso, o Vasco precisou de um gol de pura sorte, mais uma vez marcado por um zagueiro, no finzinho do jogo, para não sair derrotado – mais uma vez – em casa.

Não que o Santa Cruz tenha feito uma boa partida. Marcou seu gol no começo do jogo e passou o resto da partida se defendendo, esperando o contra-ataque. Conseguiram alguns, até estiveram perto de marcar o segundo, mas basicamente ficaram na retranca.
Já o Vasco….mais uma vez dominou a partida, teve mais posse de bola e foi completamente ineficiente. Até finalizou mais que o normal, mas a maioria absoluta dos arremates foi terrível. A pressão exercida foi totalmente sem efetividade.

Ainda que tivéssemos perdido, a vaga não estaria decidida. Não pelo que mostrou o Santa Cruz. Dizer que é impossível marcarmos gols no Arruda ou até vencermos seria uma leviandade. Mas a verdade é que o Vasco se estagnou, ficou previsível. E Jorginho se apega não apenas à estrutura do time, como também à forma da equipe jogar. Nós, que há pouco tempo tínhamos a maior invencibilidade do país, viramos um time fácil de ser batido.

Como eu disse, podemos sim passar para as oitavas da Copa do Brasil. Mas se em uma semana o Jorginho não mudar algumas coisas, a missão será muito mais complicada.

As atuações….

Martin Silva – fez pelo menos duas grandes defesas no segundo tempo, mas a bola do gol era defensável.

Madson – um titular que não acerta nada durante o jogo é algo inexplicável. Errou tudo o que tentou e ainda perdeu um gol feito. Yago Pikachu entrou em seu lugar no intervalo, mas acabou não sendo tão efetivo no apoio e ainda cansou de deixar espaços pela sua lateral.

Rodrigo –não teve pernas para acompanhar o atacante no lance do gol adversário e isso ainda nos primeiros cinco minutos de partida.

Luan – mal posicionado no lance do gol do Santa, compensou com muita disposição durante todo o jogo e com o gol acidental que acabou marcando.

Julio Cesar – as vaias – justas, vale dizer – que recebeu no fim do primeiro tempo devem ter mexido com os brios do lateral coroa: na etapa final fez umas duas ou três boas jogadas e chegou a finalizar com perigo.

Marcelo Mattos, – é um bonde, erra um monte de passes e faz um porrilhão de faltas. Mas no momento em que o time todo entra no desespero e parte para o ataque, se mostra necessário.

Henrique – não chegou a comprometer, mas acabou pecando pela omissão: foi discreto demais. Cedeu lugar para Caio Monteiro no intervalo. O atacante se esforçou muito, mas acertou muito pouco.

Andrezinho – apareceu mais no primeiro tempo, acertando alguns bons lançamentos, mas errando mais passes que o normal. No segundo, com o time embolado na frente tentando o empate, sumiu do jogo.

Nenê – não se omitiu do papel de principal jogador do time, mas passou mais tempo caído em campo que de pé. Fez algumas boas jogadas e cobrou o escanteio que originou o gol.

Jorge Henrique – fica lá, correndo pelo campo todo, pra deleite do treinador e irritação da torcida, que não vê motivos para sua titularidade. Pelo menos finalizou duas vezes com perigo, uma delas, no fim do jogo, estourando no travessão.

Leandrão – uma bela jogada que terminou em grande defesa do goleiro tricolor. Thalles entrou em seu lugar e trouxe um pouco mais de movimentação ao ataque. Poderia ter sido o herói do jogo se não fosse o milagre feito pelo goleiro Tiago Cardoso (que terminou colocando a bola para seu próprio gol no fim da jogada). Deu outra cabeçada perigosa e participou da jogada que terminou no chute do Jorgenrique no travessão.

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Hora de virar a chave

chaveQuase dois meses depois, o Vasco pode esquecer por algum tempo a Série B e concentrar suas forças em uma competição nacional decente. Tendo passado pelo Remo e CRB, encaramos hoje o Santa Cruz, pela terceira fase da Copa do Brasil.

É nosso primeiro confronto contra um time da elite – o que é estranhíssimo: por mais que o Santinha mereça todo o respeito, não há como não pensar que as posições dos dois times no cenário nacional está invertido – e promete ser o mais complicado até agora na copa. E poderia ser ainda mais difícil, fosse a partida marcada algumas semanas atrás: o Santa perdeu o embalo que o levou ao topa da tabela do Brasileirão e em queda vertiginosa, agora luta contra o rebaixamento na Série A.

O problema é que em matéria de queda de rendimento, o Vasco não fica muito atrás. Ainda que se mantenha na liderança desde o começo da Série B, o time não tem uma atuação convincente há muito tempo. E até por isso, uma partida por outra competição pode vir a calhar: se o problema da equipe é uma certa falta de motivação em jogar a segundona, uma partida da Copa do Brasil deve – ou pelo menos deveria – empolgar os jogadores. Afinal de contas, o que está em disputa é um título nacional que vale a pena ser comemorado (além de uma vaga na Liberta) e não a obrigação de conduzir o Vasco a um lugar de onde nunca deveria ter saído.

A virada de chave, se acontecer, tem que partir dos nossos jogadores. Se apresentarmos o mesmo futebol chinfrim que temos mostrado no Brasileiro, podemos acabar nos complicando diante do tricolor pernambucano, mesmo com eles em baixa e sem o Grafite (que, se recuperando de contusão, não deve jogar). Precisamos nos impor em nosso estádio, até porque certamente penaremos muito se precisarmos reverter em Recife um resultado ruim nesse primeiro jogo. E, tão importante quanto, é acabar com as desculpas do time na Série B: se fizemos um placar convincente contra o Santa Cruz, não haverá justificativa para as partidas ruins que temos feito contra adversários que nem na elite estão.

Vasco x Santa Cruz

Vasco X Santa Cruz

Martín Silva; Madson, Luan, Rodrigo e Julio Cesar; Marcelo Mattos, Henrique, Andrezinho, Nenê; Jorge Henrique e Leandrão.

Tiago Cardoso; Léo Moura, Neris, Danny Morais e Tiago Costa; Uillian Correia, Marcílio e João Paulo; Keno, Marion e Arthur.

Técnico: Jorginho.

Técnico: Milton Mendes.

Estádio: São Januário. Data: 13/07/2016. Horário: 21h45. Arbitragem: Joelson Nazareno Ferreira Cardoso. Auxiliares: Helcio Araujo Neves e Luiz Antonio Barbosa.

A Rede Globo transmite ao vivo (RJ, Juiz de Fora-MG, ES, PE, PI, MA, Santarém-PA, AM, RO, AC e RR) . A ESPN Brasil e o SporTV 2 transmitem para seus assinantes em todo país.

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Pendura a conta!

Se formos nos prender apenas à bola rolando, a vitória do Vasco por 2 a 0 sobre o Brasil de Pelotas foi padrão: em uma atuação burocrática em grande parte do tempo, contra um adversário bastante limitado e com o Nenê sendo decisivo na partida. Trocando em miúdos, voltamos a vencer, mas o time continua devendo à torcida uma atuação mais convincente.

Podemos citar uma maior pegada do time na marcação, principalmente no começo do jogo, o que seria o mínimo depois de duas derrotas dentro de casa. Sabendo que a vitória seria o único resultado aceitável, o Vasco ao menos mostrou uma disposição maior em campo, reflexo também de uma equipe titular mais jovem. E em um dos lances em que recuperamos a bola por conta da nossa marcação mais intensa, saiu o gol logo aos nove minutos: Rodrigo roubou a bola na nossa intermediária e lançou; a bola pipocou na cabeça do Caio Monteiro e foi para o Thalles, que também de cabeça tocou para Nenê, que se projetou em velocidade e tocou sem chance para o goleiro já dentro da grande área.

Com o placar aberto logo no começo, poderíamos pensar que o jogo ficaria mais tranquilo. Porém o Vasco mais uma vez ficou molengando e não parecia muito interessado em resolver o jogo rapidamente. Nossa vocação para complicar partidas fáceis voltou a se mostrar, e além de não criarmos mas nenhuma chance de gol no primeiro tempo, permitimos que o Brasil crescesse e só não sofremos o empate por um milagre realizado pelo Luan, que depois de bater cabeça na grande área se recuperou e impediu que o atacante adversário empurrasse a bola para nossa rede com Jordi completamente batido no lance.

No segundo tempo continuamos cozinhando a partida, mas pelo menos não corremos mais riscos (exceto nas bolas paradas, quando mais uma vez mostramos falhas de posicionamento nos chuveirinhos). Dominávamos o jogo, sempre rondando a área adversária, mas não criávamos oportunidades de gol. Somente aos 26 minutos resolvemos a partida, com a dupla que vinha garantindo a vantagem no placar: em uma cobrança de falta, Nenê encontrou Luan subindo por trás da zaga do Brasil e com um toque de categoria ampliou o placar.

Foi uma vitória padrão, daquelas em que o Vasco parece meio preguiçoso diante de um oponente não muito capacitado para nos criar problemas. O bom futebol que a equipe nos deve há algum tempo ficou mais uma vez na pendura, e a torcida ainda pode cobrar essa conta.

As atuações….

Jordi – sem muito trabalho durante a partida, fez apenas uma defesa digna de nota, ainda no primeiro tempo. Não chegou a trazer consequências, mas o garoto mostrou alguma insegurança nas saídas do gol para cortar bolas alçadas à área.

Madson – o de sempre: um cemitério de futuras jogadas e um convite ao ataque adversário.

Luan – garantiu a vitória tanto na defesa como no ataque: consertou a única lambança que fez impedindo um gol dos mais feitos da história e marcou o segundo gol em um belo chute de primeira.

Rodrigo – foi bem no combate direto, mas em alguns momentos parece estar cansado. Cobrou uma falta com perigo no começo do jogo.

Julio Cesar –  todas as vezes que chegou ao apoio errou seus cruzamentos. E assim como o Madson, deu espaços pela sua lateral.

Marcelo Mattos –  mais uma vez carregou o piano da marcação pelo meio de campo.

Henrique – deve ter sido o 38º jogador a ser testado como segundo homem do meio de campo. Se não chegou a comprometer, também não teve um desempenho que lhe garantisse ESSA vaga no time. Yago Pikachu entrou em seu lugar e não foi muito além, mas pelo menos conseguiu uma finalização com relativo perigo.

Andrezinho – ajudou na saída de bola, mas pouco fez na criação de jogadas. Saiu no fim do jogo para a entrada do Diguinho, que  não teve tempo para fazer nada (graças a Deus).

Nenê – voltou a ser o Nenê de sempre: alvo de muitas faltas, reclamações mil com a arbitragem e os dois gols da partida passando pelos seus pés. Marcou o primeiro e fez o cruzamento para o segundo.

Caio Monteiro – outro a ter mais efetividade ofensiva que Jorge Henrique, já que não precisava ficar se preocupando em marcar os adversários até o nosso campo. Fez uma grande jogada ainda no primeiro tempo, mas exagerou no individualismo e desperdiçou o lance. William Oliveira entrou no seu lugar para fechar mais o meio de campo, mas foi visto se atrapalhando no ataque algumas vezes.

Thalles – deu de cabeça o passe para o gol do Nenê em uma jogada de pivô e tentou reproduzir o lance durante os 90 minutos, sem sucesso. No mais, nada.

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E por falar em pendura, vale citar os amarelos que os jogadores pendurados levaram: Nenê, Andrezinho, Rodrigo e Madson, os quatro titulares com dois cartões amarelos, receberam o terceiro e ficam fora da partida contra a Luverdense, sábado que vem. Como temos um compromisso pela Copa do Brasil na quarta, fica difícil crer que não rolou uma forçada de barra nos cartões.

Faria mais sentido se o jogo com o Santa Cruz fosse depois da partida contra a Luverdense, mas estrategicamente a oportunidade de poupar três veteranos de uma viagem longa até o Mato Grosso faz sentido. Que os jogadores que ganharam uma folga no Brasileiro compensem com esforço redobrado na Copa do Brasil.

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Até quando a sorte?

sorteA verdade é que, apesar dos pesares, o Vasco tem dado sorte nesse Brasileiro. Mesmo jogando mal, perdendo partidas e vendo seus concorrentes se aproximarem, o time não sai do topo da tabela. Ontem, por exemplo, a rodada começou bem: poderíamos ter dormido na vice-liderança se o Ceará vencesse seu jogo contra o Tupi, o que não aconteceu. Por isso o Vasco entra em campo logo mais contra o Brasil de Pelotas ainda para defender sua liderança, e não para recuperá-la.

Em condições normais de temperatura e pressão, um jogo contra o modesto Grêmio Esportivo Brasil em São Januário não deveria ser motivo para preocupações. Mas diante das últimas atuações do Vasco, principalmente na Colina (onde perdeu seus dois últimos jogos e contra equipes em classificação pior que a do Brasil-RS), mesmo uma partida contra um time que não venceu nenhuma vez fora de casa pode ser problemática.

E os problemas começam já na escalação. Com Martín Silva suspenso, entramos em campo sem nosso principal jogador. Jordi até pode dar conta do trabalho, mas é claro que não teremos a mesma segurança. No ataque, a ausência do Leandrão não chega a ser um problema e sim a falta de alternativas: a não ser que Thalles mude da água pro vinho, não trará uma melhora considerável para o setor. Para compensar, talvez tenhamos a entrada do Caio Monteiro, já que tanto Jorge Henrique quanto Eder Luis viraram dúvida por problemas físicos.

Mas independente de quem vá começar jogando, o que precisa mudar é a forma como o Vasco vem jogando. Assim como sabemos que todo adversário apelará para os contra-ataques contra nós, parece que todos os nossos adversários aprenderam a jogar contra nós. Jorginho não consegue criar alternativas para evitar essa situação, e isso precisa acabar o quanto antes. Caso contrário teremos problemas todo jogo.

As coisas têm dado certo para o Vasco mas é impossível contar com a sorte por todo o campeonato. Se não vencermos o Brasil de Pelotas hoje, muito provavelmente terminaremos a rodada pela primeira vez fora da liderança. E com isso, a equipe voltará a sofrer com a pressão da torcida depois de muito tempo.

Vasco X Brasil de Pelotas

Vasco X Brasil de Pelotas

Jordi; Madson, Luan, Rodrigo e Julio Cesar; Marcelo Mattos, Julio dos Santos, Andrezinho e Nenê; Jorge Henrique (Caio Monteiro) e Thalles.

Eduardo Martini; Weldinho, Camilo, Teco e Marlon; Leite, Washington, Diogo Oliveira e Felipe; Marcos Paraná e Ramon.
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Técnico: Jorginho.

Técnico: Rogério Zimmermann.

Estádio: São Januário. Data: 09/07/2016. Horário: 18h30. Arbitragem: Alisson Sidnei Furtado. Auxiliares: Fabio Pereira e Natal da Silva Ramos Júnior.

O SporTV transmite ao vivo para todo Brasil (exceto RJ). O Canal Premiere transmite para todo Brasil no sistema pay-per-view.

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A partida contra o Avaí teve uma arbitragem desastrosa, protagonizada por um juiz goiano. Hoje, o trio de árbitros não vem do estado do Atlético Goianiense, mas vindos do Tocantins, não dá pra ignorar a proximidade. Isso não quer dizer que teremos novamente problemas com o apito, mas podendo trazer árbitros de qualquer outro lugar do Brasil, me parece desnecessário trazer um trio de um lugar que fazia parte de Goiás até poucos anos.

Talvez a diretoria não ache que isso seja um problema. Ou se acha, não achou que valia a pena fazer alguma coisa a respeito.

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E Leandro Damião acabou se tornando em mais uma contratação 90% fechada. A desistência e provável ida para a mulambada torna essa história praticamente um “R10 parte 2“. Festejar o fracasso da contratação alegando que Damião não joga nada e que vai se dar mal na urubulândia é mera especulação e torcida contra. E achar que não seria um bom reforço para o Vasco, tendo os atacantes que tem, é ir contra os fatos.

Por outro lado, é fato que a vinda do Damião seria muito melhor para o jogador que para o Vasco (como eu tinha dito há algum tempo), já que nós gastaríamos uma bela grana por mês por uma aposta e o Damião teria a chance de recuperar o prestígio em um clube grande e sem tanta pressão. Ou seja, se Damião viesse, seria bom; não vindo, melhor ainda.

Mas continuamos precisando de reforços para o ataque. E já que o clube se disporia a pagar mais de R$ 300 mil por um atacante, pode muito bem procurar alguém que mereça esse salário ao invés de trazer alguém pra disputar uma vaga no ataque com Leandrão e Thalles.

O mercado brasileiro está escasso em opções? Que se procure no mercado sul-americano. Por essa grana, certamente encontraremos um atacante melhor que os Gilbertos que parecem ser as única opções visadas pela diretoria.

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E aí, Vasco???

Nesses quase 10 anos em que escrevo sobre o Vasco na internet, há uma coisa que sempre falo porque é minha convicção pessoal sobre o assunto: a torcida vaiar o próprio time é burrice. Vaiar um jogador não fará com que ele jogue melhor (menos ainda que aprenda a jogar) e é fazer o trabalho da torcida adversária.

Esse é um ponto. Agora, querer colocar qualquer tipo de responsabilidade sobre a derrota do Vasco para o Paraná Clube na torcida ou nas vaias vindas das arquibancadas de São Januário é mais que nonsense; é buscar uma desculpa esfarrapada para a incompetência do time.

Dizer que o time do Vasco, cheio de jogadores com mais de uma década como profissionais “se abala” com vaias a ponto de não conseguir vencer um time limitado como o Paraná é fazer pouco da inteligência do torcedor.

As vaias também justificam um time que teve 62% de posse de bola finalizar apenas 12 vezes em mais de 90 minutos? E explica o fato de metade dessas finalizações ter sido pra fora? Foi por causa das vaias que só conseguimos fazer um gol, mais uma vez, de forma acidental e não numa jogada trabalhada?

As vaias justificam as escolhas do treinador? Será que, mesmo com um elenco limitado em número – não falarei em qualidade – como temos, somente Diguinho, Eder Luis, William Oliveira, Leandrão e, para citar alguns titulares, Jorge Henrique e Madson merecem chances? São as vaias que impedem o Jorginho de ir colocando com mais frequência a molecada da base?

Foram as vaias que justificaram a renovação de contrato do Aislan? Ou o fato de não termos qualquer outra opção para a zaga além dele?

As vaias, que a bem da verdade foram direcionadas para um ou dois jogadores apenas, não explicam nada disso. O fato é que o Vasco não vem jogando bem há tempos. Seja ganhando, seja perdendo.

Falar que os jogos são difíceis porque os adversários jogam na retranca é retórica furada. O que a diretoria, a comissão técnica e os jogadores esperavam dos outros times jogando contra um gigante do futebol nacional, com um elenco várias vezes mais caro que os demais e franco favorito ao título? Mesmo que não tivéssemos passado por essa experiência outras duas vezes não seria necessária inteligência de sobra para saber que furar retrancas seria o trabalho primordial do Vasco nessa Série B.

O que Jorginho e seus comandados precisam é se justificar menos e trabalhar mais. O treinador precisa, mais que urgentemente, encontrar alternativas táticas para o time. E os jogadores, alguns de maneira extrema, precisam treinar mais e se aprimorar tecnicamente. Fora isso, é conversinha pra tentar acalmar a torcida que não resolve nada.

E aí, Vasco? Vamos voltar a justificar o favoritismo na competição ou não?

As atuações…

Martín Silva – nada pôde fazer nos gols. No resto do jogo, pouco teve a fazer.

Madson – mais um cruzamento certo. Com as mãos. Tirando isso, não se vê sendo efetivo em momento algum.

Rodrigo – começou entregando uma bola que quase virou um lance de perigo, mas depois não chegou a ter trabalho com o ataque adversário. Se lançou ao ataque no segundo tempo e quase marcou de cabeça. No lance do segundo gol, estava completamente vendido no lance.

Luan – se contundiu ainda no primeiro tempo e deu lugar ao Aislan, que entre lances bizarros e alguns bons cortes, falhou mais uma vez e foi responsável direto pela derrota.

Henrique – foi visto com frequência no apoio, mas não conseguiu acertar qualquer cruzamento. E ainda deixou sua lateral desguarnecida em vários momentos.

Diguinho – é praticamente um zagueiro jogando no meio de campo: sua irresistível vontade de sair dando bicões em qualquer bola que lhe apareça pela frente é irritante.

Julio dos Santos – vinha fazendo uma partida na média, e pelo que vinha apresentando, provavelmente seria substituído de qualquer forma, como acontece na maioria das vezes. Mas Jorginho acabou queimando o paraguaio ao tirá-lo de campo justo no momento em que ele começou a ser vaiado. William Oliveira entrou no seu lugar e, pilhado em excesso, não conseguiu fazer muito além de dar um novo gás ao meio de campo. Acabou sendo coadjuvante da pixotada do Aislan.

Andrezinho – tentou organizar o time, mas afunilou demais as jogadas e acabou errando os passes decisivos. Quase marcou um belo gol, em chute que só carimbou o travessão por conta do desvio do goleiro adversário.

Nenê – ontem até que resolveu jogar bola, voltando a marcar, criando boas chances e deixando companheiros na cara do gol, como fez com Andrezinho. Mas não foi o bastante para superar a retranca paranaense.

Jorge Henrique – um dia muito infeliz para o minicraque: além de fazer um gol contra, atrapalhou o Nenê numa chance clara de gol. Eder Luis entrou em seu lugar e não conseguiu fazer nada. Ou seja, por atrapalhar menos que o JH, se saiu um pouco melhor.

Leandrão – não conseguiu fazer muita coisa além de cavar penalidades e errar passes quando tentou ser o pivô. O lance do segundo gol começou com o centroavante apanhando da bola ao tentar dominá-la ao receber um lançamento longo.

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Os números enganam

numbersA matemática é simples. Ninguém vai discutir que a soma de dois mais dois é quatro. Já quando aplicamos a matemática ao futebol, as coisas complica um pouco. Um exemplo claro: segundo o site Footstats, uma seleção da Série B até essa 11a rodada só incluiria dois jogadores do Vasco, e um deles seria o Marcelo Mattos! Tal bizarrice só pode ser explicada por se levar em consideração apenas as estatísticas.

Seguindo mais uma vez os números, poderíamos dizer que o Paraná Clube, nosso adversário de logo mais na Colina, não seria um oponente tão fácil de encarar. Sua campanha como visitante está longe de ser das piores: de seis partidas fora de casa, o rubro-anil perdeu apenas duas vezes. Ou seja, o time paranaense tem o hábito de tirar pontos dos seus anfitriões.

Mas esses são os números apenas. Olhando mais atentamente a campanha do Paraná, as coisas não são bem assim. Nosso adversário venceu apenas uma das partidas fora de casa – e contra o lanterninha Sampaio Corrêa – e empatou outras três, duas contra times abaixo do próprio Paraná na classificação e uma contra o CRB, que pode ser considerado seu melhor resultado longe do Durival Britto. Nas outras duas partidas, derrotas aparentemente incontestáveis: um 2 a 0 do Brasil de Pelotas e um 5 a 1 (!!!) contra o Náutico.

Resumindo, o Paraná pode até não estar fazendo uma campanha das piores como visitante. Mas isso se deve muito mais ao fato de ter encarado times mais fracos. Quando bateu de frente com equipes um pouco melhores, não conseguiu evitar a derrota. E como hoje a equipe paranaense, além de ter uma penca de desfalques, terá pela frente o melhor time da competição…

Não termino a frase porque esse “melhor” também se baseia em números. Com a bola rolando, há controvérsias. O time não tem jogado nada bem e as duas últimas vitórias não foram nada convincentes. Hoje, mais uma vez, Jorginho não poderá contar com seu time ideal, mas a quase certa entrada do Diguinho (rezem!), que na prática não é tão pior que o “selecionável” Marcelo Mattos, não servirá como desculpa para outra atuação ruim. Com a volta do Rodrigo à zaga e Aislan – o “entregador oficial” do time – longe, a defesa ficará mais segura. Assim, bastaria que o Nenê voltasse a jogar bola, coisa que não faz há algum tempo.

Jogando em casa contra o 10o colocado na tabela, uma vitória é o único resultado aceitável. Mas o ideal seria vencer mostrando, ao menos um pouco, as razões para o favoritismo que nos atribuem. No momento, apenas os números da nossa campanha confirmam isso.

Vasco X Paraná

Vasco X Paraná

Martín Silva; Madson, Luan, Rodrigo e Julio Cesar; Diguinho, William Oliveira, Andrezinho e Nenê; Jorge Henrique e Leandrão.

Marcos; Diego Tavares, Alisson, Zé Roberto (Leandro Silva) e Fernandes (Rafael Carioca); Leandro Silva (Fernandes), Basso, Murilo e Válber; Róbson e Lúcio Flávio.
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Técnico: Jorginho.

Técnico: Marcelo Martelotte.

Estádio: São Januário. Data: 28/06/2016. Horário: 20h30. Arbitragem: Rodrigo Batista Raposo. Auxiliares: Jose Reinaldo Nascimento Junior e Lehi Sousa Silva.

O Canal Premiere transmite para todo Brasil no sistema pay-per-view.

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Os protagonistas da derrota

No post de ontem eu comentei que se o Vasco não entrasse em campo com salto alto e respeitasse o adversário, a possibilidade do Paysandu aprontar uma surpresa para nós era remota. E na hora da bola rolar, não podemos dizer que o Vasco foi um time apático. Mesmo que tenhamos mostrado uma incrível incapacidade em criar chances de gol, o desinteresse dentro de campo não foi o problema. Aliás, dessa vez, podemos dizer que a derrota não teve origem nas quatro linhas: se é para apontarmos um responsável pelo 2 a 0 que sofremos do Papão, os dedos devem se dirigir para o treinador do time.

Talvez o Jorginho tivesse algum objetivo desconhecido em mente para essa partida específica. Só isso justifica a adoção do estilo “joelsantanístico” que mostrou, trocando defensores por atacantes como se não houvesse amanhã. Nosso treinador, que muitas vezes foi alvo de críticas por demorar a fazer substituições, resolveu que ontem era o dia para, aos 22 minutos do segundo tempo, se partir para um tudo ou nada desmesurado, como se estivéssemos perdendo por 4 a 0 ou fosse uma final de campeonato e precisássemos desesperadamente da vitória. Só isso justifica deixar o time sem NENHUM volante em campo, faltando mais de 25 minutos para o término da partida.

O time não conseguia criar situações de gol, é verdade. Mas será que Jorginho realmente acreditou que entupir o time com atacantes resolveria a situação? Antes de tirar Marcelo Mattos e William Oliveira, o Vasco penava para ameaçar o Papão, mas praticamente não corria riscos; com Eder Luis e Caio Monteiro, tudo o que conseguimos foi desfigurar o time, embolando um monte de gente na frente (que já estava bastante povoado com praticamente toda a equipe paraense) e abrindo de vez o Vasco para sofrer com os contra-ataques.

A impressão que a dupla Jorginho e Zinho deixou é que, para eles, um empate em casa é algo tão inaceitável que justificaria partir para um tudo ou nada ainda na metade do segundo tempo. Se a dupla acreditou que o Paysandu não teria capacidade para aproveitar os quilômetros de espaço que um Vasco sem volantes deixaria, podemos dizer que o salto alto acabou vindo dos dois treinadores. Não era muito difícil de perceber os riscos que o time passou a correr com as alterações feitas. O desespero pela vitória acabou nos trazendo uma derrota perfeitamente evitável. Seria vergonhoso empatar com o Paysandu em São Januário? Bem pior é perder da forma como perdemos.

Na coletiva, Jorginho disse que sua preocupação era ser protagonista na partida e que se ele errar, será por agir e não por se omitir. Palavras bonitas, mas que não justificam suas alterações. Se preocupar com “protagonismos” agrada a torcida, mas o que realmente importa é conquistar pontos. Na sequência invicta que tivemos, jogamos mal diversas vezes e não saímos derrotados. Seria bom que nosso treinador refletisse um pouco sobre isso daqui pra frente.

As atuações…

Martin Silva – praticamente não trabalhou e não teve culpa nos gols.

Madson – mais um jogo no qual prova ser inexplicável sua permanência como titular tendo Pikachu como opção. Dar a bola para esse rapaz quando ele sobe ao apoio é ter a certeza de cruzamentos ou passes errados. Perdeu um gol feito no primeiro tempo.

Luan – a contar pelo jogo de ontem, queimou o filme da sua pré-convocação para a seleção olímpica. Falhou nos dois gols e até caneta levou.

Rodrigo – no primeiro gol não foi visto e no segundo mais uma vez ficou parado vendo o lance enquanto pedia impedimento.

Julio Cesar – quem é tão pouco efetivo no apoio devia, ao menos, ser constante na defesa. O primeiro gol surgiu de um contra-ataque pela esquerda e quem foi dar o combate foi o Andrezinho. Marcelo Mattos – eu tinha comentado uma vez pelo Twitter que o Marcelo Mattos deve treinar ERROS de passe, dada a frequência com que entrega a bola nos pés dos adversários. Aparentemente o volante se esmerou ainda mais nos treinos essa semana. Foi sacado para a entrada do Eder Luis, que mesmo sendo mais uma opção ofensiva não chegou a compensar a falta de proteção à zaga que sua entrada proporcionou.

William Oliveira – não chegou a fazer algo que mereça destaque, mas enquanto estava em campo com Mattos, não sofremos tanto com os contragolpes. Ou seja, a entrada do Caio Monteiro no seu lugar não se justifica, já que o rapaz só foi notado tentando, sem sucesso, impedir o segundo gol do Paysandu.

Andrezinho – possivelmente o melhor do Vasco na partida, mas pecou no último passe, errando a maioria das tentativas. Não conseguiu impedir o cruzamento que originou o primeiro gol do Papão. Nenê – uma bola na trave nos primeiros minutos da partida, uma ou outra jogada de efeito e mais nada.

Jorge Henrique – se no ataque pouco conseguiu fazer, não seria como volante que faria alguma coisa.

Thalles – reclamam que o garoto não faz nada e é fato que ele poderia se movimentar um pouco mais se não estivesse do tamanho que está. Mas também é fato que o rapaz não recebeu uma bolinha sequer em condições de finalizar. O resultado foi sua substituição pelo Leandrão, que é ainda mais lento que o Thalles e, entrando quando o time já estava uma bagunça completa, mal conseguiu encostar na bola.

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Mais uma vez ficou evidente a necessidade que o time precisa de um centroavante condizente com o tamanho do Vasco. Mas é inegável que esse não é o único problema da equipe. Com a frequência que o nosso meio de campo municia Thalles e Leandrão, mesmo um atacante de qualidade teria problemas para marcar gols. Esse é um problema que uma contratação não resolverá, quem tem que resolver é o Jorginho.

Só um comentário: o rendimento do Vasco nas últimas três partidas é de 33,3%. Disputando uma Série B, isso é mais que o bastante para acender um sinal amarelo na Colina.

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