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Hora de mostrar força

Imagem: freepik.com

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Diz o ditado que uma andorinha não faz verão. Mas para o ditado valer de alguma coisa, as outras andorinhas têm que comparecer e fazer a sua parte. Sem poder contar com um dos seus principais titulares na partida de hoje contra o Vila Nova, em Brasília, o Vasco precisa mostrar que sua força está no conjunto do time, independente dos desfalques que tenha.

Na última rodada ficou claro quanto o meia faz falta para a equipe. A atuação pra lá de irregular contra o Tupi mostrou que, sem o Andrezinho, o meio de campo perde muito da sua articulação e do equilíbrio defensivo. Quando as coisas apertam, é ele quem faz a ligação entre a defesa e o ataque e inicia muitas das nossas jogadas ofensivas. Os holofotes podem estar sempre voltados para o Nenê ou Martín – outro que não joga hoje, nem nas próximas seis partidas – mas os números não nos deixam mentir: Andrezinho é um dos grandes responsáveis pelo sucesso do time.

Mas sendo prático, quais as opções do Jorginho? O próprio técnico não parece estar muito certo, já que não definiu oficialmente o time e já citou mais de uma possibilidade. Podemos começar a partida com Evander, que substituiu Andrezinho no jogo contra o Tupi, mas aí perdemos na recomposição defensiva e na objetividade (o que pode ser diminuído se o garoto tentar aparecer menos e fazer o simples mais vezes); Bruno Gallo é outro, mas aí perdemos muito na qualidade de passe e na criatividade; Com Diguinho teríamos um time mais forte no combate, mas aí dependeríamos exclusivamente do Nenê para criar alguma coisa. Ou seja, atualmente ninguém pode cumprir a contento as funções do Andrezinho. Talvez quando Fellype Gabriel estiver em condições de jogo.

Mesmo sem um dos principais titulares, quem estará em campo tem que justificar o investimento feito pelo clube, muito maior que o de qualquer outro adversário na competição. Nos dois primeiros jogos, o Vila Nova ganhou jogando em casa e perdeu como visitante. Por isso, nem o fato de jogar fora de São Januário servirá como desculpa, já que a partida será em Brasília e certamente a nossa torcida comparecerá em número maior que a do Vila Nova.

Uma breve olhada no histórico recente do nosso adversário – um time que até ano passado estava na segunda divisão do campeonato goiano e na série c do Brasileiro – torna evidente o fato de que pende muito mais para o nosso lado a responsabilidade da vitória. O time pode se ressentir da ausência de um ou dois titulares, mas isso não é o bastante para tirar do Vasco o favoritismo nessa ou em qualquer outra das 38 rodadas do Brasileiro.

 

Vila Nova X Vasco

Vila Nova X Vasco

Edson; Jefferson Feijão, Anderson, Vinícius Simon e Marcelo Cordeiro; Maguinho, Robston, Jean Carlos, Roger e Leandrinho; Vandinho.
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Jordi, Madson, Luan, Rodrigo e Julio Cesar; Marcelo Mattos, Julio dos Santos, Evander (Bruno Gallo) e Nenê; Jorge Henrique e Thalles.

Técnico: Rogério Mancini.

Técnico: Jorginho.

Estádio: Mané Garrincha. Data: 24/05/2016. Horário: 21h30. Arbitragem: Marcelo Aparecido R de Souza. Auxiliares: Alberto Poletto Masseira e Vitor Carmona Metestaine.

O Canal Premiere transmite para todo Brasil no sistema pay-per-view.

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Sobre a contusão do Andrezinho: o CAPRRES tem feito um excelente trabalho na recuperação e prevenção de contusões dos nossos atletas. Exatamente por isso é estranho ver um jogador se contundir com uma gravidade maior, com cinco minutos de bola rolando e sem ter levado uma bordoada de um adversário.

Até agora, o CAPRRES vinha sendo merecedor de todos os elogios que recebeu. Mas não conseguir prever que o Andrezinho poderia se contundir parece ser a sua primeira bola fora.

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Sobre o Rafael Vaz: pelo que foi noticiado, todos os envolvidos são responsáveis pela sua saída do Vasco.

A diretoria mostrou ter má vontade com o empresário do jogador por não envolvê-lo na negociação e fazer proposta diretamente ao Vaz. Reinaldo Pitta, o empresário, também não parecia fazer muita questão que seu cliente renovasse com o clube (e o fato de ter sido dispensado pelo lateral Julio Cesar quando renovou com o Vasco certamente teve alguma influência nessa atitude). E o próprio Vaz, que se quisesse permanecer no Vasco, poderia ter aceitado a proposta vascaína e renovado.

Vale dizer que é direito do jogador achar que merecia uma proposta melhor, assim como procurar outro clube que lhe ofereça valores maiores (e até mais chances como titular, o que dificilmente aconteceria agora com Jorginho). Mas é preciso lembrar que nessa história quem mais perdeu foi o Vasco. Primeiro, porque há muito o Jorginho já tinha declarado que contava com o Vaz e queria ver seu contrato renovado; segundo, porque com o fim do contrato, perderemos 60% dos direitos do jogador que pertenciam ao clube.

Resumindo: o Vasco verá um jogador que poderia lhe render uma boa grana indo embora – muito possivelmente para o seu maior rival – sem ter qualquer lucro com isso e ainda terá que aumentar a lista de reforços, já que a saída do Vaz deixa apenas Jomar e Aislan (!!!) como opções para a zaga. Ou seja, um prejuízo duplo.

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A loucura funcionou (dessa vez)

– Ou as pessoas me chamariam de maluco ou falariam que fiz o certo.

A declaração do Jorginho na coletiva após o empate em 1 a 1 com o CRB incorre em um erro que aprendemos a distinguir nas aulas de lógica do colégio: a falácia. Pelo que fez ontem, o técnico do Vasco poderia sim ser chamado de maluco e, mesmo que a classificação tenha vindo, isso não quer dizer necessariamente que ele tenha feito o certo. As loucuras cometidas pelo Jorginho ontem poderiam ou não dar certo, mas isso teve muito mais a ver com a obra do acaso do que por sua genialidade ou sua visão como estrategista da bola.

As maluquices do Jorginho começaram já na escalação. As entradas de Bruno Ferreira na lateral e Yago Pikachu no meio desequilibraram demais o time; com o Madson vetado (o que só ficamos sabendo na coletiva pós-jogo), parecia lógico que o Pokémon jogasse na lateral e não no lugar do Julio dos Santos, poupado sabe-se lá por qual razão. Jorginho até costuma trocar o paraguaio pelo Pikachu, mas sempre quando o Vasco precisa abdicar de uma marcação mais forte no meio de campo e ser mais ofensivo.

Começar a partida com essa formação só serviu para cedermos espaços para o CRB encaixar seus ataques. Tanto que o Vasco só teve uma chance clara de gol no primeiro tempo, justo na única jogada certa da dupla reserva que começou a partida: Bruno Ferreira foi até a linha de fundo, toca para trás e a bola chegou ao Pikachu que, como de costume, isolou a bola mesmo estando na cara do gol.

O gol do time alagoano saiu pouco depois disso, em cobrança de falta na qual Martín Silva fez um golpe de vista e acabou vendo a bola estufar a rede. E o CRB só não ampliou ainda na primeira etapa por que o goleirão compensou a falha tirando a bola dos pés de um atacante quando ele estava prestes a marcar. O fim do primeiro tempo deixou na dúvida o que tinha sido pior: estar perdendo o jogo ou constatar que o placar era justo.

O time precisava mudar e Jorginho mexeu na equipe. O time até entrou mais ligado, mas a troca do Bruno Ferreira pelo Eder Luis não resolveu nossos problemas de marcação. Criamos algumas oportunidades – duas com Thalles – mas estávamos ainda mais vulneráveis aos contragolpes. Vendo que o time não conseguia marcar, Jorginho partiu para o tudo ou nada antes da metade da etapa final: ele tirou Marcelo Mattos e colocou o Evander em campo, deixando o time sem nenhum volante de origem.

Parecia desespero demais para um placar que não nos eliminaria. As alterações acabaram com a pouca organização que o time tinha, já que Andrezinho e Jorge Henrique (???) tiveram que recuar para ajudar na marcação. Continuamos sofrendo com os contra-ataques e não melhoramos ofensivamente. Aos 35, Jorginho cometeu sua maior loucura, trocando um centro-avante por um zagueiro: Thalles saiu e Rafael Vaz entrou para jogar na frente.

A maluquice deu certo. Já nos acréscimos, Eder Luis recebeu passe do Andrezinho e tentou o arremate. O chute errado – como tudo que tentou no jogo – se transformou num passe perfeito para Vaz, que penetrou como um verdadeiro camisa 9 e empurrou para a gol. Não havia mais tempo para o CRB reagir. O 1 a 1 manteve nossa invencibilidade e nos classificou para a próxima fase da Copa do Brasil sem precisarmos dos pênaltis.

O Vasco começou o jogo com três laterais em campo e terminou com três zagueiros, três meias, um atacante e nenhum volante. Ao longo da partida, um atacante virou volante e um zagueiro jogou no ataque. Com a classificação, a torcida fez brincadeiras com a genialidade do treinador. Mas as piadas se tornariam críticas raivosas se as coisas não dessem certo e, dentro de uma normalidade que nem sempre acontece no futebol, não eram para dar mesmo. A escalação inicial do Jorginho foi equivocada e as substituições ao longo da partida foram exageradamente arriscadas. Não havia razão para as alterações na escalação inicial nem para jogar o time tão para frente ainda na metade do segundo tempo. Dessa vez, as loucuras do Jorginho deram certo. Mas isso não quer dizer que darão certo sempre.

As atuações…

Martín Silva – uma grande defesa, tirando a bola dos pés do atacante do CRB. Mas a falta que originou o gol do adversário era defensável.

Bruno Ferreira – ninguém lembrava que o jovem lateral ainda estava no Vasco. Depois dos 45 minutos que esteve em campo, faremos de tudo para esquecê-lo novamente. Eder Luis entrou em seu lugar e até tentou ser efetivo puxando contra-ataques, mas errou tudo o que podia. Errou inclusive o chute que passou longe do gol mas acabou nos pés decisivos do Rafael Vaz.

Rodrigo – com a frouxidão da marcação no meio de campo, teve problemas com o ataque adversário.

Luan – parece ter sentido a falta de ritmo no seu primeiro jogo desde a final do Estadual. Foi mal no tempo de bola e cometeu de forma infantil a falta que originou o gol do CRB.

Julio Cesar – ineficiente tanto no apoio como n marcação. Na sua melhor jogada, sofreu pênalti ignorado pelo juiz.

Marcelo Mattos – não conseguiu fazer uma proteção eficiente à zaga e errou passes demais. Saiu quando Jorginho partiu para o tudo ou nada, dando lugar ao Evander, que tem muito a crescer no futebol ainda antes de ficar tentando lances de efeito quando o time está precisando marcar gols.

Yago Pikachu – quando estava no meio, não ajudou Marcelo Mattos na marcação como deveria e ainda perdeu o gol mais feito do Vasco; indo pra lateral com a saída do Bruno Ferreira, apenas transformou a direita do time numa avenida.

Andrezinho – um dos poucos a se salvar do fiasco que foi a atuação geral do time. Tentou levar o time ao ataque, mas a bagunça que se transformou o time o atrapalhou. Iniciou a jogada do nosso gol acertando bom passe para o Eder Luis.

Nenê – pelo visto, gastou seu poder de decisão todo contra o Sampaio Corrêa. Ontem não acertou nada e pouco contribuiu.

Jorge Henrique – acompanha o lateral, recompõe a defesa quando perdemos a bola e até terminou a partida como volante. Só não é visto no ataque.

Thalles – passou em branco no primeiro tempo, sendo muito pouco acionado. No segundo tempo chegou a finalizar com perigo duas vezes, mas nas duas a defesa adversária cortou a bola. Ainda assim, não dá pra negar que lhe falta buscar o jogo e pelo menos tentar criar mais oportunidades. Deu lugar ao Rafael Vaz que entrou mesmo para jogar no ataque e acabou sendo mais efetivo, marcando mais uma vez um gol que salvou, se não a classificação (já que iríamos para os penais), a sequência invicta do time.

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Pé no chão e bola na rede

Sobre a estreia do Vasco no Brasileiro de 2016, fico com as palavras do treinador Jorginho na entrevista coletiva pós-jogo:

Mais do que uma vitória de 4 a 0, foi a postura da equipe, a organização tática, cada jogador se mantendo compromissado com o objetivo do grupo. Em momento algum a gente viu a equipe desestabilizada. A gente viu uma equipe querendo, jogando, sendo protagonista, com vontade, organização, lutando por cada bola, cada palmo dentro de campo.

Resumindo as palavras do técnico, golear o Sampaio Corrêa não foi o principal motivo para a torcida comemorar. E, diante da fragilidade do adversário, nem deveria ser mesmo. O mais importante foi ver um time que entrou em campo com vontade de vencer, que se empenhou ao máximo e que não deixou ao seu óbvio favoritismo a função de ganhar a partida. O Vasco ontem jogou como deve jogar sempre: aliando sua técnica superior à seriedade quando a bola rolou.

O que o Gigante fez ontem foi uma prova de respeito, ao adversário, à competição, à sua torcida e também à camisa que cada um dos jogadores estava vestindo. A exaltação do Jorginho à postura da sua equipe faz todo sentido. Foi a ausência dessa atitude que nos complicou durante toda a campanha de 2014. Pelo que vimos ontem, a história com Nenê e companhia será completamente diferente.

Vale dizer que o Sampaio Corrêa foi valente. Diante da sua torcida, o time maranhense não se contentou em fazer como a maioria absoluta das equipes que confrontam um clube grande e tentou fazer um jogo de igual para igual.  E talvez esse tenha sido o seu maior erro. Se tivessem optado pela retranca, talvez não sofressem tantos gols. Os donos da casa sofreram duplamente ao fazer essa escolha, já que nas poucas vezes que chegaram com perigo acabaram parando na nossa zaga ou no nosso goleiro e ainda deixaram espaços demais para que nosso ataque funcionasse sem muita resistência. A ousadia do Sampaio Corrêa teve o alto preço dos quatro gols (que poderiam ser cinco ou seis,  no barato).

Mas fez bem Jorginho em exaltar principalmente a postura da equipe. Oponentes como o de ontem, que não têm medo de atacar o grande favorito da competição, serão uma raridade. E quando o Vasco não encontrar a facilidade que teve ontem, será preciso demonstrar ainda mais empenho que o apresentado contra o Sampaio Corrêa. Tendo isso em mente – e aparentemente isso já está incutido na cabeça dos nossos jogadores – já teremos meio caminho andado para conquistar as vitórias. É mantendo o pé no chão que faremos a bola chegar nos gols adversários.

As atuações…

Martin Silva – mesmo com a superioridade vascaína na partida, foi obrigado a fazer uma ou outra boa defesa.

Madson – até cruzamento acertou ontem – vá lá, foi apenas um e a finalização do Nenê foi nas mãos do goleiro Mas já é pra se comemorar – mas deu umas vaciladas defensivamente.

Jomar – mal teve tempo para jogar e saiu com um corte no quengo. Rafael Vaz entrou em seu lugar e depois de um começo meio enrolado, não teve muitos problemas com o ataque adversário.

Rodrigo – mesmo correndo o risco de dar uma trombada com força na trave – o que acabou acontecendo – se atirou na bola para evitar um gol do Sampaio Corrêa. E isso quando já vencíamos por 3 a 0! Diante de tal mostra de comprometimento, nem precisamos falar mais sobre sua atuação. Faltando alguns minutos para o fim do jogo, o quase esquecido Aislan entrou em seu lugar e no tempo que esteve em campo não conseguiu cometer nenhuma bizarrice.

Julio Cesar – teve uma atuação mediana, mas deu excelente passe em profundidade para o Andrezinho, iniciando a jogada do terceiro gol.

Marcelo Mattos – se enrolou um pouco com os avanços do adversário. Melhorou no segundo tempo.

Julio dos Santos – os melhores momentos ofensivos do Sampaio Corrêa aconteceram com o paraguaio em campo. Talvez ele melhorasse junto com o time no segundo tempo, mas não teve tempo. Yago Pikachu o substituiu ainda no intervalo e apareceu mais no ataque que na defesa. Infelizmente o pokemón paraense não evoluiu o bastante para marcar gols. Mas foi quase: teve duas boas chances e uma delas caprichosamente bateu na trave.

Andrezinho – depois de um primeiro tempo entre o discreto e o apagado, a melhoria defensiva do time no segundo tempo deram mais liberdade para Andrezinho, fazendo aparecer seu futebol. Participou diretamente da jogada dos dois últimos gols: em um, fez bela jogada dentro da área colocando Nenê na cara do gol; no último, foi dele o lançamento para o Riascos, inciando a jogada.

Nenê – uma atuação irrepreensível do camisa 10: uma assistência, três gols e outras tantas boas chances impedidas pelo goleiro adversário.

Jorge Henrique – pode-se reclamar do sujeito o quanto for, mas não se pode negar que seu empenho na marcação de saída de bola desobriga o Nenê dessa função, dando mais liberdade para quem tem melhores condições técnicas para definir as jogadas.

Riascos se acertasse 25% do que tenta fazer, o Vasco teria o dobro de gols no ano. Mas por ontem, mesmo tendo o colombiano estragado pelo menos uns dois contra-ataques que seriam mortais, não se pode falar mal do atacante: marcou o primeiro gol, fez uma bela assistência para o segundo e teve participação direta no quarto.

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Drama e êxtase

Uma final não é apenas mais uma partida entre tantas em um campeonato. Toda final é um momento que supera e redime qualquer competição.

O estádio lotado não tem apenas torcedores, mas testemunhas de um acontecimento histórico, uma pequena epopeia repleta de drama e êxtase. Mas apenas um lado tem o que comemorar ao apito final. E, geralmente, o vencedor é quem passa por essa montanha-russa de emoções sem fraquejar.

A final entre Vasco e Botafogo foi assim. E ambos se provaram merecedores protagonistas do último ato desse Estadual. No maior palco do esporte brasileiro, fizeram das finais um espetáculo à altura de suas tradições, se não pela técnica ou pela plasticidade do futebol apresentado, pelas emoções que proporcionaram às suas torcidas.

Como todo drama, a final teve seus heróis. Alguns, óbvios como Martín Silva e Nenê, mas também heróis improváveis: quem poderia imaginar que um atacante com 1,67m de altura fosse marcar um gol de cabeça em um dos melhores goleiros do país? Ou que um zagueiro, quase dispensado no ano passado, entraria inesperadamente na segunda partida para marcar o gol do título?

Heróis inesperados podem ser um sinal de um elenco com opções ou – o que é mais provável – uma prova de que alguns jogadores têm estrela. Seja como for, na hora de decisão quem brilhou não foi a estrela solitária, mas sim a estrela do Jorginho e dos seus comandados. O que não significa que fomos campeões por obra do acaso; muito foi feito para o Vasco chegar onde chegou. O título é a coroação da competência de um trabalho traduzido numa invencibilidade de 25 partidas. Diante disso, não há como colocar qualquer mérito no acaso.

Vaz comemorando o gol do título (Foto: www.vasco.com.br)

Vaz comemorando o gol do título (Foto: http://www.vasco.com.br)

Somos bicampeões estaduais, repetindo um feito não conseguimos igualar por mais de 20 anos. E por mais que esteja na moda tentar diminuir a importância do Carioca, esse grupo do Vasco escreveu ontem um capítulo na história do clube que nunca será esquecido.

As atuações…

Martín Silva – não precisou fazer milagres, mas fez pelo menos duas daquelas grandes defesas que lhe garantem o mérito de ter sido um dos principais – talvez O principal – responsáveis pelo título.

Madson – sem a necessidade de atacar constantemente, se ateve mais à defesa e, ainda assim, falhou no lance do gol botafoguense. Para compensar, numa das poucas arrancadas que deu rumo ao ataque, acabou sofrendo a falta que originou o gol do título.

Luan – errou a maioria dos lançamentos e viradas de bolas que arriscou, mas vinha tendo uma atuação segura, se saindo bem no confronto direto e não tendo pudores ao apelar para os chutões quando necessário. Acabou sendo substituído no intervalo, lesionado. Rafael Vaz entrou em seu lugar e foi do inferno ao céu em questão de minutos: deixou o Leandrinho sozinho no lance do gol botafoguense para pouco depois marcar o gol do título. Fora isso, manteve o nível da segurança na zaga, mas foi melhor que Luan nas saídas de bola.

Rodrigo – não conseguiu evitar o cruzamento que terminou no gol alvinegro, mas manteve o bom nível das atuações em clássicos. Jogou com firmeza e dificilmente perde uma disputa no mano-a-mano.

Julio Cesar –também foi tímido no apoio e mesmo assim foi seu lado do campo o melhor caminho para o Botafogo chegar ao ataque.

Marcelo Mattos – incansável no combate, mas erra muitos passes. Em alguns momentos foi envolvido pelos meias botafoguenses.

Julio dos Santos – procurou ocupar os espaços no meio de campo e o fez bem. Mas poderia ser mais participativo na criação de jogadas. Sua única participação ofensiva com algum destaque foi em um corta-luz que deixou Riascos na cara do gol. Yago Pikachu entrou em seu lugar quando o jogo estava empatado, provavelmente para explorar os espaços que apareceriam contra um Botafogo que precisava desesperadamente de um gol. Não chegou a cumprir essa função e apesar do esforço, não manteve o nível do Julio na marcação pelo meio de campo.

Andrezinho – mais uma vez ditou o ritmo do Vasco, voltando para iniciar as jogadas e ajudando também na marcação. Participou dos melhores lances do time e ainda apareceu na frente para finalizar.

Nenê – foi o Nenê de sempre. Sofreu com a marcação, recebeu uma penca de faltas, reclamou do juiz, perdeu algumas bolas bobas e pouco fez em campo. Isso até achar que está na hora de resolver a partida e ser decisivo: saiu dos pés do camisa 10 o cruzamento para Rafael Vaz marcar o gol do título.

Jorge Henrique – se recebesse o salário de acordo com as funções que faz em campo, seria o mais bem pago do elenco: cobre o lateral até a linha de fundo, dá o combate no meio de campo e, quando sobra algum tempo, é visto até no ataque! Jogue bem – como ontem, quando fez algumas boas jogadas no ataque no primeiro tempo – ou mal, é impressionante seu comprometimento com as tais “funções táticas”.

Riascos – teve apenas uma chance clara para marcar, mas chutou fraquinho após corta-luz do Rúlio dos Santos. Se não tentasse sempre driblar todos os jogadores que encontra pela frente e colaborasse mais com passes no ataque, seria mais eficiente. Saiu no fim do jogo para a entrada do Diguinho, que só tinha mesmo uma função em campo: correr como um louco e ajudar a fechar o meio de campo.

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Bom pra garotada

Mesmo não sendo um adversário molezinha como os que nos acostumamos a enfrentar no Estadual – como no domingo passado – o Remo não chegou a realmente ameaçar a classificação do Vasco para a segunda fase da Copa do Brasil. Mesmo com um time recheado de reservas e penando com a falta de entrosamento (e porque não dizer, de qualidade da parte de alguns jogadores que atuaram), não tivemos muito trabalho para vencer a partida na Colina Histórica por 2 a 1.

Apresentando o que parecia ser uma soma de ausência de conjunto com um certo relaxamento, o Vasco chegou a ceder alguns espaços e fazer uma partida equilibrada com o frágil oponente que tínhamos pela frente. Aí, quando o Remo parecia gostar um pouco demais do jogo, o time se esforçava um pouquinho mais e passava a dominar a partida, acuando a equipe remista em seu campo. Nos dois tempos foi assim: vinha o apito inicial, o Vasco começava em marcha lenta; o Remo botava as mangas de fora e começava a rondar nossa área; o Vasco acordava e passava a ter maior volume de jogo.

Depois de passarmos a etapa inicial sem abrir o placar e criando poucas chances reais de gol, veio um segundo tempo mais interessante, principalmente depois do Jorginho começar a mexer na equipe e colocar ainda mais garotos da base em campo. Com as três substituições feitas, nada menos que seis jogadores criados em São Januário atuaram na partida (a saber, Luan, Henrique, Evander, Andrey, Caio Monteiro e Thalles).

E a jogada do nosso primeiro gol contou com a participação de três deles: Henrique escapou pela linha de fundo e tocou para Evander; ele acionou Nenê que invadiu a área e deu um inteligente passe para trás, encontrando Caio Monteiro livre para chutar pro gol. Cinco minutos depois ampliamos, mais uma vez com Evander participando do lance ao cobrar o escanteio que terminou na cabeçada mortal do Rafael Vaz.

Com dois gols de vantagem e podendo empatar a partida, o time mais uma vez diminuiu o ritmo e o Remo aproveitou como pôde. Primeiro, obrigou Martín Silva a fazer uma defesa muito difícil; e aos 29 acabou marcando o seu golzinho, numa cobrança de escanteio. Mas isso foi tudo o que a equipe paraense conseguiu fazer antes do fim do jogo.

No fim das contas, mostrou-se correta a estratégia de poupar alguns titulares. O time sentiu a ausência de alguns deles – principalmente a do Andrezinho fazendo a saída de bola – mas no final das contas conseguiu o principal: garantiu a classificação para a próxima fase mesmo dando um descanso para jogadores importantes da equipe. Além disso pôde dar à garotada um gostinho do que é disputar um jogo decisivo entre os profissionais. Ao longo do ano eles certamente serão muito utilizados e ir pegando ritmo e experiência é fundamental.

As atuações…

Martín Silva – mesmo em um jogo menos complicado, precisou fazer duas ou três defesas complicadas. Não pode fazer nada no gol.

Yago Pikachu – alternou bons e maus momentos, mas mesmo não se escondendo do jogo e sendo participativo pode-se dizer que desperdiçou mais uma chance de mostrar que pode ser titular atuando na sua posição de origem.

Luan – não chegou a ter problemas contra o os homens de frente do Remo. No gol que sofremos, é aquilo: com a altura que a zaga tinha ontem, é vacilo levarmos um gol de escanteio cobrado na primeira trave.

Rafael Vaz – passou boa parte do jogo tentando mostrar que é craque. E entre uma e outra demonstração de excesso de autoconfiança, arriscou mais lançamentos do que deveria e entregou pelo menos uma bola de forma inaceitável para um titular de zaga vascaína. Compensou marcando um belo gol de cabeça.

Henrique – mesmo levando-se em consideração a fragilidade do adversário, fez outra boa partida: participou com alguma eficiência do apoio (tanto que iniciou a jogada do nosso primeiro gol) e defensivamente se saiu melhor que o Pokémon.

Marcelo Mattos – ontem encorporou o Guiñazu e deu carrinhos até na própria sombra. Mais uma vez fez alguns recuos perigosos e não conseguiu ajudar muito na saída de bola. Chegou a receber um bele passe para finalizar na frente do gol, mas se embananou sozinho com a bola.

Diguinho – se saiu ainda pior que o Mattos, errando um monte de passes nas saídas de bola e falhando inclusive na marcação.

Evander – em sua estreia como titular, começou a partida meio perdido em campo. Foi crescendo no decorrer da partida, distribuindo bem a bola e criando algumas boas jogadas. Acabou participando dos dois gols vascaínos, no primeiro, dando o passe para Nenê e no segundo cobrando o escanteio preciso para a cabeçada do Vaz. Deu lugar ao Andrey nos minutos finais da partida, e tirando a disposição natural de um garoto que teve sua primeira chance em uma partida oficial com os profissionais, não pode mostrar muita coisa.

Nenê – o camisa 10 já nos habituou a ver atuações minimalistas: ele não faz quase nada de útil em grande parte do jogo, mas sempre acaba sendo decisivo em poucos lances. Foi assim mais uma vez ontem. No primeiro tempo deixou o Marcelo Mattos na cara do gol e acertou bom lançamento para uma cabeçada do Riasco (ambas os lances acabaram desperdiçados); no segundo, fez a assistência no lance em que abrimos o placar. Fora isso, praticamente não apareceu.

Eder Luis – se é a falta de ritmo, não se sabe. Mas o fato é que o Chico Bento não tem acertado quase nada nas oportunidades que tem tido no time. Ainda assim foi quem levou mais perigo ao gol remista na etapa inicial, acertando um belo chute de fora da área e perdendo um gol feito após receber boa bola do Pikachu. Foi o primeiro a ser sacado pelo Jorginho, dando lugar ao Caio Monteiro, que precisou de 5 minutos em campo para abrir o placar. Depois do gol marcado, não chegou a ter algum momento de destaque.

Riascos – pareceu empolgado com o baile que deu sobre a zaga mulamba no último domingo e exagerou nas tentativas de drible; ou talvez tenha sido apenas o Riascos de sempre, só que sem gols. Antes de ser substituído só teve uma boa chance, em uma cabeçada após lançamento do Nenê. Thalles o substituiu e acabou passando boa parte do tempo mancando em campo após ter tido uma torção que, esperamos, não seja muito grave.

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Vitoria da maturidade sobre o descontrole

Não precisou muito tempo para vermos quem sairia vencedor na primeira semifinal do Estadual desse ano. Aliás, não precisou sequer começar a partida: a intempestiva entrada mulamba em campo, que abandonou o protocolo para dar uma demonstração de…bem, não dá pra saber exatamente o que significou aquele gesto, mostrou o descontrole do nosso adversário mesmo antes da bola rolar. Se foi uma tentativa de intimidar nossoo time, não deu certo. Os mulambos simplesmente deram – perdoem-me pelo trocadilho – uma baita bandeira de que no futebol estão longe da maturidade que tem a equipe do Jorginho. O resultado não poderia ser outro: Vasco 2 a 0 e vaga na final garantida sem muitas complicações.

E o Vasco venceu sem precisar dar espetáculo ou jogar muito bem. Nem mesmo se valeu da vantagem do empate, buscando o ataque tanto quanto à mulambada, que precisava marcar gols. A diferença é que o Framengo tinha uma posse de bola estéril, que não nos ameaçava muito, enquanto o Vasco ia ao ataque na boa e levava mais perigo. Foi assim até os 21 minutos, quando abrimos o placar após Riascos dar uma série de dribles no zagueiro César Martins (que devem ter lhe provocado danos irreversíveis na coluna), passar para Nenê (que chutou em cima do Wallace) e Andrezinho aproveitar a sobra para estufar a rede com um chute na entrada da área.

Com vantagem ainda maior, o Vasco acabou recuando suas linhas de marcação, o que fez com que o Framengo fosse mais presente no ataque, principalmente pela esquerda. Jorge Henrique, Diguinho e Júlio César não conseguiam impedir os avanços do adversário e com isso a mulambada passou a cruzar bolas perigosas pela nossa área. Por sorte, os atacantes de grife do outro lado parecem ficar ainda menos eficientes diante do Rodrigo e não conseguiram aproveitar as oportunidades que tiveram.

No segundo tempo as coisas se resolveram ainda mais rapidamente. Voltando com uma marcação melhor, o Vasco precisou de apenas 11 minutos para ampliar: Júlio César avançou para o ataque, tocou para Andrezinho que encontrou Riascos na área. O colombiano chuta, Paulo Vitor defende e a bola bate em Wallace e vai para o gol. Foi contra, mas como a arbitragem deu o gol para o atacante vascaíno, Riascos chegou ao seu nono gol e à artilharia da competição.

Precisando marcar três gols para escapar da eliminação, a mulambada acabou se abatendo. E aí, o Vasco mais uma vez mostrou segurança, garantindo o placar sem correr muitos riscos. A expulsão do Alan Patrick aos 33 minutos – após falta desqualificante sobre Yago Pikachu – decretou o fim das esperanças rubro-negras. Daí em diante foi só esperar o apito final, dado em cima dos 45 minutos. Até o árbitro sabia que acréscimos seriam inúteis.

A nona partida sem derrota para a urubulândia serviu para evidenciar como o momento vascaíno é melhor que o do rival. Ainda que não tivéssemos marcado nenhum gol, a classificação do Vasco seria inevitável, já que os mulambos pouco nos ameaçaram. No fim das contas, nada mais justo diante da campanha das duas equipes na competição. Mas vale lembrar que, como disse o Jorginho em sua coletiva, não ganhamos nada ainda e o objetivo é o bicampeonato. Eliminada a mulambada, agora é se preparar para a segunda final seguida contra o Canil e mostrar a mesma tranquilidade que tivemos ontem nas duas partidas decisivas que teremos pela frente.

As atuações…

Martín Silva – segurança em todos os lances e pelo menos uma grande defesa, ainda no primeiro tempo.

Madson – com maiores preocupações defensivas, não foi tão presente no apoio. Se saiu bem na função.

Luan – superior aos atacantes mulambos em praticamente todos os lances. Acabou iniciando com uma espanada na bola um contra-ataque perigoso, desperdiçado por Nenê e Riascos.

Rodrigo – assim como o companheiro de zaga, não teve muitos problemas para parar o ataque urubulino.

Julio Cesar – voltando de contusão e aparentemente jogando no sacrifício, acabou não dando a proteção necessária à sua lateral, que foi o caminho mais utilizado pela mulambada para chegar ao ataque. No segundo tempo melhorou e até chegou a fazer algumas boas jogadas no apoio. Cansou e deu lugar ao Rafael Vaz, que entrando com o jogo resolvido acabou mesmo improvisado na esquerda, onde se preocupou unicamente em reforçar a marcação.

Diguinho – jogando à frente da zaga, poderia ter menos problemas se adiantasse um pouquinho mais a marcação – algo que não foi exclusividade sua, mas do time como um todo – e não permitisse a constante troca de bola framenga tão próxima à nossa área. Na saída de bola deu umas vaciladas. Também atuando meio que no sacrifício, deu lugar para o Yago Pikachu, que se ateve mais à marcação. A expulsão do Alan Patrick, que praticamente acabou com qualquer chance de reação mulamba, aconteceu em uma falta sofrida pelo lateral/volante.

Julio dos Santos – não é implicância, eu simplesmente sou incapaz de ver qualquer coisa de útil que o paraguaio faça em campo. Talvez seja porque ele só faça a tal “função tática” que os técnicos tanto gostem. Mas é aquilo: quem não faz nada, não erra. E como muito ajuda quem não atrapalha, nem dá pra falar muito do cara.

Andrezinho – mais uma vez ocupou o espaço que deveria ser do Nenê e fez muito bem. Iniciou as melhores jogadas do time, participou dos lances dos dois gols, mostrando boa visão de jogo e de posicionamento no que marcou e encontrando Riascos com um bom passe no segundo.

Nenê – mesmo tendo finalizado algumas vezes no primeiro tempo e tendo iniciado a jogada do primeiro gol, foi um dos mais fracos no time: perdeu um monte de bolas bobas (e um gol feito, ao preferir tocar ao invés de chutar para o gol), errou muitos passes e passou a maioria do tempo caindo. No segundo tempo melhorou, mas ainda ficou aquém do que se espera do craque do time.

Jorge Henrique – foi muito mais presente no apoio à marcação – onde não foi muito bem, já que não conseguiu impedir os avanços do Rodinei – tendo feito apenas uma boa jogada ofensiva, quando puxou um contra-ataque e deu ótimo passe para Nenê (que desperdiçou o lance). Pelo menos não se pode ignorar a entrega do jogador em campo.

Riascos – participou dos dois gols, entortou a coluna do zagueiro mulambo no primeiro, ganhou de presente da arbitragem o segundo e ajudou a levar o Vasco à final chegando à artilharia do campeonato. Foi ou não foi um bom dia para o colombiano? Eder Luis o substituiu depois dos 30 minutos para dar novo gás aos contra-ataques vascaínos, o que acabou não sendo necessário. Ainda assim, o Chico Bento participou de duas boas jogadas.

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Antes da partida, a imprensa se esmerou em mostrar a festa da torcida rubro-negra em Manaus e em informar que os ingressos destinados ao Flamengo tinham grande procura. A intenção óbvia era mostrar que a movimentação do torcida adversária era mais intensa que a da nossa, ignorando que o Vasco jogava pelo segundo final de semana seguido na cidade e que, mesmo assim, fez uma recepção tão calorosa quanto a do rival e esquecendo de citar que não é fácil para o torcedor vascaíno pagar ingressos caros duas vezes no mesmo mês.

E qual foi a resposta do Framengo para o carinho do povo de Manaus? Ignorar os pequenos torcedores que entrariam em campo com os jogadores para fincar uma bandeira no campo. Para aliviar bastante a barra do time, podemos dizer que foi uma atitude bastante deselegante.

E no final das contas, não adiantou nada. Foram eliminados do mesmo jeito. Se a intenção ao espetar a bandeira mulamba no gramado era mostrar que “conquistariam aquele território”, o Vasco mostrou como se faz isso da maneira correta: com bola na rede.

Com a derrota, ficou claro que fincar bandeiras não adianta nada. Mas O Bandeira é quem deve estar querendo enterrar sua cabeça num buraco no chão.

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Jogo atípico com o vencedor de sempre

Uma partida da Taça Guanabara – que dá troféu, mas não é título – disputada a milhares de quilômetros da baía que lhe batiza; em um turno que foi disputado em pontos corridos mas acabou tendo uma final; que tinha como apontado favorito um time que é contumaz freguês do seu adversário; que foi transmitido apenas por pay-per-view e essa única opção ficou fora do ar por 30 minutos da partida; que teve gol invalidado, expulsão de jogador por levar uma cabeçada e que um dos participantes terminou sem sua zaga titular em campo (e com um atacante com pouco mais de 1,50 de altura como zagueiro). E como se não bastasse e para coroar o caráter incomum dessa Guanabara, teve como vencedor um time que há 13 anos não conseguia esse feito.

De tudo o que aconteceu na Arena da Amazônia ontem, só uma coisa não pode ser chamada de esquisita: o resultado. No apito final, deu a lógica e o Fluzim mais uma vez confirmou sua vocação de cliente preferencial e perdendo outra vez para o Vasco, que acabou levando a taça para São Januário.

Foi um jogo de muita correria e não muita técnica, como é até natural em um clássico. De diferente, a disposição do Vasco, que precisando do resultado mostrou mais vontade que a equipe tricolete. No primeiro tempo, os times entraram no esquema da correria e mesmo que tenham criado algumas chances de gol – o Fluzim chegou a balançar a rede, mas o árbitro anulou o lance assinalando uma entrada faltosa em Martín Silva – os momentos de emoção não foram muitos. Os flores, precisando de um empate para garantir o primeiro lugar no turno, jogavam de forma mais cautelosa e explorando os contra-ataques; o Vasco por isso tomava mais a iniciativa e tinha mais posse de bola, porém cedia muitos espaços para o Laranjal partir para o contragolpe. Mas pelo nosso lado, apresentávamos dificuldades para furar a marcação adversária, tanto que nossa melhor chance surgiu numa bola parada, com Andrezinho acertando o travessão numa cobrança de falta de longa distância. Na sequência desse lance, Cavalieri impediu que Riascos abrisse o placar numa cabeçada perigosa.

O calor equatorial acabou fazendo com que os times diminuíssem o ritmo gradativamente, não sem antes fazer uma vítima: Luan acabou passando mal e sendo substituído por Rafael Vaz, ainda na primeira etapa. Talvez por isso os dois times tivessem precisado de um tempo maior no intervalo para se recuperar, o que fez que as equipes retornassem para a etapa final após 20 minutos de descanso.

Riascos comemora seu gol (Foto: www.vasco.com.br)

Riascos comemora seu gol (Foto: http://www.vasco.com.br)

E logo no minuto inicial do segundo tempo o Vasco criou uma boa chance, com Riascos. Mas o atacante se alongou demais nos dribles e acabou não conseguindo finalizar. Seguíamos com maior posse de bola até que a transmissão da partida foi interrompida por uma queda de sinal do Premiere. Meia hora do jogo se passou sem que a emissora voltasse com o jogo, tempo suficiente para Jorginho tirar Julio dos Santos, colocar Eder Luis e esse criar a jogada que culminou no gol de Riascos. Nesse intervalo em que apenas os vascaínos no estádio puderam ver a partida, o Flu quase empatou e Marcelo Mattos se desentendeu com o volante Edson (que após dar uma cabeçada no vascaíno provocou a expulsão dos dois).

Vendo sua vantagem ter sido tomada, o Fluzim tentou aproveitar o maior espaço em campo para pressionar, mas nos contra-ataques, o Vasco esteve mais perto de ampliar do que ceder o empate. A melhor chance foi de Eder Luis, que acertou uma bomba que não terminou em gol graças a mais uma grande defesa do Cavalieri. Nos minutos finais, Rodrigo saiu para a entrada do Diguinho e Jorge Henrique (?!?!?) terminou a partida na zaga. O Flu ainda teve uma boa chance com Osvaldo, mas Martín Silva garantiu o resultado e a conquista da Guanabara.

A vitória foi importantíssima, não pelo título – o que realmente não é – mas por aumentar a confiança da equipe, nos garantir a vantagem do empate na semifinal e, impossível não citar, por garantir um poupudo prêmio pelo primeiro lugar. Mas é importante lembrarmos das palavras do Andrezinho ao final da partida: “(…) não ganhamos nada ainda. Objetivo maior é o título carioca”. Esse deve ser sempre o pensamento de todos no grupo. A Taça Guanabara é legal, mas o que todos queremos é o bicampeonato.

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Sem poder ver o jogo na íntegra por conta da queda de sinal, nem é justo falar das atuações em detalhes. Apenas apontarei quem considerei os destaques da partida.

Martín Silva, que mesmo tendo saído mal na bola no lance do gol invalidado do Flu, garantiu o resultado com uma bela defesa aos 48 minutos do segundo tempo.

Rodrigo, que mais uma vez teve uma bela atuação em um clássico, superando os atacantes tricoletes em praticamente todos os lances (e inclusive salvando uma bola em cima da linha do nosso gol).

Andrezinho, que depois de duas ou três atuações mais apagadas voltou a compensar a pouca participação do Nenê no jogo, criando jogadas e também ajudando na marcação.

Eder Luis, que mudou a cara do jogo quando o Vasco precisava partir para buscar o resultado e deu o passe para o Riascos marcar o gol da vitória. Quase marcou um golaço com uma bomba de fora da área (o que é uma raridade no seu caso).

E, claro, Riascos, que marcou seu oitavo gol na competição e o mais importante na sua passagem pelo Vasco.

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Que vergonha, hein, Premiere? Vou te dizer, viu!

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Tem coluna nova também no Vasco Expresso. Clica aí pra dar uma conferida!

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