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Boas novas

marcinhoQuando se anuncia uma entrevista coletiva com dirigentes, no meio de uma semana sem jogo, é porque algo fora da rotina será anunciado. Foi o que imaginei quando soube que Paulo Angioni falaria à imprensa após o treino de hoje.

Por sorte, eram boas notícias no fim das contas. A situação do time exigia algumas medidas e, ainda que não sejam a garantia de uma solução no curto prazo, elas serão tomadas.

A mais impactante foram as rescisões contratuais do Marcinho e Douglas Silva e o afastamento do Bernardo. Ainda que a saída da “referência técnica do time” não tenha partido da diretoria – já que seria o mesmo que admitir o equívoco numa aposta que tinha tudo para dar errado. E deu – devemos agradecer seu bom senso em aceitar o pedido de rescisão do Marcinho. Foi um sinal de que o jogador tem mais senso de ridículo que nossos dirigentes têm do que deva ser uma contratação diferenciada.

Douglas Silva fez o mesmo e pediu sua rescisão. O caso dele se assemelha mais ao do Marquinhos: por não ter chances com Doriva, o zagueiro preferiu procurar outro clube onde possa jogar.

Aí entram duas questões. O destino de Douglas deve ser o Joinville, agora sob o comando do Adilson Batista. Acontecendo isso, o Vasco terá algum retorno financeiro ou ele foi dispensado de graça? E, se foi de graça, pra que renovar com um jogador que nem tinha sido pedido pelo treinador, pagar seus salários por cinco meses e depois reforçar um adversário sem levar qualquer compensação? Seria interessante a diretoria esclarecer esses pontos (não que eu tenha muita esperança disso acontecer).

Já o Bernardo…bom, o que falar dele? Um jogador mais cotado nas colunas de fofoca que nas resenhas esportivas não deveria mesmo ter outro destino. Seu contrato foi apenas suspenso, mas se for outro a ser rescindido não fará muita falta.

Levar o elenco para três dias de treinos em Mangaratiba também foi uma medida salutar. O momento da equipe exige calma e no Rio os jogadores dificilmente teriam o sossego necessário para se reerguer antes do jogo contra o Cruzeiro. Sem o natural assédio da imprensa e da torcida, o grupo pode manter o foco apenas no que interessa: a recuperação no Brasileiro. O apoio dado ao Doriva também foi importante, já que além de tranquilizar o treinador, acaba com a boataria, mais forte a cada resultado negativo do Vasco.

Pelo dia de hoje a diretoria está de parabéns. Ainda que tenha esperado demais por uma recuperação do time antes de fazer alguma coisa, acabou tomando uma atitude, algo que na gestão anterior era uma raridade.

***

Falando em atitude…

Como você avalia a atual situação do Vasco, com a torcida protestando na porta do clube e jogadores sendo afastados?

Para mim não houve nada. Pode estar havendo para você. Tudo está acontecendo por orientação minha.

E a pressão da torcida? E o policiamento na porta do clube?

Há policiamento porque o clube está fechado. Se tem alguém querendo entrar, não vai entrar. É uma questão de garantia do patrimônio. Quem entrou indevidamente foi a imprensa. E digo a você que a imprensa só entrou porque houve uma determinação para que ninguém entrasse que não foi bem compreendida.

Pode-se não gostar da maneira ríspida com que faz declarações na maioria das vezes, ser contra o seu jeito autoritário e discordar – até veementemente – do modo como administra o Vasco. Mas é inegável que, diante de situações como a que passamos hoje, Eurico sabe se portar como uma liderança. Fosse com o Dinamite, quem duvida que o protesto da torcida terminaria dentro do gramado de São Januário?

Na primeira crise da atual gestão, uma coisa ficou clara:  para o mal ou para o bem, o Vasco hoje tem um líder.

***

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Já vimos esse filme

Difícil falar com certa frequência sobre acontecimentos idênticos sem soar repetitivo. E como na série de empates o Vasco as situações que levam ao resultado final são muito semelhantes, espero que vocês compreendam o sentimento de déjà vu que possam vir a ter ao ler esse post sobre o 1 a 1 de ontem, contra o Internacional, pela terceira rodada do Brasileirão.

Tinha dito ontem que uma vitória sobre o Colorado seria uma oportunidade para o time afugentar de vez uma possível crise que se avizinha. Havia comentado também que o Inter era um adversário dos mais respeitáveis mesmo vindo com seu time reserva, primeiro porque tem um grupo mais qualificado que nossos dois primeiros adversários e também porque vários dos suplentes seriam titulares com folgas na equipe vascaína.

Aí vem o jogo, e no campo a teoria não é igual a prática, como dizem. Mesmo com jogadores como Alex, Nilton, Anderson e Nilmar, o Inter não se comportou muito diferente dos Figueirenses e Cuiabás da vida: jogou fechado, esperando as falhas do nosso time para tentar os contra-ataques.

Mas isso não foi o pior. Ruim mesmo foi ver que o Vasco também não se comportou diferente do Vasco. Dominou a partida e desperdiçou uma penca de gols (Madson, duas vezes, Gilberto e Julio dos Santos perderam as mais óbvias).

Só que bastou o Inter forçar um pouco para colocar nosso ponto forte em cheque. No fim do primeiro tempo, nossa defesa deu duas vaciladas, as duas com um inacreditável Nilton recebendo e cruzando na medida para Nilmar. Na primeira, cabeçada pra fora; na segunda, não teve jeito. Gol do Inter.

Na etapa final, nosso adversário ficou ainda mais fechado e o Vasco atuou praticamente o tempo todo em seu campo de ataque. E mais uma vez tivemos dificuldades em transformar o domínio em chances de gol. Doriva fez as igualmente conhecidas alterações (saem Marcinho e Dagoberto, entram Yago e Thalles, já que Bernardo não estava à disposição) e, mais uma vez, elas não surtiram o efeito esperado. O que nos salvou do que seria nossa primeira derrota foi justamente a única alteração diferente: Serginho, que já tinha um amarelo, cedeu lugar ao Lucas no intervalo. E foi o volante reserva que acertou um chute esquisito e que acabou nas redes do Inter. Nosso primeiro gol no Brasileiro garantiu nosso terceiro empate em três jogos.

Como era de se esperar, Doriva exaltou a “consistência” da equipe e lamentou as chances perdidas. Como sempre também, a torcida deu um desconto por mais dois pontos perdidos, já que pelo menos o time mostrou garra para buscar a igualdade no placar. Mas o que muitos torcedores ainda não se ligaram é que luta é o mínimo que se espera de uma equipe da elite do futebol brasileiro. Ter um time que se empenha não basta: é preciso mostrar alguma qualidade para construir os resultados e garantir uma campanha no mínimo tranquila.

Podemos pensar que ainda estamos  na terceira rodada, que as coisas vão se ajeitar e que, mesmo com suas limitações, nosso elenco não está em um nível tão distante das outras equipes. O problema é que já tivemos elencos que lutavam e que, no papel, não eram tão fracos em relação aos outros. E, ainda assim, terminamos o campeonato na zona de rebaixamento (onde podemos terminar já nessa rodada). Estarmos na terceira rodada não serve como desculpa para esperarmos mais tempo para o Vasco mostrar mais competência. Se continuarmos nessa toada, daqui a pouco veremos os adversários se distanciarem enquanto o campeonato avança. Esse filme nós já cansamos de ver. E o final não é nada feliz.

As atuações…

Martín Silva – teve menos trabalho do que o esperado. E não teve o que fazer no gol colorado.

Madson – não consegue repetir as boas atuações que teve no Estadual. Além de continuar incapaz de acertar um cruzamento, tem mostrado seguidas vezes uma dificuldade com fundamentos como domínio de bola e chute que são motivo de vergonha. Ontem, perdeu dois gols feitos por conta disso: no primeiro, não soube se posicionar para chutar um rebote; no segundo, na cara do goleiro, deu um peteleco completamente sem direção.

Luan – começou a partida fazendo um recuo estranhíssimo e tendo que parar o Nilmar de uma forma que um juiz mais rigoroso marcaria pênalti. E era ele quem estava marcando o atacante nas duas chances que teve de finalizar, a última, terminando no gol do Inter.

Rodrigo – na lance em que o Nilmar quase abriu o placar, errou o tempo da bola e permitiu o cabeceio. No resto, muito por conta da falta de ofensividade do adversário, não teve muitos problemas. Teve uma chance de finalizar em jogada ensaiada no segundo tempo, mas só conseguiu dar um chute desclassificante.

Christianno – no lance do gol do Inter, não foi visto ajudando a fechar a lateral esquerda. Mas até tem sido mais eficiente no ataque, precisando, como todo lateral que apareceu no Vasco nos últimos 15 anos, melhorar muito nos cruzamentos. Acertou um belo chute no segundo tempo, obrigando o goleiro Muriel a fazer boa defesa.

Guiñazu – faltou velocidade para acompanhar Nilton no lance do gol do Inter, mas de resto, fez seu trabalho com segurança.

Serginho – nem vinha errando tantos passes como de costuma, mas acabou sendo substituído por levar um amarelo ainda no primeiro tempo. Lucas entrou em seu lugar e acabou como herói do time, marcando o gol de empate.

Julio dos Santos – perdeu um gol imperdível.

Marcinho – nem começou tão mal, alternando de posição com Dagol e oferecendo algumas boas opções de jogada. Chegou, inclusive, a ter uma boa finalização no primeiro tempo. Mas não poderia sair de campo sem aprontar das suas: a jogada do gol colorado começou com uma bola que ele perdeu no meio de campo. Yago entrou em seu lugar no segundo tempo e, como na maioria das vezes, cisca, cisca e não faz nada de produtivo.  Dagoberto – teve boa movimentação no primeiro tempo, mas ainda não foi dessa vez que jogou realmente como homem de frente. Cansou no segundo tempo e Thalles entrou em seu lugar, dando um novo gás ao ataque e ajudando na pressão final. Ainda assim, não chegou a levar perigo.

Gilberto – teve uma boa chance no primeiro tempo, mas chutou pra fora. No segundo tempo, acabou se embolando no meio de um monte de marcadores e gente do próprio Vasco tentando resolver o jogo e acabou sumindo.

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Crise chegando

Na entrada do time, Luan parecia prever o que aconteceria. Foto (detalhe): www.vasco.com.br

Na entrada do time, Luan parecia prever o que aconteceria. Foto (detalhe): http://www.vasco.com.br

Jogamos sempre para vencer. Ninguém joga para empatar. Empate é circunstância do jogo, faz parte do futebol. Tem que avaliar a performance da equipe, e a performance da equipe foi boa. Ponto!”

“Vou falar pela décima vez. O time teve volume de jogo, criou as oportunidades, mas tem o goleiro lá, tem o pênalti e o goleiro pega… O time criou mas, de fato, a bola não entrou, e vamos trabalhar em cima disso. Tem que ser mais eficiente na hora da definição. É isso.

Futebol mudou. Não tem mais facilidades. Cuiabá tem organização. Essa superioridade não existe mais no futebol.

Doriva

A gente não tá deixando de tentar. O goleiro deles fez boas defesas. Conseguimos a classificação, independente de jogar bem” –  Marcinho.

A gente tá criando. Quando sair, vão sair todos os gols” – Anderson Salles.

Futebol a gente tem que lidar com isso. Um dia é heroi, outro é vilão” – Rafael Silva.

Temos que comemorar porque mesmo com o empate conseguimos a classificação na Copa do Brasil” – Thalles.

Está difícil de explicar, a equipe está criando algumas oportunidades, mas a bola está teimando não entrar” – Madson.

Vamos dar valor à classificação. Foi um jogo difícil (…) Criamos chances, mas infelizmente a bola não entrou” – Serginho.

A torcida tem o direito de fazer o que quiser, mas não concordo com as vaias. Tivemos chances de fazer gols. Desperdiçamos um pênalti. O importante é que não estamos perdendo” – Yago.

O discurso afinado de todos, a irritação com a imprensa e com as vaias da torcida, as desculpas já utilizadas em outras situações semelhantes, a insistência em mostrar que o importante foi a classificação e a incapacidade de explicar o que está acontecendo com o time evidenciam o que aconteceu no empate com o Cuiabá (o quarto em uma sequência na qual não conseguimos sequer marcar gols em três): outra exibição na qual não conseguimos superar a limitação ofensiva da equipe, mesmo jogando contra um adversário menos qualificado. E ontem, mesmo tendo um pênalti a nosso favor.

E, ainda que seja inegável que dominamos amplamente a partida, corremos o risco de rever uma eliminação à la Baraúnas: o goleiro dele fez algumas defesas – nenhuma tão espetacular quanto estão tentando nos convencer, mesmo no pênalti displicentemente cobrado pelo Luan – mas o lance mais perigoso acabou sendo do Cuiabá e em um momento da partida no qual dificilmente teríamos tempo para reagir.

O problema é que desde a final do Estadual, o time parece ter relaxado e vem perdendo gradualmente suas principais características. Os adversários já conseguem anular nossas jogadas pela direita, os gols de bola parada já não acontecem e mesmo nossa defesa tem dado uns vacilos inaceitáveis, que só não nos causaram maiores problemas por conta do brilho individual de Martin Silva e da incapacidade dos nossos últimos adversários. No momento, nos resta a valorização da posse de bola. O que não adianta de muita coisa, se raramente conseguimos criar jogadas e quando as criamos, nossos atacantes finalizam mal.

Ficar tenso não resolve o problema. O que resolve é trabalhar mais: Doriva precisa descobrir alternativas para o time – que não seja seu “kit alteração” com Bernardo-Marcinho-Yago – e os jogadores precisam desesperadamente treinar finalizações, cruzamentos e, em alguns casos, até domínio de bola. Contar que chegue algum reforço que vá resolver nossa situação não adianta. É preciso fazer os que já estão aí rendam mais. Ou, pelo menos, rendam o que renderam na fase final do Estadual.

E é bom que Doriva e seus comandados consigam melhorar o mais rápido possível. A reação deles e a da torcida após mais um empate sem gols parecem ser um prenúncio de crise. E isso é o que de pior pode acontecer no momento.

As atuações…

Martín Silva – praticamente não trabalhou, mas acabou garantindo a classificação no finzinho da partida, evitando um gol do Cuiabá que seria fatal com uma grande defesa. Madson – continua sendo bastante acionado no apoio, mas tem errado tudo o que tenta. E tem dado vários vacilos na parte defensiva, entregando bolas que se tornam contra-ataques perigosos.

Luan – se dispôs a sair da defesa para bater um pênalti e acabou fazendo uma das cobranças mais displicentes da história recente de São Januário.

Anderson Salles – não chegou a comprometer porque o adversário não se dispôs a criar muitos problemas. Mas se enrolou um pouco em uns dois ou três contragolpes na metade final do segundo tempo. A única falta que cobrou ficou na barreira.

Christianno – o mistério de Tostines: Christianno tem ajudado mais o time ou o time a sua volta piorou tanto que ele parece ter melhorado? O fato é que nas duas últimas partidas, aquele que vinha se mostrando um dos piores laterais esquerdos da história vascaína tem conseguido se destacar positivamente (em relação ao time de um modo geral, que fique claro). Parece ter gastado todos os acertos de cruzamentos na partida contra o Figueira, mas pelo menos mostrou alguma eficiência no apoio. Julio Cesar fez sua estreia entrando em seu lugar no final do jogo, mas não chegou a ser notado.

Guiñazu – segue sendo o mais regular do time, fazendo o que lhe cabe com a eficiência de sempre. Com o time tentando pressionar, até tentou fazer suas graças na frente.

Serginho – também é regular, mas nos erros de passe. Pelo menos não vacilou tanto no combate e na cobertura.

Julio dos Santos – boas inversões de bola e alguns bons passes em jogadas pela direita. Mas como na maioria das vezes, parece que poderia se esforçar um pouco mais em campo.

Dagoberto – tenta articular jogadas no meio, mas cada vez mais parece deixar claro que seu lugar ideal é mesmo mais próximo da área. Sem isso desperdiçamos quem, no atual elenco, tem o melhor poder de finalização. Como de costume, quando cansou foi substituído pelo Marcinho, que, igualmente como de costume, não acrescentou quase nada à equipe.

Rafael Silva – esforçado como sempre, mas incapaz de finalizar com precisão. Yago entrou em seu lugar e deu novo ânimo ao ataque no segundo tempo. Fez boas jogadas pela esquerda e sofreu o penal desperdiçado por Luan.

Thalles ­– entrou como centroavante, mas se posiciona mal, ficando longe demais da área. Perdeu alguns rebotes do goleiro por não chegar a tempo na bola (perder um pouco de peso pode torná-lo mais ágil). Na sua melhor chance – um chute de virada que obrigou o goleiro adversário a fazer o que seria sua melhor defesa – o lance foi invalidado por ter cometido falta em seu marcador.

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Os mesmos erros de sempre

Antes de começar a escrever sobre o 1 a 1 entre Vasco e Cuiabá, perdi um tempinho procurando algum adjetivo para descrever a partida. Me ocorreu “foi melhor que contra o Goiás”, “pra quem só jogou 45 minutos tá bão”  ou “pelo menos não perdemos”. Mais que isso só sendo o Marcinho, que declarou que ambos os times estão de parabéns e que ele estava satisfeito.

Se eu fosse o Marcinho, também estaria satisfeito. Ganhar o que ganha para não fazer nada e ainda eventualmente ser titular do Vasco é realmente um feito. E ontem, a “nãofazência” do jogador parece ter inspirado todo o time, pelo menos durante o primeiro tempo. O Vasco apenas olhava o esforçado Cuiabá jogar e não parecia minimamente preocupado com que se passava em campo. Tanto que o único lance digno de nota foi uma chance clara de gol desperdiçada pelo Gilberto, nascida (como não poderia deixar de ser) em uma bola parada.

No intervalo, após uma providencial bronca do Doriva – “Costumo ser calmo, mas no intervalo eu tive uma conversa mais ríspida com o elenco”, declarou o treinador – o time resolveu ao menos aparentar algum interesse. E isso foi o bastante para passarmos a dominar o jogo e pressionar nosso anfitrião. Mas, como já vimos várias outras vezes, nossa maior posse de bola raramente se transforma em efetividade ofensiva. Mesmo controlando o jogo, ameaçávamos pouco o gol do Cuiabá e as raras chances de gol que tivemos foram desperdiçadas em finalizações bisonhas.

A partir dos 15 minutos da etapa final, Doriva começou a fazer substituições. Mas as entradas de Bernardo, Yago e Jhon Cley (nos lugares de Julio dos Santos, Rafael Silva e Marcinho, respectivamente) só serviram como uma recarga de bateria: o time manteve o ritmo, mas continuou pouco ou nada criativo. E quando parecia que só um acidente traria alguma emoção à partida, e foi justamente isso o que aconteceu: o jogador do Cuiabá erra um passe, Madson apanha da bola, ela sobra entre Luan e lateral Maninho, que tenta um cruzamento e acaba acertando o gol.

Faltando pouco mais de 10 minutos para o fim, o Vasco tentou pressionar, mas quando não errávamos o último passe, o goleiro deles fazia milagres (fez pelo menos uma excelente defesa em cabeçada do Gilberto) ou tentávamos cavar faltas próximo à área ao invés de tentar criar alguma coisa. E conseguimos o empate em mais um lance de bola parada, com Rodrigo acertando um foguete no último lance do jogo.

Não concordo com a impressão do Reizinho, que comentando a partida na transmissão global disse que o Cuiabá foi melhor na partida. Principalmente no segundo tempo, nosso anfitrião não conseguiu fazer nada e só marcou seu gol em um lance completamente acidental. Mas, ainda que tenha sido melhor, o Vasco segue mostrando os mesmos defeitos que mostrava no Estadual, somado a uma falta de vontade no primeiro tempo que não há como se justificar. O empate conseguido no finalzinho facilita muito as coisas na Copa do Brasil, mas a atuação do time não tranquiliza em nada a torcida. Se continuarmos jogando dessa forma, sem conseguir se impor diante de adversários como o Cuiabá, o que poderemos esperar no Brasileiro? Doriva ainda pode alegar que seu elenco tem limitações. Mas e se não vierem reforços que realmente agreguem qualidade ao grupo? Ficar apenas no discurso não vai salvar a pele do nosso treinador. E nem o nosso time.

As atuações…

Martín Silva – se tivesse tido mais trabalho ao longo da partida, talvez estivesse mais ligado no lance do gol do Cuiabá.

Madson – mesmo sendo presente como sempre no apoio, ontem errou quase tudo o que tentou. E o gol que sofremos só aconteceu porque o garoto não conseguiu dominar uma bola fácil. E já está começando a exagerar nas quedas ao menor contato dos marcadores.

Luan – errou alguns passes bobos e não conseguiu evitar o cruzamento do Maninho que acabou dentro do nosso gol.

Rodrigo – se havia alguma crítica a ser feita à sua atuação foi compensada pelo gol de empate.

Christianno – continua merecendo todas as críticas que sempre lhe são feitas, mas ontem há um senão: acertou o que deve ter sido seu primeiro cruzamento usando a camisa do Vasco. E foi um belo cruzamento, diga-se.

Guiñazu – o Guiña de sempre.

Serginho – segue a sina de errar passes demais até para um volante.

Julio dos Santos – o mundo já sabe: quando o paraguaio vira o corpo para a direita, o passe é para o Madson. Falta ele descobrir outras maneiras de ajudar o time. Bernardo entrou em seu lugar e deu alguns bons passes e finalizou pelo menos uma vez com perigo. Mas não precisava ficar cavando faltas tantas vezes.

Marcinho – só foi notado quando deu lugar ao Jhon Cley, que também não fez muita coisa.

Rafael Silva – só começou a jogar no segundo tempo, quando passou a tentar jogadas individuais e ao menos chutou algumas vezes a bola na direção em que parecia estar o gol. Fez pelo menos uma bela jogada, limpando até a linha de fundo e deixando Gilberto na cara do gol. Yago acabou entrando em seu lugar e mais uma vez só conseguiu correr como um desesperado pela lateral e cair quando a marcação chega junto.

Gilberto – geralmente não recebe muitas bolas em condição de marcar, mas ontem nosso centro-avante não pode reclamar: teve pelo menos TRÊS chances claríssimas de gol e falhou em todas. E apenas uma delas o mérito foi do goleiro; no resto, foi ele quem finalizou mal mesmo.

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A espera dos reforços

E o Vasco não passou de um empate sem gols contra o Goiás na sua estreia pelo Brasileirão.

Repetirei a frase acima com mais ênfase: o Vasco, jogando em casa, com seu time titular, não passou de um empate sem gols contra o Goiás, sem seu principal jogador.

E o pior de tudo é que o Vasco nem fez uma partida de um nível tão abaixo do que nos acostumamos a ver. Errou um pouco mais de passes, mas de resto, foi muito próximo do que esperávamos: muita posse de bola, jogadas pelas laterais, falta de criatividade no meio, atacantes pouco ou quase nada acionados.

O problema é que, pelo que vimos, o Goiás terá que se esforçar muito para não cair esse ano. E se o Vasco não conseguiu vencer um dos candidatos ao rebaixamento, repito, jogando em casa e com seu time titular, o que a torcida vascaína pode esperar desse Campeonato Brasileiro?

Depois da partida de ontem, esperar que a diretoria faça contratações é o que nos resta. Por dois motivos principalmente: todo mundo já sabe que nossa força ofensiva se concentra principalmente nas jogadas pela direita (o que o Goiás conseguiu neutralizar marcando os passes de Julio dos Santos para Madson) e porque não temos sequer um jogador que, entrando no decorrer da partida, possa mudar esse cenário. As alterações do Doriva ontem deixaram isso bem claro. As entradas de Yago, Marcinho e Bernardo, como era de se esperar, não facilitaram a nossa vida em nada, já que nosso adversário sequer precisou mudar sua forma de jogar para impedir que tivéssemos qualquer eficiência no ataque.

É óbvio que se desesperar numa primeira rodada é besteira. Ainda há muita coisa pra rolar, alguns reforços ainda vão estrear e, esperemos, outros chegarão. Mas fazer parte do único jogo em dez disputados a não ter gols – o que nem dá pra espantar, já que só conseguimos finalizar três vezes nos 90 minutos – é muito preocupante. Se na Colina contra o Goiás fomos tão incapazes, o que esperar dos jogos fora de casa e contra adversários mais qualificados?

Enquanto a diretoria não anuncia reforços para os setores mais carentes do time, Doriva precisa fazer sua equipe render mais. Se as escolhas de sempre não têm dado certo – e não têm desde o Estadual – é hora de tentar outras alternativas. Nosso elenco não é dos mais fortes, mas optar sempre pelos mesmos jogadores que não acertam nada não vai resolver nossa situação.

As atuações…

Martín Silva – contra um adversário que buscou se defender a maioria do tempo, teve pouco trabalho. Fez apenas uma defesa de relativa dificuldade em uma falta cobrada perto da área no segundo tempo.

Madson – mesmo com o Goiás procurando fechar seus espaços pela direita, foi o responsável pelas poucas jogadas ofensivas do time. Precisa caprichar na hora do último passe.

Luan – tirando umas engalfinhadas com um atacante goiano – que lhe renderam um amarelo – não teve muitos problemas.

Rodrigo – outro que não teve complicações ao longo da partida.

Christiano – com Madson muito marcado, acabou sendo mais acionado ofensivamente que o normal. E explica em parte nossa ineficiência ofensiva. O rapaz não acertada nada. E na defesa também deu seus moles, perdendo bolas bobas e cedendo contra-ataques para o Goiás.

Guiñazu –  soberano, se saiu melhor no combate direto na maioria dos lances.

Serginho – esgotou ontem sua cota de passes errados no primeiro turno do Brasileiro toda de uma vez. Bernardo entrou em seu lugar e só conseguiu carimbar as barreiras nas faltas que cobrou e perder bolas perigosas.

Julio dos Santos – acertou um ou outro bom passe para o Madson, mas não soube encontrar opções para essa jogada quando o Goiás passou a antecipá-la. E com isso acabou errando uma penca de passes.

Dagoberto – era o mais lúcido no time – mas poderia ser menos esquentadinho – e foi autor do lance mais perigoso do time, em cobrança de falta. Cansou no segundo tempo e deu lugar ao Marcinho, que manteve seu padrão: não fez nada de útil.

Rafael Silva – correria demais, eficiência de menos. Ontem não conseguiu concluir uma jogada de forma decente. Yago entrou em seu lugar e fez o mesmo, só que explorando apenas a direita do campo.

Gilberto – sem receber bolas, não pode fazer nada. Ainda assim, finalizou duas vezes, uma em cada tempo.

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Update: publiquei minha coluna de toda segunda-feira no Vasco Expresso. Dá uma clicada aí pra conferir.

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O Rio é nosso!

Não é de hoje que o Estadual do Rio tem a fama de ser um campeonato mequetrefe, desorganizado, sem público e envolto em reclamações por todos os lados. E ninguém que acompanhe o futebol carioca pode negar que essas críticas são verdadeiras na maioria do tempo, muito por conta da Federação. Ainda assim, nada tira os méritos e o brilho da conquista vascaína, não apenar por nos tirar da maior fila que já ficamos para levantar a taça, mas por deixar bem claro que na hora da decisão, o Gigante fez por merecer o título no campo e nas arquibancadas.

A campanha que acabou com o longo jejum de 12 anos teve seus altos e baixos, mas nos jogos decisivos, o Vasco mostrou ser superior a todos os seus adversários. Entrando nas semifinais e nas finais precisando reverter a vantagem do empate que pertencia aos seus oponentes, o time da Colina superou essa dificuldade nas duas oportunidades com três vitórias e um empate (que poderia ter sido diferente caso a arbitragem fosse menos covarde no primeiro jogo contra a mulambada). E não apenas passamos invictos pelo Framengo e pelo Canil como indiscutivelmente fomos melhores que ambos em todos os confrontos.

O herói da final e o artilheiro do time (foto: www.vasco.com.br)

De frente pra câmera, o herói da final e o artilheiro do time (foto: http://www.vasco.com.br)

Vão falar, e é justo que digam, que ser melhor não significa que jogamos um bom futebol. E, em grande parte isso é verdade. O nível do Estadual esse ano realmente foi muito fraco e foi raríssimo vermos uma partida tecnicamente aceitável. Mas o time comandado pelo Doriva foi o que melhor conseguiu superar suas limitações e o que mostrou o futebol mais eficiente. Negar isso é ignorar os fatos: em sete clássicos, vencemos quatro, empatamos dois e perdemos apenas um (e esse, numa sequência de acidentes daquelas que só o dilúvio que caiu sobre a Arena justifica).

As finais contra o Botafogo deveriam servir para acabar com discussões e mimimis. Nos 180 minutos fomos superiores, seja tendo mais posse de bola, quando precisávamos vencer a primeira partida, seja em um jogo mais equilibrado, quando poderíamos nos dar ao luxo de empatar. O alvinegro, que também fez por merecer ser um dos finalistas, não chegou a ameaçar nosso título em momento algum ontem. Ontem era de se esperar que eles exercessem uma pressão no início da partida, mas depois que igualamos a partida, o que vimos foi um Vasco seguro dentro de campo e que não permitiu que a pressão se transformasse em lances de muito perigo.

O primeiro gol vascaíno, no finzinho do primeiro tempo veio para tornar a missão botafoguense ainda mais complicada. Tanto que na volta do intervalo eles vieram com tudo o que podiam, até que conseguiram o empate aos 30. Mas nosso adversário pouco conseguiu fazer além de dar um último suspiro de emoção para seus torcedores. Depois do empate, ficou claro que o time de General Severiano não teria forças para reverter o placar. O gol do Gilberto, já nos acréscimos da etapa final só confirmou o inevitável e trouxe um motivo extra para os vascaínos fazerem a festa na Arena, já dominada pela nossa torcida.

Foto: Staff Fotos/Twitter Maracanã

Foto: Staff Fotos/Twitter Maracanã

O título veio para fazer justiça ao Vasco, que merecia estar comemorando o bicampeonato estadual e poderia ter acabado com o jejum desde 2014. Pelo que fizemos no gramado, nas arquibancadas e pelas ruas de todo o estado, hoje o Rio de Janeiro é merecidamente nosso.

As atuações…

Martín Silva – uma atuação que resumiu sua participação no campeonato: nas poucas vezes em que foi exigido correspondeu plenamente, com boas defesas e saídas do gol.

Madson – Renê Simões fez um bom trabalho, obrigando o garoto a se preocupar mais com a marcação que com o apoio. Ainda assim, quando teve a chance de subir ao ataque, levou perigo. Numa de suas arrancadas quase marcou um belo gol, mas chutou muito mal. No lance do gol, demorou a sair da área e foi quem deu condição ao jogador alvinegro para marcar.

Luan – o único cochilo foi no lance do gol botafoguense. No resto da partida, se saiu melhor que o ataque adversário em praticamente todas as disputas de bola. Quase marcou no primeiro tempo após uma boa jogada ensaiada em cobrança de falta.

Rodrigo – soberano na área, mostrou um posicionamento perfeito e ganhou quase todas as bolas pelo alto. Assim como seu companheiro de zaga, o único deslize foi no lance do gol alvinegro, quando não evitou o passe para o atacante que estava livre para marcar.

Christiano – tentar não falar mal do pior titular da equipe é complicado. Podemos dizer que, ao completar o time, eventualmente ajuda na marcação e leva o time ao ataque, apesar de vacilar nas duas funções. Não consegue concluir qualquer jogada no apoio e ontem, foi outro a preferir olhar lance que originou o gol adversário a marcar e permitiu que Diego Jardel recebesse livre para marcar.

Guiñazú – calou a boca dos seus críticos – ou seja, 100% da imprensa esportiva – nos jogos decisivos. Marcou implacavelmente nas quatro partidas, conta-se nos dedos as faltas que marcou nos 360 minutos que esteve em campo e em momento algum confundiu firmeza com truculência. Para coroar seu belo campeonato, deu a assistência para o gol de Rafael Silva e entrou com méritos para a história do Vasco ao ser o capitão do time que encerrou o maior jejum do clube na competição.

Serginho – é daqueles volantes anacrônicos, que não conseguem fazer muito além de dar o combate. Ontem ainda deu umas vaciladas, se posicionando mal em alguns momentos e errando passes além da conta. Mas após o empate botafoguense, se superou e passou a jogar com mais atenção, sendo importante para refrear a breve empolgação adversária.

Julio dos Santos – teve uma atuação mais discreta que a do primeiro jogo da final, mas ainda assim foi decisivo ao participar do lance do gol do Rafael Silva. Cedeu lugar ao Lucas no fim do jogo, que entrou para reforçar a marcação e garantir o empate que nos daria o titulo. Mas acabou fazendo mais que isso, dando a assistência para Gilberto fechar o caixão alvinegro.

Rafael Silva – indiscutivelmente o herói das finais, com um gol em cada jogo, Rafael não merece elogios apenas por isso, mas também pela sua aplicação tática e a disposição apresentada em cada momento que esteve em campo. Saiu para a entrada de Marcinho, que mais uma vez mostrou que sua contratação foi um equívoco total e absoluto. Está muito mais para candidato à capitão da barca que deveria sair da Colina para desinchar o elenco antes do Brasileiro que para craque do time do início de temporada (o que era a intenção da diretoria).

Dagoberto – mesmo sem marcar, foi a melhor atuação de Dagol pelo Vasco. Deu o toque de experiência que o time precisava no ataque, ditando o ritmo do setor ofensivo. Levou um cartão amarelo meio inexplicável e Bernardo acabou entrando em seu lugar e não conseguiu fazer algo digno de nota.

Gilberto – demonstrou suas melhores qualidades na partida e foi decisivo por isso: no primeiro gol, mostrou o quanto é combativo e roubou a bola que iniciou o lance; o faro de artilheiro ficou provado no seu gol já nos acréscimos do segundo tempo. O artilheiro do Vasco na competição pode não ser um jogador brilhante, mas com um meio de campo mais eficiente, pode marcar gols adoidado.

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Update: minha coluna de hoje no Vasco Expresso já está no ar! Basta clicar aqui para conferir

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O primeiro passo

Arte sobre foto de www.vasco.com.br

Arte sobre foto de http://www.vasco.com.br

Como não poderia deixar de ser, Vasco e Botafogo fizeram uma partida equilibrada, com muita correria (ou “intensidade”, como gostam de falar os professores da bola) e mais suor que inspiração. Mesmo com as evidentes limitações técnicas de ambos os times, os finalistas fizeram um dos melhores jogos da competição, que se não foi exatamente bem jogado, teve emoção de sobra. E, o melhor para nós, terminou com o Vasco conseguindo fazer o que precisava na primeira partida da final: venceu o jogo por 1 a 0, reverteu a vantagem alvinegra e nos deixou a um empate do título.

A partida teve momentos distintos, com as duas equipes se alternado no efetivo controle do jogo. O Botafogo, que poderia jogar com o regulamento debaixo do braço, não faz como a mulambada e se recusou a ficar esperando o contra-ataque. Logo no primeiro minuto quase marcou um gol, e só não fez por conta de Martín Silva, que fez boa defesa. O Vasco demorou algum tempo para se encontrar na partida, o que só aconteceu por volta dos 15 minutos, quando conseguiu equilibrar as ações. Depois da parada técnica, a balança pendeu para o nosso lado: com a marcação mais ajustada e alternando jogadas pelos dois lados do campo, passamos a dominar o jogo, e com ampla superioridade (chegamos a ter 70% da posse de bola na primeira etapa). Mas a pressão não se transformava em chances reais de gol, um problema que tivemos ao longo de todo o campeonato. Mesmo chegando com certa facilidade à área alvinegra, pecávamos sempre nos cruzamentos, no último passe ou na finalização.

O segundo tempo repetiu o primeiro. Renê Simões mexeu na sua equipe e o Botafogo voltou ser mais ofensivo. E justo quando o Vasco igualar novamente as ações, Doriva começou a mexer na equipe: as duas primeiras, as saídas do inoperante Marcinho e do cansado Dagoberto por Rafael Silva e Bernardo, se não trouxeram uma melhor evidente ao time, pelo menos não comprometeram seu desempenho. O problema foi quando, as 30 minutos, o treinador vascaíno tirou Julio dos Santos para reforçar o ataque com Thalles. O paraguaio era o único que dava alguma vida ao meio de campo vascaíno, e com sua saída, perdemos completamente o setor para o Canil. Sem qualquer articulação, passamos a rifar a bola da nossa intermediária e rezar para que alguém na frente conseguisse alguma coisa.

Aí o Botafogo cresceu no jogo. Recuperando a bola e avançando em velocidade, chegava com mais perigo à nossa zaga. Tiveram pelo menos duas chances claras de gol, uma delas já aos 40, quando foi a vez de Martín contar com a sorte e ver um chute de William Arão explodir no travessão. E podemos dizer que a sorte nos sorriu mais uma vez no último lance da partida: Bernardo, que até o momento não tinha justificado sua entrada, erra uma cobrança de falta na intermediária, a bola cruza toda a zaga botafoguense e quem aproveita é Rafael Silva, que acredito e balançou a rede de Renan aos 46 minutos. A Arena explodiu com a massa vascaína e a nossa festa foi até depois do apito final.

Demos o primeiro passo para o título, mas o que aconteceu ao longo do primeiro jogo da final deixou claro que nada está resolvido. O Botafogo, que já passou pela mesma situação na semifinal e conseguiu reverter uma derrota no primeiro jogo, pode não ter tido mais posse de bola, mas foi quem teve as chances mais claras para marcar. Doriva tem uma semana para tentar resolver o que não conseguiu ao longo de todo campeonato: fazer com que criemos mais jogadas, erremos menos cruzamentos e sejamos mais competentes nas finalizações. Sem isso, corremos o risco de ainda depender das bolas paradas, ou pior, de surpreender a defesa alvinegra com bolas mal batidas como a do Bernardo. Isso é muito pouco. Precisamos fazer com que nossa habitual maior posse de bola seja efetiva. Se quisermos sair da fila de espera do Estadual, não podemos contar apenas com a sorte e com a vantagem do empate.

As atuações…

Martín Silva – antes de terminar o primeiro minuto de jogo, já mostrou que teria uma grande atuação, fazendo uma bela defesa. Mesmo sem ter sido tão acionado ou sem precisar realizar um dos seus conhecidos milagres, mostrou muita segurança quando necessário e sorte quando preciso.

Madson – faz tempo que o mundo já sabe que o moleque é nossa maior arma ofensiva e desde então sua vida não tem sido fácil com os marcadores. Mesmo assim, Madson fez uma grande partida, fazendo da lateral direita, como de costume, o caminho mais constante para nossas jogadas de ataque. O dia que acertar cruzamentos com uma frequência aceitável….já falei isso antes, né?

Luan – quando o meio de campo falha no combate e deixa a zaga na podre, tem que cortar um dobrado para resolver a situação. Em alguns momentos se sai bem, em outros, nem tanto.

Rodrigo – já deixou claro que, experiente como é, não dará mole para os atacantes adversários. Ontem foi a vez do Bill não conseguir fazer quase nada tendo o Rodrigo como sombra. Nosso zagueiro se saiu melhor em praticamente todas as disputas com o atacante alvinegro, que perdeu até na zoeira, tomando um beliscão na peitchola.

Christianno – como sempre, o ponto fraco do time. Faz o mínimo exigido, que é mostrar disposição, o que não conta muito, já que isso, o time todo faz.

Guiñazú – levou caneta, deu lençol, roubou uma penca de bolas, errou poucos passes (ainda assim, alguns imperdoáveis) e foi o guerreiro de sempre. Tudo isso sem cometer uma falta sequer.

Serginho – ainda que não tenha comprometido, erra passes demais para quem tem a função de apenas combater. E, mesmo assim, as vezes se perde no posicionamento, permitindo que a zaga tenha problemas.

Julio dos Santos – perdeu o gol mais feito do Vasco, ainda no primeiro tempo, numa bola que lhe caiu nos pés por sorte e preferiu tentar por cobertura, mesmo tendo tempo para dominar e recursos e espaço para driblar o goleiro. Ainda assim, foi o cérebro do time no meio de campo, iniciando bem as jogadas de ataque e dando bons passes. Sua saída para a entrada de Thalles só se justifica se o paraguaio cansou, já que o garoto não acrescentou nada ofensivamente e perdemos a única referência de criação do time.

Marcinho – nem começou a partida tão mal, procurando se movimentar e dar sempre uma opção de jogada, mas tem uma regularidade incrível nos erros, falhando tanto nos passes decisivos quanto nas finalizações. Rafael Silva entrou em seu lugar e antes de virar o herói do jogo, marcando o gol nos acréscimos. Deu maior movimentação ao ataque e quase fazendo um gol de placa em chute de fora da área.

Dagoberto – sua presença em campo já seria justificada pelo simples fato de ser uma opção pela esquerda que não seja o irritante Christianno. Enquanto agüentou o forte ritmo do jogo, foi bem, e foi outro a quase marcar um golaço, após chapelar humilhantemente seu marcador, matar no peito e finalizar, infelizmente por cima. Teve outras duas boas chances de marcar, mas acabou não chegando a tempo nos cruzamentos. Saiu para a entrada do Bernardo, que passaria mais uma vez em branco até mostrar sua estrela como jogador de segundo tempo: cobrou mal uma falta que acabou se transformando no passe para o gol do Rafael Silva.

Gilberto – continua sofrendo tanto com a marcação adversária quanto com a incapacidade do nosso time de lhe fornecer bolas em condição de finalizar. Passa muito tempo isolado no meio da zaga adversária, o que o obriga muitas vezes a se afastar de área, tornando-o menos efetivo.

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Não se esqueçam que hoje é dia de me aturar duas vezes! Tem coluna nova no Vasco Expresso também, na qual faço a pergunta: a quem interessa a constante acusação de favorecimento ao Vasco no Estadual? Clica aí e dê uma moral à coluna!

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