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Lobotomia

Segundo Joel Santana, a partida contra a Portuguesa ontem “Foi uma vitória que não deixou dúvida. Fomos superiores o tempo todo do jogo“. Para quem viu o que aconteceu ontem no Canindé, uma declaração dessas só pode significar que, além da vesícula, os médicos que o operaram retiraram também alguns pedaços do cérebro do Natalino.

A operação não foi responsável pela perda de visão do nosso treinador. Pelo contrário, para enxergar uma superioridade completa do Vasco no jogo é preciso ter uma visão além do alcance, no estilo olho de Thudera. Talvez o caso do Joel seja de alucinações intermitentes, que aparecem principalmente nos 45 minutos finais.

Esse diagnóstico ganha força se lembrarmos que, se o Vasco teve algum domínio em todo o jogo, ele só aconteceu no primeiro tempo. Ainda que não tivéssemos criado muitas chances de gol, o time controlou a partida, não sofreu riscos e teve a posse de bola na maior parte do tempo. Ainda que meio capenga, avançando apenas pela esquerda, chegamos ao gol quase no fim da etapa inicial, após algo totalmente inesperado acontecer: Marlon acertar um belo cruzamento e Douglas aparecer para cabecear e balançar a rede em um lance de bola rolando.

Mas no segundo, longe de termos sido superiores, simplesmente deixamos de jogar e chegamos ao ponto de tomar calor da fraquíssima equipe verde-rubra. A Lusa tomou a iniciativa desde o princípio e o que era maior posse de bola se tornou pressão na prática quando nosso meio de campo velhusco cansou de vez. Joel, no meio dos seus delírios de superioridade, demorou a ver que Fabrício e Douglas se arrastavam em campo. Com isso, não conseguíamos marcar, nem criar. E tome a Portuguesa, aos trancos e barrancos, chegando à nossa área. Nem a primeira alteração do Joel, Maxi no lugar de Crispim, mudou o panorama deprimente do jogo.

As alucinações do técnico vascaíno só pareceram terminar nos cinco minutos finais, quando Joel finalmente substituiu os rastejantes Fabrício e Douglas para as entradas de Dakson e Jhon Clay. Mas aí, não haveria muito mais coisa a se fazer. A Lusa, já combalida e prostrada, não tinha forças para reagir e o Vasco, satisfeitíssimo com os três pontos, não tinha vontade para nada além de dar bicões para afastar a bola do nosso campo.

Não vou bancar o chato e ficar apenas reclamando, já que a vitória e os resultados da rodada – tirando a vitória ganha de presente da Macaca – foram bons para o Vasco e na maciota vamos chegando ao topo da tabela. E, na realidade, a torcida já sofreu muito nessa série B pra se preocupar com exibições de gala. Vencer já está mais que de bom tamanho. Sendo fora de casa, melhor ainda.

Mas, na boa…jogar mal, até vai. Já dizer que o time foi bem, mesmo quando foi muito mal, não rola. A torcida ainda não foi lobotomizada para aceitar qualquer insanidade que nos falem.

As atuações…

Jordi – tirando algumas saídas estabanadas – e uma defesa meio no susto à la Diogo Silva – mostrou segurança e alguma sorte.

Diego Renan – pavoroso: nem apoiou, nem deu a segurança necessária na defesa. Ontem parecia mirar nos adversários antes de dar um passe.

Rodrigo – procurou orientar a defesa, passando segurança ao time no primeiro tempo; no segundo, quando tomamos calor da Lusa, fez o que devia ser feito e virou zagueiro-zagueiro. Cobrou uma falta com relativo perigo.

Douglas Silva – no nível do companheiro de zaga, mas perdeu alguns lances de velocidade que poderiam nos dar problemas. Marcou um golaço, infelizmente em posição irregular, no primeiro tempo e quase fez outro de cabeça no segundo.

Marlon – apoiou bastante, sendo boa opção ofensiva no primeiro tempo. Seria mais útil se conseguisse acertar mais passes, tanto que seu único cruzamento certo resultou no gol da vitória. Podia depender menos da cobertura dos volantes para proteger sua lateral.

Guiñazu – ontem foi um Guiña “de raiz“: ateve-se ao combate e distribuiu mais carrinhos que candidato a deputado em dia das crianças.

Fabrício – talvez uma das piores atuações individuais de um jogador vascaíno no ano. Não acertou nada que tentou. Até ao ser substituído deu uma vacilada ironizando as mais que justas vaias da torcida. Dakson entrou em seu lugar e apenas ocupou os espaços no meio de campo.

Pedro Ken – boa movimentação e alguma habilidade em alguns lances, apesar de não ter conseguido efetividade na criação. Faltou atenção à cobertura ao Marlon em alguns lances.

Douglas – vinha tendo uma atuação discreta e com mais passes errados do que se espera de um camisa 10, até garantir a vitória com um gol que mostrou precisão no arremate e bom posicionamento. No segundo tempo cadenciou demais o jogo quando precisávamos de velocidade. Saiu no final para a entrada de Jhon Cley, que só teve tempo de isolar a bola numa finalização equivocadíssima.

Lucas Crispim – procurou levar maior movimentação ao ataque e acabou sendo o jogador mais agudo do time. Se errasse menos passes teria sido mais efetivo. Maxi Rodriguez, entrou em seu lugar e dessa vez não conseguiu fazer nada de útil.

Kleber – seu estilo brigador errou o alvo e o atacante se digladiou principalmente com a bola. Quando não errava os passes, as jogadas morriam com a bola batendo nele e indo para os marcadores. Finalizou apenas uma vez, em chute fraco de fora da área no segundo tempo.

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Por que não é sempre assim?

O que mais impressionou na vitória do Vasco sobre o – até o momento – líder Joinville foi a facilidade com que conquistamos o resultado. Ainda que Joel tenha colocado em campo uma equipe mais ofensiva do que lhe é costumeiro e que nosso adversário tenha tido lá os seus desfalques, poucos esperavam uma partida tão tranquila quanto a que vimos ontem na Colina.

Se não foi um jogo em ritmo de treino foi quase isso, dada a superioridade vascaína durante os 90 minutos. E quando falo em ritmo de treino, não falo como uma vantagem: em alguns momentos, parecia evidente que o se o Vasco pressionasse um pouco mais, poderia ter feito um placar mais amplo. Ou se prestasse mais atenção, teria ainda menos problemas com o ataque catarinense do que teve.

Pelo que vi, a partida de ontem entra na lista da melhores apresentações do Vasco nesse Brasileiro, e não por acaso, guarda semelhanças com os outros dois bons jogos que me vem a mente: como nas vitórias sobre Ceará e Náutico, jogamos em casa, contra adversários da parte de cima da tabela, que não se preocupavam unicamente em se defender, entramos em campo com armações mais ofensivas e em todas poderíamos ter vencido com placares mais dilatados.

Os pontos em comum que nossas melhores partidas têm reforçam a minha tese de que, por maiores que sejam os problemas do Vasco, não voltar à elite é quase uma impossibilidade. Se não for pelo que apresentamos em campo, será pelo que nossos concorrentes diretos ao acesso deixam de apresentar. A facilidade com que passamos pelos times que realmente vão brigar por uma vaga na Série A mostra o quão baixo é o nível da competição.

Se isso pode servir para tranquilizar um pouco a torcida, também é uma ótima justificativa para a irritação dos vascaínos. Estar em quarto lugar na competição – posição em que fatalmente ficaremos ao final da rodada – e nunca ter chegado à liderança de uma competição como essa, com o elenco que temos, é motivo de sobra para todo protesto que resolvamos fazer. Vencemos ontem, mas essa vitória só será importante mesmo se for o início de uma arrancada definitiva rumo não apenas à vaga na elite, mas à liderança e ao título. Com o elenco que temos e os salários que – eventualmente – são pagos aos jogadores, esse deve ser um compromisso do Vasco com seus torcedores.

 As atuações….

Martin Silva – pelo que teve de trabalho ontem, poderia utilizar suas luvas como um prato de comida após o jogo. Não precisou fazer nada além de repor a bola em jogo.

Diego Renan – sua melhor atuação desde a volta de contusão, quando passou a atuar pela lateral direita. Foi bem tanto no apoio – deu o passe para Dakson marcar o primeiro e quase marcou outro de cabeça – quanto na marcação.

Rodrigo – não tomou conhecimento dos atacantes catarinenses, se dando bem em todos os lances. Nas cobranças de falta, precisa rapidamente rever sua relação com a direção do gol.

Douglas Silva – outro que não teve problemas, indo muito bem nas bolas altas e nas antecipações de jogadas.

Marlon – errou alguns passes, mas nem dá pra falar mal dele em um jogo no qual acertou dois (!!!!!) cruzamentos na medida: o primeiro acabou no fundo das redes em cabeçada de Thalles; outro quase virou nosso terceiro gol, mas Diego Renan cabeceou pra fora.

Guiñazu – nem precisou de um volante mais fixo ao seu lado para proteger a zaga. O Joinville foi tão inofensivo que nem muitas faltas o gringo precisou fazer.

Pedro Ken – mesmo com uma função que não chama tanta a atenção do torcedor, foi muito bem. Deu boa cobertura ao Marlon, fechou bem os espaços pelo meio, teve boa movimentação e ajudou a iniciar algumas jogadas.

Dakson – sua entrada no time pode ser um sinal de que o Natalino não é mesmo muito fã do Maxi Rodriguez. Por sorte o filho de Dak foi bem, mostrando boa movimentação e sempre dando opções para jogadas. Chegando de traz para finalizar, marcou o primeiro gol, mas precisa calibrar a força dos chutes, que andam fracos demais há algum tempo. Saiu com o jogo já resolvido, para a entrada de Jhon Cley, nos minutos finais. E pelo pouco que apresentou, Joel deve estar mesmo preparando o garoto para ter mais funções defensivas (o que definitivamente não é ruim).

Douglas – sumido no primeiro tempo, parecia desligado e errou alguns passes aparentemente com displicência. Melhorou no segundo tempo, organizando melhor as jogadas do time. Iniciou a jogada do segundo gol dando um belo passe para Marlon. Saiu no fim para entrada do Lucas Crispim, que não deve ter sequer suado a camisa.

Thalles – mais uma vez foi decisivo: no primeiro gol, iniciou a jogada mostrando habilidade e força para sair de dois marcadores e visão para dar um passe preciso para Diego Renan; e ainda marcou o segundo mostrando um excelente posicionamento na área. Saiu nos minutos finais para a volta de Montoya ao time depois de contusão. O colombiano não chegou a encostar na bola.

Kléber – luta, corre, briga com os marcadores e com a bola, mas efetividade que é bom, nada.

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Ao “corajoso” Joel

Após a vitória do Vasco sobre o Náutico, um dos comentários que vi nas redes sociais sobre o Joel foi que “ele pode ser retranqueiro e ultrapassado, mas é corajoso“, aludindo ao fato do time ter terminado a partida com três atacantes e apenas um volante. Quando as loucuras do Natalino dão certo (e o maior exemplo disso é a final da Mercosul contra o Palmeiras), os mais distraídos – digamos assim – exaltam sua coragem. Quando dá errado, como no empate de ontem com o Sampaio Corrêa, podemos ver com mais clareza a visão estratégica do nosso treinador. E ela é tosca e rudimentar como a de um garoto de 8 anos comandando um time do Fifa Soccer pela primeira vez.

Parece que para o Joel, futebol é a coisa mais simples do mundo. Jogamos fora de casa? Então vamos com um volante a mais. Precisamos de gols? Vamos colocando atacantes no time. É pra segurar o resultado? Basta substituir alguém da frente por um marcador. Joel sempre foi assim e não será agora, às portas da aposentadoria, que ele irá mudar.

Na escalação, nosso “corajoso” treinador mostrou o máximo de ousadia que o veremos ter no comando do time: para não colocar três volantes, Joel inventou o Jhon Clay no meio. Para compensar, mandou o garoto marcar, o que acabou de vez com sua já discutível capacidade em ajudar na criação. Ou seja, Natalino quis criar, da noite pro dia, um novo Pedro Ken, ignorando que ele poderia ter escalado o próprio. A invenção só serviu como mais um episódio na saga de queimação de filme do garoto, que acabou não sendo útil no combate e nem na armação de jogadas.

Ao longo da partida, Joel mostrou sua falta de jogo de cintura: acreditar que o Marlon poderia fazer seu trabalho com um mínimo de qualidade é sandice, mas passa. Deixar o cara sendo constantemente esculachado pelo Pimentinha e não fazer nada para resolver a situação foi simplesmente burrice. Burrice essa que se repetiu nas substituições, todas no mais cristalino “estilo Joel“: com o jogo empatado e precisando vencer, Joel tirou um meia e colocou um atacante; o problema foi ter tirado Maxi Rodriguez – que deve ter alguma exigência contratual para atuar apenas 45 minutos – e deixar o Jhon Clay. A alteração deixou o time ainda menos capaz de organizar jogadas e, curiosamente, ainda mais exposto. Só mesmo um time comandado pelo Natalino para sofrer com contra-ataques sem conseguir atacar.

Mas aos trancos e barrancos conseguimos virar a partida. Então era o momento ideal para outra substituição com a cara do Joel. Como antes do nosso segundo gol o treinador vascaíno tinha feito uma alteração aceitável (finalmente Clay por Lucas Crispim), estando a frente do placar e com poucos minutos para o fim do jogo, a lógica joelsantaniana exigia uma retrancada esperta, o que ele fez tirando o Kleber e colocando o Rafael Vaz, decretando de vez que o Vasco apenas tentaria segurar o resultado. E para fazer justiça ao futebol apresentado pelas duas equipes, não conseguiu.

O que vimos ontem foi o seguinte: vamos voltar à elite, talvez até como campeões (a dificuldade de tirarem o Vasco do G4, mesmo com o futebol indigente que mostramos na maioria dos jogos é um sinal disso), mas se depender do nosso “bravo” treinador, será com muito sacrifício.

As atuações..

Martin Silva – deu azar nos dois gols que sofremos: fez defesas incríveis nos lances, mas os rebotes sobraram para jogadores do Sampaio. Além disso, fez pelo menos uma grande defesa no segundo tempo, se antecipando com precisão aos pés de um atacante adversário.

Diego Renan – tentou ajudar no apoio – e em duas oportunidades foi atrapalhado com falta dentro da área, não marcadas pelo juizão – e foi bem na marcação. Aliás, o Pimentinha só não fez a festa quando seu técnico inverteu o lado por onde jogava e Diego passou a marca-lo. Se o Joel ao menos tivesse pensado em coloca-lo na esquerda (como eu sugeri ontem)…

Luan – se enrolou em alguns lances e distribuiu chutões sempre que preciso (e as vezes que não era também). De positivo, um belo passe para Douglas ainda no primeiro tempo. De negativo, deixou o atacante livre para pegar o rebote que terminou no gol de empate dos nossos anfitriões.

Douglas Silva – o vice-artilheiro do time deixou o dele e garantiu o pontinho que nos manteve no G4. Mas cumprindo sua função passou momentos terríveis com o Pimentinha, jogando como sobra do Marlon.

Marlon – apoiou pouco – e quando o fez, não acertou nada – e foi cruelmente doutrinado pelo Pimentinha. E tem gente que ainda reclama do Lorran.

Guiñazu – mesmo mostrando a disposição de sempre, não conseguiu parar o veloz ataque do Sampaio Corrêa. E ainda acabou participando involuntariamente do gol de empate dos donos da casa, desviando a bola e atrapalhando San Martín.

Fabrício – foi posto na roda várias vezes nos contra-ataques adversários e não fez um papel muito bom fechando os espaços. Na frente acabou sendo mais efetivo, fazendo o cruzamento para nosso segundo gol e quase marcando um em um dos raros contragolpes velozes que tivemos.

Jhon Cley – o garoto foi para a berlinda na partida, mas muito por culpa do Joel, que o obrigou a cumprir uma função que não é muito a dele. Acabou ajudando mais na marcação que ajudando o Douglas, mas nada que merecesse destaque. Quem sabe, no futuro, ele até possa se encontrar no futebol como segundo homem de meio de campo. Saiu para a entrada do Lucas Crispim, que por mais que eu me esforce, não consigo lembrar ter feito algo digno de nota.

Douglas – no primeiro tempo, duas boas participações: deixou Maxi Rodriguez na cara do gol e marcou seu sexto gol no campeonato em mais um pênalti. No segundo tempo se deixou levar pelo marasmo criativo do time e não fez muita coisa.

Maxi Rodríguez – corria, se movimentava com eficiência, criando espaços para jogadas, arriscava arremates, quase marcou um belo gol e era o melhor do time no primeiro tempo. Como não podia deixar de ser, a paga por ter ido bem foi ser substituído pelo Joel no intervalo para a entrada do Rafael Silva, que não conseguiu dar um chutinho pro gol sequer.

Kleber – corre o tempo todo, mas fazer algo que preste é raro. Parece mirar a zaga adversária quando tenta suas finalizações. Nos minutos finais foi substituído por Rafael Vaz, para fechar de vez a defesa. E pelo placar do jogo, todos podemos conferir sua eficiência nisso.

***
Vale um comentário sobre a arbitragem da partida: terrível, como têm sido várias ao longo desse ano para nós. Não que o Sr. Gilberto Rodrigues Castro Junior tenha errado apenas contra o Vasco, mas se ele tivesse sido homem o bastante para marcar o pênalti claro sofrido pelo Diego Renan ainda no primeiro tempo e com o placar zerado, a história do jogo certamente seria outra.

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Desequilíbrio e vitória

O Vasco venceu, se manteve no G4, mas penou para passar pelo Náutico com um 2 a 1 bastante suado. Apesar disso, foi talvez a melhor apresentação do time na competição e certamente o melhor jogo sob o comando do Natalino. O grande problema da equipe foi o desequilíbrio apresentado ao longo do jogo: merecíamos ter goleado o Timbu, mas corremos riscos demais, que poderiam inclusive ter resultado numa derrota.

Ofensivamente, o time mostrou uma melhora significativa, com muito mais jogadas criadas e finalizações (mais de 25 arremates durante o jogo), mas com mesma imprecisão de sempre. Como no primeiro turno, o destaque do time pernambucano foi o goleiro Julio Cesar, que mais uma vez teve muito trabalho e salvou o alvirrubro diversas vezes.

Isso foi um óbvio reflexo da armação mais ofensiva escalada pelo Joel, que fez o que parecia ser o correto: trocou um volante por mais um atacante e manteve Maxi Rodriguez no time. Mas a pressão que exercemos durante quase toda partida também deixou mais espaços e os contra-ataques do Náutico, ainda que poucos, foram quase sempre perigosos, evidenciando o lado ruim da mexida no time.

O Vasco martelava o Timbu, mas nada do gol sair. Passamos o primeiro tempo em branco e no segundo tempo o Náutico, mesmo pressionado, continuava perigoso. E entrada do Edmilson no lugar do Maxi nos deixou com um jogador a menos no meio de campo, facilitando os contragolpes do adversário. E faltando 25 minutos para acabar a partida, o Náutico conseguiu o que queria. Abriu o placar depois de um contra-ataque que terminou com Martin Silva cometendo um penal.

Aí, mais uma vez, Natalino fez uma substituição à la Joel Santana: deixou o time com apenas um volante, jogando o time de vez para frente, a despeito dos riscos maiores que correríamos. Com a entrada do Dakson no lugar do Fabrício, o Vasco ficou mais exposto e o treinador do Náutico, vendo a situação, também colocou seu time mais à frente.

Mas a estrela do veterano treinador acabou aparecendo. Após boa jogada de Thalles, Dakson marcou o gol de empate aos 31, diminuindo a impressão de mais um vexame em casa. Mas sem outras alterações a fazer, continuávamos correndo riscos, no que parecia ser o melhor momento do Náutico na partida. Enquanto nosso adversário conseguia se segurar, aproveitava o desespero vascaíno para criar suas chances.

E quando todos pareciam satisfeitos com o empate, Thalles mais uma vez iniciou uma jogada que terminou em gol, dessa vez de Kleber, aproveitando a furada da zaga do Náutico. A virada devolveu a justiça ao placar, naquela que deve ter sido a partida na qual o Vasco mais merecia a vitória.

Os três pontos evitou que saíssemos da quarta colocação e nos manteve na cola do líder. Mas o melhor foi ver um time que se impôs diante do adversário, fazendo o que deve sempre fazer jogando em casa. Esse aspecto deve ser mantido diante de qualquer oponente, dentro ou fora da Colina. Agora, ironicamente para um time comandado pelo Joel, é preciso acertar o sistema defensivo da equipe. O desequilíbrio entre o ataque e a defesa ontem foi gritante. E enquanto o técnico não resolver essa questão, continuaremos a ver o Vasco correr riscos mesmo quando domina amplamente as partidas.

***

As atuações…

Martín Silva – o único senão da sua bela atuação – na qual fez pelo menos três grandes defesas – foi o pênalti cometido. Mas ainda que o Vasco perdesse a partida, seria difícil responsabilizá-lo com o ataque perdendo tantos gols.

Diego Renan – ainda está longe dos seus melhores momentos pelo Vasco, mas ao poucos vem subindo de produção jogando pela direita. Mas dada a pressão que o Vasco exerceu ao longo da partida, poderia ter sido mais presente no apoio.

Rodrigo – foi bem em grande parte do jogo, atuando com segurança. Na segunda metade do segundo tempo cansou e teve problemas com o ataque alvirrubro.

Douglas Silva – quase marcou de cabeça e não teve maiores problemas no primeiro tempo. Quando o Náutico tentou atacar mais no segundo tempo, se enrolou em alguns lances.

Lorran – apoiou constantemente, mas precisa caprichar nos cruzamentos e ter mais atenção à marcação. Saiu contundido para a entrada de Marlon, que mesmo entrando descansado, não conseguiu fazer da sua lateral uma boa opção para o ataque.

Guiñazu – a vontade de sempre, mas não conseguiu conter os contragolpes do Náutico, principalmente quando ficou como último volante em campo. Quase marcou o gol da sua vida, fazendo fila com a zaga adversária, mas chutou para fora.

Fabrício – mesmo tendo dois meias ofensivos no time, não deixou de tentar ajudar na criação, fazendo bem a distribuição das jogadas. Foi sacado quando o time já perdia por 1 a 0 e Joel se desesperou. Dakson entrou em seu lugar não demorou muito para mostrar resultado, empatando a partida após jogada de Thalles.

Douglas – fez boas jogadas e não ficou de migué como em outras partidas. Se não fosse pela boa atuação do goleiro Julio Cesar, poderia ter deixado o dele em cobrança de falta no primeiro tempo. Cansou no segundo tempo e poderia ter sido substituído no lugar do Maxi.

Maxi Rodríguez – no primeiro tempo foi o mais participativo do Vasco, criando jogadas, se movimentando e até ajudando na marcação. No segundo tempo, exagerou nas jogadas individuais e acabou com a paciência de Joel, que o substituiu por Edmilson, que não conseguiu finalizar muitas vezes, mas deu novo gás ao ataque e com sua movimentação mais opções de jogadas pelos lados do campo.

Kleber – fez valer seu apelido jogando com uma disposição impressionante. Como um Gladiador, lutou do começo ao fim do jogo, arriscando jogadas e finalizando diversas vezes, tendo sua raça recompensada com o gol da virada no final do jogo.

Thalles – dessa vez foi decisivo, sendo o responsável pela criação das jogadas que nos renderam os dois gols.

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Informação demais

Sabe aquelas situações em que um amigo seu começa a contar com riqueza de detalhes como o banheiro o aliviou de um almoço que o fez passar mal? Ou então, quando seus pais entram numa de fazer reminiscências da juventude, contando o que aprontaram ou deixaram de aprontar (e são coisas que te deixam completamente constrangido e que nem você, nos dias permissivos de hoje, teria coragem de fazer)? É nessas horas que falamos, ou pelo menos pensamos, que a conversa está com informação demais e podia ter terminado há muito tempo. Em 100% dos casos de “muita informação”, os assuntos são desagradáveis, degradantes ou desnecessários. Quando não tudo isso junto.

O empate entre Vasco e Oeste foi exatamente uma dessas situações. Teve tanta informação em apenas 90 minutos, e a maioria foi tão desagradável, que é até difícil falar sobre a partida.

Tentando resumir para não irritar quem não viu a partida e não enervar quem acompanhou a transmissão, foi mais ou menos isso:

Antes do apito inicial

Ia ter a execução do Hino Nacional. Mas não teve.

Primeiro tempo

  • O Oeste jogando melhor e com mais posse de bola.
  • O Vasco, mesmo com três volantes, não conseguia se encontrar na marcação e o adversário colocava nosso time na roda.
  • O Oeste antecipava TODOS os lances e o Vasco via o adversário jogar.
  • Sofremos um gol que não foi gol: uma bola que estourou no travessão, bateu na linha e o bandeirinha confirma o que não aconteceu.
  • Na comemoração, a torcida do Vasco acerta uma lata de cerveja no jogador do Oeste que marcou o gol.
  • A cerveja era Itaipava.
  • Douglas, senão o pior em campo, certamente o mais irritante disparado, recebe um bolão na cara do goleiro e desperdiça canhestramente o lance por não conseguir matar a bola.
  • A etapa inicial só não terminou 2 a 0 porque Martín Silva fez um milagre.

Segundo tempo

  • Joel mexe no time. Misteriosamente Douglas permanece em campo.
  • Dakson entra no jogo. Aparentemente para chutar ao gol qualquer bola que pare no seu pé
  • Em determinado momento da partida, o Vasco contabilizava 26 passes errados. O Oeste, cinco. E eram eles que tinham maior posse de bola.
  • Joel dá uma de Joel e faz uma daquelas alterações loucas: tira o Fabrício e coloca Thalles no jogo. O time fica com três atacantes e um volante. E olha que nem era final da Mercosul.
  • A torcida ajuda jogando outro objeto em campo.
  • A organização do time era tanta que em um lance, Luan avançou pela esquerda como um lateral e tocou para o meio. Quem recebeu a bola foi o Lorran.
  • Thalles cai na área e o juizão marca o penal meio Mandrake. Compensação?
  • Douglas, o pior em campo, o que perdeu as duas últimas cobranças de pênalti vai bater e, surpresa!, empata a partida.
  • Bastou o time empatar para voltar a perder a bola de forma infantil no meio de campo, permitindo que o Oeste antecipasse as jogadas e ficasse com todas as sobras.
  • Poderíamos até ter virado a partida, e ainda fazendo de um dos vilões do time seu herói inconteste. Mas o bandeirinha que enxergou um gol inexistente não viu que Douglas tinha condição e invalida o que seria um lance claro de gol para o Vasco.
  • Finalizando, o juizão terminou a partida antes do tempo que daria de acréscimo. E com o Vasco com a bola no ataque.

***

Depois do fim do jogo, para coroar a bizarrice toda, Joel solta duas pérolas na coletiva.

Perguntado sobre o que achou do primeiro tempo, nosso treinador respondeu: “estava chegando pouca gente dentro da área“. SERÁ QUE ELE NÃO PENSOU QUE FOSSE TALVEZ, APENAS TALVEZ, PORQUE O TIME SÓ TIVESSE UM ATACANTE E TRÊS VOLANTES?????

E no fim ainda mandou um hilário (porém muito, MUITO preocupante) “Eu acho que o Vasco fez uma boa partida”.

Somando tudo isso, é ou não é muita informação para apenas 90 minutos?

***

As atuações…

Martin Silva – não teve que suar muito a camisa, mas quando precisou mostrar serviço, salvou o time com mais um dos seus milagres. No gol, mesmo que a bola tivesse entrado, não poderia fazer nada.

Diego Renan – no primeiro tempo confirmou a má fase pela direita, mal sendo notado em campo (ou seja, nem subiu ao ataque, nem protegeu sua lateral); no segundo, apareceu mais no apoio, mas errou praticamente tudo o que tentou.

Rodrigo – teve alguns problemas com as triangulações do ataque do Oeste, principalmente no primeiro tempo, quando os volantes não marcavam decentemente. No segundo, teve menos trabalho, já que o Vasco passou a pressionar.

Luan – lento em alguns lances, também se enrolou no primeiro tempo. No segundo, partiu pro desespero e foi visto mais perto da área adversária que da nossa. Estava tropeçando na própria língua no fim do jogo, o que para um garoto tão jovem é preocupante.

Lorran – com um time que não ajuda, adversários que não dão espaço e a torcida pressionando, o garoto escolheu o pior momento para estrear no profissional. E se Lorran continuar cheio de boas intenções, mas não conseguindo executar as jogadas, em breve terá o filme queimado definitivamente. Pelo menos não amarelou, não fugindo do jogo em momento algum.

Aranda – um verdadeiro “Gasparziño, lo fantasmita paraguayo“. Não foi visto em campo, seja defendendo, seja ajudando na criação, em nenhum dos 45 minutos em que esteve em campo. Saiu no intervalo para a entrada do Dakson, que apesar de ter ajudado o Vasco a ter maior domínio de bola no campo do Oeste, resolveu ser tal e qual um “Boneco Chuta Tudo da Estrela“, entrou em campo achando que resolveria a partida com um arremate longínquo. Pena que todas as suas tentativas foram horrendas, não dando qualquer trabalho para o goleiro adversário.

Guiñazu – é difícil reclamar do único sujeito do time que efetivamente se entrega em campo, mas ontem eu tenho minhas dúvidas se o Guiña foi o jogador vascaíno que mais correu, tamanho foi o tempo em que ele passou deitado ou deslizando pelo gramado. Mas além da produção em escala industrial de carrinhos, o gringo também tentou ajudar no ataque, talvez mais do que devesse até.

Fabrício – limitou-se a marcar e distribuir o jogo no limite da intermediária adversária. Não foi bem em nenhuma das funções. Quando Joel entrou em desespero, foi substituído pelo Thalles, que jogou pelos lados do campo e decretou o abafa definitivo assim que entrou em campo. Foi importante para evitarmos a derrota, já que foi ele quem sofreu o pênalti.

Douglas – o nome do jogo, tanto positiva quanto negativamente. No primeiro tempo, foi uma negação completa: lento, disperso, errando passes e perdendo um gol feito por pura displicência. No segundo tempo pelo menos correu. Até deu – pasmem! – um carrinho para roubar uma bola. Acabou garantindo o pontinho conquistado e a permanência no G4 convertendo a penalidade máxima e acabando com a sequência de dois pênaltis perdidos.

Maxi Rodríguez – parece ser o atual alvo da queimação de filme por parte do técnico. Joel insiste em escalar o uruguaio numa posição onde ele não rende tudo o que pode e o resultado disso é óbvio: ele não rende tudo o que pode. Saiu no intervalo para a entrada de Edmilson, que lutou bastante, tanto no ataque quanto ajudando na defesa. O problema é que ontem ele queria tanta luta que acabou brigando com a bola em vários momentos.

Kléber – só não foi o ectoplasma do time no primeiro tempo porque Aranda fez questão de ficar com o cargo. Começou a fazer alguma coisa apenas na etapa final, e mesmo assim, só passou a aparecer quando o time passou a jogar com três atacantes.

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Só mudou a mosca

Pelo que vimos na derrota – e subsequente eliminação na Copa do Brasil – do Vasco para o ABC, podemos dizer que, finalmente, a Era Adilson acabou. Todos os defeitos que o time vinha apresentando sob o comando do agora definitivamente ex-treinador foram seguidos à risca pela equipe comandada pelo interino Jorge Luiz. Erros de passe em profusão, falhas de cobertura, criação inexistente e uma total incapacidade de variações táticas que fossem capazes de superar as mais ridículas retrancas é a descrição da partida. Resumindo, mudou a mosca, mas merda continuou a mesma.

No fim das contas, a pergunta feita no post de ontem só poderia ter uma resposta: Jorge Luiz não poderia fazer nada pelo time. E nada foi exatamente o que o interino fez. Até a mania do Vasco apenas assistir o adversário jogar um tempo inteiro (mesmo com a necessidade de marcarmos gols) para só tentar uma pressão na etapa final aconteceu mais uma vez.

Claro que a derrota não é culpa exclusiva da dupla Adilson/Jorge Luiz. A incapacidade de alguns jogadores, a queda de rendimento de outros e o descontrole geral da equipe também contribuíram para a bizarra eliminação. Tão bizarra que veio com um gol irregular do ABC e com Diogo Silva sendo um dos poucos destaques do Vasco, senão o melhor em campo. Esperar que algo desse certo num cenário como esse era demais.

A eliminação, com derrota, para um time que luta para não entrar no Z4 da Série B era a vergonha que faltava à gestão Dinamite, que pelo menos nas Copas do Brasil que disputou, não fez feio em nenhuma. E mais uma vez o time precisa se reconstruir depois de mais um fracasso, com o agravante de não ter um técnico para conduzir a renovação e com a instabilidade política comprometendo ainda mais o ambiente do clube.

Agora, sem a vinda de Enderson Moreira (que fechou com o Peixe em cima da hora) e sem um nome aceitável para assumir o grupo, a diretoria terá que se esforçar muito para reverter esse quadro. Rodrigo Caetano (que tem grande parcela de culpa nisso, por bancar a permanência do Adilson por tanto tempo) terá que tirar da cartola um treinador que ao mesmo tempo seja competente, aceite ganhar pouco e, tão importante quanto, que agrade a torcida. Porque nesse momento o Vasco não pode, de maneira nenhuma, prescindir do apoio dos vascaínos.

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As atuações? Uma preguiça absoluta e falar do que os jogadores fizeram ontem…Se salvaram Diogo Silva (!!!!) e Maxi Rodriguez, pelo gol.

Na defesa, mais uma gol de bola parada, ainda que em impedimento, é o bastante para mostrar como nossos zagueiros foram mal. E quando subiram, não foram melhores: Rodrigo desperdiçou duas boas cobranças de falta e Douglas Silva, que vacilou feio no segundo gol do ABC, ainda perdeu o gol mais feito do Vasco aos 47 do segundo tempo.

Nas laterais, Diego Renan nem comprometeu, se levarmos em consideração que acabou de voltar de contusão. Apoiou quando pode mas perdeu um gol feito. Na esquerda, uma lástima: tirando um cruzamento certo para o Kleber, Marlon foi uma negação em todos os sentidos. Nem foi visto onde deveria estar no lance do primeiro gol do ABC, que saiu pela ponta esquerda. Lorran entrou em seu lugar, não conseguiu executar o primeiro drible que tentou e aparentemente perdeu toda confiança, errando tudo o que tentou.

Sobre os volantes, Aranda surpreendeu positivamente, tentando criar e sendo até mais efetivo que os meias que tinham essa função. Também tentou finalizar duas vezes. Já o Guiña, foi o de sempre: produz mais carrinhos que a indústria automobilística. Mas é alguém a tentar acordar um time que parece dormir durante boa parte do jogo.

Os meias titulares foram terríveis: Douglas não fez nada e só apareceu quando, descontrolado, arrumou uma briga e foi expulso. Dakson até tentou se movimentar para criar opções de jogo, mas tentou resolver tudo sozinho vezes demais. Montoya foi só correria e quando tentou ajudar na defesa, tomou um chapéu ridículo e deixou o atacante do ABC livre para marcar o primeiro gol.

Os atacantes passaram em branco. Apesar da luta, Kleber pouco conseguiu fazer e Thalles entrou em campo numa posição muito longe da área para quem deveria entrar como centroavante.

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Menos que pouco

O empate contra o ABC em São Januário foi terrível, mas acaba sendo o menos grave se analisarmos toda a situação com calma. O resultado de ontem, a forma como deixamos a vitória escapar e a postura do time foram as mesmas de tantos outros empates e derrotas esse ano. Com isso, infelizmente já deveríamos estar acostumados e não deveria ser mais um motivo de preocupação. Mais preocupante pra mim é o cenário da equipe sob uma visão mais ampla.

Sofrer um gol antes dos 5 minutos de bola rolando, pressionar sem conseguir levar muito perigo ao adversário, correr riscos nos contra-ataques, errar um caminhão de passes, perder gols e penar para conseguir um empate contra um adversário evidentemente inferior tecnicamente e que passou 80% do jogo se defendendo poderia ser, como falei acima, a descrição de outros tantos jogos do Vasco. Mas pior que o resultado e mesmo pior que complicar a classificação para as oitavas da Copa do Brasil é saber que, do Vasco sob o comando do Adilson, não podemos esperar nada muito diferente.

Estamos empatados com os líderes da Série B – repito, SÉRIE B! – por conta de uma sequência de vitórias, que por sinal não foram suficientes para nos levar ao topo da tabela. Isso porque o Vasco não consegue vencer adversários de uma fragilidade evidente. O treinador mexe daqui, muda dacolá, mas não sai disso: tem na sua mão um elenco absurdamente valorizado para o nível da competição e não faz mais que patinar.

Vem uma sequência de empates e caímos posições? Aí temos uma série de barangas pela frente, vencemos algumas partidinhas de forma medíocre e subimos de novo. Empatamos em casa na decisão de uma vaga da Copa do Brasil? Isso não quer dizer muita coisa, já que pelo Brasileiro vencemos o mesmo ABC na sua casa e podemos repetir o feito, mesmo jogando mal. E com isso, nessa gangorra de rendimento, vamos atingindo metas modestas e mantendo as coisas como estão.

Mas digamos que passemos pelo ABC – o que nem é, ou não deveria ser, uma missão das mais complicadas – e avancemos na competição? É quase certo que enfrentaremos nada mais, nada menos que o Cruzeiro. Acontecendo novamente a lógica, rodaremos na próxima fase. Mas aí, os responsáveis pelo futebol vascaíno certamente vão racionalizar o resultado e seguirão o “planejado”, já que ser eliminado para o melhor time do país há quase dois anos não é um absurdo.

Esse, amigos, é um problema muito pior que um empate contra o ABC (até porque, os caras tiveram méritos pelo resultado e futebol é assim mesmo). Enquanto quem dirige o futebol estiver satisfeito e os jogadores apoiarem o Adilson, nada mudará. Mesmo com o nível indigente do futebol que temos apresentado, vamos subir para a Série A. Mesmo com esse empate de ontem, ainda aposto na nossa classificação para as quartas da Copa do Brasil. O problema é que o desempenho ridículo do time não é o bastante para agradar nem o vascaíno mais tranquilo. Ficar satisfeito com o Vasco do Adilson é se contentar com menos que pouco; é se contentar com nada.

As atuações…

Martín Silva – não tinha o que fazer no gol sofrido e impediu pelo menos um outro. Contou com a sorte também em pelo menos dois outros lances no primeiro tempo, quando tirou as bolas da direção do gol com o olhar.

Carlos Cesar – correria e só: é fraco na cobertura – o gol saiu pela sua lateral – e no apoio erra tudo o que tenta. Saiu contundido e Aranda entrou em seu lugar e, mesmo contra um adversário que poucas vezes arriscou atacar no segundo tempo, deixou alguns espaços pelo meio.

Rodrigo – deu muito azar no lance do primeiro gol: tentou cortar uma bola que evidentemente iria para fora e acabou ajeitando o lance para o atacante do ABC. Com o time avançando desordenadamente para tentar o empate, teve alguns problemas com os contra-ataques adversários. Tomou um amarelo por reclamação, algo inaceitável para alguém com a sua experiência.

Douglas Silva – menos tenso que seu companheiro de zaga, acabou sendo importante ao ganhar uma disputa de bola na área adversária no lance do gol do Kleber.

Marlon – deve ser o dono do título mundial de lateral que mais isola cruzamentos.

Guiñazu – Um dos melhores da partida. Além de ser o monstro de sempre na marcação (talvez exagere um pouco na quantidade de carrinhos que dá), ontem até quando avançou foi bem, distribuindo bem a bola e quase marcando um gol ainda no primeiro tempo.

Fabrício – mostrou empenho, mas o gol logo no começo fez com que o volante avançasse mais que o normal para o ataque, onde tirando um chute de fora da área com relativo perigo, pouco fez. Foi para a lateral no segundo tempo e só fez uma coisa de marcante: conseguir ser expulso por reclamação.

Douglas – ontem até que correu bem mais do que estamos acostumados a ver, mas infelizmente não conseguiu ser o articulador de jogadas que o time precisava. E, mais uma vez, não foi bem nas bolas paradas.

Maxi Rodríguez – se movimentou bem, mas na maioria das vezes não conseguiu superar a marcação adversária. Sem repetir o bom desempenho da estreia, cedeu lugar ao Thalles, que jogando muito afastado da área pouco fez.

Montoya – não tem medo de arriscar jogadas e mostra muita raça. Mas sem concluir jogadas, acaba sendo pouco efetivo. Edmilson entrou em seu lugar e nos pouco mais de 15 minutos que esteve em campo foi mais notado ajudando na marcação que no ataque.

Kléber – no primeiro tempo, uma atuação que pode ter sido a sua melhor com a camisa do Vasco: correu, brigou, abriu espaços para os companheiros, criou jogadas e foi premiado com o gol de empate. Nessa, foi outro a tomar um amarelo ridículo, ao tirar a camisa na comemoração. No segundo tempo caiu de produção, não sendo nem de longe tão perigoso quanto na primeira etapa.

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