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Negação

Acordei cedo nesse domingo. Providenciei o café da manhã dos meus filhos (a menor acordou meio febril), coloquei o mais velho pra missa (está fazendo a catequese) e comi o meu desejum. Li o jornal, conversei com meus pais e fui jogar um pouco de video game. Fiquei horas isso, já que estou numa fase particularmente complicada no jogo. Evitei os jornais e ignorei as redes sociais, mesmo com meu celular apitando constantemente com os zap-zaps e twitters da vida. Meu pai apareceu para ver a partida entre mulambos e Palmeiras. Não o acompanhei, mas imaginava como estava a partida, ora pelos fogos disparados, ora pelos xingamentos do velho.

E o Vasco? Procurei não pensar nisso. Estou obviamente na fase de negação que acontece após perdermos algo que amamos muito.

Não que eu ou qualquer vascaíno tenha “perdido” o Vasco. O clube é maior que qualquer dirigente incapaz e mesmo que há uma década e meia a instituição seja comandada por pessoas incompetentes, algum dia ele há de reerguer e voltar ao lugar de destaque que merece. Mas a derrota de ontem, da forma como aconteceu e o que ela representa foi um golpe duro demais para qualquer vascaíno que ame o clube acima de qualquer coisa. Jogando em casa, contra uma das equipes mais fracas da competição e sabendo que apenas a vitõria manteria nossa esperança de nos mantermos na elite (que seria difícil mesmo se vencessemos a partida), perdemos de forma cruel, depois de mais de 90 minutos mostrando nossa total incapacidade de vencer os adversários mais frágeis possíveis.

Falar que elenco é fraco ou que o treinador – que em todo tempo que esteve no comando da equipe não conseguiu sequer definir os titulares ou fazer com que os 11 jogadores em campo fossem mais que um bando descoordenado – é ainda pior não resolve nada, além de ser apenas mais uma obviedade. Apontar os responsáveis pelo agora quase certo terceiro rebaixamento em três anos nos levaria a fazer uma lista enorme de culpados sem que trouxesse uma solução. É trabalho demais para algo que sequer servirá para aliviar um pouco a frustração da torcida.

A matemática ainda nos permite sonhar, a muitíssima atrasada demissão do Roth faz com que todos esperem por um treinador que tenha capacidade para cumprir uma missão praticamente impossível e, sejamos sinceros, todo vascaíno que se preze só deixará de acreditar quando as probabilidades apontarem 0% de chances. Mas a realidade não se preocupa com nossas esperanças e nunca deixa de cobrar seu preço pela incompetência de quem acha que a arrogância é o que basta para garantir o sucesso.

O que fazer agora? Lamentar e acompanhar esse campeonato até o fim, torcendo por um milagre enquanto for possível e depois desejando que as humilhações não se repitam com muita frequência até dezembro. Mas principalmente, esperando que esse iminente terceiro rebaixamento em três anos faça com que nossos dirigentes aprendam com seus erros e procurem evitar que eles se repitam. Já que o Gigante terá que se reeguer mais uma vez, que seja a última.

As atuações:

Jordi – sem culpa no gol, teve uma atuação bem segura.

Madson – mais uma vez o seu lado foi um convite para os adversários. No apoio também foi o mesmo: inofensivo.

Jomar – vinha fazendo uma bela partida, até entregar a rapadura no último lance do jogo e dar a vitória para o Coxa.

Rodrigo – perdeu dois gols (um deles inacreditável), um em cada tempo. E não perde a mania de pegar a bola para cobrar faltas apenas para mandá-las o mais longe possível do gol.

Christiano – é o retrato do time: mesmo sendo um completo incapaz em qualquer um dos fundamentos que precisa ter para cumprir suas funções, é titular absoluto da equipe. E isso porque seus substitutos são efetivamente ainda piores. Ontem perdeu uma chance clara de gol ao isolar uma bola na qual teria que chutar colocado.

Lucas – foi ressucitado na última partida do Roth como treinador. Mas foi como se não estivesse em campo.

Serginho – teve alguns bons momentos ajudando o time a iniciar jogadas no ataque, mas não fez uma boa cobertura da lateral direita.

Nenê – não foi nem de longe o salvador da pátria – como alguns desejavam – mas mostrou ter mais habilidade que a maioria absoluta dos meias do elenco (não que tenha uma concorrência muito acirrada, claro). Com mais ritmo de jogo, pode ser bem útil ao time. Mas provavelmente chegou tarde demais à equipe.

Jorge Henrique – fez uma boa estreia, ajudando o bom começo do time com jogadas pelos lados do campo. Cansou no segundo tempo e cedeu lugar ao Jhon Cley que tirando um chute ligeiramente perigoso, pouco fez.

Riascos – parece ter sido jogado em campo sem que o treinador tenha lhe dado qualquer instrução: não conseguiu encontrar um posicionamento adequado, muitas vezes se embolando com Jorge Henrique. E ainda protagonizou mais um lance de comédia pastelão ao tentar finalizar e conseguir acertar o próprio braço com o chute. Thalles entrou em seu lugar no fim do jogo e não teve tempo para fazer nada.

Dagoberto – foi uma boa opção pelos lados do campo, mas não foi feliz nas finalizações. Cedeu lugar ao Herrera, que mais uma vez não contribuiu com praticamente nada.

***

Celso Roth sempre teve em Eurico Miranda um admirador. Tanto que a primeira opção do presidente ao assumir o clube para sua segunda gestão era o técnico, que só não comandou o Vasco no Estadual porque não aceitou a proposta salarial que recebeu.

Mas assim que o trabalho do Doriva (que, vale lembrar, era no máximo a terceira opção do Dotô) começou a fracassar, Eurico não teve dúvidas e trouxe Roth, que sem conseguir emprego entre a primeira e a segunda abordagem do dirigente, acabou aceitando o teto salarial estabelecido pela diretoria.

Mesmo depois de ter ficado óbvio para qualquer um que o trabalho do Roth à frente do time não seria bom, Eurico bancou a permanência do treinador. Mesmo que a equipe não conseguisse apresentar nem de relance alguma sombra de padrão de jogo.

O Vasco teve 10 dias apenas para treinar após sofrer mais uma goleada. Era o momento certo para buscar um novo treinador, que teria um tempo maior para que o elenco se adaptasse a uma nova filosofia de trabalho. A diretoria achou melhor manter Roth.

Depois dos 10 dias de treinos, o Vasco não apresentou qualquer melhora e não conseguiu vencer o fraco Joinville, diante de 40 mil vascaínos e escapou de outra goleada em uma derrota contra o Santos. Ainda assim, e mesmo mostrando alguma insatisfação com o trabalho de Roth, Eurico decidiu mantê-lo.

Ontem, quando mais uma derrota em casa para um dos integrantes do Z4 tornou a situação de Roth insustentável, quem anunciou a saída do treinador não foi o presidente que fez tanta questão de mantê-lo no cargo. O encarregado da tarefa foi Zé do Táxi, que da maneira mais deselegante possível, disse apenas que “o treinador não está mais no Vasco“. Diferente do próprio Roth, que ao se despedir, fez questão de agradecer a todos, inclusive à diretoria que não demonstrou qualquer cortesia ao dispensar o profissional.

Ou seja: o Dotô faz questão de dar as caras para fazer bravatas ou mostrar que “quem manda no Vasco” é ele. Mas na hora de informar à torcida que seu treinador preferido tinha sido dispensado por não conseguir fazer um trabalho decente (o que qualquer um mais por dentro do futebol poderia adivinhar facilmente), o manda-chuva vascaíno preferiu sair pela porta dos fundos da Arena, sem dar qualquer satisfação aos vascaínos.

Tudo isso torna esse episódio terrível na nossa história ainda mais deprimente.

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Coincidências demais

Os reforços do Vasco, atuando no time rebaixado do Olaria.

Os reforços do Vasco, atuando no time rebaixado do Olaria.

O tema para um post de hoje deveria ser a estreia da molecada pela Copa São Paulo de Juniores, em jogo contra o Araxá-MG, às 16h. Mas como a copinha só embala mesmo depois da primeira fase, surgiu um assunto mais importante (e espinhoso).

A história não começa agora, mas há cerca de cinco anos, mais precisamente em abril de 2009. Nessa ocasião foi fundada a Brasport, empresa que – como diz sua própria razão social – cuida de gestão e administração esportiva. Em maio do mesmo ano, A Brasport assumiu a gestão do futebol do Olaria, que penava na segundona carioca, em uma parceria que duraria cinco anos. O objetivo principal da empresa era levar o clube do subúrbio de volta à elite estadual, através da estruturação do seu departamento de futebol, incluindo suas divisões de base. Ainda que a Brasport tenha conseguido um bom quinhão por conta da parceria (passou a receber, por exemplo, a grana das cotas de transmissão do Carioca que caberiam ao Olaria), conseguiu sua principal meta: reconduziu o time à primeira divisão do Estadual, inclusive fazendo uma grande campanha no campeonato de acesso, chegando à semifinal da Taça Rio e terminando a competição na 5ª colocação (à frente, vale dizer, do próprio Vasco).

Mas o tempo passou e os bons frutos trazidos pela Brasport para o Olaria secaram. Dois anos depois, em 2013, o clube fez a segunda pior campanha no estadual e acabou rebaixado. Os jogadores do elenco que caiu seguiram a vida normal dos profissionais da bola, sendo negociados e indo para outros clubes de menor expressão. Mas para alguns deles, a sorte voltou a sorrir: o lateral Erick, o volante Victor Bolt e o atacante Erick Luis conseguiram um contrato com um dos maiores clubes do mundo. Justamente o Vasco da Gama.

Até aí, podemos considerar uma feliz coincidência que três dos participantes do descenso do Olaria sejam contratados, ao mesmo tempo, pelo mesmo clube. Os três jogadores, que continuaram em clubes pequenos e sem ter muito destaque mesmo neles, podem ter bons empresários que conseguiram convencer os dirigentes vascaínos que sua contratação seria um bom negócio. Mas as coincidências não param por aí. Como os três estavam no Olaria em 2013, isso significa que eram contratados da Brasport, a empresa que geria o futebol do clube da Rua Bariri. O problema é que os sócios da Brasport são José Luis Moreira, Paulo Reis e Paulo Angioni, VPs de Futebol e Jurídico e gerente de futebol do Vasco.

Tais coincidências podem não dizer nada e serem apenas obras do acaso. Mas as suspeitas que tais coincidências suscitam são tão graves que seria muito bom que a diretoria deixasse essa questão o mais clara possível. Mesmo esquecendo as promessas de que a era de empresários nos corredores da Colina acabariam com a vitória do Eurico – o que é praticamente impossível nos dias de hoje – não é minimamente aceitável que exista a menor possibilidade de dirigentes estejam se favorecendo em negociações de jogadores, ainda mais quando esses jogadores são de qualidade para lá de duvidosa.

A situação pode ser facilmente esclarecida, basta que sejam divulgados os nomes dos empresários e agentes dos três jogadores citados, para que se prove que não houve qualquer tipo de favorecimento nas contratações. Esclarecer completamente essas coincidências é o mínimo que a diretoria pode fazer para preservar uma imagem de integridade nesse começo de gestão.

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Não custa lembrar: cobrar mais transparência da diretoria – algo que já fiz por aqui e alguns xiitas reclamaram – não tem nada a ver com “torcer contra“. É o mínimo que um torcedor que pensa no que é melhor PARA O VASCO deve fazer, para que não vejamos nosso clube ser prejudicado. É uma postura que todo torcedor, seja defensor da atual diretoria ou não, tem a obrigação de adotar.

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111 Comentários

Arquivado em Divisões de Base, Notícias, Reforços

Não se pode elogiar….

54 blog - elogioTava bom demais pra ser verdade!

Depois de a imprensa divulgar uma suposta sondagem ao treinador Gustavo Matosas, o que seria pelo menos a indicação de que a diretoria estaria buscando soluções criativas para a equipe, recebemos a notícia de que, na verdade, os nomes aventados na Colina são bem mais modestos.

No lugar do técnico bicampeão nacional no México, o Vasco conversa com Ricardinho (responsável por um 11º lugar na Série B com o Paraná) e Marquinhos Santos, que salvou o Coxa do rebaixamento na Série A. Pelo que diz a imprensa, o próprio Eurico participa das conversas.

Precisamos levar em consideração o teto salarial estipulado para a função. Limitando a proposta a R$ 100 mil/mês (o que, convenhamos, já é uma fortuna), não poderíamos pensar em nenhum nome de ponta. Entre as duas possibilidades, Marquinhos me parece a melhor opção: têm títulos na carreira (um paranaense com o Coxa e um Baiano com o Bahia) e já foi treinador das seleções de base. E como não devem faltar moleques no elenco vascaíno desse ano, pode ser bom ter alguém com experiência junto à garotada.

Os dois nomes são apostas, já que não têm muita experiência e nunca dirigiram um clube do porte do Vasco, mas nada impede que tenham sucesso no clube. Mas a frustração com essas duas opções é inevitável.

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Olhem quem aprova a política mão-fechada para contratar treinadores….

RMP1

Ele pode até ter razão, mas que é muito estranho ver o Renato Maurício Prado elogiando a diretoria do Eurico Miranda, é…

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Sobre reforços, a torcida pode esperar por jogadores de peso, mas a realidade parece não ser bem essa. O VP de Futebol, José Luis Moreira, não fala em nomes e tudo o que fez foi descartar a contratação dos atletas especulados nos últimos dias.

De “reforço”, aparentemente, apenas o retorno dos emprestados: Bernardo, William Barbio, Romário e Alessandro devem se reapresentar em São Januário. Antes que perguntem se eles são melhores ou piores que os jogadores que temos atualmente, respondo logo que não sei. Eles não participaram da campanha vexaminosa na Série B, mas fizeram parte do igualmente vergonhoso segundo rebaixamento.

Há algo mais preocupante que a falta de notícias concretas sobre reforços: com a meta de gastar apenas R$ 1,5 milhão/mês com o elenco – lembrando que a Chapecoense gastou apenas R$ 200 mil a menos na Série A esse ano – a tendência é que realmente aproveitemos os emprestados, os afastados e a garotada da base para montar o time.

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Uma coisa passou pela minha cabeça: na gestão passada, o que mais se viu foi euriquista falando que o clube estava “se apequenando” com as contratações feitas. Estou curioso para saber se a opinião deles continua a mesma.

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Chegou aquele momento em que meus adorados leitores podem dar uma moralzinha para o blog: é a hora do jabá! Aproveitem que a Gigante da Colina tá cheia de promoções legais e comprem produtos oficiais do Vasco. O Natal tá aí e não custa nada ajudar nosso clube na hora de comprar os presente. E ajudar esse que vos escreve por tabela, clicando nos links aqui do Blog da Fuzarca!

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44 Comentários

Arquivado em Notícias, Reforços

No caminho certo

caminhoEnquanto só as saídas do time vão se confirmando, a ansiedade por reforços aumenta entre a torcida. Não que a equipe não precise de um verdadeiro expurgo, mas ver Maxi Rodriguez, um dos poucos desse grupo que ainda poderia ficar, voltar ao Grêmio e não chegar ninguém é obviamente preocupante.

Mas diante da situação do clube, é natural a cautela ao se contratar. E José Luiz Moreira está corretíssimo ao afirmar que não adianta trazer jogadores se os salários não puderem ser pagos. Infelizmente, nossa realidade é essa: Paulo Angioni terá que se desdobrar para reforçar o elenco sem cometer loucuras financeiras e com qualidade para montar um time digno do clube.

E se a notícia de que o Vasco sondou o treinador Gustavo Matosas é verdadeira, a direção do clube pelo menos mostra estar no caminho certo. O mercado de treinadores no Brasil está dividido entre ex-técnicos em atividade (como o que temos hoje), muitas promessas ainda não realizadas e os supervalorizados que, nem sempre, justificam seus salários astronômicos. Buscar um nome no exterior que tenha feito grandes trabalhos – Matosas em três anos no Leon do México tirou o time da segundona e conquistou o bicampeonato nacional – seria uma ótima opção.

Mesmo que seja difícil a contratação, o interesse por Matosas mostra uma criatividade inesperada  dos dirigentes vascaínos. Tornando isso uma tendência na busca por reforços para renovar o time, podemos ter boas surpresas daqui pra frente.

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O problema é que o Dorival Jr. agora se encontra desempregado. Espero – e acredito que maioria absoluta da torcida também – que essa condição não o torne uma opção para o Vasco. Seria um tremendo tiro no pé.

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E por falar em técnico, o Natalino mandou muito mal ao tirar uma foto segurando uma camiseta alusiva à mulambada (não vou reproduzir a foto aqui pra não dar moral a quem não merece). Para quem estava cavando a permanência na Colina, a atitude é, para dizer o mínimo, um vacilo imperdoável.

Por muito menos que isso, Joel, você ganhou o cargo do Oswaldo de Oliveira no próprio Vasco. E você deve se lembrar quem foi o responsável pela troca.

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Não sei o que dá mais medo: o Vasco ainda pensar em contar com o Kleber ou imaginar a qualidade do tal Julio dos Santos. Porque, pra ser o plano B do Gladiador depois do que ele apresentou na Série B, convenhamos…

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