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Por aparelhos

Foi mais complicado do que se poderia esperar, mas ainda assim o Vasco fez a sua parte e venceu o Santos por 1 a 0, ontem na Colina. Infelizmente os resultados que precisávamos na rodada não aconteceram e, apesar de nos mantermos vivos até a última rodada, nossa permanência na elite do futebol brasileiro respira por aparelhos.

Não que não soubéssemos há muito tempo que escapar do terceiro rebaixamento seria um drama. A reação no campeonato, que veio bem mais atrasada do que deveria, não teve a força necessária para compensar 22 rodadas com um desempenho indigno para nossas tradições. E 2015 entrou em seus derradeiros capítulos, como não poderia deixar de ser de forma dramática: uma chuvarada desabou sobre o Rio, atrapalhando a chegada da torcida, inundando São Januário e provocando o atraso da partida em mais de uma hora.

O campo pesado seria mais um problema para o Vasco, que tem um time recheado de veteranos e que jogaria contra um Santos formado basicamente por moleques. O começo da partida foi preocupante. Mesmo que o desempenho longe da Vila Belmiro seja ridículo, foi o Peixe que ameaçou primeiro: Rodrigo vacilou e o atacante Nilson, cria da Colina, só não marcou de cabeça por conta de uma milagrosa intervenção de Martín Silva.

O susto logo no início fez o Vasco acordar. Mas, como de costume, o domínio vascaíno não se convertia em muitas chances de gol. Tirando uma oportunidade com Jorge Henrique (que chutou pra fora na cara do gol) e outra com Riascos (que errou uma finalização por cobertura), nos limitamos a rondar a área santista e tentar chutes de média e longa distância sem levar muito perigo ao gol santista.

Foi preciso que Nenê aparecesse dentro da área para que o alívio chegasse. No finalzinho do primeiro tempo, o camisa 10 perdeu grande chance após receber a bola em um lateral cobrado rapidamente por Jorge Henrique. Na sequência da jogada, após cobrança de escanteio, o mesmo Nenê sofreu pênalti e o cobrou, abrindo o placar pouco antes da ida para o intervalo.

No segundo tempo, o Vasco parecia interessado em fazer um repeteco do jogo contra o Joinville: o time começou a mostrar o inevitável cansaço e permitiu que o Santos tomasse mais a iniciativa. Jorginho mais uma vez demorou a fazer substituições, mesmo que alguns jogadores estivessem claramente se arrastando em campo.

Por sorte, o desentrosamento do time reserva santista não permitiu que eles aproveitassem o melhor momento na partida. Nosso treinador finalmente resolveu mexer no time e a entrada do Rafael Silva ajudou a levar o Vasco novamente ao ataque. Ainda assim – e mesmo com as entradas de Bruno Gallo e Guiñazu – passamos por momentos de tensão com o time evidentemente morto nos minutos finais. Mas a luta e a superação do time foram o bastante para segurar o placar até o fim.

Conseguimos a vitória que nos manteve com esperanças até a última rodada, e a felicidade só não foi maior por conta da derrota do Palmeiras para o Coxa. Em uma outra situação, encarar o Coritiba já sem riscos de queda poderia até ser melhor, mas as rodadas anteriores não nos ajudaram e precisaremos, não apenas vencer a partida no Couto Pereira, como também contar com o as ajudas de Corinthians e Fluminense no domingo que vem. Não depender apenas das nossas próprias forças para escapar é o preço que pagamos pela pífia campanha que fizemos por 22 rodadas. O que torna tudo muito mais injusto, já que o Vasco que só nos fez passar vergonha nesse Brasileirão não é ESSE Vasco de ontem. O de antes, certamente já estaria rebaixado há algum tempo; o Vasco que venceu ontem e que chega vivo à última rodada não merece, de forma alguma, o rebaixamento.

As atuações…

Martín Silva – na minha opinião, foi ainda mais importante que o Nenê no jogo de ontem. Não tivesse operado um milagre antes dos cinco minutos do primeiro tempo, o Santos teria aberto o placar e o jogo ficaria infinitamente mais complicado. E ao longo do jogo ainda fez mais umas duas ou três defesas difíceis.

Madson – teve espaço para apoiar e aproveitou os mesmos. Mas, como sempre, não conseguiu concluir as jogadas. Defensivamente vem sendo regular e ontem não foi diferente.

Rafael Vaz – na defesa fez o simples e não chegou a se complicar. Quando foi à frente foi o contrário: mostrou estilo numa tentativa de bicicleta, mas isolou a bola.

Rodrigo – jogou deslocado para a posição do Luan e demorou um pouco para se acertar. Estava marcando – ou deveria estar – o atacante Nilson quando esse obrigou San Martín a defender uma cabeçada com endereço certo.

Julio Cesar – atento na defesa, só subiu ao ataque na boa, sem arriscar muito no apoio.

Diguinho –  foi bem na saída de bola e mostrou grande empenho no combate. Saiu de campo exaurido, dando lugar ao semiesquecido Guiñazu, que no pouco que esteve em campo só mostrou o novo corte de cabelo.

Serginho – novamente com mais liberdade para avançar, se atabalhoou em todas as subidas ao ataque.

Andrezinho – fez uma boa partida, iniciando a maioria das jogadas ofensivas. Tomou o terceiro amarelo e já está de férias. Bruno Gallo entrou em seu lugar e apenas ajudou o time a garantir o resultado.

Nenê – vinha fazendo uma partida discreta até o fim do primeiro tempo, quando desperdiçou uma chance claríssima em um lance e sofreu o pênalti na jogada seguinte. Cobrou e converteu com a categoria de sempre. Se entregou tanto em campo que mal conseguia andar ao final do jogo.

Jorge Henrique – tirando a disposição apresentada em todo o jogo, pouco fez. Perdeu um gol feito ainda no primeiro tempo.

Riascos – a correria de sempre, dando trabalho para a defesa adversária. Mas, como já se sabe, suas limitações intelectuais o impedem de escolher a jogada certa a fazer. Quando mostrou um lampejo de inteligência quase fez um belo gol por cobertura, mas pegou mal na bola. Também cansou e deu lugar ao Rafael Silva, que trazendo novo gás ao time, ajudou o Vasco a voltar ao ataque no segundo tempo.

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Mais de 10 mil vascaínos encararam a chuva, ruas alagadas, trânsito caótico e falta de transporte para apoiar o time no estádio. Foram à Colina, esperaram o adiamento de mais de uma hora para o início da partida e fizeram uma festa inesquecível e provaram a sua importância nesse momento gravíssimo da competição.

A entrada do time para se aquecer no campo, passando no meio dos torcedores, foi uma das cenas mais incríveis protagonizadas pelos vascaínos em muito tempo. Uma demonstração de força e amor ao clube e uma prova de que, não importam as burrices dos nossos dirigentes ou as dificuldades que a equipe atravesse, a torcida sempre estará junto ao Vasco.

Se lembrarmos que a maioria absoluta dos ingressos foi vendida antecipadamente, podemos deduzir que os poucos mais de 10 mil vascaínos poderiam estar em número muito maior, fosse a diretoria razoável e entendesse que nesse momento, o apoio do torcedor é muito mais importante que fazer caixa dobrando o preço do ingresso.

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Também publiquei uma coluna no site do Vasco Expresso. Cliquem aqui e confiram.

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Palmas (apesar de tudo) merecidas

Diante das circunstâncias, os aplausos ao fim do jogo da pequena torcida que se dispôs a ver o empate entre Vasco e São Paulo ontem foram merecidos. Mesmo que a classificação para a semifinal na Copa do Brasil ou mesmo uma vitória simples não tenham vindo, é de se bater palmas pelo esforço de um time composto por reservas e até mesmo reservas de reservas.

E olha que até poderíamos ter vencido. Os tricoletes aparentemente vieram de São Paulo com uma má vontade tremenda, com um time misto, sem a menor pinta de que queriam estar ali na Arena. E a equipe B/C do Vasco aproveitou e, dentro das suas possibilidades, tomou a iniciativa, que estava ali, largada, sem ter com quem ficar. Era nítida uma falta de entrosamento, mas o esforço dos nossos valorosos suplentes também era visível. Faltou técnica, mas disposição, não. E, aos trancos e barrancos, criamos chances, marcamos um gol e poderíamos ter marcado outros, se o material humano fosse um pouco melhor.

Nisso, podemos responsabilizar o Jorginho. Se o objetivo era poupar os titulares para a partida contra o Avaí no próximo domingo, aqueles que não terão condições de jogo poderiam ter jogado. Rafael Silva, por exemplo, poderia ter começado a partida, já que está suspenso. Outras escolhas do treinador também poderiam ter sido evitadas, como a insistência com o Herrera ou colocar o irmão do primo do Messi como “cabeça pensante” do time. Terminamos o primeiro tempo com a vantagem, mas com um time um cadinho mais qualificado, poderíamos ter ido pro intervalo com um placar ainda melhor.

Mas no segundo tempo o São Paulo voltou com mais titulares e com uma outra postura. E a partir daí, a diferença técnica entre as duas equipes fez a diferença. Os cervídeos não precisaram de mais que 15 minutos para empatar a partida, em um contra-ataque fulminante que contou com falhas individuais do Vasco do começo ao fim da jogada.

Com o 1 a 1, a missão que era muito complicada ficou praticamente impossível. O São Paulo só precisou correr um pouco mais para deixar claro que não seria na noite de ontem que o Vasco faria um milagre. Mas é preciso lembrar que esse ano já vimos nosso time titular ter apresentações muito piores contra adversários bem mais fracos que o São Paulo. Só por isso, o comovente esforço de um time evidentemente cheio de limitações justifica as palmas da pequena torcida presente. A classificação não veio, mas pelo menos tivemos um fim digno nessa Copa do Brasil.

As atuações….

Jordi – pode parecer implicância, mas o cruzamento feito pelo Pato no lance do gol de empate não me pareceu ser uma bola impossível de ser interceptada pelo goleiro. Tirando isso, Jordi até foi bem, tendo feito pelo menos uma defesa difícil.

Jean Patrick – se essa era uma chance de mostrar que pode ser útil para a equipe, o rapaz pode se acostumar com o banco. Foi a timidez em pessoa no apoio quando o Vasco estava melhor e quando o São Paulo passou a pressionar, sua lateral era o melhor caminho.

Jomar – fez um bom primeiro tempo, e no lance do gol são-paulino se viu na podre (ainda assim foi muito facilmente driblado pelo Pato).

Anderson Salles – seria menos irritante se parasse de tentar fazer ligações diretas: ele batia na bola como se fosse um Gérson, mas errou todos os lançamentos que tentou.

Christiano – sinceramente não sei porque ainda dão chances para o rapaz, que até deve ser boa pessoa, mas definitivamente não tem como atuar em um clube de futebol profissional (e não digo o Vasco, mas qualquer um). E olha que ontem ele até acertou UMA jogada de linha de fundo, o que para ele é ter um desempenho infinitamente superior à sua média. No lance do gol de empate, tudo o que fez foi dar condições para Centurion marcar, já que se limitou a olhar o Pato cruzar e dar um passo de formiga para tentar cortar a bola.

Guiñazu – se limitou à marcação e, com a equipe que tivemos ontem, nem poderia ser dos piores.

Serginho – como único titular a começar a partida, chamou pra si a responsa e tentou ajudar o time a ir pro ataque. Em alguns momentos fez boas jogadas, em outros armou contragolpes perigosos para o adversário.

Lucas – jogou mais avançado, apresentando um posicionamento interessante, ora caindo pela esquerda, ora aparecendo na frente da área para finalizar. Deu um belo passe para Riascos marcar o gol do Vasco, mas em compensação desperdiçou duas chances claras finalizando de forma bizarra.

Emanuel Biancucchi – muita gente sentia falta do irmão do primo do Messi no time, mas depois de ontem, deve voltar ao seu ostracismo habitual no elenco: escalado como único armador do time, tudo que fez foi dar passes para trás e para os lados. Pra piorar, foi o principal responsável pelo gol são-paulino, perdendo uma bola no meio de campo ao preferir o drible entre três marcadores a passar. Com esse lance, deve ter esgotado a paciência do Jorginho, que o substituiu em seguida pelo Romarinho, que tirando um chute de fora da área com relativo perigo, nada fez além de, mais uma vez, apenas melhorar a carga genética da equipe.

Herrera – outro que deve ser ótima pessoa, um cara que se esforça e tudo, mas que não tem mais condições de ser jogador profissional. Praticamente não apareceu e quando o fez, foi pra atrapalhar. Rafael Silva entrou em seu lugar e em poucos minutos provou que deveria ter começado a partida. Ajudou bastante na marcação e se tivesse entrado quando o São Paulo ainda estava em marcha lenta poderia ter feito a diferença.

Riascos – é um dos mais criticados do elenco, mas fez mais um golzinho. Seu maior problema é ter uma numeração na camisa maior que seu QI. Cansou e pediu para sair, sendo substituído por Renato Kayser, que no pouco tempo que teve em campo mostrou que também teria sido uma escolha melhor que o Herrera.

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Vítima perfeita para a virada

Em um mundo perfeito, as últimas dez rodadas do Brasileiro para o Vasco seriam apenas com nossos rivais locais. Com isso teríamos uma verdadeira via expressa Z4-G4, e sairíamos da situação ainda complicadíssima em que estamos com um pé nas costas. O 2 a 1 pra cima do Flamengo é uma comprovação disso: em mais uma demonstração de amarelância digna dos tricoletes, os mulambos perderam mais uma para nós – a QUARTA no ano – e, ainda melhor, com virada de placar. Claro que em um ano como esse de 2015, haveria de ser a urubulândia a ser vítima da nossa primeira virada no Brasileirão.

E olha que nós chegamos a facilitar as coisas para os velas de macumba, entrando em campo com uma formação pra lá de ousada, diferente da que nos garantiu o melhor desempenho do campeonato nas últimas cinco rodadas. Mesmo com a necessidade absoluta de vencer, ninguém esperaria que o Jorginho escalaria, em um clássico, um time sem nenhum volante de combate. A ousadia não deu muito certo no começo. A cobertura às laterais não funcionou e sem o entrosamento ideal, o time não conseguiu parar o rápido time mulambo. Foi assim até eles abrirem o placar, em um lance em que uma sucessão de erros culminou com Luan observando o Sheik, sozinho, empurrar para as redes.

A desvantagem fez com que o Vasco tomasse a iniciativa, mas sem levar algum perigo efetivo ao adversário. O que vimos até o fim do primeiro tempo foi aquela troca de passes pouco produtiva no meio, lançamentos ruins em direção à área e aquelas jogadinhas com o Madson que raramente resultam em algo de útil. A melhor jogada foi numa tabelinha entre Nenê e Leandrão, que não chegou a ser finalizada porque o goleiro Paulo Vitor foi mais rápido que nosso camisa 10.

Apesar de um começo de segunda etapa parecido com a primeira – com o Framengo sendo mais efetivo e finalizando mais vezes – o Vasco voltou melhor. Com uma marcação mais ajustada, passamos a ter o controle da partida e atacar mais. E só precisamos manter essa iniciativa por alguns minutos para conseguir a virada. Antes dos gols, Leandrão desperdiçou uma chance digna do “Prêmio Deivid para Gols Inacreditavelmente Perdidos”, jogando para fora uma bola diante do goleiro batido no lance. Mas minutos depois não teve jeito: o empate veio com uma cobrança de falta bem batida por Rodrigo (que não deu um daqueles bicões sem direção, preferindo um chute colocado) e a viramos com Nenê, marcando seu terceiro gol de pênalti com a armadura cruzmaltina.

Com a vantagem, o Vasco inverteu os papeis no jogo e passou a esperar a mulambada atacar. Mesmo cedendo espaços demais – o que pode ser justificado pelo cansaço do time, com uma idade média bem maior que a do adversário e que lutou muito para reverter o placar – e sofrendo com os rubro-negros rondando constantemente nossa área, não chegamos a correr riscos reais. Nos minutos finais, Jorginho desmontou seu esquema ofensivo, encheu o time de volantes e conseguiu segurar o resultado.

Completar cinco jogos invictos, fazendo a primeira virada justo em cima do nosso maior rival foi importantíssimo, tanto para a moral do time quanto para nossa classificação. Como tivemos uma rodada de sonhos (todos os nossos adversários na briga contra o descenso perderam, exceto o Joinville, que conseguiu um empate), chegamos aos 10 jogos finais da competição a cinco pontos de sairmos do Z4. Mas a empolgação pela vitória no clássico não pode nos desviar do foco principal: nossa situação melhorou sensivelmente, mas ainda é extremamente complicada. As duas próximas rodadas, contra Avaí e Chapecoense, são importantíssimas e não podemos vacilar. E como infelizmente nenhum dos dois é o Framengo, não teremos a facilidade para vencer como temos contra a mulambada.

As atuações

Martin Silva – não chegou a ter muito trabalho no jogo. No lance do gol não poderia fazer muita coisa.

Madson – no gol mulambo, deu muito espaço ao Jorge para fazer o cruzamento, mas lhe faltou cobertura no lance. No apoio, o de sempre: aparece bem no ataque, mas não consegue concluir as jogadas.

Luan – por mais que tenha uma atuação segura ao longo dos jogos, suas desligadas têm comprometido seriamente suas partidas. Ontem, mais uma vez, apenas observou um atacante adversário concluir com sucesso para o nosso gol.

Rodrigo – começou vacilando no gol mulambo, não marcando ninguém no lance. Mas é inegável que cresce nos clássicos e ontem não foi diferente. Marcando o Guerrero de perto, o atacante só conseguiu ser útil numa jogada (justo a do gol mulambo), e de resto foi completamente anulado pelo zagueiro, que ainda marcou o gol de empate com uma rara cobrança de falta bem feita.

Julio Cesar – marcava o Guerrero no lance do gol e não teve impulsão – nem altura – para impedir que ele tocasse para o Sheik. Quando o time ajustou a cobertura às laterais, melhorou.

Bruno Gallo – atuando com personalidade, apagou a péssima atuação contra o São Paulo se desdobrando como principal homem de marcação pelo meio.

Julio dos Santos – no primeiro tempo não conseguiu fazer a cobertura ao Madson, o que foi corrigido na etapa final. Mas não deixa de ser irritante ver a quantidade de bolas perdidas e erros de passe. No fim do jogo foi substituído pelo Guiñazu, que mal teve tempo para tocar na bola.

Andrezinho – demorou a se adaptar às funções defensivas que deveria ter no jogo. Cresceu com o time após sofrermos o gol, e foi o mais lúcido na criação de jogadas.

Nenê – vinha tendo uma atuação discreta, mais uma vez não conseguindo ser a referência criativa do time como deveria. Compensou batendo mais um pênalti com categoria e garantindo a vitória. Cansado e com o time já na intenção de segurar o resultado, cedeu lugar ao Lucas, que ajudou a fechar os espaços pelo meio e ainda arriscou algumas subidas pela esquerda.

Jorge Henrique – outro que cresce em clássicos, correu como um maluco o jogo todo e se superou quando viramos o placar, as vezes até exagerando na vontade ao dar o combate. Saiu nos minutos finais para a entrara de Rafael Vaz, que assim como o Guiña, nem encostou na bola.

Leandrão – foi bem marcado pela zaga mulamba, mas conseguiu fazer algumas boas jogadas como pivô. No segundo tempo perdeu um gol inaceitável para qualquer atacante que se diga profissional. Terminou a partida ajudando o time a segurar o resultado.

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Desabafo

Ontem, por volta de 20:30, coloquei uma roupa e fui encontrar alguns amigos que não via há um bom tempo em um boteco. Foi divertido, colocamos a conversa em dia, bebemos um monte de cervejas e cheguei em casa feliz, às 4 da madrugada. Durante todo esse tempo, unicamente porque esse grupo de amigos não dá a mínima para o futebol, passei um tempo agradável. Mas antes de dormir – mesmo sonado e um tanto quanto bebum – pensei: consegui me desligar completamente do Vasco por algumas horas e gostei. E isso, caros leitores é péssimo.

Como vascaíno, nunca imaginei que precisaria pensar que “isso não é tão importante assim”. Entre tantas preocupações que todos devemos ter na vida (emprego, relacionamentos, contas pra pagar, saúde, filhos, etc), ficar esquentando a cabeça com futebol é algo irracional. Mas eu sou – ou era – apaixonado por essa irracionalidade, pela preocupação com, como dizem, “a mais importante das coisas desimportantes”. Mas a derrota para o Figueirense  por 1 a 0, da forma como foi, me obrigou a reavaliar minha visão sobre o futebol.

Seria apenas mais uma derrota, a 14ª em 21 jogos. Uma derrota que reforça essa como a pior campanha do clube na história (e a terceira pior campanha entre TODOS os clubes na fórmula de pontos corridos). Mais uma derrota em casa, mais uma vez contra um adversário que, como nós, também luta contra o rebaixamento. Uma derrota que decretou mais um rebaixamento, o terceiro do clube que tanto amamos pela terceira vez em sete anos.

Decretou sim, por mais que os esperançosos – e eu era um deles – esperassem ou esperem ainda por um milagre. Por mais que os defensores do que se faz dentro do clube ainda julguem que o “Dotô resolverá tudo”. E, mesmo que ganhássemos a partida, e até poderíamos ter ganho, ainda estaríamos condenados. Ou alguém realmente acredita que, jogando como o time joga, conseguiríamos outras dez ou nove vitórias, contra adversários mais fortes? Quem consegue analisar o futebol friamente – e nesse momento não consigo fazer de outra forma – sabe que, de fato, não há qualquer equipe nesse Brasileirão que MEREÇA mais o rebaixamento que a do Vasco.

Na quarta-feira que vem haverá um post sobre o jogo, fora de casa, contra o Inter. Provavelmente terá um tom otimista (ou no mínimo conformado) porque toda frustração passa e acho que a paixão falará mais alto, mais uma vez. Mas por agora, é inevitável o sentimento de que, apesar de ainda ser uma parte muito importante na minha vida, o futebol e o Vasco não têm a importância necessária para acabar com esse restinho de final de semana.

***

Sobre o jogo, não preciso falar. Releiam a resenha sobre Vasco 0 x 1 Coritiba e vocês terão um resumo bastante fiel do que aconteceu ontem.

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As atuações…

Martín Silva – nada podia fazer no gol e praticamente não trabalhou durante a partida.

Jean Patrick – matou a curiosidade de quem não entendia as razões para Madson ser titular absoluto. Errou tanto que acabou sendo sacado por um atacante. Thalles entrou em seu lugar e sua atuação só ficou marcada por perder um gol feito.

Anderson Salles – a depender da sua velocidade, poderíamos ter perdido por um placar maior. Luan – voltando de contusão, foi um pouco melhor que seu companheiro de zaga. Mas errou um monte de passes na saída de bola.

Christianno – teve uma ótima chance com uma cabeçada, obviamente desperdiçada. De resto, foi o Christianno de sempre.

Guiñazu – não lhe falta disposição e espírito de luta. Mas os passes errados e o peso da idade já o prejudicam demasiadamente. Talvez seja o caso de agradecê-lo pelos serviços prestados e oferecer-lhe a aposentadoria antes de se concretizar matematicamente seu segundo rebaixamento pelo clube.

Serginho – manteve a regularidade dos últimos jogos, sendo um dos poucos a poder ficar livre de críticas mais contundentes. Mas ontem errou mais passes que de costume.

Julio dos Santos – desperdiçou duas grandes chances e não conseguiu ajudar em nada a criação do time. Saiu no fim do jogo, mas se fosse no intervalo seria altamente justificável. Romarinho fez sua estreia no Brasileiro entrando em seu lugar e sua única contribuição foi melhorar o time geneticamente.

Nenê –  é o mais lúcido do time, mas ainda é pouco. Se tivesse alguém para ajudá-lo na criação teria mais facilidades.

Rafael Silva – se esforça muito, mas não consegue provar que pode ser uma opção como titular.

Riascos – outro a jogar improvisado na posição “jogador profissional de futebol”. Deu lugar ao Andrezinho que teve uma atuação pra lá de discreta, mas tem em sua defesa o fato de estar voltando de contusão.

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Complicado ficar falando em prêmios numa hora dessas, mas como o Blog da Fuzarca está participando do Top Blog 2015 não custa nada pedir o voto dos leitores. Cada leitor pode votar mais de uma vez, então não se acanhem em clicar aqui ou no banner na coluna à esquerda da página todos os dias (mais de uma vez, se for possível)….

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Mudando o enredo. De novo.

O enredo foi o mesmo da primeira partida: o presidente adversário aparecendo pra fazer aquela pressão prévia sobre a arbitragem, a imprensa esportiva dando sua contribuição habitual para o clássico (oferecendo todo destaque possível para as provocações, o bom clima e a confiança dos jogadores do outro lado e ressaltando a crise do nosso lado, muitas vezes inventando fatos e criando teorias conspiratórias). Os favoritos, mesmo que a vantagem do empate e o retrospecto recente fossem completamente favoráveis a nós, eram eles.

Mas como não se vence jogo de véspera, o Vasco estragou o final previsto e deu outro final para a trama. Com o empate em 1 a 1, garantimos a vaga para as quartas-de-final da Copa do Brasil e eliminamos a mulambada de uma competição pela segunda vez em 2015.

Não que o clima preparado pela mídia para a partida não tivesse dado resultado. O presidente mulambo apareceu com um dossiê sobre os auxiliares da FERJ?  A CBF escalou então bandeirinhas de fora do Rio. A mulambada ganhou do São Paulo no fim de semana? Era a prova de que o time está se recuperando. Guerreiro falou que “passaria por cima” do Vasco? Repercutiram isso ao máximo. Já sobre o Vasco, além da constante lembrança das poucas chances que temos de nos safarmos no Brasileiro, aparece a história de atrasos salariais (o que foi negado pelo site oficial do euriquismo) e as insinuações sobre uma virada de mesa, que mesmo não tendo qualquer relação conosco, foi descaradamente associada ao clube pelo colunista oficial dos mulambos.

Update: o Danilo me lembrou de mais uma que inventaram às vésperas do jogo: a história do Jorginho e da Santa. O mais legal é que a história começou em um jornal e foi repercutida por outro do mesmo grupo. Sutileza? Esqueçam…

Com isso, mesmo que o Vasco tivesse uma invencibilidade de quatro jogos diante deles e que tivesse a vantagem de empate, o favoritismo recaiu sobre a urubulândia. E a torcida comprou essa ideia, tanto que não compareceu ao estádio na quantidade que a importância da partida pedia.

Com a bola rolando, o próprio time do Vasco pareceu se deixar levar pelo favoritismo fabricado para o Framengo. Diferente do jogo de ida, começou nervoso e se deixando pressionar. E pagamos cedo pela instabilidade inicial, sofrendo um gol com legalidade pra lá de discutível (mostrando que a pressão mulamba sobre a arbitragem funcionou) logo aos cinco minutos.

Mas a equipe começou a mostrar que não permitiria que o enredo criado decidisse o desfecho da história. Enquanto os jogadores rubro-negros começavam a cair como moscas em campo, o Vasco passou a dominar o jogo, marcando melhor e tendo mais passe de bola. Ainda mostramos os mesmos problemas para criar jogadas, e diante de um adversário que parecia satisfeito com o placar desde o começo da partida, não conseguimos criar as chances necessárias para empatar o placar na primeira etapa.

O segundo tempo foi parecido. A mulambada ameaçou pressionar no início, mas dessa vez nos seguramos bem. Seguimos com mais posse de bola, chegamos a criar chances claras de gol (na principal delas, vimos a bola ser tirada em cima da linha no mesmo lance) mas o empate não chegava. Mesmo sem ter a efetividade ofensiva que precisávamos, Jorginho demorou a mexer no time, fazendo sua primeira alteração apenas aos 27 minutos. Mas sua segunda mexida, aos 34, foi decisiva: Rafael Silva entrou no lugar do Jorge Henrique e precisou de dois minutos para empatar o jogo, fazendo o gol que garantiu a classificação.

Os pouco mais de 10 minutos não foram o bastante para a mulambada conseguir o resultado que precisava. Nada mais justo. Durante os 180 minutos, o Vasco foi superior ao seu adversário na maioria do tempo e conquistou a vaga com todos os méritos. Exatamente como fizemos nas semifinais do Estadual desse ano.

Nos manter vivos na Copa do Brasil é muito bom, e melhor ainda passando por cima de um rival. Que esse sucesso sirva como motivação para o resto do ano. Mostrar sempre a mesma atitude que teve diante da mulambada é a única forma que temos para mudar o enredo do rebaixamento, também já dado como certo por todos.

As atuações…

Martín Silva – sem culpa no gol, foi pouco exigido e correspondeu quando necessário. Fez apenas uma defesa que merece destaque, em chute de fora da área, já no segundo tempo.

Madson – não dá pra criticá-lo pelo lance do gol (a não ser pelo azar), mas durante a partida não conseguiu se criar pra cima do garoto mulambo Jorge. Jean Patrick o substituiu nos minutos finais para fechar de vez a lateral direita.

Anderson Salles – firme na zaga, só não marcou de cabeça por conta de um milagre do Paulo Vitor.

Rodrigo – o desempenho de sempre em clássicos. Pena que não joga com a mesma atenção e vontade contra outros adversários.

Christiano – chegou a fazer um cruzamento no primeiro tempo (não acertou, claro, mas pelo menos não foi uma daquelas bombas rasteiras que sempre encontram os adversários, e nunca nossos jogadores) mas foi menos presente no apoio que na primeira partida. Defensivamente deu os moles de sempre.

Guiñazu – o peso dos anos (37 completados ontem) se mostram nas vezes em que não consegue chegar a tempo nas divididas, mas sua atitude combativa serve como exemplo para o resto do time.

Serginho – discretamente vem se tornando o jogador mais regular do time. Não devemos esperar arroubos de criatividade, mas no combate tem se saído muito bem.

Julio dos Santos – no fim das contas, acabou sendo mais um terceiro volante que um armador.  Ajudou mais no combate e fechando os espaços que acertando passes ou criando jogadas.

Nenê – vinha tendo uma atuação discreta até ser decisivo, ao acertar o cruzamento para o gol do Rafael Silva.

Jorge Henrique – digno de nota, apenas uma simulação de pênalti quando poderia ter tentado o arremate. Diferente do primeiro jogo, sua melhor participação na partida foi ter dado lugar ao Rafael Silva, que precisou de apenas dois minutos para mostrar mais uma vez sua estrela em jogos decisivos, marcando em bela cabeçada o gol da classificação.

Riascos – mesmo tendo como justificativa o fato de não ser um centro-avante e de passar a maioria do tempo isolado no ataque, a dúvida é saber se ele apanhou mais do Samir ou da bola. Thalles o substituiu e não fez muito além de dar o primeiro combate na saída de bola mulamba.

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Perguntas:

Quantos jogos de gancho pegará o Sheik por ofender em rede nacional o árbitro da partida?

Qual será o motivo para choramingar do Sr. Bandeira de Mello?

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Voltamos à programação normal

Muitos torcedores estão colocando a derrota do Vasco para o Goiás por 3 a 0 na conta da realmente constrangedora atuação do juiz Luiz Flávio de Oliveira. Mas temo dizer que é querer se enganar achar que as coisas seriam diferentes se a arbitragem não tomasse as decisões que tomou durante o jogo. O que vimos ontem foi a repetição de um roteiro mais que conhecido da torcida, cujo final nada feliz é uma infeliz rotina nesse Brasileirão.

Aos que podem contestar minha opinião, vale lembrar o que realmente aconteceu no jogo: sofremos um gol com quatro minutos de bola rolando, numa jogada que poderia ser facilmente evitada; o segundo gol, oriundo de um pênalti cometido de forma desnecessária após um jogador famoso por suas pixotadas perder uma disputa de bola e puxar a camisa do adversário, não pode ser creditado a um erro de arbitragem se a penalidade realmente aconteceu (se poucos juízes – e ainda menos auxiliares – marcariam o lance, é outra história). Quando tivemos um jogador expulso de forma completamente equivocada, o erro capital do Sr. Oliveira, já estávamos perdendo na bola por 2 a 0 e no psicológico de goleada.

Numa situação como essa, dizer que poderíamos reagir se o Jorge Henrique não tivesse levado injustamente um vermelho aos 19 minutos da primeira etapa não é ver a realidade da partida. Mesmo com ele em campo, estávamos mais longe de diminuir a diferença que o Goiás estava de marcar o terceiro. Com 11 em campo, fizemos apenas duas finalizações, as duas em cabeçadas feitas por zagueiros, sem qualquer perigo para o gol goiano. É óbvio que as coisas seriam menos complicadas sem a expulsão, mas achar que isso mudaria o cenário do jogo é ignorar o óbvio: o Goiás foi muito mais eficiente e competente que o Vasco.

Nossa situação ficou mais ainda complicada na competição, mas analisando friamente, essa derrota não é motivo para quem acreditava que temos forças para escapar do rebaixamento antes do início da partida deixe de confiar. Imaginar que passaríamos o returno inteiro sem nenhuma derrota é um delírio, e continuamos precisando das mesmas 10 vitórias que precisávamos antes. Quem escolheu acreditar já se agarrava às chances matemáticas desde o fim do primeiro turno.

Resta ao Jorginho fazer com que o elenco esqueça essa volta à programação normal de goleadas sofridas no Brasileirão e motivar o time para a decisão da vaga na Copa do Brasil contra a mulambada. No Brasileiro as coisas vão de mal a pior e uma eliminação na outra disputa, depois de termos vencido a primeira partida, servirá apenas para piorar o clima para a equipe e para torcida. E isso definitivamente não pode acontecer.

As atuações

Martin Silva – sem culpa nos gols, ainda evitou que saíssemos do Serra Dourada com uma goleada maior.

Madson – depois da boa apresentação contra a mulambada, voltou a ser uma nulidade no apoio.

Rodrigo – o dono do time, no alto dos seus quase 35 anos, ainda não aprendeu que reclamar com o juiz pode render um amarelo. Levou o primeiro ao discutir com o árbitro e acabou expulso quando levou o segundo ao cometer um pênalti.

Anderson Salles – no lance do primeiro gol, ao invés de se antecipar na jogada, deixou que um Zé Love sem ritmo e com uma barriga de cerveja acertasse uma bicicleta numa bola que vinha praticamente num balãozinho.

Christianno – o pênalti que cometeu é uma clara demonstração da sua incapacidade como jogador profissional.

Guiñazú – foi várias vezes envolvido pelo bom toque de bola do adversário. Acabou dando lugar ao Jhon Cley quando Jorginho tentou colocar o time pra frente. E o garoto não conseguiu ser nada efetivo nessa tarefa.

Serginho – foi o melhor do time ao lado do Martín Silva. E isso já mostra o nível da apresentação do Vasco no Serra Dourada.

Julio dos Santos – taticamente não foi dos piores, já que mesmo em um dia ruim para o Madson, a lateral direita nem foi tão utilizada pelo adversário. Por outro lado, ajudando na criação foi nulo. Lucas entrou em seu lugar no fim da partida e nem encostou na bola.

Nenê – se o time mantivesse seu esquema por mais de 20 minutos, poderia ter sido mais efetivo. Com 10 em campo, acabou não conseguindo criar nada.

Jorge Henrique – estava nervoso por conta do placar e certamente poderia ter evitado a caminhada em direção do sujeito que o agrediu com uma voadora. Mas nada disso justifica sua expulsão.

Riascos – se com gente ao seu lado já fica complicado pro lado dele, isolado na frente as coisas se tornam impossíveis. Brigou com os zagueiros, com a bola e até com o gramado, mas não conseguiu fazer nada além disso. Herrera o substituiu e continuamos com um atacante isolado, mas esse nem brigar brigou.

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Curtir o momento

Ontem à noite, pelo Twitter, um seguidor me perguntou se jogássemos sempre como na vitória por 1 a 0 sobre a mulambda, se estaríamos brigando pelo G4. Uma dúvida típica de quem naturalmente se empolgou diante de um bom resultado contra o maior rival. Talvez agora, na manhã seguinte, o mesmo torcedor veja a partida com uma visão mais realista.

Podemos dizer, sim, que se o Vasco tivesse mais atuações como a de ontem ao longo do Brasileirão, certamente não estaríamos na lanterna e muito provavelmente sequer no Z4. Mas ainda assim é bastante questionável se estaríamos na luta por uma vaga na Libertadores. É preciso lembrar que há uma distância gigantesca entre vencer um adversário que está longe de ser um exemplo de boa equipe e brigar no topo da tabela.

Por outro lado, é claro que o jogo de ontem serve como motivo para que nossas esperanças aumentem. Mesmo considerando a motivação extra por conta da rivalidade e pelo novo treinador e que o Framengo não chega a ser uma potência dentro de campo, já deu pra perceber que Jorginho, com apenas dois dias de trabalho, conseguiu dar algum padrão ao time, e isso sim é mais promissor que a vitória sobre os mulambos. Pode não adiantar nada ficar imaginando o que aconteceria se tivéssemos jogado sempre dessa forma, mas é fato que a atuação na Arena nos permite esperar uma recuperação dentro do Brasileiro.

Não levando em consideração o nível do adversário e suas limitações, não chegamos a fazer um jogo bonito, mas fomos extremamente competitivos. Diferente do Rothbol, que tinha como fundamento se defender a qualquer custo e torcer que um ataque desse certo, o Vasco do Jorginho conseguiu impedir que a mulambada jogasse e não deixou de jogar. O time jogou mais compactado, bloqueou o meio com eficiência e evitou que as laterais fossem um convite ao ataque como vinha sendo rotineiramente. Ofensivamente ainda não podemos dizer que resolvemos o problema de falta de criatividade pelo meio, mas a chegada do Nenê e a movimentação de Riascos e Jorge Henrique trouxeram alguma evolução na criação de jogadas. E as subidas pelas laterais voltaram a ser perigosas.

Aos olhos do torcedor, uma vitória – aliás, a terceira vitória no ano – sobre o maior rival sempre nos faz ver maravilhas onde apenas houve correção. Alguns problemas ainda existem, como os erros de finalização, ainda existem e não podemos ignorar que o lance do gol saiu em mais uma ligação direta. Mas para um primeiro jogo com a nova comissão técnica, a atuação de ontem foi boa o bastante para esperamos uma subida de produção do time.

A partida foi pela Copa do Brasil, nossa classificação está longe de estar garantida e nossa situação no Brasileiro continua tão complicada quanto estava antes dessa noite de quarta-feira. Mas a vitória nos dá um tempo das notícias ruins e nos permite curtir o momento sem culpas. Depois de tudo o que tem acontecido à nossa preocupada torcida, temos todo o direito de fazer alguma festa.

As atuações…

Martín Silva – fez uma grande defesa em finalização do Guerrero, ainda no primeiro tempo. No resto do jogo, mesmo quando a mulambada nos incomodou um pouco mais, não chegou a ter muito trabalho.

Madson – sua melhor atuação em muito tempo: mesmo não acertando os cruzamentos, voltou a ser uma das melhores armas ofensivas do time. No primeiro tempo foi responsável pela melhor jogada ofensiva do time, deixando Nenê na cara do gol. Defensivamente também se saiu bem melhor (apesar de mostrar um afobamento arriscado em alguns lances), não permitindo o aparecimento da costumeira avenida pela sua lateral.

Anderson Salles – jogando com vontade e aplicação, não facilitou as coisas para o ataque urubu. Sofreu um pênalti claríssimo, não marcado pela arbitragem.

Rodrigo – se jogasse toda partida como nos joga os clássicos, dificilmente estaríamos nessa situação no Brasileiro. Ontem foi muito bem, não dando espaços para o Guerrero e ganhando quase todos os lances.

Christiano – chega a ser comovente sua aplicação: corre muito e aparece como opção para o ataque muitas vezes, mas é incapaz de acertar um cruzamento, um último passe ou um chute a gol.

Guiñazu – a “guerreirice” de sempre, o que significa muita entrega, mas também carrinhos em excesso e faltas demais. Poderia errar menos passes.

Serginho – fez uma daquelas partidas discretas mas muito eficientes: sem chamar a atenção da torcida com subidas ao ataque que não são a sua praia e concentrado apenas no combate, ganhou praticamente todas no meio de campo.

Julio dos Santos – taticamente foi muito bem: ocupando espaços e fechando a lateral direita, permitiu que Madson tivesse a possibilidade de explorar seu potencial ofensivo. Já na criação deixou a desejar, errando alguns passes, o que compensou acertando o lançamento que iniciou a jogada do gol. Perdeu duas chances claras de marcar.

Nenê – ainda não parece estar 100% no ritmo, alternando bons momentos com alguns sumiços em campo, mas já deu uma nova cara ao time com sua movimentação e habilidade. Perdeu o gol mais feito do Vasco, após bela jogada de Madson, chutando fraco. Jhon Cley entrou em seu lugar no finzinho da partida e não teve tempo para fazer muita coisa.

Jorge Henrique – o herói do jogo, o atual “baixinho da 11” vascaíno foi dos mais comprometidos durante a partida, tendo presença tanto no ataque como ajudando a dar o primeiro combate. Mostrou bom posicionamento e precisão ao finalizar no lance do gol. Depois de correr como um louco o tempo todo, saiu mancando para a entrada do Dagoberto, que basicamente só apareceu para levar seu amarelo habitual.

Riascos – com ele em campo, o Vasco perde em presença de área, mas ganha muito em movimentação. O colombiano deu trabalho à zaga mulamba quando tinha a bola nos pés e também sem ela, ajudando a marcar a saída de bola. Mostrou visão de jogo ao fazer a assistência para o gol de Jorge Henrique. Nos minutos finais deu lugar ao Thalles, outro que não teve muito tempo para fazer qualquer coisa, mas que ainda assim conseguiu levar um amarelinho antes do apito final.

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