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Empatando no cansaço

A impressão que tive ao ver o primeiro tempo do jogo do Vasco contra o Luverdense era de que o problema do time era tático e não técnico. Individualmente, a molecada que estava em campo não estava fazendo tão feio na comparação com os titulares, mas o time penava pela falta de entrosamento, principalmente na parte defensiva. Isso era algo natural, já que aquele time nunca havia atuado junto e muitos dos jogadores, que nem são a primeira (em vários casos, nem a segunda) opção no banco, estavam visivelmente sem ritmo de jogo. Ainda assim, mesmo com uma defesa muito exposta e sofrendo a pressão dos donos da casa, resistimos e fomos para o intervalo mantendo o placar inalterado.

Veio o segundo tempo e a conversa que Jorginho teve com o time no intervalo surtiu algum resultado. O time passou a ser mais preciso na marcação e mesmo tendo que trocar dois jogadores ainda no primeiro tempo por contusão (o que obviamente prejudicaria ainda mais o pouco entrosamento do time), conseguimos ser mais efetivos, tanto defensivamente como ofensivamente. O Luverdense ainda passava mais tempo com a bola, mas nossos contra-ataques começaram a funcionar. E num lance desses, abrimos o placar: uma bola vinda direto do Martin Silva é escorada pelo Thalles e vai para o Evander, que com um sutil toque de cabeça encontra o Pikachu avançando pela direita para, sem marcação, tocar na saída do goleiro.

O gol saiu aos 14 minutos da etapa final e controlamos bem a partida até o seu finalzinho. O Luverdense rondava nossa área, mas não permitíamos que criassem chances claras de gol; e conseguíamos sair com velocidade quando recuperávamos a bola, levando perigo nos contragolpes e até desperdiçando a chance de matar o jogo em alguns lances.

Tudo se encaminhava para uma boa vitória até que aos 45 do segundo tempo, o Luverdense empata em uma jogada que tentou a partida inteira, sem sucesso: cruzamento na área, Aislan (sempre ele!) fica olhando o lance enquanto deixa o atacante adversário livre para cabecear.

Com um time formado por garotos, que nunca jogou junto e que teve que mudar sua formação ainda no primeiro tempo, um empate fora de casa não seria um resultado horrível. Se levarmos em consideração que perdemos com titulares e jogando em São Januário e atuações bem piores, conseguir um ponto e manter a liderança isolada da competição ontem não chega a ser uma vergonha. Mas é impossível não se frustrar pela forma como deixamos escapar dois pontos. O cansaço generalizado e as contusões da equipe não se justificam apenas por conta da longa viagem para Lucas do Rio Verde. Isso fica claro se lembrarmos que os donos da casa fazem essa viagem pelo menos duas vezes no mês e correram o jogo todo, sem maiores problemas.

Os garotos fizeram uma partida aceitável e provavelmente teriam conseguido uma boa vitória se não fossem os problemas físicos. O CAPRRES tem sido o maior orgulho da atual gestão, mas não é a primeira vez que perdemos jogadores antes da metade das partidas por problemas que o centro deveria prevenir e evitar. A entrada do Aislan, mais uma vez decisiva para o adversário, talvez não acontecesse se o CAPRRES conseguisse, nos 10 dias entre a apresentação e a estreia do Rafael Marques, preparar o zagueiro para aguentar 90 minutos  em campo.

As atuações…

Martin Silva – não chegou a precisar fazer nenhum milagre, mas fez pelo menos duas grandes defesas. No gol não teve o que fazer.

Yago Pikachu – no primeiro tempo, sua lateral foi um convite ao ataque para o adversário. No segundo tempo melhorou e foi uma importante arma para nossos contra-ataques. Marcou seu primeiro gol pelo Vasco, o que não deve garantir sua titularidade.

Jomar – foi o melhor jogador em campo, sendo preciso nas roubadas de bola e antecipações.

Rafael Marques – ajudou nas várias bolas alçadas à nossa área, mas com a bola nos pés errou um monte de passes, algumas vezes inciciando jogadas perigosas para o Luverdense. Cansou e deu lugar para o Aislan, que além de isolar uma bola numa cobrança de falta, manteve sua impressionante marca de falhar em todos os gols que o Vasco sofre com ele em campo.

Alan Cardoso – mostrou personalidade no apoio, mas defensivamente mostrou inexperiência, sendo driblado algumas vezes com muita facilidade.

William Oliveira – nos poucos minutos que ficou em campo deixou muitos espaços no meio de campo para o adversário avançar. Antes de sair por contusão iniciou uma boa jogada com Alan Cardoso. Mateus Pet entrou em seu lugar e demorou um pouco para se acertar em campo, errando muitos passes nas saídas de bola. No segundo tempo melhorou e iniciou algumas boas jogadas de ataque.

Diguinho – passou boa parte do tempo miguelando em campo, olhando o toque de bola adversário numa distância em que não contribuía nada para a marcação.

Julio dos Santos – discreto como sempre, poderia ter sido mais efetivo no combate. Fez alguns bons lançamentos e inversões de jogadas.

Evander – substituindo o Nenê, muitos poderiam esperar um futebol vistoso, com muitos lances de efeito e dribles. Não foi assim na prática: ajudou na marcação mais que o camisa 10 e acabou sendo tão efetivo quanto o Nenê, já que participou do lance do gol dando o passe para Pikachu marcar. Também fez outra boa assistência para o Thalles, que demorou a finalizar e desperdiçou o lance.

Caio Monteiro – não teve tempo para fazer muita coisa, já que saiu ainda na primeira metade da etapa inicial. Andrey entrou em seu lugar e atuou mais recuado, tentando melhorar a saída de bola do time. Foi apenas razoável.

Thalles – uma boa chance no primeiro tempo, chutando por cima. Dois gols feitos desperdiçados no segundo. De positivo, a disposição que mostrou e ter iniciado a jogada do nosso gol.

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Reconstrução urgente

Na coletiva, após a derrota do Vasco para o Avaí por 2 a 1 – e a segunda seguida, algo que não acontecia desde o dia 5 de setembro de 2015 – Jorginho falou da arbitragem, da força do adversário, do reduzido plantel que tem em mãos e da necessidade de reforços. Falou também que confia no Aislan e de outras coisas, mas de importante mesmo, apenas uma frase: “temos que reconstruir nosso trabalho”.

Basicamente, é isso. Mesmo que todos os argumentos expliquem o resultado, não o justificam. O problema não foi a arbitragem – realmente péssima e justo quando o juiz é do mesmo estado do nosso principal concorrente ao título – ou os problemas com o elenco, nem a maratona de jogos. O problema é que o Vasco se tornou um time muito previsível, que qualquer retranquinha um pouco mais ajustada consegue complicar a vida irredutivelmente.

E não é de hoje que o Vasco não consegue jogar bem. O time vem tendo atuações abaixo da crítica há muito tempo, mesmo quando vence. Ontem não foi diferente. O Vasco pode até ter tido mais posse de bola, mas foi uma nulidade ofensiva. Ficou rondando a área, desperdiçou uma penca de jogadas de linha de fundo por ter laterais irritantemente incompetentes, e pouco chutou a gol. Os atacantes, que estão longe de serem uma maravilha, quase não recebem bolas. Quando pressionamos (e graças unicamente ao um total recuo do time catarinense), vivemos de balõezinhos para área sem qualquer efetividade.

Ainda assim, graças às limitações do Avaí, conseguimos marcar um golzinho na marra. Golzinho esse que, aliás, até poderia ter nos dado a vitória, se não fossem os erros individuais do time. Aliás, não do time, de um único jogador. Enquanto o Luan não estiver bem ou estiver com a Seleção, o Aislan até pode ficar no time; mas entregando gols ao adversário como tem feito todo jogo, precisaremos ser MUITO mais eficientes no ataque. Com o rapaz na zaga, já podemos considerar o placar pelo menos 1 a 0, seja qual for nosso adversário.

Apenas uma pessoa pode resolver esses problemas e o nome dela é Jorginho. Quem tem que pensar em alternativas táticas para o time é o treinador. Quem pode tirar a titularidade de quem não está jogando nada é o treinador. Quem deveria dar mais chances à molecada da base e dar um descanso para uns dois ou três veteranos que não rendem é o treinador.

Jorginho terá uma semana para pensar na vida e no seu trabalho até o, agora mais que nunca, importante jogo contra o Brasil de Pelotas. Um resultado ruim pode significar a saída da liderança pela primeira vez na competição e, em caso de derrota, um inesperado terceiro fracasso seguido dentro de São Januário. Caso isso aconteça, arbitragem, elenco reduzido ou falta de reforços não servirão como desculpa: as cobranças pela “reconstrução” do Vasco recairão todas sobre o mestre de obras do time.

As atuações…

Martín Silva – com a zaga que vem tendo à sua frente, vai precisar fazer mais que agarrar uma penalidade por jogo para não ver o Vasco perder.

Madson – como não teve chance de cobrar um lateral dentro da área, fez apenas o de costume: estragar jogadas de linha de fundo. Jorginho demorou séculos para colocar Yago Pikachu no seu lugar, quando o jogo já estava 1 a 0. E só de não ter aquela cara de chorão do Madson, o Pokémon já pode ser considerado melhor. Ainda assim, não conseguiu acompanhar o atacante que empurrou a bola pra rede no lance do segundo gol.

Rodrigo – estava desatento no lance do primeiro gol e levou um corte simples no segundo. Teve uma chance para marcar, mas seu chute acabou sendo bloqueado pelo braço do zagueiro do Avaí.

Aislan – é uma espécie de anti-Nenê: enquanto o camisa 10 participa dos lances de quase todos os gols feitos pelo Vasco, Aislan está sempre envolvido nos gols que sofremos: ontem, no primeiro gol, fez acidentalmente a assistência para o atacante adversário; no segundo, olhou o passe que originou o gol passar à sua frente sem esboçar qualquer reação além de observá-la.

Julio Cesar – não fosse a presença do Aislan seria indiscutivelmente o pior em campo. E mesmo com o Nenê do Mundo Bizarro na zaga pode haver dúvidas. Acabou com uma penca de jogadas no ataque, errou um monte de passes e vacilou também nos dois gols: o jogador do Avaí que marcou o primeiro passou pelas suas costas e no segundo tomou um drible vergonhoso.

Marcelo Mattos – pode parecer estranho, mas nem chegou a ter tanto trabalho assim. Mas com a defesa entregando a paçoca toda hora, não adianta ficar carregando piano. Quando o Vasco passou a pressionar, até arriscou algumas subidas, com resultados sofríveis.

Julio dos Santos – esteve em campo, dizem. Me lembro vagamente do paraguaio perdendo uma bola fácil perto da nossa área. Saiu para a entrada do Caio Monteiro, outro a entrar no jogo com o time já atrás no placar. Deu maior movimentação ao ataque e acabou marcando o gol vascaíno.

Andrezinho – jogou mais afastado da área para ajudar na saída de bola e, longe do ataque, não chegou a contribuir muito municiando o ataque.

Nenê – mostrou disposição e não fugiu do jogo, mas ainda não voltou a ser decisivo como era em outros tempos. Teve uma boa chance no primeiro tempo, mas chutou pra fora. Acabou participando do lance do gol: o rebote aproveitado pelo Caio veio depois de um chute do camisa 10 rebatido pelo goleiro Renan.

Eder Luis – substituiu Jorge Henrique, mas sem precisar executar as 468 funções que Jorginho lhe atribui. Com isso, tivemos efetivamente um atacante de lado de campo. E, surpreendentemente, Chico Bento foi bem, criando boas jogadas e dando trabalho à defesa adversária. Mas é aquilo: na hora de definir, Eder Luis é terrível. No segundo tempo perdeu o gol mais feito do jogo, mandando para fora uma cabeçada de frente pro gol. Cansou, sumiu e cedeu lugar ao Evander, que não precisou cansar para sumir.

Leandrão – pesado como um trator e com a velocidade de um (com o pneu furado), não conseguiu escapar da marcação avaiana em momento algum.

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Sem recorde

Depois de 224 dias e 34 partidas invicto, o Vasco voltou a sentir o gosto de uma derrota. Com o 2 a 1 sofrido diante do Atlético-GO, Jorginho e seus comandados perderam a chance de igualar a maior sequência sem perder que o Gigante já teve em sua história, uma marca com mais de 70 anos.

E o que isso muda na prática para o time? Nada.

Não deixamos de ser líderes da competição, nem se pode descartar o favoritismo que temos em terminar o campeonato entre os quatro classificados para a Elite em 2017 ou de ser o principal candidato ao título da Série B. Assim como seria praticamente impossível terminar o Brasileiro com 100% de aproveitamento, era algo muito difícil passar as 38 rodadas sem perder uma única vez. Mais cedo ou mais tarde, isso acabaria acontecendo.

Ah, mas o time jogou muito mal!”, “Ficou provada a dependência que o Vasco tem do Nenê”, dirão muitos (e muitos na prática já disseram).

Não amigos, nem isso. O Vasco fez uma partida na média do que tem feito há muito tempo. Em outros jogos, tivemos atuações até piores e conseguimos sair sem perder. O que poderia muito bem ter acontecido ontem se não fossem falhas claramente individuais do time. Com as vaciladas do Jordi e principalmente do Rodrigo, nada garante que a presença do camisa 10 titular nos livrasse da derrota. Até porque, colocando um pouco de lado a idolatria, em alguns jogos até o Nenê passa em branco.

Isso não quer dizer que Nenê não tenha feito falta. Com ele em campo, os adversários priorizam a marcação sobre o craque do time e acabam dando mais espaços para outros jogadores, como Andrezinho e Jorge Henrique, atuarem. E aí aconteceu o que eu considero uma falha do Jorginho: o treinador escalou o time para jogar da mesma forma que joga de sempre, sem tentar adaptar o time à ausência do Nenê. Só que não basta colocar a camisa 10 no Pikachu para ele desempenhar o mesmo papel do titular. Com essa opção, jogamos fora 45 minutos do jogo, no qual não conseguimos criar praticamente nada.

Jorginho poderia corrigir as coisas no intervalo, mas não o fez. O Vasco até melhorou, mas muito mais por conta de um recuo excessivo do adversário, que passou e explorar unicamente os contra-ataques. Colocar o Eder Luis (lembrando que o problema do jogador nesse caso não é tático, mas técnico) foi correto, mas tirar o Pikachu o foi um erro. Se o treinador tivesse preferido tirar o lateral chorão e colocado o Pokémon na sua posição original, as dezenas de jogadas que fizemos pela direita poderiam ter tido um resultado melhor.

Também perdemos um monte de gols, como de costume. Se Leandrão (e depois Thalles), Eder Luis, Rodrigo e Evander tivessem caprichado um pouquinho mais, teríamos empatado a partida ou até mesmo virado o jogo. Mas, como eu disse, infelizmente perder gols é um costume. Isso não é um sinal inequívoco de que o Vasco jogou pior ou uma prova de que não temos capacidade de vencer sem o Nenê em campo. Pelo contrário, com os gols ridículos que sofremos ontem, o mais preocupante é pensar que, se continuarmos cometendo falhas individuais tão grotescas, podemos perder mesmo que o time esteja com todos os seus titulares e jogue melhor que o adversário.

As atuações…

Jordi – a falha numa saída do gol e o azar de uma bola indo na direção do atacante adversário comprometeu completamente sua atuação. No segundo gol não poderia fazer nada.

Madson – ainda há defensores do jovem lateral chorão. Só não consigo entender o motivo. Não acertou uma jogada sequer ontem (como em 99% das vezes, aliás). Que sua permanência em campo mesmo com Pikachu tendo condição de ir para a lateral não seja um sinal de que ele continuará sendo titular.

Rodrigo – talvez sua pior atuação com a camisa do Vasco. Não apenas furou o corte que originou o segundo gol, mas cometeu pelo menos três outras falhas absurdas.

Luan – marcou um belo gol, mas mesmo estando nos dois lances, não conseguiu corrigir os erros dos companheiros e evitar nenhum dos gols do Atlético.

Julio Cesar – cobrou a falta que originou o gol do Luan. Tirando isso teve uma atuação discreta, mais focada na marcação.

William Oliveira – parece ter conquistado em definitivo a titularidade no time. É muitas vezes melhor que Julio dos Santos na marcação (apesar de precisar controlar eventuais afobações no combate direto) e mesmo não tendo a mesma qualidade no passe é mais presente como opção ofensiva.

Marcelo Mattos – uma atuação padrão, mostrando muita luta na marcação. Nas vezes que subiu para ajudar no ataque não conseguiu dar prosseguimento às jogadas. Não pareceu muito satisfeito quando Evander entrou em seu lugar, quando o time entrou no tudo ou nada. Quase salvou a série invicta com um belo chute cruzado no fim do jogo, mas a bola caprichosamente carimbou a trave.

Yago Pikachu – entrou em campo apenas para ter seu filme queimado, e nem poderia ser diferente: o Pokémon nunca teve um bom desempenho jogando como segundo homem no meio de campo e não seria como principal articulador do time que iria render. Para completar a queimação, poderia ter sido deslocado para sua posição de origem, mas foi sacado ainda no intervalo para a entrada do Eder Luis, que ajudou o time a ter mais presença ofensiva. Mas, como sempre, sua correria acaba se tornando inócua, já que sempre erra o passe decisivo ou desperdiça chances na hora que finaliza.

Andrezinho – no primeiro tempo se saiu melhor ajudando na saída de bola; no segundo, se tornando o principal articulador do time, não conseguiu criar as jogadas que o time precisava, ora por causa da marcação, ora por errar o passe decisivo.

Jorge Henrique – foi bem, mesmo sem nunca ter a certeza de qual setor do campo terá que contar com sua ajuda. Fez algumas boas jogadas quando esteve mais a frente e foi bem ajudando na saída de bola na parte final do jogo.

Leandrão – precisou de uma partida para nos lembrar do que se trata o seu futebol: lentidão e finalizações imprecisas. Perdeu pelo menos um gol feito no segundo tempo. Leandrão é tão incrivelmente lerdo que até o Thalles, com sua aparente centena de quilos, consegue ter mais mobilidade. Mesmo sem ter tido chances claras como o titular de ontem, Thalles finalizou uma vez e deu um ótimo passe para Evander no final do jogo. Poderia ter marcado em uma rebatida do goleiro, mas se a bola não chegar redondinha no seu pé, ele é incapaz de concluir com precisão.

A verdade é que tanto um, como outro, estão muito abaixo do que o time merece.

***

Para não fechar o post sem mostrar um lado positivo, podemos dizer que o fim da série invicta tira dos ombros do time a ansiedade por quebra de recordes históricos. Sempre me incomodou ver, nas entrevistas com o Jorginho ou com os jogadores, a palavra “invencibilidade” ser sempre citada como se fosse um objetivo. Não perder é ótimo, mas não por uma questão de orgulho, e sim porque isso significa que estamos sempre ganhando pontos. E são os pontos que nos trarão o título. E esse deve ser o único foco do grupo. Superar marcas históricas são uma consequência.

E se o grupo faz tanta questão de ostentar o recorde de invencibilidade no Vasco, é simples: comece uma nova série invicta já na terça, contra o Náutico. Com as 30 partidas que faltam no Brasileiro e a Copa do Brasil dá pra quebrar o recorde ainda esse ano.

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Piloto automático

Vasco e Joinville fizeram um jogo feio, truncado, com muitas faltas e poucas chances de gol. Mas como a fase do Gigante é boa, nem precisamos jogar bem para vencer a partida por 2 a 0, os dois marcados pelo Leandrão.

Mostrando poucos lampejos de bom futebol e contando com a fragilidade dos donos da casa, o que podemos pinçar como principal ponto positivo foi o controle que o Vasco teve no jogo. Mesmo nos raros momentos em que o Joinville tentou fazer algo, nunca chegamos a correr riscos reais no jogo. Foi uma vitória daquelas conquistadas no piloto automático, que enchem o torcedor de tédio mas que garantem mais três pontos na tabela.

Mesmo com as limitações técnicas de alguns dos nossos jogadores (e que são na realidade a principal razão dos nossos eventuais erros), fica claro que, fale-se quanto quiser, o Vasco é um time que sabe o que faz. Contra um oponente que aparentemente só sabe fazer faltas, as coisas ficam sensivelmente mais fáceis. O Joinville tentou fazer uma graça no começo da partida, mas bastou apertar um pouquinho e explorar um pouco mais as jogadas pelas laterais, principalmente a direita, para abrirmos o placar. Depois do bonito cruzamento do William para a cabeçada fatal do Leandrão, o Vasco pôde se dar ao luxo de não concluir ao gol mais nenhuma vez na primeira etapa. E, ainda assim, o JEC não conseguiu dar sequer uma pinta de que conseguiria reverter o placar.

E não reverteu mesmo. Veio o segundo tempo e depois de uma pálida tentativa de pressão, o Joinville não conseguiu superar sua própria incapacidade e, assim como na etapa inicial, foi vendo o Vasco mais uma vez controlar o jogo. Marcamos o segundo, novamente com Leandrão, e entramos naquele momento das partidas em que nosso time parece satisfeitíssimo com o placar e paramos de jogar. E mesmo um tantinho displicente nos minutos finais, o Joinville não conseguiu fazer nada para evitar a derrota.

Adversários como o Joinville, que não têm condições de nos fazer frente mesmo quando jogamos abaixo do que podemos, são a normalidade dentro da competição. Ontem, o “piloto automático” bastou para nos manter na liderança e invictos, mas mesmo que isso não seja um sinal de falta de interesse (e eu não creio que seja), é preciso que os jogadores do Vasco se motivem sempre e compreendam a importância da sua missão esse ano. Vencer sempre é bom, mas melhor ainda é ver o time tão empolgado quanto a torcida.

As atuações…

Jordi – outro jogo no qual pouco teve o que fazer. Tirando uma defesa em chute de fora de área, praticamente não atuou.

Yago Pikachu – muito presente no apoio no primeiro tempo, criou algumas boas jogadas. No segundo tempo deu mais atenção à marcação e foi bem.

Rodrigo – se deu bem sobre os atacantes catarinenses na maioria dos lances. Quase marcou de cabeça no primeiro tempo, mas estava em posição irregular.

Luan – iniciou – com a ajuda do zagueiro do Joinville – a jogada do segundo gol fazendo um lançamento longo. Pra compensar, perdeu um dos gols mais feitos do Vasco no ano.

Julio César – discreto, deixou suas funções ofensivas pelo seu lado do campo para Jorge Henrique.

William Oliveira – no primeiro gol acertou um cruzamento com uma precisão que não vemos nossos laterais terem há muito tempo. É voluntarioso, não se acanha em partir para o ataque, mas ainda erra muitos passes. Pelo que jogou nas últimas partidas, não merece voltar para o banco.

Marcelo Mattos – bem nas antecipações e no combate direto, muito mal nos passes. Além de entregar um monte de bolas para o adversário, também exagera nas rifadas de bola e chutões.

Andrezinho – com ele em campo, o Vasco é outro. Mas ontem errou mais passes que o normal. Diguinho entrou em seu lugar e pouco fez. Só apareceu mesmo tomando um drible desconcertante de um atacante adversário.

Nenê – foi caçado em campo e não conseguiu ser decisivo como sempre é. Tomou um amarelo bobo – e talvez rigoroso – e com isso está fora do jogo contra o Atlético-GO. Depois disso, deu lugar ao Eder Luís, que não teve tempo para fazer qualquer coisa.

Jorge Henrique – correu o jogo todo e tentou ajudar tanto atacando quanto defendendo. Perdeu uma boa chance no primeiro tempo. Evander o substituiu segundos antes do fim do jogo.

Leandrão – consegue ser mais lento que o Thalles, mas mostrou mais competência no que importa: colocando a bola na rede. Em um dia em que Andrezinho e Nenê estiveram abaixo do que podem apresentar, seus dois gols lhe garantiram o título de nome do jogo.

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Nenê decide

´O Vasco vinha tendo problemas para jogar contra o Vila Nova.

Como era esperado, Andrezinho fazia falta ao meio e a opção do Jorginho em escalar Yago Pikachu em seu lugar nem de longe compensou sua ausência. Falta ao Pokemón a qualidade e visão na hora do passe. O Vasco atacava sem precisão e cedia espaços pelo meio ao adversário, que fez o goleiro Jordi ter bastante trabalho.

Aos 12 minutos, Madson sente uma contusão e precisou sair. Era a chance de Jorginho colocar alguém para acertar a marcação no meio de campo, deslocando Pikachu para a lateral. Mas ele fez o contrário: mandou Eder Luis ao campo. Manteve o time em cima do Vila Nova, mas o jogo continuava franco, com o time goiano ainda criando oportunidades de gol.

Nenê, único em campo que efetivamente podia fazer a diferença, parecia querer jogo. Fez um bom lançamento para Rodrigo (que cabeceou com perigo mesmo tendo sido agarrado), deixou Júio César em ótima condição para marcar (mas o lateral chutou em cima do goleiro) e tentou um arremate de fora da área, passando perto da trave. Fora isso, enfrentou a marcação brutal com a que está acostumado. No último lance do primeiro tempo sofreu um carrinho criminoso, que além de lhe garantir uma saída de campo num carreto, rasgou-lhe a chuteira. O juizão nada marcou.

Veio o segundo tempo. Jorginho mais uma vez mexeu no time, tirando o inoperante Julio dos Santos e colocando Diguinho. O treinador também segurou Pikachu, que diminuiu seu ímpeto ofensivo. Defesa cuidada, o jogo mudou. O Vasco passou a dominar o jogo sem correr tantos riscos. Não que o Vila Nova estivesse morto. As chances de contragolpe diminuíram, mas quando apareciam, o Vila tentava criar problemas.

O Vasco rondava a área adversária, mas faltava algo para definir o jogo. E esse “algo” era Nenê decidir que era o momento de resolver a partida: aos 27, o camisa 10 fez boa jogada na linha de fundo e foi derrubado ao invadir a área. Pênalti, convertido pelo próprio Nenê. A tranquilidade ficou ainda maior sete minutos depois. Luan foi derrubado – dentro da área, em mais um penal ignorado pelo juiz – e Nenê foi cobrar a falta na quina da área. Bola no ângulo, indefensável. 2 a 0 e mais três pontos na conta.

Mais uma vitória com a marca do camisa 10, que ampliou sua artilharia e garantiu a liderança vascaína por mais uma rodada. Enquanto Nenê seguir decidindo os jogos, os eventuais desfalques da equipe serão minorizados. Resta sabermos como o Vasco resolverá suas partidas quando Nenê for o desfalque.

As atuações…

Jordi – mesmo com uma ou outra rebatida perigosa, o jovem goleiro fez uma partidaça, garantindo o zero no nosso lado do placar nos momentos em que o Vila Nova atacou. Fez pelo menos três grandes defesas e quase marcou um gol (!)

Madson – antes de sair contundido logo aos 12 minutos, fez um corte arriscado em direção ao gol numa bola que iria para fora. Eder Luis entrou em seu lugar e até trouxe uma maior movimentação para o ataque do Vasco, mas parece impossível ao Chico Bento concluir uma jogada corretamente.

Rodrigo – quase marcou um gol e quase entregou outro de forma inaceitável.

Luan – não cometeu erros grosseiros como o do seu companheiro de zaga e também teve uma chance para marcar, mas não chegou a tempo na bola. Sofreu a falta que originou o segundo gol vascaíno.

Julio Cesar – não apoiou tanto, mas em uma das suas subidas quase marcou um belo gol após receber bola açucarada do Nenê.

Marcelo Mattos – bem no combate direto, mas errou passes demais, principalmente no primeiro tempo. No segundo, quase marcou de cabeça após lançamento de – adivinhem? – Nenê.

Julio dos Santos – não se viu qualquer contribuição do paraguaio para o time. Saiu no intervalo para a entrada do Diguinho, que parecia perdido nos primeiros momentos, mas depois conseguiu fechar os espaços pelo meio com eficiência. Foi expulso injustamente com o jogo já acabado.

Yago Pikachu – não chegou a fazer muito nos 12 minutos em que esteve ao lado do Nenê no meio de campo. Deslocado para sua posição de origem com a saída do Madson, foi pouco acionado no apoio, ficando mais preso à marcação.

Nenê – foi o Nenê que todo vascaíno gosta de ver: entre uma pancada e outra dos marcadores, colocou os companheiros em condição de marcar e garantiu a vitória com dois gols.

Jorge Henrique – mais recuado, teve uma boa atuação distribuindo bem o jogo e ajudando na marcação.

Thalles – um pouco mais de movimentação, mas não o bastante para apagar a impressão de que está longe de ser o atacante que o Vasco precisa. Evander entrou em seu lugar e não chegou a acrescentar muito ao time.

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Um desconto para o time

O mais interessante na vitória do Vasco sobre o Tupi por 1 a 0 – além de, obviamente, termos conquistado mais três pontos – foi poder observar como o time se comporta diante de algumas adversidades que devem ser comuns ao longo desse Brasileiro. E pelo que vimos, há motivos para ficarmos tranquilos e também algumas situações que precisam ser corrigidas o mais rápido possível.

Mas vamos por partes…

Perda de titulares – ficou evidente que o time sentiu muito a falta do Andrezinho, que precisou ser substituído logo no começo da partida. Mas ao longo do jogo pudemos perceber também que o problema não foi a queda de qualidade com a entrada de um reserva (é óbvio que ainda que não podemos dizer que Evander tem a mesma eficiência que Andrezinho) e sim, a demora do time em se adaptar à ausência do titular. Evander não tem as mesmas características do Andrezinho e as mudanças que seriam necessárias para que o time jogasse melhor com o garoto em campo só foram feitas após a conversar que o time teve com Jorginho no intervalo. Com isso, passamos a primeira etapa inteira com uma saída de bola fraca e sem conseguir criar jogadas. Seria bom que a equipe conseguisse ser mais ágil em perceber que precisa mudar a forma de jogar numa situação como essa, mas não podemos deixar de citar que o treinador enxergou a melhor maneira para resolver isso com um papo no vestiário.

Retrancas raros foram os momentos em que o Tupi tomou a iniciativa na partida, preferindo ficar na maioria do tempo com seus 11 jogadores atrás da linha da bola. No primeiro tempo isso foi um grande problema para o Vasco, que não conseguiu criar jogadas. Obviamente devemos levar em consideração o que foi dito no primeiro ponto, até porque depois do time se ajustar à ausência do Andrezinho, conseguiu controlar a partida com mais facilidade na etapa final e correu poucos riscos (tirando uns cinco minutos na metade final do segundo tempo). Jorginho e seus comandados precisam ter em vista que encarar times fechados será o mais comum na competição e não podemos demorar 45 minutos para conseguir superar as retrancas.

Dependência do Nenê – isso já seria um problema pelo simples fato de que será humanamente impossível que o camisa 10 esteja sempre em campo (além de possíveis contusões, será impossível um jogador com o hábito de reclamar da arbitragem como Nenê passe 38 jogos sem levar três cartões amarelos). Mas essa não é a única preocupação. A verdade é que o Nenê tem participado menos dos jogos do que de costume.

Antes que meus poucos leitores me abandonem, participar pouco não é o mesmo que jogar mal ou não ser decisivo. Disso, não podemos acusar o Nenê. Mas mesmo que seus devotados fãs não concordem, o Nenê passa a maioria do tempo dando dribles, levando pancadas e enfeitando jogadas. É ÓTIMO que tenhamos um camisa 10 que resolva as partidas em um, dois lances. A questão é que o Nenê muitas das vezes tudo o que ele faz se resume a esses um ou dois lances nos 90 minutos dos jogos.

Isso está longe de ser um problema. A maioria dos times NO MUNDO desejaria ter um jogador com o percentual de gols e assistências que tem o Nenê pelo Vasco. O problema é time todo ficar dependente desse jogador. Precisamos encontrar alternativas para quando o Nenê não estiver em campo (ou estiver e não acertar um lance, como já aconteceu mais de uma vez).

O ataque – esse é o problema mais óbvio do Vasco. Vemos como o time é limitado nessa posição quando lamentamos a saída de um jogador como Riascos, e pior, quando a lamentação é justa. O Vasco na verdade tem jogado sem atacantes, já que Jorge “tático” Henrique cumpre tantas funções no time que quase não o vemos perto da área adversária e Thalles, infelizmente, não consegue executar a função de centro-avante com a eficiência necessária. No banco temos apenas Eder Luis (que além de está numa fase terrível, quando entra acaba tendo que fazer o mesmo que o Jorgenrique) e Leandrão, que na minha opinião, é pesadão, lento e perde um caminhão de gols (ou seja, é um Thalles mais velho). A não ser que o treinador vire um mestre ninja da autoajuda e promova uma verdadeira metamorfose no Thalles, esse é o tipo de problema que Jorginho não conseguirá resolver sozinho. A diretoria precisa fazer a sua parte e buscar algum reforço para o setor. Mas que seja EFETIVAMENTE um reforço. Trazer alguém que não resolva nosso ataque e apenas inche o elenco não vai adiantar de nada.

Todas essas situações influenciaram o desempenho do Vasco ontem, tanto positiva quanto negativamente. Contra o Tupi, um time que promete lutar arduamente contra o rebaixamento, fizemos o bastante para conseguir apenas uma vitória simples. Claro que podemos dar um desconto, já que é o começo da competição e o time deverá ter ainda alguns reforços – esperamos! – e ajustes. Mas o treinador, os jogadores e a diretoria não podem se acomodar com uma liderança após duas rodadas. Todos devem fazer a sua parte para reforçar os que há de positivo e neutralizar o pontos negativos da equipe.

As atuações…

Martín Silva – uma defesa em cada tempo e a sorte de ver dois chutes pararem no travessão.

Yago Pikachu – na prática, não se diferencia muito do Madson: apoia bastante (mas erra muitos cruzamentos) e não se destaca defensivamente. Ontem, desperdiçou boa chance após receber bola de Thalles e deu uma caneta humilhante em um marcador.

Rodrigo – não chegou a ter problemas com o ataque da equipe mineira.

Luan – também se saiu bem diante dos atacantes do Tupi e ainda garantiu a vitória ao marcar o gol do Vasco.

Julio Cesar – compensando a liberdade que o lateral direito teve, ficou mais preso à marcação. Nas vezes em que subiu ao ataque não mostrou eficiência. Saiu na metade do segundo tempo para a entrada do Henrique, que foi muito mais incisivo na parte ofensiva, tendo feito inclusive uma finalização com relativo perigo.

Marcelo Mattos – na maioria do tempo foi bem na proteção à zaga e não errou tantos passes como de costume. Foi outro a canetar um marcador adversário.

Julio dos Santos – o paraguaio até pode trazer um maior equilíbrio defensivo ao meio de campo – e se compararmos o jogo de ontem com o que fizemos contra o CRB isso fica evidente – mas tem um problema gravíssimo: enquanto sua contribuição para o time é discreta, seus erros são sempre evidentes. Ontem o lance de maior perigo que passamos surgiu após Rúlio ter recuado mal uma bola, logo no começo do jogo. Também perdeu mais uma chance de marcar pela primeira vez com a camisa do Vasco, ao não dar um carrinho para escorar uma bola que passou em frente ao gol

Andrezinho – com cinco minutos de jogo, se contundiu e foi substituido por Evander, que passou o primeiro tempo inteiro sem encontrar o posicionamento ideal no time. Após o intervalo teve mais liberdade para jogar e apareceu mais, criando algumas boas jogadas. Deu lugar ao Diguinho nos minutos finais para que o meio de campo ficasse mais protegido.

Nenê – deu dribles, se enrolou com a bola algumas vezes, errou passes, reclamou com a bandeirinha…mas é aquilo: por pior que vá no jogo, Nenê sempre resolve. No primeiro tempo acertou o cruzamento para Luan marcar de cabeça o gol da vitória e no segundo deixou Thalles na cara do gol (em lance que o atacante desperdiçou). No fim do jogo quase marcou o segundo, tentando um gol olímpico.

Jorge Henrique – vinha tendo a atuação de sempre, mais ajudando na marcação que no ataque, até ser deslocado para o meio após o intervalo. Aí se saiu melhor, não apenas por dar mais liberdade ao Evander, mas também por ter melhorado a saída de bola do time.

Thalles – pesado e pecando pela falta de movimentação, Thalles depende muito que a bola chegue redonda aos seus pés para finalizar. E ontem, nem quando isso aconteceu conseguiu mostrar competência: quando se viu diante do goleiro, chutou mal na única chance clara que teve para marcar.

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Jogar bem é obrigação

gol1Sou adepto da filosofia que nega a existência da “obrigação de vencer” em futebol. A imprevisibilidade, ou em linguagem mais próxima, a eterna possibilidade de uma zebra, é o elemento que torna o famoso esporte bretão tão fascinante. Todo adversário, por mais modesto que seja, pode fazer uma grande equipe virar a prova viva de que “não tem mais bobo no futebol”.

Dito isto, não posso afirmar que o Vasco tenha a obrigação de vencer o Tupi, nosso adversário pela segunda rodada do Brasileiro. Mas depois do que vimos na quarta-feira no jogo contra o CRB pela Copa do Brasil, o Gigante tem sim uma obrigação hoje: ter uma atuação pelo menos aceitável diante do clube mineiro.

Isso é o mínimo que a equipe cruzmaltina pode fazer para compensar o estresse pelo qual fez sua torcida passar em seu último jogo. E se o Vasco fizer o seu papel, aí sim podemos dizer, sem querer faltar com o respeito que merece o Tupi, que os três pontos serão uma consequência natural da partida.

Elementos que corroboram essa impressão não faltam. O Tupi é um dos times mais modestos da Série B: acabou de subir da terceirona, ficou apenas na nona colocação no último campeonato mineiro (e poucos são aqueles que, não sendo de Minas, conseguiriam se lembrar de nove clubes do Estado) e já começou a Série B perdendo em casa para o Goiás. Para quem carrega um amplo favoritismo na competição, empatar com a agremiação da simpática cidade de Juiz de Fora já pode ser considerado uma derrota. Ainda mais jogando em casa e tendo como único desfalque o Madson, que será substituído pelo Yago Pikachu.

A vitória provavelmente nos levará novamente ao topo da tabela (que momentaneamente está com o Atl-GO, que venceu ontem o Brasil de Pelotas), lugar de onde a torcida não espera sair em momento algum nessa competição. Mas para transformar esse desejo em realidade, cabe ao Vasco atuar conforme manda o figurino: como um clube grande que está apenas de passagem pela Série B. Qualidade para isso, o elenco tem; e se jogarmos sempre com isso em mente, o Tupi – ou qualquer outro adversário no campeonato – terá que suar sangue para conseguir nos bater.

Vasco X Tupi

Vasco X Tupi

Martín Silva; Yago Pikachu, Rodrigo, Luan e Julio César; Marcelo Mattos, Julio dos Santos, Andrezinho e Nenê; Jorge Henrique e Thalles.

Glaysson; Filippe Formiga, Heitor, Rodolfo Mol e Bruno Costa; Rafael Jataí, Filipe Alves e Marcos Serrato; Jonathan, Thiago Silvy e Giancarlo.

Técnico: Jorginho.

Técnico: Ricardo Drubscky.

Estádio: São Januário. Data: 21/05/2016. Horário: 16h. Arbitragem: Francisco Carlos do Nascimento. Auxiliares: Pedro Jorge Santos de Araujo e Brigida Cirilo Ferreira.

O Canal Premiere transmite para todo Brasil no sistema pay-per-view.

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Depois do volante William Oliveira, o Vasco acerta com seu segundo reforço para o segundo semestre: é o meia Fellype Gabriel, que veio do Palmeiras depois de passar o ano de 2015 lutando contra as contusões.

Conseguindo superar os problemas físicos, Fellype é um bom reforço para o elenco. Conversando com alguns torcedores pelo Twitter, todos esperam que ele tome o lugar do Julio dos Santos no time. Acho esperança demais. Primeiro, porque não imagino que Jorginho coloque no banco um dos seus preferidos “jogadores táticos” para escalar um jogador que certamente está sem ritmo de jogo (fez apenas UMA partida ano passado) e que ainda deve demorar um tempo para estar 100%. E depois, mesmo que todos se lembrem do Fellype atuando como segundo homem de meio de campo no Botafogo, essa não é sua posição de origem e nem onde prefere jogar (como o próprio declarou à época).

Sendo assim, quando estiver bem física e tecnicamente, Fellype Gabriel provavelmente será reserva do Andrezinho ou do Nenê, que atualmente têm como reservas para posição Evander e Mateus Vital, ambos muito jovens. Fellype seria uma opção com mais experiência para armação.

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