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Círculo vicioso

placaHoje Roberto Dinamite sai da presidência do Vasco e Eurico Miranda volta ao cargo, o qual deixou para que o primeiro assumisse, em 2008. De certa forma, a história de ambos como presidentes acabou tendo mais elos do que as pessoas poderiam julgar.

Eurico sempre foi falastrão, autoritário e temperamental. Mas tinha a seu favor o grande sucesso que teve como Vice-Presidente de futebol, sendo um dos responsáveis por um dos períodos mais vencedores do clube. Mesmo não agradando a todos, não havia vascaíno que desconfiasse que o homem do charuto, quando deixasse de ser a eminência parda e assumisse a presidência do clube, fizesse uma gestão tão ruim. Aumento de dívidas, fuga de patrocínios, times abaixo da crítica, brigas com a imprensa e os títulos da sua época de VP não vieram.

Veio Roberto Dinamite, trazendo a esperança de novos tempos para o Vasco, capitaneado por alguém com o respaldo que apenas um ídolo poderia ter. E a decepção foi ainda maior: a falta de capacidade e de pulso para comandar um clube como o Vasco foram os principais fatores que nos levaram ao pior momento da história vascaína, tendo como pontos negativos absolutos os dois rebaixamentos em apenas cinco anos.

Esperávamos muito do Eurico na sua primeira gestão, e ela foi um fracasso. Esse fracasso acabou com sua força política e alavancou Dinamite à presidência. Também esperávamos muito deste, mas como Dinamite conseguiu protagonizar uma gestão ainda pior que a anterior, fez renascer o Eurico como opção à presidência.

Os sócios tiveram a chance de acabar com esse círculo vicioso na eleição passada . Mas já que não o fizeram, torçamos que o próprio Eurico termine com ele fazendo uma boa gestão.

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E para fazer uma boa gestão, Eurico Miranda precisa ser outro Eurico Miranda, muito diferente daquele de 2001.

O novo Eurico Miranda precisa entender que o futebol mudou e que os negócios são importante parte do esporte. E por conta disso, arrumar picuinhas com a mídia é jogar contra: viver as turras com a imprensa é sinônimo de menos espaço nos veículos de comunicação e, consequentemente, fazer do Vasco uma marca menos desejada pelos patrocinadores. Se ele pretende ter algum sucesso na tentativa de aumentar os valores das cotas de transmissão da TV, precisa entender isso ainda hoje.

O novo Eurico precisa entender também que é preciso lidar com empresários. Não fazer todas as suas vontades – como o Dinamite fez em vários momentos da sua gestão – mas ter uma relação de parceria, na qual o Vasco ter vantagens passa por necessariamente oferecer vantagens.

E algo que passa pelos dois pontos acima precisa ser compreendido de vez pelo novo Eurico: não dá mais pra deixar o profissionalismo de lado no futebol. Que a gestão seja centralizadora e que o presidente precise dar ok a tudo é aceitável, até porque, na hora das cobranças, a gritaria será no ouvido do presidente. Mas isso não é sinônimo de ter ingerência em todos os setores do clube. Não há ser humano no mundo que consiga ser competente apitando em todas as áreas de um clube de futebol. Que o novo Eurico compreenda isso e se cerque de profissionais não apenas de confiança, mas também competentes. Já que dificilmente o novo Eurico deixará de aprovar cada decisão executiva no clube, pelo menos terá a assessoria de gente que sabe o que faz .

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promoLembrando a todos que as novas camisas da Umbro – a de campo e a de goleiro – estão em promoção no site da Gigante da Colina, a loja oficial do Vascão. Se você ainda não tem nenhuma delas ou se conhece algum vascaíno que mereça esse belo presente, aproveite que o Natal está chegando e faça a festa.

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Arquivado em História, Notícias, Política

Hora de refletir

pensandoTerminada a eleição, com o resultado desejado pelos sócios e temido pela grande maioria dos vascaínos em todo Brasil, é hora de toda torcida fazer uma reflexão e uma autocrítica.

A vitória do Eurico Miranda é uma prova cabal do desencontro entre o que pensa o torcedor – ávido por mudanças, simpático à ideia de profissionalização do futebol e a democratização do clube – e o eleitor médio vascaíno, em grande parte conservador, tradicionalista e que não trocaria nunca o conceito vago de “impor respeito” por uma administração mais transparente. Sem julgar qual modelo de gestão  tem maiores condições de alcançar seus objetivos em pleno século XXI, podemos afirmar que a torcida, de um modo geral, tem uma visão mais moderna sobre como é conduzido com eficiência o esporte nos dias de hoje.

O problema é que, independente do que acha ou deixa de achar os milhões de torcedores do Vasco, quem decide o futuro do clube são os sócios. No caso, os 2733 eleitores que optaram pelo Eurico.

As pesquisas de internet não têm qualquer relevância e se em algumas delas a preferência pela chapa Sempre Vasco chegou a ter 70% de preferência, sua única serventia agora é a de aumentar o sentimento de impotência com relação ao resultado. E eis que surge o momento de autocrítica: se o torcedor se sente frustrado com o resultado das eleições, a culpa é única e exclusiva do próprio torcedor.

Essa autocrítica é para ser feita muito mais pela torcida carioca do clube, claro. Mas vamos tirar os torcedores de fora do estado, os que não têm grana para gastar com a mensalidade e até os que acham que não vale a pena se associar a um clube que não frequentarão. Ainda assim – como falei na minha última coluna no Vasco Expresso – teríamos ainda mais de 1.800.000 torcedores apenas no Grande Rio (segundo as últimas pesquisas). Se apenas 10% desses vascaínos pudessem pagar a mensalidade e ir a São Januário uma vez a cada três anos votar, não haveria mensalão ou processo eleitoral bagunçado que fizessem diferença.

Não foi falta de tempo, tanto que mais de uma chapa conseguiu arrumar seus novos sócios a tempo de torna-los eleitores. Cada vascaíno da área metropolitana do Rio, que tenha condições financeiras de pagar uma mensalidade, e não se associou também é responsável pela vitória do Eurico. Essa é a dura realidade.

Enquanto os vascaínos – e eu não tiro o meu corpo fora dessa – não se engajarem na vida social do clube, não poderão reclamar do que uma minoria decide e nem achar ruim que 2 mil torcedores decidam por milhões.

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Agora, falem pra mim: que eleição que tem como organizadores dois dos seus concorrentes pode ser considerada séria? Não dá, né?

Para mudar esse tipo de coisa, só com uma mudança profunda no Estatuto do clube. Dinamite teve 8 anos para isso e essa medida se tornou apenas mais uma na enorme lista de coisas que o atual presidente não teve capacidade de executar.

Mas, sinceramente, alguém acredita que o Eurico vá fazer qualquer mudança em um Estatuto que o favorece sempre?

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Arquivado em Notícias, Política, Torcida

É hoje

Se tudo der certo, e não aparecerem com um mandado impedindo sua realização, hoje é o dia do pleito que decidirá a quem comandará o Vasco pelos próximos três anos. Seja qual for o resultado – novamente, se nada impedir a eleição – a definição da novela eleitoral deve pelo menos trazer alguma paz para o clube nessa reta final de ano. Isso, claro, se o resultado também não for contestado na justiça.

Significará também, e esse é o ponto mais importante, o fim da era Dinamite. Se o que virá será melhor, só o futuro dirá. Mas pelo que sabemos dos três candidatos com chances de vitória, já podemos ter alguma ideia ou pelo menos imaginar o que pode vir a acontecer.

identidadeA chapa “Identidade Vasco” tem como candidato Roberto Monteiro. Ignorando as acusações de que seu grupo político teria bancado mensalidades de novos sócios em troca de votos, restam dois pontos a questionar: o primeiro, o fato de Monteiro ter sido mais um dirigente do clube a ter se aproveitado da popularidade junto aos vascaínos para iniciar uma carreira política. Os dois últimos presidentes, os piores da história do clube, fizeram o mesmo, o que certamente não é vantagem para o candidato. Quem garante que, estando no principal cargo do Vasco, ele não vá se aventurar mais uma vez na política?

O outro ponto é diretamente ligado à história de Monteiro como dirigente do clube. Ele prega a mudança sem retrocesso, procurando se desassociar da atual gestão. Mas se ele é tão contrário ao que foi feito nos últimos 8 anos, porque manteve-se na diretoria, ocupando um alto cargo na administração Dinamite? E, pior, porque não fez nada de prático para evitar alguns atos catastróficos dessa gestão? Mesmo que ele tenha respostas convincentes para as duas perguntas, como acreditar numa guinada completa da gestão caso ele vença se mais de uma dezena de VPs da atual gestão estão ligados à sua chapa?

20140109euricofacebookSobre a chapa “Volta Vasco, Volta Eurico” pouco podemos falar que alguém desconheça. O nome da chapa já deixa claro o pensamento do seu candidato à presidência: Eurico se considera, com toda a modéstia que lhe é peculiar, a personificação do clube.

Mas se assim é, podemos dizer que Eurico sofre de uma crise de baixa autoestima incurável. Como presidente, seu único feito digno de nota foi ter mantido o Vasco na primeira divisão e ele deu a sorte de conseguir um substituto no cargo que conseguiu o grande feito de fazer uma gestão pior que a dele. O que poucos lembram é que em 2008, poucos eram os seus devotos – sim, devotos, porque só a devoção religiosa explica alguém defender o homem do charuto depois de uma gestão tão terrível – e que um dos piores males da gestão Dinamite foi ter ressuscitado o mito do “grande dirigente”.

Na prática, Eurico endividou o clube, não conseguiu resultados decentes no futebol, foi incapaz de trazer patrocínios aceitáveis e conseguiu fazer a imagem do Vasco ir ao chão, tornando o clube com a história mais bonita do futebol brasileiro no time mais antipático do país.

Ainda assim, demos o benefício da dúvida a quem não merece e digamos que, em caso de vitória, Eurico fará tudo diferente do que fez entre 2001 e 2008. O que ele poderá fazer para tirar o Vasco da crise em que se encontra? O próprio já admitiu que não tem projetos para mudar a situação do clube. E mais: sempre que tentam justificar o fracasso da sua primeira gestão, os devotos do Eurico afirmam que tudo foi culpa do complô “mídia-Globo-CBF” (a desculpinha à la “herança maldita” da sua administração). O que nenhum dos eleitores do ex-presidente sabe responder é o que os faz pensar que o complô não impedirá mais uma vez que o “grande dirigente” faz uma gestão aceitável. Com o agravante que, assumindo agora, Eurico não receberá um Vasco vindo das mãos do Calçada, e sim, o desorganizado Vasco do Dinamite. Desnecessário dizer o risco que corremos.

(parêntese: nem falarei sobre os R$ 3 milhões que o candidato deve ao clube e o conflito de interesses que há em um devedor concorrer a um cargo que terá o poder para cancelar a dívida. Fecha parêntese.)

edmundo_vasco_chapa_div_95Sobra então a chapa “Sempre Vasco” e Julio Brant. A chapa é formada pela Cruzada Vascaína – de todos os grupos políticos do clube, o que mais pode se chamar de oposição ao Dinamite – e tem o apoio de diversos ídolos recentes do clube, como Edmundo, Felipe, Pedrinho e até do presidente Calçada. Mas isso não é garantia de competência (basta lembrar a quantidade de apoios que o atual presidente teve antes de ser eleito). O que Brant usa como atestado para sua capacidade administrativa é sua carreira como executivo internacional. Fora isso, Brant é relativamente desconhecido e não tem um passado político dentro do clube.

E isso, amigos, é sua maior qualidade.

Os outros dois candidatos militam na política vascaína há décadas. Os dois estiveram presentes nas duas últimas gestões, exatamente as duas que jogaram o Vasco na maior crise da sua história. Mesmo que não tivessem tido influência direta em todos os males pelo qual passamos hoje, não fizeram, não puderam ou não quiseram fazer nada para impedir que eles acontecessem. Brant, por não ter os vícios da pouco transparente política interna do clube, é o único candidato que pode representar alguma mudança nos caminhos que o Vasco trilha. E mudança é exatamente o que precisamos nesse momento.

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É óbvio que cada um deve pensar no que considera melhor para o clube na hora de votar. Não é a minha opinião ou a de qualquer outra pessoa que deve influenciar o que cada sócio pensa sobre os destinos do Vasco. Mas gostaria de propor uma reflexão aos sócios que porventura tenham tido suas mensalidades pagas por algum dos candidatos: se você é vascaíno e realmente deseja um futuro melhor para o clube, pergunte-se como essa conta será paga. O dinheiro gasto na sua mensalidade, e possivelmente na de muitos outros, precisa de algum retorno.

A presidência do Vasco é um cargo não remunerado. De onde você acha que virar a grana para pagar o investimento feito em eleitores?

Se você não for vascaíno e ainda assim está recebendo para votar em um candidato, não precisa se preocupar com isso. Certamente você não é um dos que desejam ver um Vasco forte.

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Arquivado em Ídolos, Política

Sem (boas) novidades

Queria ter tido tempo e boas novas para escrever um post ontem, mas nenhum dos dois apareceu. Até estava pintando uma grande notícia na noite de terça feira, mas ela foi impiedosamente detonada aos 28 minutos do segundo tempo do jogo da volta entre a molecada do Santos e do Vasco pelas quartas de final da Copa do Brasil sub-20. Ao marcar um gol, o Peixe nos eliminou da competição por conta do gol feito na Colina no jogo de ida, nesse critério de desempate que só é agradável quando nos favorece.

Estávamos até bem na partida, com uma proposta de jogo bem clara: compactação do time e jogadas no contra-ataque. No segundo tempo inclusive tivemos as melhores chances, a principal delas, perdida pelo Renato Kaiser (que só fosse pelo menos Skol, não deixaria de marcar um gol tão feito).

Mas, piadinhas a parte, a garotada está de parabéns. Jogaram de forma inteligente, muito mais organizadamente que os marmanjos do time principal. E chegar até as quartas da competição infelizmente já é um feito para os dias de hoje: se os profissionais estão tendo o tratamento que vemos, imaginem o que não deve faltar de estrutura para a base.

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Na parte política é mais difícil ainda aparecer uma boa notícia. Nos últimos dias, chapas desistiram de concorrer, ações rolaram na justiça e, como não poderia deixar de ser, o nível da campanha feita pelos eleitores de cada candidato é o mais rasteiro possível. Ontem se escreveu outro capitulo na rinha eleitoral que se transformou o clube: a justiça negou um pedido para a realização de eleições para a Assembleia Geral do Vasco.

A história é enrolada: Olavo Monteiro de Carvalho era o presidente da Assembleia até sua renúncia. Antonio Gomes da Costa, vice de Olavo, também teria renunciado. Por conta disso, Abílio Borges, presidente do Conselho Deliberativo, acumulou a função.

A questão foi a para os tribunais: para a chapa Sempre Vasco, o poder está vago; a chapa Volta Vasco – que se meteu na história como parte interessada no caso – argumenta que como Gomes da Costa não enviou uma carta de renúncia e disse apenas estar impossibilitado fisicamente para assumir o cargo, Abílio Borges seria naturalmente o próximo na linha sucessória, o que não deixa o cargo vago. Por falta de tempo para resolver a questão antes do dia 11, data da eleição no clube, o juiz que analisou o caso achou por bem manter Borges no comando da Assembleia Geral.

Até aí, tudo parece muito lógico. Se o Estatuto prevê que o presidente do Deliberativo assuma a Assembleia na falta de um presidente e de um vice, não há o que discutir. Mas a pergunta que surge é: por que tanto interesse em quem manda ou deixa de mandar na Assembleia Geral?

Ora, caro e desatento leitor! A Assembleia Geral é o poder responsável pelas eleições no clube! Comandando a Assembleia, Abílio Borges é quem vai decidir, por exemplo, se apenas os eleitores que participaram do recadastramento poderão votar. Apesar de isso parecer ser o mais lógico (já que o recadastramento foi feito para limpar o quadro de eleitores), tem gente que é contra essa ideia, inclusive o próprio Abílio. E, é claro, também Eurico Miranda (que, vale relembrar, entrou como “terceira parte interessada” na ação para manter o presidente do Conselho Deliberativo como responsável pela Assembleia).

Abílio ainda não sabe o que fazer, mas  sugeriu que os sócios que não se recadastraram possam fazer isso no dia da eleição, para poderem votar. Isso tiraria todo o sentido do prazo inicial de recadastramento e certamente provocará mais problemas no dia do pleito. Será que o procedimento será feito de forma correta no meio da votação?

Há também um dado muito interessante: dos 7.616 sócios que não foram se recadastrar, mais de 80% são não pagantes (Beneméritos e Grandes Beneméritos, Eméritos, Benfeitores, Campeões e Remidos). Ou seja, a extensão forçada do recadastramento até o dia da eleição favorecerá em grande parte apenas o pessoal da antiga no clube. Alguma dúvida sobre qual candidato deve ser a escolha da maioria desses sócios?

Como na história do mensalão, o ex-presidente pode acabar sendo beneficiado por uma jogada que pode ser correta sob a luz do Estatuto, mas que está longe de ser uma atitude ética.

***

ingressosMas falando do que realmente interessa: vocês já compraram o ingresso para o Vasco x ABC? Lugar de vascaíno no sábado é na Arena Maracanã, apoiando – se não os sujeitos que vestem a armadura cruzmaltina por enquanto – o clube.

E falo “o clube” para lembrar a todos que ninguém aqui torce para Fabrícios, Andrés Rocha e Marlons. Nós torcemos para o VASCO. E quando gritamos nas arquibancadas, nosso grito e força é pela vitória do clube, não dos 11 que estão em campo.

Então não tem essa de “com esses pernas de pau jogando, eu não pago um ingresso”. Havendo a possibilidade, tem que ir ao jogo SIM. E tem que apoiar os 90 minutos. Os sujeitinhos que hoje (tentam) formam a equipe vascaína podem até comemorar as vitórias, mas elas são nossas. Até porque, jogadores vem e vão, mas quem fica com as glórias e decepções somos apenas nós: o Vasco e sua torcida.

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A faixa errada

errada

Nessa pavorosa Série B, eu mal acompanho os igualmente terríveis jogos do Vasco e isso porque o dever como torcedor me obriga. Então, é desnecessário dizer que vejo com ainda menos frequência os outros clubes da competição. Dessa forma, não faço a menor ideia do que possa ter acontecido com a Ponte Preta para ela ter chegado de forma tão rápida e consistente à liderança do campeonato. Para mim, é um completo mistério como a Macaca, do limitadíssimo time que eliminamos na Copa do Brasil há pouco tempo, passou a ser o bicho papão que não só não perde fora de casa como sequer sofre gols na casa dos adversários.

Coisas do futebol. Enquanto o clube de Campinas conseguiu uma arrancada fenomenal e pode até garantir sua vaga na Série A na próxima partida, o Vasco, pretenso favorito por conta da sua tradição, segue em marcha lenta, patinando na disputa, perdendo para adversários fracos e sem assegurar a classificação para a elite ano que vem. Ou seja, há um time com faixa na camisa sobrando na competição, mas é a faixa errada.

Esse cenário pode começar a mudar hoje, desde que o Vasco faça o que não faz há muito tempo: cumpra seu papel de gigante. A Ponte é a atual sensação do campeonato, mas Ceará e Joinville também eram quando passaram pela Colina e perderam com até certa facilidade. Qualidade para isso, o Vasco tem. Capacidade e vontade já é outro assunto.

Depois das duas derrotas fora de casa e o fim da lua de mel do Natalino com o grupo, é hora de reverter a crise. Ninguém precisa ser amiguinho de ninguém, nem considerar o treinador um “papai”. Eles precisam ser profissionais, honrar a camisa que vestem e jogar o futebol que puderem. Isso já deveria ser o bastante para conseguirmos os três pontos, mesmo que Fabrício volte ao time – me pergunto o que diabos fez o Aranda para não ter mais qualquer chance entre os titulares – e que Douglas não jogue. Nesse último caso, aliás, talvez seja mesmo bom colocar alguém mais novo e com mais vigor como principal armador do time. Não deve ser o Maxi, que aparentemente é proibido por lei de ser titular, mas um Crispim ou mesmo um Montoya já podem dar uma nova dinâmica ao time. E dinâmica é tudo o que nossa equipe precisa, até porque para a Macaca, um empatezinho deve ser muito bem vindo (o que significa que provavelmente teremos mais uma vez o pior tipo de adversário: o que se fecha, mas joga bem no contra-ataque).

Vencer, obrigação, dever de casa…falamos essas expressões sempre antes de uma partida do Vasco e muitas vezes já nos decepcionamos. Dessa vez não precisamos falar, até porque é óbvia a importância da partida. Ganhar hoje vai embolar mais uma vez a disputa pelo título, vai nos dar cinco pontos de vantagem para o quarto lugar e, ainda mais importante, sete pontos do primeiro time fora do G4. Se é para um time com faixa vencer hoje, que dessa vez não seja a faixa errada.

Campeonato Brasileiro 2014

Vasco X Ponte Preta

Martin Silva, Diego Renan, Rodrigo, Douglas Silva e Marlon; Guiñazu, Fabrício, Dakson e Maxi (Crispim ou Montoya); Thalles e Kleber.

Roberto, Rodinei, Tiago Alves, Gilvan e Bryan; Fernando Bob, Juninho e Renato Cajá; Cafu, Alexandro e Rafael Costa.

Técnico: Joel Santana.

Técnico: Alexandre Faganello (interino).

Estádio: São Januário. Data: 09/10/2014. Horário: 16h20.  Árbitro: Igor Junio Benevenuto (MG). Assistentes: Marcio Eustáquio Santiago (MG) e Guilherme Dias Camilo (MG).

A Rede TV transmite para todo Brasil (exceto Rio de Janeiro). O canal Premiere transmite no sistema pay-per-view e para seus assinantes em todo Brasil.

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Então Fernando Horta decidiu ser parte atuante na política do clube e resolveu ser o primeiro vice-presidente na chapa do Eurico. Uma atitude pra lá de curiosa, pra dizer o mínimo.

É curioso ver o Horta junto de quem, há não muito tempo, chamava de traidor, mal presidente e mensaleiro. Assim como é curioso ver alguém que desistiu de concorrer à presidência alegando não ter tempo para cuidar dos próprios negócios e do clube resolver assumir um cargo de tamanha responsabilidade. Das duas uma: ou os vinhedos europeus e a escola de samba do Horta não precisam mais de tanta atenção ou o vice-presidente do Vasco não precisa ir à São Januário com tanta frequência.

Essa notícia mostra o quanto a velha política vascaína está desesperada, com um medo real de se ver fora do poder definitivamente. Tanto que até desafetos se unem para tentar impedir que a mudança venha.

Horta pode até estar pensando no bem do Vasco ao aceitar se aliar ao Eurico. Pena ele ter essa visão equivocada do que pode ser o melhor para o clube.

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Todos estão errados

JoelComo já era esperado, as duas atuações terríveis do Vasco, que acarretaram em derrotas para times da parte debaixo da tabela, jogou o time de vez na crise. As vitórias capengas e empates chorados, que mantiveram a invencibilidade do Natalino e a aparente lua de mel entre equipe não conseguem mais mascarar os problemas do grupo.

Coluna do jornal Extra de hoje diz que os jogadores vascaínos não respeitam seu técnico. Levando-se em consideração o tom alarmista da nota, não é difícil crer que pelo menos parte dela esteja correta. E se está, não há quem saia limpo nessa história.

Errado está o Joel, que sempre foi tratado como uma espécie de “papai” pelos seus comandados por seus maneirismos e espirito brincalhão. A questão é que disputar uma Série B não dá espaço para brincadeiras em excesso. Primeiro, pela responsabilidade que o Vasco tem (como único grande na competição, teria a obrigação de sobrar no campeonato). E depois, não é preciso ser um boleiro das antigas pra saber que a motivação não deve ser das maiores: um grupo formado por veteranos em baixa, promessas não realizadas e um monte de jogadores com contratos de curta duração – sem falar nos constantes atrasos salariais – não é o mais apropriado para se esperar comprometimento total. E nesse cenário, se o treinador não souber ser rigoroso quando preciso, fatalmente perderá o respeito do grupo.

Errados estão os jogadores, que com o futebolzinho que estão jogando, não estão com moral sequer pra reclamar muito sobre os salários, quanto mais para desrespeitar a hierarquia e fazer pouco do treinador, mesmo que ele seja mais um personagem folclórico que um técnico de futebol na mais moderna acepção do termo. Não tem insatisfação com o banco, com a posição em que se é escalado, com esquemas táticos ou treinamentos ruins. Nada justifica um jogador fazer gracinhas ou desrespeitar seu treinador.

E mais errado que todos está a diretoria (ou a parte dela que bateu o pé pelo Natalino), que para substituir o Adilson fez uma contratação feijão-com-arroz e ao invés de arriscar, preferiu trazer um treinador semiaposentado e com um perfil completamente diverso do que precisaríamos  no momento. Essa foi apenas mais uma amostra da falta de visão daqueles que comandam o Vasco atualmente.

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papelO Vasco precisa pagar salários e contas.

O Vasco não tem dinheiro, então precisa de empréstimos.

Para conseguir empréstimos, o Vasco precisa oferecer garantias ao banco que lhe dará crédito.

O banco então exigiu o aval dos presidentes dos cinco poderes do clube.

Apenas um dos poderes fez “exigências” para dar o aval para o empréstimo.

O presidente do conselho que fez exigências é um dos candidatos à presidência do clube.

Nenhuma das exigências feitas por esse presidente/candidato tem a ver com as condições desse empréstimo.

Todas as exigências feitas por esse presidente/candidato têm a ver com as eleições das quais, como já foi dito, ele participa e tem interesse direto.

Essas condições impostas pelo presidente/candidato para conseguir o empréstimo que manterá o clube funcionando a curto prazo podem ser chamadas de “exigências”.

Mas na verdade, essas exigências só podem ser chamadas de chantagem.

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Problemas a resolver

problemNuma terça que pode coroar nossa campanha no Brasileiro até aqui com a liderança na competição, vários problemas, tanto dentro como fora de campo, aparecem.

Com a bola rolando, o jogo contra o Vila Nova não deveria trazer qualquer preocupação para a torcida. Lanterna convicto e com uma campanha ridícula, a equipe goiana mal consegue marcar pontos em casa, quanto mais jogando fora, em Brasília. A questão é que, se nosso adversário não consegue amedrontar ninguém (apesar de terem vencido a última partida e de repetirem a formação vitoriosa sobre o Oeste), resta-nos nos preocuparmos com as nossas próprias limitações.

Limitações essas que estão concentradas nas pencas de desfalques que o time tem hoje. Além dos contundidos Lucas Crispim, Diego Renan e Dakson – nem falo mais do Pedro Ken – e do Thalles, que serve à Seleção, temos ainda dois importantíssimos jogadores suspensos pelo terceiro amarelo: Martín Silva e Rodrigo. Pra piorar a situação, o STJD mais uma vez mostrou-se exemplarmente rigoroso com o Vasco e suspendeu o Gladiador por duas partidas, por conta daquele lance que originou o pênalti contra o Paraná (é, aquele em que sequer foi marcada falta). Ainda será tentado um efeito suspensivo que garanta a presença do atacante na partida, mas o melhor é não contar com isso.

Com isso, além do time vir todo mexido e ter Diego Silva no gol, voltaremos ao esquema com três volantes, com Aranda tomando o lugar do Dakson. No ataque, Edmilson substitui o Kleber (talvez mais por falta de opção que por vontade do Adilson). Na zaga, como não poderia deixar de ser, Luan entra no lugar de Rodrigo.

É um time bem diferente do que conseguiu a sequência de quatro vitórias e, infelizmente, bem parecido com a equipe que empatou diversas vezes na competição. Ainda assim, a missão do Vasco hoje é entrar em campo e impor o seu jogo, vencendo, conquistando três pontos e, se tudo der certo, assumindo a liderança para não mais deixá-la. O Vila Nova, por mais respeito que a equipe mereça, é o adversário ideal para isso.

Campeonato Brasileiro 2014

Vila Nova x Vasco 

Cléber Alves; Léo Rodrigues, Gabriel, Gustavo e Cristiano; Jeferson, Radamés, Felipe Macena, Júnior Xuxa e Paulinho; Jheimy.

Diogo Silva, Carlos Cesar, Luan, Douglas Silva e Marlon; Guiñazu, Aranda, Fabrício e Douglas; Guilherme Biteco e Edmílson.

Técnico: Márcio Azevedo.

Técnico: Adilson Batista.

Estádio: Mané Garrincha. Data: 19/08/2014. Horário: 21h50.  Árbitro:  Marcos Mateus Pereira (MS). Assistentes: Sérgio Alexandre da Silva (MS) e Eduardo Gonçalves da Cruz (MS).

O SporTV transmite para todo o Brasil (exceto GO). O Premiere transmite para seus assinantes e no sistema Pay-per-View para todo Brasil.

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Fora de campo, os problemas são óbvios. E muito mais graves.

Uma reunião feita sem a devida convocação prevista pelo Estatuto. Agressões aos conselheiros contra a proposta da criação de uma junta de interventores para comandar o clube até novembro. E, o mais bizarro, deixar na mão de dois candidatos à definição de quem comandará o Vasco até as eleições.

E tem gente que acha toda essa história grotesca normal. São as mesmas pessoas que consideram um absurdo a justiça impedir que essa insanidade continue.

Tirando o cenário nonsense, no qual a única decisão válida da atual gestão seria a formação da junta – mesmo que o fim do mandato do Dinamite devesse tirar qualquer poder do atual conselho deliberativo, que também deveria ser dissolvido – não vejo como alguém pode aceitar o conflito de interesses de entregar o comando do clube ao Eurico Miranda e Roberto Monteiro (sempre eles, unidos como sempre). Como esperar eleições isentas dessa forma? O que dá aos dois candidatos maiores direitos que aos outros concorrentes? Ou será que ambos já se consideram donos do clube, mesmo antes de serem eleitos?

Ah, mas eles estão pensando em incluir alguém da atual diretoria na junta de interventores! E o nome aventado foi o de Antônio Peralta. O mesmo que é fortemente ligado ao Eurico e que já declarou mais de uma vez não haver nada de errado com os sócios de abril de 2013.

Essa situação toda reflete o nível a que chegaram os dois candidatos parceiros para chegar ao poder no clube. E não tenham dúvidas: se eles não tem qualquer escrúpulo para maquinar as manobras mais ardilosas para ganharem as eleições, não esperem uma conduta diferente se chegarem à presidência.

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Os eleitores da dupla Eurico Miranda/Roberto Monteiro tentam desesperadamente associar o nome de Julio Brant ao da gestão Dinamite (apesar do candidato ser o único dos três que não teve qualquer cargo na atual gestão. Aliás, em gestão nenhuma). Isso me faz pensar em duas perguntas:

Como a dupla pode ter conseguido aprovar sua proposta conjunta sem o apoio dos conselheiros que formavam a base política do atual presidente?

Se eles tiveram apoio dos conselheiros ligados ao Dinamite, quem são os candidatos da situação? Eurico Monteiro e Roberto Miranda (ou o contrário, tanto faz) ou Julio Brant?

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Pelo menos Rodrigo Caetano garantiu sua permanência no clube, aconteça o que acontecer na barafunda política na qual se afunda o Vasco. Já é um bom começo para que o futebol não sofra com as eleições.

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