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O Rio é nosso!

Não é de hoje que o Estadual do Rio tem a fama de ser um campeonato mequetrefe, desorganizado, sem público e envolto em reclamações por todos os lados. E ninguém que acompanhe o futebol carioca pode negar que essas críticas são verdadeiras na maioria do tempo, muito por conta da Federação. Ainda assim, nada tira os méritos e o brilho da conquista vascaína, não apenar por nos tirar da maior fila que já ficamos para levantar a taça, mas por deixar bem claro que na hora da decisão, o Gigante fez por merecer o título no campo e nas arquibancadas.

A campanha que acabou com o longo jejum de 12 anos teve seus altos e baixos, mas nos jogos decisivos, o Vasco mostrou ser superior a todos os seus adversários. Entrando nas semifinais e nas finais precisando reverter a vantagem do empate que pertencia aos seus oponentes, o time da Colina superou essa dificuldade nas duas oportunidades com três vitórias e um empate (que poderia ter sido diferente caso a arbitragem fosse menos covarde no primeiro jogo contra a mulambada). E não apenas passamos invictos pelo Framengo e pelo Canil como indiscutivelmente fomos melhores que ambos em todos os confrontos.

O herói da final e o artilheiro do time (foto: www.vasco.com.br)

De frente pra câmera, o herói da final e o artilheiro do time (foto: http://www.vasco.com.br)

Vão falar, e é justo que digam, que ser melhor não significa que jogamos um bom futebol. E, em grande parte isso é verdade. O nível do Estadual esse ano realmente foi muito fraco e foi raríssimo vermos uma partida tecnicamente aceitável. Mas o time comandado pelo Doriva foi o que melhor conseguiu superar suas limitações e o que mostrou o futebol mais eficiente. Negar isso é ignorar os fatos: em sete clássicos, vencemos quatro, empatamos dois e perdemos apenas um (e esse, numa sequência de acidentes daquelas que só o dilúvio que caiu sobre a Arena justifica).

As finais contra o Botafogo deveriam servir para acabar com discussões e mimimis. Nos 180 minutos fomos superiores, seja tendo mais posse de bola, quando precisávamos vencer a primeira partida, seja em um jogo mais equilibrado, quando poderíamos nos dar ao luxo de empatar. O alvinegro, que também fez por merecer ser um dos finalistas, não chegou a ameaçar nosso título em momento algum ontem. Ontem era de se esperar que eles exercessem uma pressão no início da partida, mas depois que igualamos a partida, o que vimos foi um Vasco seguro dentro de campo e que não permitiu que a pressão se transformasse em lances de muito perigo.

O primeiro gol vascaíno, no finzinho do primeiro tempo veio para tornar a missão botafoguense ainda mais complicada. Tanto que na volta do intervalo eles vieram com tudo o que podiam, até que conseguiram o empate aos 30. Mas nosso adversário pouco conseguiu fazer além de dar um último suspiro de emoção para seus torcedores. Depois do empate, ficou claro que o time de General Severiano não teria forças para reverter o placar. O gol do Gilberto, já nos acréscimos da etapa final só confirmou o inevitável e trouxe um motivo extra para os vascaínos fazerem a festa na Arena, já dominada pela nossa torcida.

Foto: Staff Fotos/Twitter Maracanã

Foto: Staff Fotos/Twitter Maracanã

O título veio para fazer justiça ao Vasco, que merecia estar comemorando o bicampeonato estadual e poderia ter acabado com o jejum desde 2014. Pelo que fizemos no gramado, nas arquibancadas e pelas ruas de todo o estado, hoje o Rio de Janeiro é merecidamente nosso.

As atuações…

Martín Silva – uma atuação que resumiu sua participação no campeonato: nas poucas vezes em que foi exigido correspondeu plenamente, com boas defesas e saídas do gol.

Madson – Renê Simões fez um bom trabalho, obrigando o garoto a se preocupar mais com a marcação que com o apoio. Ainda assim, quando teve a chance de subir ao ataque, levou perigo. Numa de suas arrancadas quase marcou um belo gol, mas chutou muito mal. No lance do gol, demorou a sair da área e foi quem deu condição ao jogador alvinegro para marcar.

Luan – o único cochilo foi no lance do gol botafoguense. No resto da partida, se saiu melhor que o ataque adversário em praticamente todas as disputas de bola. Quase marcou no primeiro tempo após uma boa jogada ensaiada em cobrança de falta.

Rodrigo – soberano na área, mostrou um posicionamento perfeito e ganhou quase todas as bolas pelo alto. Assim como seu companheiro de zaga, o único deslize foi no lance do gol alvinegro, quando não evitou o passe para o atacante que estava livre para marcar.

Christiano – tentar não falar mal do pior titular da equipe é complicado. Podemos dizer que, ao completar o time, eventualmente ajuda na marcação e leva o time ao ataque, apesar de vacilar nas duas funções. Não consegue concluir qualquer jogada no apoio e ontem, foi outro a preferir olhar lance que originou o gol adversário a marcar e permitiu que Diego Jardel recebesse livre para marcar.

Guiñazú – calou a boca dos seus críticos – ou seja, 100% da imprensa esportiva – nos jogos decisivos. Marcou implacavelmente nas quatro partidas, conta-se nos dedos as faltas que marcou nos 360 minutos que esteve em campo e em momento algum confundiu firmeza com truculência. Para coroar seu belo campeonato, deu a assistência para o gol de Rafael Silva e entrou com méritos para a história do Vasco ao ser o capitão do time que encerrou o maior jejum do clube na competição.

Serginho – é daqueles volantes anacrônicos, que não conseguem fazer muito além de dar o combate. Ontem ainda deu umas vaciladas, se posicionando mal em alguns momentos e errando passes além da conta. Mas após o empate botafoguense, se superou e passou a jogar com mais atenção, sendo importante para refrear a breve empolgação adversária.

Julio dos Santos – teve uma atuação mais discreta que a do primeiro jogo da final, mas ainda assim foi decisivo ao participar do lance do gol do Rafael Silva. Cedeu lugar ao Lucas no fim do jogo, que entrou para reforçar a marcação e garantir o empate que nos daria o titulo. Mas acabou fazendo mais que isso, dando a assistência para Gilberto fechar o caixão alvinegro.

Rafael Silva – indiscutivelmente o herói das finais, com um gol em cada jogo, Rafael não merece elogios apenas por isso, mas também pela sua aplicação tática e a disposição apresentada em cada momento que esteve em campo. Saiu para a entrada de Marcinho, que mais uma vez mostrou que sua contratação foi um equívoco total e absoluto. Está muito mais para candidato à capitão da barca que deveria sair da Colina para desinchar o elenco antes do Brasileiro que para craque do time do início de temporada (o que era a intenção da diretoria).

Dagoberto – mesmo sem marcar, foi a melhor atuação de Dagol pelo Vasco. Deu o toque de experiência que o time precisava no ataque, ditando o ritmo do setor ofensivo. Levou um cartão amarelo meio inexplicável e Bernardo acabou entrando em seu lugar e não conseguiu fazer algo digno de nota.

Gilberto – demonstrou suas melhores qualidades na partida e foi decisivo por isso: no primeiro gol, mostrou o quanto é combativo e roubou a bola que iniciou o lance; o faro de artilheiro ficou provado no seu gol já nos acréscimos do segundo tempo. O artilheiro do Vasco na competição pode não ser um jogador brilhante, mas com um meio de campo mais eficiente, pode marcar gols adoidado.

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