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Vítima perfeita para a virada

Em um mundo perfeito, as últimas dez rodadas do Brasileiro para o Vasco seriam apenas com nossos rivais locais. Com isso teríamos uma verdadeira via expressa Z4-G4, e sairíamos da situação ainda complicadíssima em que estamos com um pé nas costas. O 2 a 1 pra cima do Flamengo é uma comprovação disso: em mais uma demonstração de amarelância digna dos tricoletes, os mulambos perderam mais uma para nós – a QUARTA no ano – e, ainda melhor, com virada de placar. Claro que em um ano como esse de 2015, haveria de ser a urubulândia a ser vítima da nossa primeira virada no Brasileirão.

E olha que nós chegamos a facilitar as coisas para os velas de macumba, entrando em campo com uma formação pra lá de ousada, diferente da que nos garantiu o melhor desempenho do campeonato nas últimas cinco rodadas. Mesmo com a necessidade absoluta de vencer, ninguém esperaria que o Jorginho escalaria, em um clássico, um time sem nenhum volante de combate. A ousadia não deu muito certo no começo. A cobertura às laterais não funcionou e sem o entrosamento ideal, o time não conseguiu parar o rápido time mulambo. Foi assim até eles abrirem o placar, em um lance em que uma sucessão de erros culminou com Luan observando o Sheik, sozinho, empurrar para as redes.

A desvantagem fez com que o Vasco tomasse a iniciativa, mas sem levar algum perigo efetivo ao adversário. O que vimos até o fim do primeiro tempo foi aquela troca de passes pouco produtiva no meio, lançamentos ruins em direção à área e aquelas jogadinhas com o Madson que raramente resultam em algo de útil. A melhor jogada foi numa tabelinha entre Nenê e Leandrão, que não chegou a ser finalizada porque o goleiro Paulo Vitor foi mais rápido que nosso camisa 10.

Apesar de um começo de segunda etapa parecido com a primeira – com o Framengo sendo mais efetivo e finalizando mais vezes – o Vasco voltou melhor. Com uma marcação mais ajustada, passamos a ter o controle da partida e atacar mais. E só precisamos manter essa iniciativa por alguns minutos para conseguir a virada. Antes dos gols, Leandrão desperdiçou uma chance digna do “Prêmio Deivid para Gols Inacreditavelmente Perdidos”, jogando para fora uma bola diante do goleiro batido no lance. Mas minutos depois não teve jeito: o empate veio com uma cobrança de falta bem batida por Rodrigo (que não deu um daqueles bicões sem direção, preferindo um chute colocado) e a viramos com Nenê, marcando seu terceiro gol de pênalti com a armadura cruzmaltina.

Com a vantagem, o Vasco inverteu os papeis no jogo e passou a esperar a mulambada atacar. Mesmo cedendo espaços demais – o que pode ser justificado pelo cansaço do time, com uma idade média bem maior que a do adversário e que lutou muito para reverter o placar – e sofrendo com os rubro-negros rondando constantemente nossa área, não chegamos a correr riscos reais. Nos minutos finais, Jorginho desmontou seu esquema ofensivo, encheu o time de volantes e conseguiu segurar o resultado.

Completar cinco jogos invictos, fazendo a primeira virada justo em cima do nosso maior rival foi importantíssimo, tanto para a moral do time quanto para nossa classificação. Como tivemos uma rodada de sonhos (todos os nossos adversários na briga contra o descenso perderam, exceto o Joinville, que conseguiu um empate), chegamos aos 10 jogos finais da competição a cinco pontos de sairmos do Z4. Mas a empolgação pela vitória no clássico não pode nos desviar do foco principal: nossa situação melhorou sensivelmente, mas ainda é extremamente complicada. As duas próximas rodadas, contra Avaí e Chapecoense, são importantíssimas e não podemos vacilar. E como infelizmente nenhum dos dois é o Framengo, não teremos a facilidade para vencer como temos contra a mulambada.

As atuações

Martin Silva – não chegou a ter muito trabalho no jogo. No lance do gol não poderia fazer muita coisa.

Madson – no gol mulambo, deu muito espaço ao Jorge para fazer o cruzamento, mas lhe faltou cobertura no lance. No apoio, o de sempre: aparece bem no ataque, mas não consegue concluir as jogadas.

Luan – por mais que tenha uma atuação segura ao longo dos jogos, suas desligadas têm comprometido seriamente suas partidas. Ontem, mais uma vez, apenas observou um atacante adversário concluir com sucesso para o nosso gol.

Rodrigo – começou vacilando no gol mulambo, não marcando ninguém no lance. Mas é inegável que cresce nos clássicos e ontem não foi diferente. Marcando o Guerrero de perto, o atacante só conseguiu ser útil numa jogada (justo a do gol mulambo), e de resto foi completamente anulado pelo zagueiro, que ainda marcou o gol de empate com uma rara cobrança de falta bem feita.

Julio Cesar – marcava o Guerrero no lance do gol e não teve impulsão – nem altura – para impedir que ele tocasse para o Sheik. Quando o time ajustou a cobertura às laterais, melhorou.

Bruno Gallo – atuando com personalidade, apagou a péssima atuação contra o São Paulo se desdobrando como principal homem de marcação pelo meio.

Julio dos Santos – no primeiro tempo não conseguiu fazer a cobertura ao Madson, o que foi corrigido na etapa final. Mas não deixa de ser irritante ver a quantidade de bolas perdidas e erros de passe. No fim do jogo foi substituído pelo Guiñazu, que mal teve tempo para tocar na bola.

Andrezinho – demorou a se adaptar às funções defensivas que deveria ter no jogo. Cresceu com o time após sofrermos o gol, e foi o mais lúcido na criação de jogadas.

Nenê – vinha tendo uma atuação discreta, mais uma vez não conseguindo ser a referência criativa do time como deveria. Compensou batendo mais um pênalti com categoria e garantindo a vitória. Cansado e com o time já na intenção de segurar o resultado, cedeu lugar ao Lucas, que ajudou a fechar os espaços pelo meio e ainda arriscou algumas subidas pela esquerda.

Jorge Henrique – outro que cresce em clássicos, correu como um maluco o jogo todo e se superou quando viramos o placar, as vezes até exagerando na vontade ao dar o combate. Saiu nos minutos finais para a entrara de Rafael Vaz, que assim como o Guiña, nem encostou na bola.

Leandrão – foi bem marcado pela zaga mulamba, mas conseguiu fazer algumas boas jogadas como pivô. No segundo tempo perdeu um gol inaceitável para qualquer atacante que se diga profissional. Terminou a partida ajudando o time a segurar o resultado.

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