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A luta é pela vaga

Cada vez mais difícil escrever sobre as partidas do Vasco. Esse é o motivo pelo qual os posts têm demorado a sair por aqui. Difícil não protelar uma tarefa repetitiva e irritante como tentar analisar os mesmos erros de sempre. Ou será que a culpa é minha? Será que alguém conseguiu ver algo no empate com a Ponte Preta que seja diferente do que vem acontecendo há séculos com o time?

Talvez a escalação do Joel possa ser considerada uma diferença, já que o notório retranqueiro optou por uma armação mais ofensiva e até moderninha, com dois volantes apenas (e um deles NÃO era o Fabrício) e três meias, com dois jogando mais pelas pontas e apenas um atacante centralizado. Com essa formação, Natalino pode colocar não apenas o Maxi Rodriguez como titular, mas também o Crispim e o Dakson. Dessa vez, gente pra armar jogadas não ia faltar.

Mas faltou. Vale lembrar que dos três meias em campo, apenas Maxi poderia cumprir a função do suspenso Douglas. Tanto Dakson como Crispim são meias-atacantes, sem as características necessárias para armar jogadas ou dar aquele passe que deixa os companheiros na cara do gol. A questão é que Maxi não jogou nada e Dakson errou quase tudo o que tentou. Crispim foi o que se saiu melhor, mas não o bastante para fazer com que o Vasco fizesse diferente do que tem feito por todo o campeonato: ter posse de bola, não saber o que fazer com ela, perder gols feitos quando conseguimos criar alguma coisa e sofrer com contra-ataques.

O começo do segundo tempo nos deu esperança apenas para nos tirar minutos depois. Fizemos um gol logo aos dois minutos, na única cochilada que a defesa da Macaca cometeu. Mas devolvemos o favor quatro minutos depois, vacilando na marcação e permitindo o empate. E o tempo passou, sem que o time mostrasse capacidade criativa para fazer outro gol, não fazendo qualquer diferença as alterações que Joel tivesse tentado. A Ponte, com méritos, foi o único dos líderes a não perder para o Vasco em São Januário. Isso porque sabia exatamente como parar o time: jogou fechadinha, esperando os contragolpes. Bastou não nos deixar jogar, como fez o Ceará e o Joinville.

O fato é que agora, faltando apenas seis jogos e com seis pontos de diferença para o líder, o que deve interessar ao Vasco é conseguir logo sua classificação para a Série A. O título, que deveria ser uma obrigação para o único dos grandes na competição, foi perdido não apenas no sábado, mas ao longo de todo o campeonato, com as apresentações ridículas que tivemos e com os absurdos 13 empates que deixamos acontecer. O que deixa claro algo que muitos já perceberam há tempos: vamos subir sim, mas muito por conta da incapacidade dos nossos concorrentes. Se Avaí e Ceará não estivessem brigando pra ver quem permanece na segundona ano que vem, estaríamos com muito mais problemas do que temos hoje.

As atuações….

Martin Silva – praticamente não trabalhou e não teve responsabilidade no gol sofrido.

Diego Renan – no primeiro tempo não comprometeu defensivamente, mas não foi visto no apoio. No segundo, a jogada do gol de empate da Ponte saiu pelo seu lado. Depois disso, até foi visto mais vezes no ataque, mas não conseguiu acertar um cruzamento sequer.

Rodrigo – não teve muito trabalho com o ataque da Ponte, mas teve sua atuação comprometida por dar um carrinho precipitado no lance do gol deles.

Douglas Silva – vinha jogado com seriedade e ganhando a maioria dos lances contra os atacantes adversários. Quando poderia ter marcado o segundo gol, numa bola alçada à área da Ponte, acabou se machucando e cedeu lugar ao Luan, que manteve o nível da atuação da zaga.

Lorran – Joel apostou no momento errado: depois de duas derrotas e precisando vencer o líder diante da torcida, estava claro que a partida teria pressão demais para alguém tão novo. O resultado? Procurando mostrar serviço, acabou cometendo muitas faltas e só não foi expulso por conta da quebrada de galho do juiz. Com isso, Natalino se viu obrigado a queimar uma substituição ainda no primeiro tempo, colocando Marlon no lugar do garoto. Esse, fez o que faz quase sempre: tenta apoiar, mas não consegue dar prosseguimento às jogadas.

Guiñazu – não dá pra falar mal do único jogador que parece estar atento e que mostra disposição para cumprir sua função por todos os 90 minutos. Mesmo que para isso tenha que fazer uma penca de faltas e passar boa parte do jogo dando carrinhos.

Aranda – uma daquelas atuações que não enchem os olhos da torcida, mas foi por conta do paraguaio que o Renato Cajá fez muito pouco pela Ponte. Marcou bem o meia adversário e cumpriu importante função tática.

Dakson – tentou muito, não acertou nada. Foi quem mais finalizou, mas nenhuma levou perigo; arriscou várias bolas enfiadas para os companheiros, mas errou todos os passes. Só valeu pela sua participação na jogada do gol vascaíno.

Maxi Rodríguez – uma participação que poderia ser uma explicação do porque Joel não lhe dá mais chances como titular. Não conseguiu ser o articulador que o time precisava e abusou das jogadas individuais, volta e meia tentando passar por dois, as vezes três marcadores. Finalizou uma vez com perigo.

Lucas Crispim – o melhor jogador de frente do time, não apenas por ter marcado o gol, mas também por sua movimentação. Em alguns momentos também pecou pelo individualismo, mas se saiu melhor que o Maxi nessas horas. Pediu para sair e deu lugar ao Montoya, que entrou quando o Vasco já estava no tudo ou nada e não conseguiu se sobressair no meio da bagunça que imperava no time.

Kléber – justificou sua presença em campo ao dar o passe para Crispim abrir o placar. Fora isso, correria e disposição, mas pouca efetividade. Perdeu o gol mais feito do Vasco, ainda no primeiro tempo, cabeceando uma bola relativamente fácil para fora.

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Lobotomia

Segundo Joel Santana, a partida contra a Portuguesa ontem “Foi uma vitória que não deixou dúvida. Fomos superiores o tempo todo do jogo“. Para quem viu o que aconteceu ontem no Canindé, uma declaração dessas só pode significar que, além da vesícula, os médicos que o operaram retiraram também alguns pedaços do cérebro do Natalino.

A operação não foi responsável pela perda de visão do nosso treinador. Pelo contrário, para enxergar uma superioridade completa do Vasco no jogo é preciso ter uma visão além do alcance, no estilo olho de Thudera. Talvez o caso do Joel seja de alucinações intermitentes, que aparecem principalmente nos 45 minutos finais.

Esse diagnóstico ganha força se lembrarmos que, se o Vasco teve algum domínio em todo o jogo, ele só aconteceu no primeiro tempo. Ainda que não tivéssemos criado muitas chances de gol, o time controlou a partida, não sofreu riscos e teve a posse de bola na maior parte do tempo. Ainda que meio capenga, avançando apenas pela esquerda, chegamos ao gol quase no fim da etapa inicial, após algo totalmente inesperado acontecer: Marlon acertar um belo cruzamento e Douglas aparecer para cabecear e balançar a rede em um lance de bola rolando.

Mas no segundo, longe de termos sido superiores, simplesmente deixamos de jogar e chegamos ao ponto de tomar calor da fraquíssima equipe verde-rubra. A Lusa tomou a iniciativa desde o princípio e o que era maior posse de bola se tornou pressão na prática quando nosso meio de campo velhusco cansou de vez. Joel, no meio dos seus delírios de superioridade, demorou a ver que Fabrício e Douglas se arrastavam em campo. Com isso, não conseguíamos marcar, nem criar. E tome a Portuguesa, aos trancos e barrancos, chegando à nossa área. Nem a primeira alteração do Joel, Maxi no lugar de Crispim, mudou o panorama deprimente do jogo.

As alucinações do técnico vascaíno só pareceram terminar nos cinco minutos finais, quando Joel finalmente substituiu os rastejantes Fabrício e Douglas para as entradas de Dakson e Jhon Clay. Mas aí, não haveria muito mais coisa a se fazer. A Lusa, já combalida e prostrada, não tinha forças para reagir e o Vasco, satisfeitíssimo com os três pontos, não tinha vontade para nada além de dar bicões para afastar a bola do nosso campo.

Não vou bancar o chato e ficar apenas reclamando, já que a vitória e os resultados da rodada – tirando a vitória ganha de presente da Macaca – foram bons para o Vasco e na maciota vamos chegando ao topo da tabela. E, na realidade, a torcida já sofreu muito nessa série B pra se preocupar com exibições de gala. Vencer já está mais que de bom tamanho. Sendo fora de casa, melhor ainda.

Mas, na boa…jogar mal, até vai. Já dizer que o time foi bem, mesmo quando foi muito mal, não rola. A torcida ainda não foi lobotomizada para aceitar qualquer insanidade que nos falem.

As atuações…

Jordi – tirando algumas saídas estabanadas – e uma defesa meio no susto à la Diogo Silva – mostrou segurança e alguma sorte.

Diego Renan – pavoroso: nem apoiou, nem deu a segurança necessária na defesa. Ontem parecia mirar nos adversários antes de dar um passe.

Rodrigo – procurou orientar a defesa, passando segurança ao time no primeiro tempo; no segundo, quando tomamos calor da Lusa, fez o que devia ser feito e virou zagueiro-zagueiro. Cobrou uma falta com relativo perigo.

Douglas Silva – no nível do companheiro de zaga, mas perdeu alguns lances de velocidade que poderiam nos dar problemas. Marcou um golaço, infelizmente em posição irregular, no primeiro tempo e quase fez outro de cabeça no segundo.

Marlon – apoiou bastante, sendo boa opção ofensiva no primeiro tempo. Seria mais útil se conseguisse acertar mais passes, tanto que seu único cruzamento certo resultou no gol da vitória. Podia depender menos da cobertura dos volantes para proteger sua lateral.

Guiñazu – ontem foi um Guiña “de raiz“: ateve-se ao combate e distribuiu mais carrinhos que candidato a deputado em dia das crianças.

Fabrício – talvez uma das piores atuações individuais de um jogador vascaíno no ano. Não acertou nada que tentou. Até ao ser substituído deu uma vacilada ironizando as mais que justas vaias da torcida. Dakson entrou em seu lugar e apenas ocupou os espaços no meio de campo.

Pedro Ken – boa movimentação e alguma habilidade em alguns lances, apesar de não ter conseguido efetividade na criação. Faltou atenção à cobertura ao Marlon em alguns lances.

Douglas – vinha tendo uma atuação discreta e com mais passes errados do que se espera de um camisa 10, até garantir a vitória com um gol que mostrou precisão no arremate e bom posicionamento. No segundo tempo cadenciou demais o jogo quando precisávamos de velocidade. Saiu no final para a entrada de Jhon Cley, que só teve tempo de isolar a bola numa finalização equivocadíssima.

Lucas Crispim – procurou levar maior movimentação ao ataque e acabou sendo o jogador mais agudo do time. Se errasse menos passes teria sido mais efetivo. Maxi Rodriguez, entrou em seu lugar e dessa vez não conseguiu fazer nada de útil.

Kleber – seu estilo brigador errou o alvo e o atacante se digladiou principalmente com a bola. Quando não errava os passes, as jogadas morriam com a bola batendo nele e indo para os marcadores. Finalizou apenas uma vez, em chute fraco de fora da área no segundo tempo.

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Qual é o problema com o Maxi?

Até os 48 mintuos do segundo tempo do empate entre Vasco e Bragantino, eu sabia exatamente o que escreveria no post de hoje: faria uma brincadeira com a Umbro, perguntando se as novas camisas eram confeccionadas com ferro. Isso explicaria o peso da nossa armadura, que fez com que os jogadores que a vestem esquecessem das suas – nem tão grandes – qualidades e de tudo o que é treinado e conversado com o técnico.

Claro que isso não explicaria as diversas atuações abaixo da crítica que tivemos nessa Série B, o que nos levaria à conclusão de que não é a vestimenta que atrapalha nosso elenco, e sim a responsabilidade de atuar em um clube como o Vasco. Podem ter certeza de que se fossem em clubes menores, Marlons, Douglas Silvas, Diegos Renans e outros ainda menos cotados estariam todos jogando bem e sendo pretendidos pelas grandes equipes do país. Para, assim que fossem contratados, voltarem a amarelar e jogar mal.

Essa amarelância explicaria a irregularidade dos sujeitos que atualmente usam a cruz de malta no peito. Depois de uma boa partida contra o Joinville, a maioria voltou a jogar mal contra o Bragantino, errando passes em demasia e se deixando anular pela marcação do Bragantino. A vacilada da defesa no primeiro gol adversário numa bola área – lance que nem tem nos dado tanto problema ultimamente – facilitou as coisas para o time paulista, que se fechou ainda mais enquanto esperava uma chance no contra-ataque. O que demorou um pouco, mas acabou acontecendo no segundo tempo, com o Braga abrindo 2 a 0 e praticamente garantindo a vitória.

Mas foi justamente o segundo gol sofrido pelo Vasco que motivou a mudança no jogo. Quando Douglas se contundiu ainda no primeiro tempo, Montya entrou no time; No intervalo, quem entrou no lugar do Dakson foi Lucas Crispim; Foi preciso que o Bragantino abrisse dois gols de diferença para Marcelo Salles (provavelmente por ordem do Joel, que estava na sala da presidência assistindo o jogo) colocar Maxi Rodriguez em campo. E depois de um começo onde pecou pelo individualismo, o uruguaio acabou sendo responsável direto pelo empate vascaíno no apagar das luzes. Vieram dos seus pés, já nos acréscimos, os passes que resultaram nos gols que evitaram mais um vexame completo em São Januário.

O inexplicável não aproveitamento do Maxi entre os titulares é o que me fez mudar o tema dessa resenha. Nas poucas vezes em que foi titular, Maxi sempre foi substituido, algumas vezes sendo o melhor em campo. Quando está no banco, raramente é a primeira opção numa substituição. O uruguaio é, no mínimo, tão lutador quanto qualquer um dos nosso jogadores ofensivos. E nos seus melhores dias, sempre faz a diferença positivamente, exatamente como ontem. Ainda assim é preterido pelo Joel.

Depois dessa partida, ficou claro que Maxi Rodriguez tem algum problema. Agora a torcida precisa saber se o problema é DO jogador ou COM O jogador. E quem precisa explicar os motivos pelos quais Daksons, Crispins e até Jhon Clays da vida tenham mais chances que o uruguaio é o Natalino.

As atuações…

Martin Silva – pode parecer uma opinião meio rigorosa da minha parte, mas achei que Martin poderia estar melhor colocado no lance do primeiro gol. No segundo, o goleiro não podia fazer nada. No mais, não teve muito trabalho.

Diego Renan – depois da boa partida na última rodada, voltou a dar muitos espaços na sua lateral (vaciloi no lance do segundo gol, que saiu pela direita) e não conseguiui ser efetivo no apoio.

Rodrigo – não era ele quem estava marcando o atacante que marcou o primeiro gol e no segundo não pode fazer muita coisa. Quando pôde trabalhar, foi bem.

Douglas Silva – permitiu a antecipação do atacante que marcou o segundo gol, mas compensou marcando o gol de empate aos 48 do segundo tempo.

Marlon – até tentou apoiar, mas acertando dois cruzamentos na partida anterior, era óbvio que nessa não acertaria nenhum. Defensivamente também deixou muitos espaços pela esquerda.

Guiñazu – o melhor do time, chegou a ser em alguns momentos o jogador a iniciar as jogadas de ataque. Nos acertos de passe, fez inveja a todos os armadores que passaram pelo time ontem.

Pedro Ken – procurou se movimentar muito, dando opções para receber passes. Mesmo não deixando de lado o combate, ajudou na criação de jogadas.

Dakson – vagalumeou, como sempre: se foi bem na partida passada, nessa foi uma nulidade. Saiu no intervalo para a entrada do Lucas Crispim, que deu outra dinâmica ao meio de campo, ajudando o Vasco a pressionar durante todo o segundo tempo. Acreditou até o fim, tanto que marcou seu gol aos 46 do segundo tempo.

Douglas – se machucou ainda no primeiro tempo e foi substituído. Mas pelo que chegou a fazer em campo, se não entrasse ninguém em seu lugar talvez não fizesse diferença. Montoya o substituiu e pouco conseguiu fazer além de correr. Mas como são raras as chances que o colombiano tem para jogar, sempre terá a falta de ritmo como desculpa para as jogadas que não consegue concluir. No lance do segundo gol tomou uma caneta desmoralizante.

Thalles – tentou ajudar o time, alternando jogadas pelos lados do campo e penetrações pelo meio. Mas sua atuação só ficou marcada pela subida fora de tempo que permitiu o cabeceio do adversário que marcou o primeiro gol do Bragantino.

Edmilson – foi completamente anulado pela marcação adversária, não mostrando mobilidade para ser útil no ataque. Demorou a ser substituído por Maxi Rodriguez, que demorou para engrenar na partida, mas quando o fez, foi decisivo: colocou Crispim na cara do gol para marcar o primeiro e acertou o lançamento para Douglas Silva empatar a partida. Não há nada que justifique as poucas chances que tem no time.

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Por que não é sempre assim?

O que mais impressionou na vitória do Vasco sobre o – até o momento – líder Joinville foi a facilidade com que conquistamos o resultado. Ainda que Joel tenha colocado em campo uma equipe mais ofensiva do que lhe é costumeiro e que nosso adversário tenha tido lá os seus desfalques, poucos esperavam uma partida tão tranquila quanto a que vimos ontem na Colina.

Se não foi um jogo em ritmo de treino foi quase isso, dada a superioridade vascaína durante os 90 minutos. E quando falo em ritmo de treino, não falo como uma vantagem: em alguns momentos, parecia evidente que o se o Vasco pressionasse um pouco mais, poderia ter feito um placar mais amplo. Ou se prestasse mais atenção, teria ainda menos problemas com o ataque catarinense do que teve.

Pelo que vi, a partida de ontem entra na lista da melhores apresentações do Vasco nesse Brasileiro, e não por acaso, guarda semelhanças com os outros dois bons jogos que me vem a mente: como nas vitórias sobre Ceará e Náutico, jogamos em casa, contra adversários da parte de cima da tabela, que não se preocupavam unicamente em se defender, entramos em campo com armações mais ofensivas e em todas poderíamos ter vencido com placares mais dilatados.

Os pontos em comum que nossas melhores partidas têm reforçam a minha tese de que, por maiores que sejam os problemas do Vasco, não voltar à elite é quase uma impossibilidade. Se não for pelo que apresentamos em campo, será pelo que nossos concorrentes diretos ao acesso deixam de apresentar. A facilidade com que passamos pelos times que realmente vão brigar por uma vaga na Série A mostra o quão baixo é o nível da competição.

Se isso pode servir para tranquilizar um pouco a torcida, também é uma ótima justificativa para a irritação dos vascaínos. Estar em quarto lugar na competição – posição em que fatalmente ficaremos ao final da rodada – e nunca ter chegado à liderança de uma competição como essa, com o elenco que temos, é motivo de sobra para todo protesto que resolvamos fazer. Vencemos ontem, mas essa vitória só será importante mesmo se for o início de uma arrancada definitiva rumo não apenas à vaga na elite, mas à liderança e ao título. Com o elenco que temos e os salários que – eventualmente – são pagos aos jogadores, esse deve ser um compromisso do Vasco com seus torcedores.

 As atuações….

Martin Silva – pelo que teve de trabalho ontem, poderia utilizar suas luvas como um prato de comida após o jogo. Não precisou fazer nada além de repor a bola em jogo.

Diego Renan – sua melhor atuação desde a volta de contusão, quando passou a atuar pela lateral direita. Foi bem tanto no apoio – deu o passe para Dakson marcar o primeiro e quase marcou outro de cabeça – quanto na marcação.

Rodrigo – não tomou conhecimento dos atacantes catarinenses, se dando bem em todos os lances. Nas cobranças de falta, precisa rapidamente rever sua relação com a direção do gol.

Douglas Silva – outro que não teve problemas, indo muito bem nas bolas altas e nas antecipações de jogadas.

Marlon – errou alguns passes, mas nem dá pra falar mal dele em um jogo no qual acertou dois (!!!!!) cruzamentos na medida: o primeiro acabou no fundo das redes em cabeçada de Thalles; outro quase virou nosso terceiro gol, mas Diego Renan cabeceou pra fora.

Guiñazu – nem precisou de um volante mais fixo ao seu lado para proteger a zaga. O Joinville foi tão inofensivo que nem muitas faltas o gringo precisou fazer.

Pedro Ken – mesmo com uma função que não chama tanta a atenção do torcedor, foi muito bem. Deu boa cobertura ao Marlon, fechou bem os espaços pelo meio, teve boa movimentação e ajudou a iniciar algumas jogadas.

Dakson – sua entrada no time pode ser um sinal de que o Natalino não é mesmo muito fã do Maxi Rodriguez. Por sorte o filho de Dak foi bem, mostrando boa movimentação e sempre dando opções para jogadas. Chegando de traz para finalizar, marcou o primeiro gol, mas precisa calibrar a força dos chutes, que andam fracos demais há algum tempo. Saiu com o jogo já resolvido, para a entrada de Jhon Cley, nos minutos finais. E pelo pouco que apresentou, Joel deve estar mesmo preparando o garoto para ter mais funções defensivas (o que definitivamente não é ruim).

Douglas – sumido no primeiro tempo, parecia desligado e errou alguns passes aparentemente com displicência. Melhorou no segundo tempo, organizando melhor as jogadas do time. Iniciou a jogada do segundo gol dando um belo passe para Marlon. Saiu no fim para entrada do Lucas Crispim, que não deve ter sequer suado a camisa.

Thalles – mais uma vez foi decisivo: no primeiro gol, iniciou a jogada mostrando habilidade e força para sair de dois marcadores e visão para dar um passe preciso para Diego Renan; e ainda marcou o segundo mostrando um excelente posicionamento na área. Saiu nos minutos finais para a volta de Montoya ao time depois de contusão. O colombiano não chegou a encostar na bola.

Kléber – luta, corre, briga com os marcadores e com a bola, mas efetividade que é bom, nada.

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Desequilíbrio e vitória

O Vasco venceu, se manteve no G4, mas penou para passar pelo Náutico com um 2 a 1 bastante suado. Apesar disso, foi talvez a melhor apresentação do time na competição e certamente o melhor jogo sob o comando do Natalino. O grande problema da equipe foi o desequilíbrio apresentado ao longo do jogo: merecíamos ter goleado o Timbu, mas corremos riscos demais, que poderiam inclusive ter resultado numa derrota.

Ofensivamente, o time mostrou uma melhora significativa, com muito mais jogadas criadas e finalizações (mais de 25 arremates durante o jogo), mas com mesma imprecisão de sempre. Como no primeiro turno, o destaque do time pernambucano foi o goleiro Julio Cesar, que mais uma vez teve muito trabalho e salvou o alvirrubro diversas vezes.

Isso foi um óbvio reflexo da armação mais ofensiva escalada pelo Joel, que fez o que parecia ser o correto: trocou um volante por mais um atacante e manteve Maxi Rodriguez no time. Mas a pressão que exercemos durante quase toda partida também deixou mais espaços e os contra-ataques do Náutico, ainda que poucos, foram quase sempre perigosos, evidenciando o lado ruim da mexida no time.

O Vasco martelava o Timbu, mas nada do gol sair. Passamos o primeiro tempo em branco e no segundo tempo o Náutico, mesmo pressionado, continuava perigoso. E entrada do Edmilson no lugar do Maxi nos deixou com um jogador a menos no meio de campo, facilitando os contragolpes do adversário. E faltando 25 minutos para acabar a partida, o Náutico conseguiu o que queria. Abriu o placar depois de um contra-ataque que terminou com Martin Silva cometendo um penal.

Aí, mais uma vez, Natalino fez uma substituição à la Joel Santana: deixou o time com apenas um volante, jogando o time de vez para frente, a despeito dos riscos maiores que correríamos. Com a entrada do Dakson no lugar do Fabrício, o Vasco ficou mais exposto e o treinador do Náutico, vendo a situação, também colocou seu time mais à frente.

Mas a estrela do veterano treinador acabou aparecendo. Após boa jogada de Thalles, Dakson marcou o gol de empate aos 31, diminuindo a impressão de mais um vexame em casa. Mas sem outras alterações a fazer, continuávamos correndo riscos, no que parecia ser o melhor momento do Náutico na partida. Enquanto nosso adversário conseguia se segurar, aproveitava o desespero vascaíno para criar suas chances.

E quando todos pareciam satisfeitos com o empate, Thalles mais uma vez iniciou uma jogada que terminou em gol, dessa vez de Kleber, aproveitando a furada da zaga do Náutico. A virada devolveu a justiça ao placar, naquela que deve ter sido a partida na qual o Vasco mais merecia a vitória.

Os três pontos evitou que saíssemos da quarta colocação e nos manteve na cola do líder. Mas o melhor foi ver um time que se impôs diante do adversário, fazendo o que deve sempre fazer jogando em casa. Esse aspecto deve ser mantido diante de qualquer oponente, dentro ou fora da Colina. Agora, ironicamente para um time comandado pelo Joel, é preciso acertar o sistema defensivo da equipe. O desequilíbrio entre o ataque e a defesa ontem foi gritante. E enquanto o técnico não resolver essa questão, continuaremos a ver o Vasco correr riscos mesmo quando domina amplamente as partidas.

***

As atuações…

Martín Silva – o único senão da sua bela atuação – na qual fez pelo menos três grandes defesas – foi o pênalti cometido. Mas ainda que o Vasco perdesse a partida, seria difícil responsabilizá-lo com o ataque perdendo tantos gols.

Diego Renan – ainda está longe dos seus melhores momentos pelo Vasco, mas ao poucos vem subindo de produção jogando pela direita. Mas dada a pressão que o Vasco exerceu ao longo da partida, poderia ter sido mais presente no apoio.

Rodrigo – foi bem em grande parte do jogo, atuando com segurança. Na segunda metade do segundo tempo cansou e teve problemas com o ataque alvirrubro.

Douglas Silva – quase marcou de cabeça e não teve maiores problemas no primeiro tempo. Quando o Náutico tentou atacar mais no segundo tempo, se enrolou em alguns lances.

Lorran – apoiou constantemente, mas precisa caprichar nos cruzamentos e ter mais atenção à marcação. Saiu contundido para a entrada de Marlon, que mesmo entrando descansado, não conseguiu fazer da sua lateral uma boa opção para o ataque.

Guiñazu – a vontade de sempre, mas não conseguiu conter os contragolpes do Náutico, principalmente quando ficou como último volante em campo. Quase marcou o gol da sua vida, fazendo fila com a zaga adversária, mas chutou para fora.

Fabrício – mesmo tendo dois meias ofensivos no time, não deixou de tentar ajudar na criação, fazendo bem a distribuição das jogadas. Foi sacado quando o time já perdia por 1 a 0 e Joel se desesperou. Dakson entrou em seu lugar não demorou muito para mostrar resultado, empatando a partida após jogada de Thalles.

Douglas – fez boas jogadas e não ficou de migué como em outras partidas. Se não fosse pela boa atuação do goleiro Julio Cesar, poderia ter deixado o dele em cobrança de falta no primeiro tempo. Cansou no segundo tempo e poderia ter sido substituído no lugar do Maxi.

Maxi Rodríguez – no primeiro tempo foi o mais participativo do Vasco, criando jogadas, se movimentando e até ajudando na marcação. No segundo tempo, exagerou nas jogadas individuais e acabou com a paciência de Joel, que o substituiu por Edmilson, que não conseguiu finalizar muitas vezes, mas deu novo gás ao ataque e com sua movimentação mais opções de jogadas pelos lados do campo.

Kleber – fez valer seu apelido jogando com uma disposição impressionante. Como um Gladiador, lutou do começo ao fim do jogo, arriscando jogadas e finalizando diversas vezes, tendo sua raça recompensada com o gol da virada no final do jogo.

Thalles – dessa vez foi decisivo, sendo o responsável pela criação das jogadas que nos renderam os dois gols.

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Informação demais

Sabe aquelas situações em que um amigo seu começa a contar com riqueza de detalhes como o banheiro o aliviou de um almoço que o fez passar mal? Ou então, quando seus pais entram numa de fazer reminiscências da juventude, contando o que aprontaram ou deixaram de aprontar (e são coisas que te deixam completamente constrangido e que nem você, nos dias permissivos de hoje, teria coragem de fazer)? É nessas horas que falamos, ou pelo menos pensamos, que a conversa está com informação demais e podia ter terminado há muito tempo. Em 100% dos casos de “muita informação”, os assuntos são desagradáveis, degradantes ou desnecessários. Quando não tudo isso junto.

O empate entre Vasco e Oeste foi exatamente uma dessas situações. Teve tanta informação em apenas 90 minutos, e a maioria foi tão desagradável, que é até difícil falar sobre a partida.

Tentando resumir para não irritar quem não viu a partida e não enervar quem acompanhou a transmissão, foi mais ou menos isso:

Antes do apito inicial

Ia ter a execução do Hino Nacional. Mas não teve.

Primeiro tempo

  • O Oeste jogando melhor e com mais posse de bola.
  • O Vasco, mesmo com três volantes, não conseguia se encontrar na marcação e o adversário colocava nosso time na roda.
  • O Oeste antecipava TODOS os lances e o Vasco via o adversário jogar.
  • Sofremos um gol que não foi gol: uma bola que estourou no travessão, bateu na linha e o bandeirinha confirma o que não aconteceu.
  • Na comemoração, a torcida do Vasco acerta uma lata de cerveja no jogador do Oeste que marcou o gol.
  • A cerveja era Itaipava.
  • Douglas, senão o pior em campo, certamente o mais irritante disparado, recebe um bolão na cara do goleiro e desperdiça canhestramente o lance por não conseguir matar a bola.
  • A etapa inicial só não terminou 2 a 0 porque Martín Silva fez um milagre.

Segundo tempo

  • Joel mexe no time. Misteriosamente Douglas permanece em campo.
  • Dakson entra no jogo. Aparentemente para chutar ao gol qualquer bola que pare no seu pé
  • Em determinado momento da partida, o Vasco contabilizava 26 passes errados. O Oeste, cinco. E eram eles que tinham maior posse de bola.
  • Joel dá uma de Joel e faz uma daquelas alterações loucas: tira o Fabrício e coloca Thalles no jogo. O time fica com três atacantes e um volante. E olha que nem era final da Mercosul.
  • A torcida ajuda jogando outro objeto em campo.
  • A organização do time era tanta que em um lance, Luan avançou pela esquerda como um lateral e tocou para o meio. Quem recebeu a bola foi o Lorran.
  • Thalles cai na área e o juizão marca o penal meio Mandrake. Compensação?
  • Douglas, o pior em campo, o que perdeu as duas últimas cobranças de pênalti vai bater e, surpresa!, empata a partida.
  • Bastou o time empatar para voltar a perder a bola de forma infantil no meio de campo, permitindo que o Oeste antecipasse as jogadas e ficasse com todas as sobras.
  • Poderíamos até ter virado a partida, e ainda fazendo de um dos vilões do time seu herói inconteste. Mas o bandeirinha que enxergou um gol inexistente não viu que Douglas tinha condição e invalida o que seria um lance claro de gol para o Vasco.
  • Finalizando, o juizão terminou a partida antes do tempo que daria de acréscimo. E com o Vasco com a bola no ataque.

***

Depois do fim do jogo, para coroar a bizarrice toda, Joel solta duas pérolas na coletiva.

Perguntado sobre o que achou do primeiro tempo, nosso treinador respondeu: “estava chegando pouca gente dentro da área“. SERÁ QUE ELE NÃO PENSOU QUE FOSSE TALVEZ, APENAS TALVEZ, PORQUE O TIME SÓ TIVESSE UM ATACANTE E TRÊS VOLANTES?????

E no fim ainda mandou um hilário (porém muito, MUITO preocupante) “Eu acho que o Vasco fez uma boa partida”.

Somando tudo isso, é ou não é muita informação para apenas 90 minutos?

***

As atuações…

Martin Silva – não teve que suar muito a camisa, mas quando precisou mostrar serviço, salvou o time com mais um dos seus milagres. No gol, mesmo que a bola tivesse entrado, não poderia fazer nada.

Diego Renan – no primeiro tempo confirmou a má fase pela direita, mal sendo notado em campo (ou seja, nem subiu ao ataque, nem protegeu sua lateral); no segundo, apareceu mais no apoio, mas errou praticamente tudo o que tentou.

Rodrigo – teve alguns problemas com as triangulações do ataque do Oeste, principalmente no primeiro tempo, quando os volantes não marcavam decentemente. No segundo, teve menos trabalho, já que o Vasco passou a pressionar.

Luan – lento em alguns lances, também se enrolou no primeiro tempo. No segundo, partiu pro desespero e foi visto mais perto da área adversária que da nossa. Estava tropeçando na própria língua no fim do jogo, o que para um garoto tão jovem é preocupante.

Lorran – com um time que não ajuda, adversários que não dão espaço e a torcida pressionando, o garoto escolheu o pior momento para estrear no profissional. E se Lorran continuar cheio de boas intenções, mas não conseguindo executar as jogadas, em breve terá o filme queimado definitivamente. Pelo menos não amarelou, não fugindo do jogo em momento algum.

Aranda – um verdadeiro “Gasparziño, lo fantasmita paraguayo“. Não foi visto em campo, seja defendendo, seja ajudando na criação, em nenhum dos 45 minutos em que esteve em campo. Saiu no intervalo para a entrada do Dakson, que apesar de ter ajudado o Vasco a ter maior domínio de bola no campo do Oeste, resolveu ser tal e qual um “Boneco Chuta Tudo da Estrela“, entrou em campo achando que resolveria a partida com um arremate longínquo. Pena que todas as suas tentativas foram horrendas, não dando qualquer trabalho para o goleiro adversário.

Guiñazu – é difícil reclamar do único sujeito do time que efetivamente se entrega em campo, mas ontem eu tenho minhas dúvidas se o Guiña foi o jogador vascaíno que mais correu, tamanho foi o tempo em que ele passou deitado ou deslizando pelo gramado. Mas além da produção em escala industrial de carrinhos, o gringo também tentou ajudar no ataque, talvez mais do que devesse até.

Fabrício – limitou-se a marcar e distribuir o jogo no limite da intermediária adversária. Não foi bem em nenhuma das funções. Quando Joel entrou em desespero, foi substituído pelo Thalles, que jogou pelos lados do campo e decretou o abafa definitivo assim que entrou em campo. Foi importante para evitarmos a derrota, já que foi ele quem sofreu o pênalti.

Douglas – o nome do jogo, tanto positiva quanto negativamente. No primeiro tempo, foi uma negação completa: lento, disperso, errando passes e perdendo um gol feito por pura displicência. No segundo tempo pelo menos correu. Até deu – pasmem! – um carrinho para roubar uma bola. Acabou garantindo o pontinho conquistado e a permanência no G4 convertendo a penalidade máxima e acabando com a sequência de dois pênaltis perdidos.

Maxi Rodríguez – parece ser o atual alvo da queimação de filme por parte do técnico. Joel insiste em escalar o uruguaio numa posição onde ele não rende tudo o que pode e o resultado disso é óbvio: ele não rende tudo o que pode. Saiu no intervalo para a entrada de Edmilson, que lutou bastante, tanto no ataque quanto ajudando na defesa. O problema é que ontem ele queria tanta luta que acabou brigando com a bola em vários momentos.

Kléber – só não foi o ectoplasma do time no primeiro tempo porque Aranda fez questão de ficar com o cargo. Começou a fazer alguma coisa apenas na etapa final, e mesmo assim, só passou a aparecer quando o time passou a jogar com três atacantes.

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Melhor o “old” Joel…

Quando saiu a escalação definida por Joel para iniciar a partida contra o Atlético-GO, alguns torcedores se revoltaram com a escalação do Aranda e do Edmilson tendo Pedro Ken e Thalles no banco. Para mim, não havia motivo para celeumas: na minha opinião, Aranda ou Pedro Ken era o típico “6 por ½ dúzia” e colocar o artilheiro do time na temporada para recuperar o ritmo estava longe de ser um equívoco do treinador.

Com o time mostrando a dificuldade de sempre para criar jogadas contra adversários que esperam os contragolpes, uma breve olhada no Twitter mostrava em tempo real que mais torcedores contrariados com a escalação. Eu sinceramente não via como o Pedro Ken poderia fazer o Vasco criar mais ou o que o Thalles poderia ter feito de diferente do Edmilson, se a bola não chegasse no garoto tanto quanto não chegou ao camisa 7. Mas ainda assim, um monte de gente tuitava que Aranda e Edmilson eram os problemas do time.

O primeiro tempo foi entediante pela falta de emoção. O Vasco não conseguia criar chances e o Atlético não tinha capacidade de contra-atacar. Tirando um lance do Dragão, num dos poucos contragolpes que arrumou, que obrigou Martín Silva fazer uma defesa espetacular, nada acontecia. Até que aos 42, Maxi Rodriguez acertou um belo passe para Edmilson, que avançou e chutou sem chances para o goleiro. 1 a 0 Vasco.

A incipiente criação de jogadas fez com que Joel mexesse no time ainda no intervalo, tirando o criticado Aranda e colocando Ken no seu lugar. O time ganhou um pouco em movimentação, mas ficou claro que o poder de marcação diminuiu. O Atlético teve mais espaços e o Vasco não parecia muito interessado em resolver a questão. Com uma marcação displicente e uma aparente descrença no poder do adversário, deixamos nossos anfitriões empatarem numa cochilada generalizada da defesa.

Thalles já havia substituído Edmilson e como os meias não criavam, o garoto teve que, mais uma vez, se afastar muito da área para buscar jogo, tornando-o uma peça sem efetividade alguma no time. Guilherme Biteco, a outra substituição do Joel, não conseguiu trazer qualquer melhoria ao que Maxi Rodriguez já vinha fazendo. A pressão vascaína, que nada conseguia fazer de prático, não adiantou. Empatamos, seguimos sem vencer no novo Mané Garrincha e jogamos no lixo nossa segunda chance de chegar à liderança (ou, como vimos ao fim da rodada, de chegar à segunda colocação, mas empatados com o líder).

Adepto da cautela, é raro vermos o Joel colocar o time pra frente com suas alterações, e estando com vantagem no placar, então, isso é quase impossível. Ontem, ao tirar Aranda e colocar Ken, nosso treinador tirou um jogador que vinha dando maior consistência à marcação pelo meio para colocar outro que não tem capacidade para armar jogadas a ponto de compensar a perda no poder de combate pelo meio. Se fosse o Dakson ou mesmo Jhon Clay no lugar do Aranda, a alteração faria sentido. Ou, mais condizente com o que conhecemos do Natalino, que ele começasse a partida com o Ken e, caso abríssemos o placar, colocasse o Aranda para dar mais segurança à zaga.

Joel fugiu das suas características e se deu mal. Se essa foi uma tentativa de mostrar que não está parado no tempo, melhor contarmos com o velho Natalino de sempre.

As atuações…

Martin Silva – não podia fazer nada no gol e ainda evitou um gol certo do Dragão com uma defesa inacreditável ainda no primeiro tempo.

Diego Renan – voltou de contusão atuando pela direita e nunca mais foi o mesmo. Nem apóia como costumava, nem defende bem: na jogada do gol de empate, deixou o jogador que centrou a bola dentro da área com toda a liberdade do mundo.

Rodrigo – foi bem nos desarmes e estava na podre no lance do gol. Cobrou duas faltas perigosas.

Douglas Silva – no lance do gol, cortou a bola no início da jogada e não pode acompanhar a sequência. Não chegou a ter problemas no resto da partida.

Lorran – tem mostrado mais personalidade nos jogos, mas ainda erra mais do que acerta. Se lança ao ataque demais e vacila na marcação (não acompanhou o atacante que marcou o gol de empate, por exemplo). Mas é preciso paciência com o garoto, até porque, pior que o Marlon ele não é.

Guiñazu – mais uma vez foi o grande cão de guarda do time, mas exagerou nas faltas. Um juiz mais rigoroso poderia tê-lo expulsado, se não pela violência, pela quantidade de faltas. Tentou ajudar na criação quando pode e fez bem as saídas de bola do time (exceto numa jogada em que perdeu a bola esperando o juiz marcar uma falta que não aconteceu e quase sofremos a virada).

Fabrício – passou a maioria do tempo se preocupando com a marcação – onde vinha bem – e pouco ajudou na parte ofensiva. Caiu junto com o time no meio do segundo tempo e não fechou tão bem os espaços pelo meio. Quase marcou um gol de cabeça.

Aranda – era o volante com mais liberdade para chegar à frente, mas tirando a vez em que deixou Douglas na cara do gol para desperdiçar uma chance clara de gol, pouco fez. Em compensação, garantiu um maior poder de marcação no meio, o que acabou com a entrada do Pedro Ken no seu lugar. Ken até trouxe mais movimentação ao time, mas não o bastante para que conseguíssemos criar chances de gol. No combate, Ken não teve a mesma eficiência que o volante paraguaio.

Douglas – sua atuação só não pode ser chamada de discreta porque o gol feitíssimo perdido pelo camisa 10 mandou a discrição pro espaço. Nem nas bolas paradas tem se destacado.

Maxi Rodríguez – luta muito e sempre procura o jogo, mas a única jogada que acertou foi o passe para Edmilson marcar o gol vascaíno. Fora isso, muitas tentativas e muitos erros. Guilherme Biteco entrou em seu lugar e desse sim podemos dizer que não acertou nada. Na única chance que teve para fazer algo que preste, preferiu o chute sem ângulo a passar a bola para Edmilson, que entrava de frente pro gol.

Edmilson – passou o primeiro tempo praticamente sem receber bolas, já que os meias não conseguiam municiá-lo. Quando teve uma chance, não desperdiçou: mandou um balaço para marcar seu 13 gol na temporada. No segundo tempo, faltou perna para marcar o segundo em uma arrancada que começou ainda no nosso campo. É pouco, mas o cara ainda é o artilheiro do time na temporada. Precisa de mais ritmo de jogo para voltar a ajudar mais vezes o Vasco. Thalles entrou em seu lugar e, passando pelo mesmo problema da falta de bolas em condições de marcar, volta para buscar jogo. E nessa, o garoto fica muito longe da área para tentar os arremates.

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