Arquivo da tag: César Martins

As prioridades de cada um

prioridadeOlhando apenas para as duas competições, não dá nem pra discutir (principalmente em um ano no qual o Vasco está fora da elite): a Copa do Brasil é muito mais importante que um Estadual. Além de garantir uma vaga na Libertadores do ano que vem, vencer a Copa é a única chance que teremos de comemorar um título nacional esse ano.

Mas especificamente nesse jogo de logo mais contra o Remo, há vários outros fatores que devem ser levados em consideração. E fazendo isso, não podemos negar que a prioridade deve ser outra. Alguns torcedores certamente não concordarão, mas Jorginho – que de bobo não tem nada, tanto que já há clubes de olho gordo pra cima do nosso técnico – sabe disso e escalará um time misto contra a equipe paraense.

Se não tivéssemos uma final para disputar já no próximo domingo, tudo bem. Mas estando às portas de um bicampeonato que não conquistamos há mais de 20 anos, depois de uma partida intensa como foi a vitória sobre a mulambada e de duas idas e voltas de Manaus em 15 dias, o mais prudente é mesmo dar um descanso para alguns dos vovôs-garotos do time.

Até porque, sem querer diminuir as dificuldades da partida de hoje, jogar pelo empate, dentro de casa e contra o Remo não é o que podemos chamar de missão das mais complicadas. Ainda que a equipe remista tenha nos dado algum trabalho no jogo de ida, ela não atravessa uma grande fase, tendo sido eliminada de todas as competições que disputou nesse primeiro semestre. Diante do que – em teoria, sempre é bom lembrar – o Remo pode nos oferecer de riscos, Jorginho foi até comedido nas alterações que fará no time. Um ou outro titular que devem jogar hoje também poderiam ser poupados sem maiores problemas.

E será interessante ver alguns dos reservas que entrarão em campo. Nas laterais, Yago Pikachu terá mais uma oportunidade na sua posição de origem, justo contra o maior rival do time que o projetou e Henrique poderá confirmar a evolução que mostrou nas últimas vezes que jogou; O garoto Evander, a promessa da base que gera maior expectativa no momento, deve ter sua primeira chance como titular; E Eder Luis poderá provar que, se conseguir executar as mesmas funções do Jorge Henrique, pode ser uma opção mais veloz para a posição.

É uma formação que não muda a forma de jogar, mantendo a estrutura do time titular. Certamente sofrerá com a falta de entrosamento, mas, por outro lado, será uma equipe mais jovem. Jogando com aplicação e sem a preguiça que vimos eventualmente no Estadual, tem tudo para conseguir a classificação. Tudo é uma questão de postura: se o Vasco pode priorizar as finais do Estadual, para os reservas que entrarão em campo, a prioridade deve ser fazer uma boa partida e mostrar ao treinador que eles estão prontos para disputar uma vaga no time titular.

Vasco X Remo

Vasco X Remo

Martín Silva; Yago Pikachu, Luan, Rodrigo e Henrique; Marcelo Mattos, Diguinho, Evander e Nenê; Eder Luis e Riascos.

Fernando Henrique; Levy, Henrique, Max e Fabiano; Lucas Garcia, Chicão, Alisson e Marco Goiano; Eduardo Ramos e Ciro.

Técnico: Jorginho.

Técnico: Marcelo Veiga

Estádio: São Januário. Data: 27/04/2016. Horário: 21h45. Arbitragem: Flavio Rodrigues de Souza. Auxiliares: Leandro Matos Feitosa e Fabricio Porfirio de Moura.

A rede Globo (RJ, ES, Juiz de Fora-MG, SE, PI, MA, PA, AM, RO, AC, RR e DF) transmite a partida ao vivo. A ESPN Brasil e o Sportv 2 transmitem para seus assinantes em todo país .

***

O Cruzeiro não apenas estaria interessado em contratar o Jorginho, como já teria feito uma proposta e pedido uma resposta antes mesmo das finais contra o Canil. O próprio Jorginho já teria reafirmado sua intenção de permanecer no Vasco e, na minha humilde opinião, não acredito mesmo que o técnico fosse trocar de clube nesse momento.

Mas a verdade é uma só: tenha sido mesmo feita a proposta cruzeirense ou seja apenas especulação da imprensa, esse tipo de coisa virar notícia só mostra o enfraquecimento do clube como instituição. Será que o Cruzeiro faria hoje uma proposta pelo Tite? Ou pelo Cuca? Ou pelo Dorival? E a imprensa repercutiria uma informação dessas se a proposta não tivesse uma confirmação oficial do clube mineiro por esses treinadores? Se o Vasco vivesse o bom momento que vive hoje, mas não estivesse cheio de dívidas e prestes a inciar sua terceira disputa de Série B em oito anos, o Cruzeiro teria a pretensão de nos tirar o técnico dessa maneira? Dificilmente.

Se hoje clubes que têm –  sendo gentil – uma tradição equivalente à nossa enxergam o Vasco como um clube cujos contratados balançam diante de qualquer proposta, só podemos “agradecer” aos dirigentes que comandaram o Gigante nos últimos 16 anos.

***

Eis então que ficamos sabendo também da seguinte notícia:

Deve ter sido um pedido pessoal do César Martins…

***

Lembrem-se de curtir a fanpage do Blog da Fuzarca no Facebook e seguir o Blog da Fuzarca pelo twitter @jc_CRVG. E os usuários do Gmail também podem incluir a página do blog no Google Plus.

Anúncios

8 Comentários

Arquivado em Adversários, Notícias, Pré-jogo, Transferências

Vitoria da maturidade sobre o descontrole

Não precisou muito tempo para vermos quem sairia vencedor na primeira semifinal do Estadual desse ano. Aliás, não precisou sequer começar a partida: a intempestiva entrada mulamba em campo, que abandonou o protocolo para dar uma demonstração de…bem, não dá pra saber exatamente o que significou aquele gesto, mostrou o descontrole do nosso adversário mesmo antes da bola rolar. Se foi uma tentativa de intimidar nossoo time, não deu certo. Os mulambos simplesmente deram – perdoem-me pelo trocadilho – uma baita bandeira de que no futebol estão longe da maturidade que tem a equipe do Jorginho. O resultado não poderia ser outro: Vasco 2 a 0 e vaga na final garantida sem muitas complicações.

E o Vasco venceu sem precisar dar espetáculo ou jogar muito bem. Nem mesmo se valeu da vantagem do empate, buscando o ataque tanto quanto à mulambada, que precisava marcar gols. A diferença é que o Framengo tinha uma posse de bola estéril, que não nos ameaçava muito, enquanto o Vasco ia ao ataque na boa e levava mais perigo. Foi assim até os 21 minutos, quando abrimos o placar após Riascos dar uma série de dribles no zagueiro César Martins (que devem ter lhe provocado danos irreversíveis na coluna), passar para Nenê (que chutou em cima do Wallace) e Andrezinho aproveitar a sobra para estufar a rede com um chute na entrada da área.

Com vantagem ainda maior, o Vasco acabou recuando suas linhas de marcação, o que fez com que o Framengo fosse mais presente no ataque, principalmente pela esquerda. Jorge Henrique, Diguinho e Júlio César não conseguiam impedir os avanços do adversário e com isso a mulambada passou a cruzar bolas perigosas pela nossa área. Por sorte, os atacantes de grife do outro lado parecem ficar ainda menos eficientes diante do Rodrigo e não conseguiram aproveitar as oportunidades que tiveram.

No segundo tempo as coisas se resolveram ainda mais rapidamente. Voltando com uma marcação melhor, o Vasco precisou de apenas 11 minutos para ampliar: Júlio César avançou para o ataque, tocou para Andrezinho que encontrou Riascos na área. O colombiano chuta, Paulo Vitor defende e a bola bate em Wallace e vai para o gol. Foi contra, mas como a arbitragem deu o gol para o atacante vascaíno, Riascos chegou ao seu nono gol e à artilharia da competição.

Precisando marcar três gols para escapar da eliminação, a mulambada acabou se abatendo. E aí, o Vasco mais uma vez mostrou segurança, garantindo o placar sem correr muitos riscos. A expulsão do Alan Patrick aos 33 minutos – após falta desqualificante sobre Yago Pikachu – decretou o fim das esperanças rubro-negras. Daí em diante foi só esperar o apito final, dado em cima dos 45 minutos. Até o árbitro sabia que acréscimos seriam inúteis.

A nona partida sem derrota para a urubulândia serviu para evidenciar como o momento vascaíno é melhor que o do rival. Ainda que não tivéssemos marcado nenhum gol, a classificação do Vasco seria inevitável, já que os mulambos pouco nos ameaçaram. No fim das contas, nada mais justo diante da campanha das duas equipes na competição. Mas vale lembrar que, como disse o Jorginho em sua coletiva, não ganhamos nada ainda e o objetivo é o bicampeonato. Eliminada a mulambada, agora é se preparar para a segunda final seguida contra o Canil e mostrar a mesma tranquilidade que tivemos ontem nas duas partidas decisivas que teremos pela frente.

As atuações…

Martín Silva – segurança em todos os lances e pelo menos uma grande defesa, ainda no primeiro tempo.

Madson – com maiores preocupações defensivas, não foi tão presente no apoio. Se saiu bem na função.

Luan – superior aos atacantes mulambos em praticamente todos os lances. Acabou iniciando com uma espanada na bola um contra-ataque perigoso, desperdiçado por Nenê e Riascos.

Rodrigo – assim como o companheiro de zaga, não teve muitos problemas para parar o ataque urubulino.

Julio Cesar – voltando de contusão e aparentemente jogando no sacrifício, acabou não dando a proteção necessária à sua lateral, que foi o caminho mais utilizado pela mulambada para chegar ao ataque. No segundo tempo melhorou e até chegou a fazer algumas boas jogadas no apoio. Cansou e deu lugar ao Rafael Vaz, que entrando com o jogo resolvido acabou mesmo improvisado na esquerda, onde se preocupou unicamente em reforçar a marcação.

Diguinho – jogando à frente da zaga, poderia ter menos problemas se adiantasse um pouquinho mais a marcação – algo que não foi exclusividade sua, mas do time como um todo – e não permitisse a constante troca de bola framenga tão próxima à nossa área. Na saída de bola deu umas vaciladas. Também atuando meio que no sacrifício, deu lugar para o Yago Pikachu, que se ateve mais à marcação. A expulsão do Alan Patrick, que praticamente acabou com qualquer chance de reação mulamba, aconteceu em uma falta sofrida pelo lateral/volante.

Julio dos Santos – não é implicância, eu simplesmente sou incapaz de ver qualquer coisa de útil que o paraguaio faça em campo. Talvez seja porque ele só faça a tal “função tática” que os técnicos tanto gostem. Mas é aquilo: quem não faz nada, não erra. E como muito ajuda quem não atrapalha, nem dá pra falar muito do cara.

Andrezinho – mais uma vez ocupou o espaço que deveria ser do Nenê e fez muito bem. Iniciou as melhores jogadas do time, participou dos lances dos dois gols, mostrando boa visão de jogo e de posicionamento no que marcou e encontrando Riascos com um bom passe no segundo.

Nenê – mesmo tendo finalizado algumas vezes no primeiro tempo e tendo iniciado a jogada do primeiro gol, foi um dos mais fracos no time: perdeu um monte de bolas bobas (e um gol feito, ao preferir tocar ao invés de chutar para o gol), errou muitos passes e passou a maioria do tempo caindo. No segundo tempo melhorou, mas ainda ficou aquém do que se espera do craque do time.

Jorge Henrique – foi muito mais presente no apoio à marcação – onde não foi muito bem, já que não conseguiu impedir os avanços do Rodinei – tendo feito apenas uma boa jogada ofensiva, quando puxou um contra-ataque e deu ótimo passe para Nenê (que desperdiçou o lance). Pelo menos não se pode ignorar a entrega do jogador em campo.

Riascos – participou dos dois gols, entortou a coluna do zagueiro mulambo no primeiro, ganhou de presente da arbitragem o segundo e ajudou a levar o Vasco à final chegando à artilharia do campeonato. Foi ou não foi um bom dia para o colombiano? Eder Luis o substituiu depois dos 30 minutos para dar novo gás aos contra-ataques vascaínos, o que acabou não sendo necessário. Ainda assim, o Chico Bento participou de duas boas jogadas.

***

Antes da partida, a imprensa se esmerou em mostrar a festa da torcida rubro-negra em Manaus e em informar que os ingressos destinados ao Flamengo tinham grande procura. A intenção óbvia era mostrar que a movimentação do torcida adversária era mais intensa que a da nossa, ignorando que o Vasco jogava pelo segundo final de semana seguido na cidade e que, mesmo assim, fez uma recepção tão calorosa quanto a do rival e esquecendo de citar que não é fácil para o torcedor vascaíno pagar ingressos caros duas vezes no mesmo mês.

E qual foi a resposta do Framengo para o carinho do povo de Manaus? Ignorar os pequenos torcedores que entrariam em campo com os jogadores para fincar uma bandeira no campo. Para aliviar bastante a barra do time, podemos dizer que foi uma atitude bastante deselegante.

E no final das contas, não adiantou nada. Foram eliminados do mesmo jeito. Se a intenção ao espetar a bandeira mulamba no gramado era mostrar que “conquistariam aquele território”, o Vasco mostrou como se faz isso da maneira correta: com bola na rede.

Com a derrota, ficou claro que fincar bandeiras não adianta nada. Mas O Bandeira é quem deve estar querendo enterrar sua cabeça num buraco no chão.

***

Lembrem-se de curtir a fanpage do Blog da Fuzarca no Facebook e seguir o Blog da Fuzarca pelo twitter @jc_CRVG. E os usuários do Gmail também podem incluir a página do blog no Google Plus.

46 Comentários

Arquivado em Atuações, Resenhas, Vídeos