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Pé no chão e bola na rede

Sobre a estreia do Vasco no Brasileiro de 2016, fico com as palavras do treinador Jorginho na entrevista coletiva pós-jogo:

Mais do que uma vitória de 4 a 0, foi a postura da equipe, a organização tática, cada jogador se mantendo compromissado com o objetivo do grupo. Em momento algum a gente viu a equipe desestabilizada. A gente viu uma equipe querendo, jogando, sendo protagonista, com vontade, organização, lutando por cada bola, cada palmo dentro de campo.

Resumindo as palavras do técnico, golear o Sampaio Corrêa não foi o principal motivo para a torcida comemorar. E, diante da fragilidade do adversário, nem deveria ser mesmo. O mais importante foi ver um time que entrou em campo com vontade de vencer, que se empenhou ao máximo e que não deixou ao seu óbvio favoritismo a função de ganhar a partida. O Vasco ontem jogou como deve jogar sempre: aliando sua técnica superior à seriedade quando a bola rolou.

O que o Gigante fez ontem foi uma prova de respeito, ao adversário, à competição, à sua torcida e também à camisa que cada um dos jogadores estava vestindo. A exaltação do Jorginho à postura da sua equipe faz todo sentido. Foi a ausência dessa atitude que nos complicou durante toda a campanha de 2014. Pelo que vimos ontem, a história com Nenê e companhia será completamente diferente.

Vale dizer que o Sampaio Corrêa foi valente. Diante da sua torcida, o time maranhense não se contentou em fazer como a maioria absoluta das equipes que confrontam um clube grande e tentou fazer um jogo de igual para igual.  E talvez esse tenha sido o seu maior erro. Se tivessem optado pela retranca, talvez não sofressem tantos gols. Os donos da casa sofreram duplamente ao fazer essa escolha, já que nas poucas vezes que chegaram com perigo acabaram parando na nossa zaga ou no nosso goleiro e ainda deixaram espaços demais para que nosso ataque funcionasse sem muita resistência. A ousadia do Sampaio Corrêa teve o alto preço dos quatro gols (que poderiam ser cinco ou seis,  no barato).

Mas fez bem Jorginho em exaltar principalmente a postura da equipe. Oponentes como o de ontem, que não têm medo de atacar o grande favorito da competição, serão uma raridade. E quando o Vasco não encontrar a facilidade que teve ontem, será preciso demonstrar ainda mais empenho que o apresentado contra o Sampaio Corrêa. Tendo isso em mente – e aparentemente isso já está incutido na cabeça dos nossos jogadores – já teremos meio caminho andado para conquistar as vitórias. É mantendo o pé no chão que faremos a bola chegar nos gols adversários.

As atuações…

Martin Silva – mesmo com a superioridade vascaína na partida, foi obrigado a fazer uma ou outra boa defesa.

Madson – até cruzamento acertou ontem – vá lá, foi apenas um e a finalização do Nenê foi nas mãos do goleiro Mas já é pra se comemorar – mas deu umas vaciladas defensivamente.

Jomar – mal teve tempo para jogar e saiu com um corte no quengo. Rafael Vaz entrou em seu lugar e depois de um começo meio enrolado, não teve muitos problemas com o ataque adversário.

Rodrigo – mesmo correndo o risco de dar uma trombada com força na trave – o que acabou acontecendo – se atirou na bola para evitar um gol do Sampaio Corrêa. E isso quando já vencíamos por 3 a 0! Diante de tal mostra de comprometimento, nem precisamos falar mais sobre sua atuação. Faltando alguns minutos para o fim do jogo, o quase esquecido Aislan entrou em seu lugar e no tempo que esteve em campo não conseguiu cometer nenhuma bizarrice.

Julio Cesar – teve uma atuação mediana, mas deu excelente passe em profundidade para o Andrezinho, iniciando a jogada do terceiro gol.

Marcelo Mattos – se enrolou um pouco com os avanços do adversário. Melhorou no segundo tempo.

Julio dos Santos – os melhores momentos ofensivos do Sampaio Corrêa aconteceram com o paraguaio em campo. Talvez ele melhorasse junto com o time no segundo tempo, mas não teve tempo. Yago Pikachu o substituiu ainda no intervalo e apareceu mais no ataque que na defesa. Infelizmente o pokemón paraense não evoluiu o bastante para marcar gols. Mas foi quase: teve duas boas chances e uma delas caprichosamente bateu na trave.

Andrezinho – depois de um primeiro tempo entre o discreto e o apagado, a melhoria defensiva do time no segundo tempo deram mais liberdade para Andrezinho, fazendo aparecer seu futebol. Participou diretamente da jogada dos dois últimos gols: em um, fez bela jogada dentro da área colocando Nenê na cara do gol; no último, foi dele o lançamento para o Riascos, inciando a jogada.

Nenê – uma atuação irrepreensível do camisa 10: uma assistência, três gols e outras tantas boas chances impedidas pelo goleiro adversário.

Jorge Henrique – pode-se reclamar do sujeito o quanto for, mas não se pode negar que seu empenho na marcação de saída de bola desobriga o Nenê dessa função, dando mais liberdade para quem tem melhores condições técnicas para definir as jogadas.

Riascos se acertasse 25% do que tenta fazer, o Vasco teria o dobro de gols no ano. Mas por ontem, mesmo tendo o colombiano estragado pelo menos uns dois contra-ataques que seriam mortais, não se pode falar mal do atacante: marcou o primeiro gol, fez uma bela assistência para o segundo e teve participação direta no quarto.

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O longo caminho de volta

IMG_0846Lá vai o Vasco começar mais uma vez sua via crucis de volta à elite. Apesar das expectativas dessa série B serem melhores que em 2009 e 2014 – já que temos comprovadamente uma equipe mais qualificada, entrosada e experiente que nessas oportunidades – não podemos deixar de pensar no lado negativo da queda no ano passado. Não é fácil para quem torce para o clube com a história mais bonita do futebol brasileiro ser também o que torce para o clube grande que mais vezes teve a mancha de um rebaixamento.

E como todo vascaíno infelizmente já sabe, a Série B não é tão fácil como apregoam. Se não pela técnica apurada dos concorrentes, mas pelas características da competição: viagens maiores, estádios menores, arbitragens ainda mais complicadas e, no caso do Vasco, o único dos grandes nessa edição de 2016, adversários que encararão cada partida como uma chance única para aparecer no mercado nacional da bola. Nós já entraremos não apenas com a responsabilidade de vencer a competição, mas também como “O” time a ser batido. Então precisaremos nos superar na disposição e nos acostumar com oponentes que darão a vida para nos vencer (seja nas retrancas mais brabas, seja na violência das marcações).

Na técnica, é fácil afirmar que o Vasco é favorito ao título. Caberá ao time mostrar que tem capacidade de superar essas outras dificuldades. Já tivemos uma amostra do que é estar fora da elite ao não permitirem que fizéssemos o reconhecimento de campo no Castelão. Mesmo que esse seja um exemplo extremo (esse tipo de situação dificilmente será corriqueira), o fato de ter acontecido já na primeira rodada mostra como seremos encarados pelos outros 19 clubes na competição.

Nosso adversário na estreia, o Sampaio Corrêa, já está há dois anos disputando a segundona e terminou a competição na oitava colocação em 2015. Pegando como exemplo seu desempenho contra um grande, o time maranhense empatou com o Botafogo em casa (2 a 2) e tomou um sacolejo de 5 a 0 no Rio. Daí podemos ver que, pelo menos em casa, o Sampaio Corrêa não deve ser a molezinha que muitos pensam.

Ao Vasco caberá se impor como favoritíssimo ao título, mas sem esquecer que precisamos saber utilizar as características da partida a nosso favor. Fazendo isso, temos totais condições de voltar ao Rio com os três primeiros pontos no Brasileiro e começar a caminhada rumo à elite com o pé direito.

Sampaio Corrêa X Vasco

Sampaio Corrêa X Vasco

Rafael; Léo Rodrigues, Mimica, Luiz Otávio e Guilherme Santos; Diego Lorenzi, Daniel Barros, Levi (Pimentinha) e Pedrinho; Edgar e Carlos Alberto.

Martín Silva (Jordi); Madson, Rafael Vaz, Rodrigo e Julio Cesar; Marcelo Mattos, Julio dos Santos, Andrezinho e Nenê; Jorge Henrique (Thalles) e Riascos.

Técnico: Dejane Petkovic.

Técnico: Jorginho.

Estádio: Castelão. Data: 14/04/2016. Horário: 16h. Arbitragem: Claudio Francisco Lima e Silva. Auxiliares: Marcio Gleidson Correia Dias e Vaneide Vieira de Gois.

O canal SporTV transmite para seus assinantes de todo país (exceto MA). O Canal Premiere transmite para todo Brasil no sistema pay-per-view.

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Mais que merecido

Joinville, Icasa, Santa Cruz, Boa Esporte e Atlético-GO. Nenhum desses times conseguiu perder para o Ceará, na sua sequência de cinco jogos sem vitórias. De todos esses, apenas o Joinville está acima do Vasco na tabela. Um deles, o Icasa, inclusive está no Z4. Mas já faz algum tempo que uma das nossas manias é ressuscitar defuntos e ontem não poderia ser diferente: Ceará 2 x 0, com o Vasco reacendendo as chances do Vozão subir para a elite ano que vem.

Mas dessa vez nós ajudamos muito o adversário. Da armação do time ao aparente descompromisso dos jogadores, o resultado não poderia ser outro. A derrota acabou sendo mais que merecida, mas justa, já que nosso anfitrião acabou marcado seus gols meio que por acaso (o primeiro em lance irregular e o segundo numa cobrança de falta com um desvio providencial).

Joel Santana, que não tem conseguido fazer o time render nem com os esquemas manjados que usa desde que conseguia ter algum resultado como treinador, resolveu inventar um esquema com três zagueiros que não tinha como dar certo. Isso porque, além de Anderson Salles – o zagueiro que ele tinha à disposição para completar o esquema – ainda estar completamente sem ritmo de jogo depois de meses inativo, o 3-5-2 – ou ainda, o 3-6-1, já que Kléber era o único atacante no time titular – de ontem é uma formação que depende de muito treinamento para funcionar. E, como era de se esperar, não funcionou.

O Vasco ainda manteve mais posse de bola e perdeu alguns gols feitos, como sempre, até sofrer os dois gols. Mas depois disso e principalmente na volta do intervalo, a apatia e falta de disposição para buscar o resultado eram evidentes. E como as substituições do Natalino foram tão efetivas quanto seu esquema inicial de jogo, não chegamos a criar qualquer chance de mudar o cenário da partida. No final das contas, mesmo que o Ceará tenha contado com a incompetência de um bandeirinha e com a sorte para marcar seus gols, o mérito pelo resultado acabou sendo confirmado pela quantidade de oportunidades que criaram na etapa final. Se algumas delas entrassem, poderíamos ter passado mais um vexame de proporções avaianas nesse campeonato.

Nossa sorte é que a tabela acabou nos favorecendo e poderemos garantir a vaga em casa, em duas partidas contra equipes da parte debaixo da tabela, uma delas inclusive já rebaixada. Com o futebol apresentado pela equipe comandado por Joel, é bom saber que contaremos com a força da torcida e com a fragilidade dos adversários.

As atuações…

Martín Silva – nada podia fazer no lance do primeiro gol. No segundo, a cobrança de falta teve um desvio, mas há quem ache que, ainda assim, era uma bola defensável. Tenho minhas dúvidas.

Luan – dos três zagueiros, foi o que mais vacilou: no primeiro gol, deveria estar marcando o jogador que finalizou. No segundo tempo, quase permitiu que o Ceará ampliasse.

Rodrigo – ficou na sobra e não deu mole para o ataque alvinegro, travando um duelo em especial com o atacante Bill, contra quem se saiu melhor na maioria dos lances. Quase marcou um gol de cabeça no segundo tempo.

Anderson Salles – fora de ritmo, acabou cedendo alguns espaços na parte do campo que deveria cobrir. Ainda assim se saiu melhor que o Luan, principalmente no combate direto. Acabou sendo sacado no intervalo, dando lugar ao Rafael Silva, que puxando pela memória, só foi citado uma vez pelo narrador da partida após sua entrada em campo. E foi porque não alcançou uma bola tocada para ele.

Carlos Cesar – ontem, quando em teoria teria mais liberdade para apoiar, foi mais tímido que no jogo contra o ABC. De efetivo, apenas um bom cruzamento na etapa final.

Aranda – foi tão mal que os únicos feitos dignos de nota na sua atuação foram o desvio da bola no segundo gol (que bateu na cabeça do volante) e o amarelo que levou e o deixará fora da próxima partida.

Guiñazu – imagino o desespero do gringo, que sempre se doa ao máximo em todo jogo, ao ver a moleza dos seus companheiros. Ontem, além de se desdobrar na marcação, foi visto até no ataque, as vezes tabelando e até finalizando.

Douglas – seu “estilo cadenciado” já não engana: Douglas, com aquela pança que parece não parar de crescer, não corre em campo, apenas trota. De útil na partida de ontem, apenas um belo passe que deixou Kleber na cara do gol. É muito pouco para quem é titular absoluto e pretenso “maestro” da equipe. Saiu, não muito satisfeito, no segundo tempo para a entrada do Edmílson, que não podia fazer nada sem receber uma única bola sequer em condição de finalizar.

Maxí Rodriguez – o uruguaio já sofre tendo que jogar mais a frente do que deveria. Fazer isso em um esquema diferente e sem o tempo de treino necessário o prejudicou ainda mais. Volta e meia se embolava com Diego Renan e pouco conseguiu fazer. Acabou sendo substituído pelo colombiano Montoya, que trouxe outra nacionalidade para o time, mas nada de diferente na armação de jogadas.

Diego Renan – um pouco mais de consistência no apoio que nas últimas partidas, o que foi desperdiçado pela bagunça que o novo esquema provocou no time. Ele e Maxi (e depois Montoya) estavam disputando um espaço na mesma faixa do campo.

Kléber – não adianta nada correr muito, dar combate na frente e fazer declarações contundentes após resultados ruins se sempre peca na hora de fazer o trabalho pelo qual é pago. Depois de receber uma bola açucarada do Douglas, Kleber perdeu uma chance claríssima quando o placar ainda estava 1 a 0.

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Falta pouco

Sands of TimePassada a eleição e com o próximo presidente definido, voltemos a nos preocupar com o futebol. E a partida contra o Ceará é importantíssima, tanto que se não fosse a tara vascaína por empates nessa Série B, uma vitória no Castelão poderia assegurar nossa volta à elite ainda hoje. Ainda assim, conquistar os três pontos contra o Vozão pode nos deixar a um empate da vaga (desde que o Boa Esporte perca para o Sampaio Corrêa nesse sábado) e precisamos entrar em campo com isso em mente.

No primeiro turno, o Vasco fez uma das suas melhores partidas na competição justo contra o alvinegro cearense. O cenário era outro: o Ceará era o líder da competição e aparentemente achou que poderia jogar de igual para igual contra nós. E esse foi o maior erro do nosso adversário. Quase todos que se deram bem pra cima do Vasco nesse campeonato o fizeram da mesma forma: na retranca e esperando os contra-ataques. Quem tem acompanhado a campanha vascaína já deve ter se ligado que aguentar a nossa pressão não é o pior dos mundos, já que perdemos muitos gols; e que volta e meia damos uma vacilada na defesa que proporcionam boas chances aos adversários.

Agora, qual Ceará entrará em campo? O que “joga e deixa jogar” do primeiro turno, já que sua última esperança de chegar ao G4 é vencer todos os jogos que lhe restam? Ou um Vozão mais cauteloso, com a experiência de ter nos visto jogar uma Série B inteira tendo problemas contra as retrancas?

Para o nós, o Ceará do primeiro turno seria o ideal. Com a contusão do Pedro Ken e a escolha do Joel pelo Dakson como seu substituto, teremos alguém para pelo menos tentar ajudar o Douglas na criação. Não é o melhor dos mundos – particularmente eu preferiria ver o time com Maxi no meio e Thalles no ataque – mas teremos mais gente com funções ofensivas no meio. Já um Ceará mais fechado pode nos trazer as dificuldades que todos conhecemos, com o agravante de termos um a menos para fechar os espaços na meiuca com eficiência.

O resultado da eleição pode não ter agradado boa parte da torcida e é natural o desânimo depois de um ano tão complicado para o Vasco. Depois de perder o Estadual numa garfada bisonha, ter que disputar a Série B, fazer uma campanha medíocre na mesma e ser eliminado na Copa do Brasil para o ABC, ver a volta de um presidente que já teve sua chance e fez um trabalho ruim é de abater até o torcedor mais otimista. Mas o clube está acima dessas questões e até confirmarmos de vez o retorno para a Séria A, a torcida deve continuar apoiando time. Falta pouco para esse tormento ter fim e não é agora que podemos largar o Vasco de mão.

Campeonato Brasileiro 2014

Ceará x Vasco 

Luís Carlos; Samuel Xavier, Sandro, Diego Ivo e Vicente; João Marcos, Michel, Ricardinho e Eduardo; Bill e Magno Alves.

Martín Silva, Carlos César, Rodrigo, Luan, Diego Renan; Guiñazu, Aranda, Dakson, Douglas; Maxi Rodríguez e Kléber.

Técnico: PC Gusmão.

Técnico: Joel Santana.

Estádio: Castelão. Data: 15/11/2014. Horário: 16h20.  Árbitro: Fabrício Neves Correa (RS). Assistentes: Rafael da Silva Alves (RS) e Lucio Beiersdorf Flor (RS).

A Rede Globo transmite para o Rio de Janeiro. O Premiere transmite para seus assinantes em todo país e no sistema pay-per-view. 

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Ao “corajoso” Joel

Após a vitória do Vasco sobre o Náutico, um dos comentários que vi nas redes sociais sobre o Joel foi que “ele pode ser retranqueiro e ultrapassado, mas é corajoso“, aludindo ao fato do time ter terminado a partida com três atacantes e apenas um volante. Quando as loucuras do Natalino dão certo (e o maior exemplo disso é a final da Mercosul contra o Palmeiras), os mais distraídos – digamos assim – exaltam sua coragem. Quando dá errado, como no empate de ontem com o Sampaio Corrêa, podemos ver com mais clareza a visão estratégica do nosso treinador. E ela é tosca e rudimentar como a de um garoto de 8 anos comandando um time do Fifa Soccer pela primeira vez.

Parece que para o Joel, futebol é a coisa mais simples do mundo. Jogamos fora de casa? Então vamos com um volante a mais. Precisamos de gols? Vamos colocando atacantes no time. É pra segurar o resultado? Basta substituir alguém da frente por um marcador. Joel sempre foi assim e não será agora, às portas da aposentadoria, que ele irá mudar.

Na escalação, nosso “corajoso” treinador mostrou o máximo de ousadia que o veremos ter no comando do time: para não colocar três volantes, Joel inventou o Jhon Clay no meio. Para compensar, mandou o garoto marcar, o que acabou de vez com sua já discutível capacidade em ajudar na criação. Ou seja, Natalino quis criar, da noite pro dia, um novo Pedro Ken, ignorando que ele poderia ter escalado o próprio. A invenção só serviu como mais um episódio na saga de queimação de filme do garoto, que acabou não sendo útil no combate e nem na armação de jogadas.

Ao longo da partida, Joel mostrou sua falta de jogo de cintura: acreditar que o Marlon poderia fazer seu trabalho com um mínimo de qualidade é sandice, mas passa. Deixar o cara sendo constantemente esculachado pelo Pimentinha e não fazer nada para resolver a situação foi simplesmente burrice. Burrice essa que se repetiu nas substituições, todas no mais cristalino “estilo Joel“: com o jogo empatado e precisando vencer, Joel tirou um meia e colocou um atacante; o problema foi ter tirado Maxi Rodriguez – que deve ter alguma exigência contratual para atuar apenas 45 minutos – e deixar o Jhon Clay. A alteração deixou o time ainda menos capaz de organizar jogadas e, curiosamente, ainda mais exposto. Só mesmo um time comandado pelo Natalino para sofrer com contra-ataques sem conseguir atacar.

Mas aos trancos e barrancos conseguimos virar a partida. Então era o momento ideal para outra substituição com a cara do Joel. Como antes do nosso segundo gol o treinador vascaíno tinha feito uma alteração aceitável (finalmente Clay por Lucas Crispim), estando a frente do placar e com poucos minutos para o fim do jogo, a lógica joelsantaniana exigia uma retrancada esperta, o que ele fez tirando o Kleber e colocando o Rafael Vaz, decretando de vez que o Vasco apenas tentaria segurar o resultado. E para fazer justiça ao futebol apresentado pelas duas equipes, não conseguiu.

O que vimos ontem foi o seguinte: vamos voltar à elite, talvez até como campeões (a dificuldade de tirarem o Vasco do G4, mesmo com o futebol indigente que mostramos na maioria dos jogos é um sinal disso), mas se depender do nosso “bravo” treinador, será com muito sacrifício.

As atuações..

Martin Silva – deu azar nos dois gols que sofremos: fez defesas incríveis nos lances, mas os rebotes sobraram para jogadores do Sampaio. Além disso, fez pelo menos uma grande defesa no segundo tempo, se antecipando com precisão aos pés de um atacante adversário.

Diego Renan – tentou ajudar no apoio – e em duas oportunidades foi atrapalhado com falta dentro da área, não marcadas pelo juizão – e foi bem na marcação. Aliás, o Pimentinha só não fez a festa quando seu técnico inverteu o lado por onde jogava e Diego passou a marca-lo. Se o Joel ao menos tivesse pensado em coloca-lo na esquerda (como eu sugeri ontem)…

Luan – se enrolou em alguns lances e distribuiu chutões sempre que preciso (e as vezes que não era também). De positivo, um belo passe para Douglas ainda no primeiro tempo. De negativo, deixou o atacante livre para pegar o rebote que terminou no gol de empate dos nossos anfitriões.

Douglas Silva – o vice-artilheiro do time deixou o dele e garantiu o pontinho que nos manteve no G4. Mas cumprindo sua função passou momentos terríveis com o Pimentinha, jogando como sobra do Marlon.

Marlon – apoiou pouco – e quando o fez, não acertou nada – e foi cruelmente doutrinado pelo Pimentinha. E tem gente que ainda reclama do Lorran.

Guiñazu – mesmo mostrando a disposição de sempre, não conseguiu parar o veloz ataque do Sampaio Corrêa. E ainda acabou participando involuntariamente do gol de empate dos donos da casa, desviando a bola e atrapalhando San Martín.

Fabrício – foi posto na roda várias vezes nos contra-ataques adversários e não fez um papel muito bom fechando os espaços. Na frente acabou sendo mais efetivo, fazendo o cruzamento para nosso segundo gol e quase marcando um em um dos raros contragolpes velozes que tivemos.

Jhon Cley – o garoto foi para a berlinda na partida, mas muito por culpa do Joel, que o obrigou a cumprir uma função que não é muito a dele. Acabou ajudando mais na marcação que ajudando o Douglas, mas nada que merecesse destaque. Quem sabe, no futuro, ele até possa se encontrar no futebol como segundo homem de meio de campo. Saiu para a entrada do Lucas Crispim, que por mais que eu me esforce, não consigo lembrar ter feito algo digno de nota.

Douglas – no primeiro tempo, duas boas participações: deixou Maxi Rodriguez na cara do gol e marcou seu sexto gol no campeonato em mais um pênalti. No segundo tempo se deixou levar pelo marasmo criativo do time e não fez muita coisa.

Maxi Rodríguez – corria, se movimentava com eficiência, criando espaços para jogadas, arriscava arremates, quase marcou um belo gol e era o melhor do time no primeiro tempo. Como não podia deixar de ser, a paga por ter ido bem foi ser substituído pelo Joel no intervalo para a entrada do Rafael Silva, que não conseguiu dar um chutinho pro gol sequer.

Kleber – corre o tempo todo, mas fazer algo que preste é raro. Parece mirar a zaga adversária quando tenta suas finalizações. Nos minutos finais foi substituído por Rafael Vaz, para fechar de vez a defesa. E pelo placar do jogo, todos podemos conferir sua eficiência nisso.

***
Vale um comentário sobre a arbitragem da partida: terrível, como têm sido várias ao longo desse ano para nós. Não que o Sr. Gilberto Rodrigues Castro Junior tenha errado apenas contra o Vasco, mas se ele tivesse sido homem o bastante para marcar o pênalti claro sofrido pelo Diego Renan ainda no primeiro tempo e com o placar zerado, a história do jogo certamente seria outra.

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Sem sopa e sem canja

canja-especial-f8-11404Joel, fugindo completamente de suas características, escalou um time ofensivo para encara o Náutico e, a duras penas, se deu bem. Mas o resultado da última rodada não seria o suficiente para que o torcedor mais realista acreditasse que o precavido Natalino fosse seguir na ousadia e alegria num jogo fora de casa. Quem conhece nosso treinador sabe que ele é um ferrenho adepto da máxima “cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém”.

E eu poderia apostar que, para o Joel, o Sampaio Corrêa está longe de ser uma sopa. Ainda com plenas chances de chegar ao G4, com apenas uma derrota em casa – e isso na primeira rodada – e tendo vencido as duas últimas partidas como anfitrião, o tricolor maranhense deve preocupar bastante nosso treinador. E se Joel lembrar que no jogo contra o Sampaio no primeiro turno não passamos de um empate em 1 a 1 na Colina (o jogo foi no Albertão, em Teresina), aí mesmo é que seu alerta de precaução deve disparar.

Mas dessa vez, mesmo que o Joel esquecesse seu passado de cautela, ele teria pouco o que fazer com o time. Com Rodrigo e Lorran contundidos, é querer demais ter confiança no nosso sistema defensivo tendo Marlon numa lateral e uma zaga composta por Douglas Silva e Luan (abre parenteses: o que nos faz pensar em que diabos fazem os outros zagueiros do elenco, que raramente têm qualquer chance de atuar. Inclusive há o Anderson Salles, que sequer estreou pelo Vasco. Fecha parenteses). Até o torcedor mais otimista deve entender que não é um absurdo reforçar o meio de campo com alguém que tente pelo menos dar cobertura à lateral esquerda. Aliás, falando ainda na lateral, já que não teremos o Lorran, poderíamos voltar com Diego Renan pra esquerda e colocar o Carlos Cesar na direita. Antes ter um lateral jogando razoavelmente na esquerda, que ter dois jogando abaixo do que podem.

Ainda assim, é de se pensar se a repetição de um esquema que já se mostrou pouco eficiente na criação de jogadas é o ideal. O Joel não abrir mão dos três volantes é algo que se entende e faz até sentido dentro da sua costumeira visão de jogo. Agora, insistir num 4-3-2-1, com o Maxi Rodriguez numa posição em que ele não rende o que pode e ter o Kleber – que não é um centroavante típico e volta e meia vem buscar jogo longe da área – sozinho no ataque é pedir para irritar a torcida. Não deu certo contra o Atlético-GO, não deu certo contra o Oeste e….sigam a lógica (coisa que parece não estar sobrando para o nosso treinador) e completem a frase!

Mesmo que a torcida considere uma obrigação do Vasco vencer qualquer adversário da Série B, seja onde for o jogo, o que interessa é o que pensa o sujeito que escala o time. E como nesse momento esse sujeito se chama Joel Santana, podem ter certeza que hoje teremos um Vasco que respeitará bastante o Sampaio Corrêa. Talvez até mais do que uma sopa ou uma canja de galinha mereceriam.

Campeonato Brasileiro 2014

Sampaio Corrêa x Vasco 

Rodrigo Ramos; Hiltinho, Luiz Otávio, Edmar e William Simões (Robinho); Jonas, Uillian Correia, Eloir e Cascata; Pimentinha e Edgar.

Martin Silva; Diego Renan, Luan, Douglas Silva e Marlon; Guiñazu, Fabricio, Pedro Ken, Douglas e Maxi Rodríguez; Kléber.

Técnico: Lisca.

Técnico: Joel Santana.

Estádio: Castelão. Data: 23/09/2014. Horário: 21h50.  Árbitro: Gilberto Rodrigues Castro Junior (PE). Assistentes: Clovis Amaral da Silva (PE) e Ricardo Bezerra Chianca (PE).

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