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Um resumo do campeonato

Parafraseando Euclides da Cunha em seu clássico “Os Sertões”, podemos dizer que o vascaíno, é antes de tudo, um forte. Forte na crença de que seu time poderia corresponder em campo o apoio de mais de 50 mil torcedores. Infelizmente, diferente do que todos esperavam, o Vasco apenas condensou o que fez nas 37 rodadas da Série B em 90 minutos e não passou de um empate com o Icasa.

E o que fizemos em nossa errática trajetória de volta à elite do futebol brasileiro? Apresentamos um futebol abaixo da crítica, passamos sufoco contra times fraquíssimos, perdemos gols em profusão, fizemos de tudo para os adversários gostassem dos jogos e nos pressionassem e terminamos em igualdade contra equipes que, tendo seus salários somados, muitas vezes investiram menos do que o Vasco investiu em alguns dos seus reservas.

E foi exatamente isso que vimos na Arena Maracanã ontem. Podemos reclamar de tudo sobre esse time, mas nunca de falta de coerência.

Tanto faz agora o resultado da última rodada e só sendo uma pessoa com uma fé maior que a do Papa Francisco para crer que o Vasco devolverá a goleada sofrida pelo Avaí no primeiro turno, ou mesmo que se esforçará por uma vitória. Se o time volta e meia mostrava uma falta de vontade tremenda quando ainda precisava garantir sua volta à Série A, imaginem a motivação na semana que vem, com a classificação já assegurada e sendo a última partida pelo Vasco de uma penca de jogadores desse grupo. E isso contra um time que precisará vencer para manter o sonho do acesso.

Motivos para nos alegrar, nós temos. Afinal de contas, ainda que tenha sido nas coxas, o objetivo principal foi alcançado. E, apesar de tudo, nos resta a esperança de um futuro melhor, se não pelo retorno da gestão Eurico, ao menos pelo final da Era Dinamite, definitivamente a pior da nossa história. Depois desse ano terrível que passamos, esperança já é algo que nos serve de algum conforto.

As atuações…

Martin Silva – um milagre no primeiro tempo e boas saídas do gol. No lance do gol, estava um pouco adiantado, mas quem esperaria um chute daqueles da intermediária?

Carlos César – vinha fazendo uma partida apenas razoável até se machucar e não voltar após o intervalo do primeiro tempo. Lorran entrou em seu lugar e foi mais presente no apoio, mas ainda erra passes demais.

Rodrigo – a experiência falou mais alto, ganhando vários lances na malandragem: cavou várias faltas providenciais quando o Icasa estava no ataque.

Luan – teve uma boa chance no primeiro tempo e jogou com segurança. No segundo, se posicionou mal em alguns lances.

Diego Renan – errou tudo o que podia no apoio e miguelou na marcação durante todo o jogo. Cortou uma bola que tinha endereço certo, sua única contribuição ao time.

Guiñazu – a disposição de sempre, talvez exagerando um pouco na distribuição de carrinhos. Deu azar no lance do gol, quando a bola que cortou acabou sobrando para o atacante do Icasa.

Fabrício – tentou ajudar na criação e foi visto frequentemente no ataque. Mas na única boa chance que teve, isolou a bola.

Douglas – um pouco mais de disposição que nas últimas partidas, fez o cruzamento para o gol de Kleber e perdeu um gol feito, ambos os lances na primeira etapa. No segundo tempo não conseguiu organizar o meio de campo com a eficiência necessária.

Maxi Rodríguez – é a comprovação de que os gringos do time podem ser acusados de tudo, menos de fazer corpo mole. Entre um ou outro exagero nas jogadas individuais, é quem mais corre e tenta criar jogadas no time. Quase marcou em chute cruzado no primeiro tempo. Deu lugar ao Lucas Crispim na etapa final, e o garoto trouxe um novo gás para o time. Mas não fez muito mais que isso, raramente conseguindo terminar as jogadas que iniciou.

Thalles – incomodou muito a defesa do Icasa enquanto esteve em campo, mas na única chance clara que teve para marcar, chutou mal. Edmilson entrou em seu lugar e não conseguiu fazer muita coisa.

Kleber – de certa maneira, pode ser considerado o jogador símbolo da equipe: tem mais nome que feitos na carreira, veio como grande reforço mas raramente correspondeu a essa responsabilidade e viveu de lampejos ao longo do campeonato. Exatamente como ontem, quando mesmo jogando bem apenas durante o primeiro tempo, decidiu a partida marcando o gol vascaíno.

***

O presente de despedida da torcida carioca para o time, depois de um ano sem títulos, sem boas apresentações e como único consolo uma obrigatória passagem para a Série A depois de uma turbulenta disputa da segundona, foi a vaia de 50 mil pessoas.

E a torcida – diferente da diretoria, comissão técnica e jogadores – fez o certo pelo clube. Não há mesmo qualquer motivo para festejarmos esse 2014. Compareceu ao estádio, apoiou durante a partida e mostrou seu descontentamento no momento exato.

Mas não podemos pensar que nosso trabalho está feito. Grandes mudanças vem aí e a participação de todos os vascaínos é mais importante que nunca. Apoiar quando preciso e cobrar sempre que necessário é o nosso papel. Fizemos isso ontem e devemos fazer sempre.

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Tranquilidade após a raiva

O expediente de deixar para o dia seguinte a escrita da resenha das partidas do Vasco, com o claro objetivo de tentar fazer uma análise mais racional e menos emotiva, não vai dar certo para a vitória do Vasco sobre o Vila Nova. Mesmo que o resultado tenha praticamente garantido nossa volta à elite, é impossível lembrar do jogo e não sentir uma raiva profunda do triste espetáculo.

Porque foi exatamente isso que Joel e seus comandados conseguiram ontem: irritar profunda e completamente os vascaínos (ou pelo menos esse que vos escreve). A inexistência de um padrão de jogo, os erros individuais e até um aparente descaso dos envolvidos com a necessidade da vitória foram o bastante para nos tirar da simples apatia de quem assiste uma partida de futebol ruim para a ânsia de espancar cada um dos presentes por ousarem se achar no direito de poderem usar a armadura cruzmaltina.

Esse sentimento foi mais forte ao longo do primeiro tempo. A bagunça do time e a profusão de pixotadas foi tamanha que conseguimos sofrer um gol – em um lance dantesco da zaga – de um time já rebaixado para a Série C antes de criar qualquer boa chance de ataque.

(Aqui vale uma parêntese sobre o Vila Nova: nosso adversário teve o pior ano de sua história, sendo rebaixado não apenas no Brasileiro, mas também no Campeonato Goiano. Em 49 partidas oficiais, o Vila perdeu 31 e venceu apenas 12. Uma delas, para evidenciar nossa terrível fase, sobre o Vasco. Fecha parêntese).

Mesmo com o Vila Nova mostrando uma disposição malabranqueana para uma equipe que não tem mais objetivos na competição, era totalmente inaceitável estar atrás no placar para um oponente com aquele nível. Ainda assim, nosso empate só surgiu como uma retribuição ao gol que demos: o zagueirão do Vila se empolgou e entrou numa de sair driblando na frente da área justo na frente de Guiñazu. O gringo roubou-lhe a bola e passou para Carlos Cesar, que fez questão de manter o nível da partida, marcando com um chute muito do mequetrefe.

Indo para intervalo em igualdade, Joel, que passou o primeiro tempo inteiro berrando e xingando seus comandados, deve ter reservado alguns impropérios para o vestiário. Isso porque, se o time voltou com a mesma desorganização da etapa inicial, pelo menos resolveu correr um pouco. Dada a fragilidade do Vila Nova, isso bastou para que o Vasco não apenas dominasse a partida, como também virasse o placar, com Douglas marcando seu 10o gol no campeonato, depois de cobrança de falta de Maxi Rodriguez.

O Vasco manteve o Vila Nova no seu campo, mas ou o último passe não saía, ou as finalizações eram canhestras, impedindo que ampliássemos a vantagem. A tensão – vejam vocês, jogando contra quem jogávamos! – com a possibilidade do empate nos apavorou até os minutos finais, quando o inesperado aconteceu. Jhon Clay acerta uma improvável bomba em curva, colocando um definitivo 3 a 1 no placar e fazendo a torcida respirar aliviada já quase nos acréscimos.

Apesar da atuação terrível e da raiva durante a partida, a vitória nos deixa com a tranquilidade de precisar de apenas um ponto para, finalmente, sair de campeonato desgracento com a missão cumprida (em parte, claro, já que o título era uma obrigação). Agora é lotar a Arena Maracanã para o decisivo confronto contra o Icasa, que promete ser um adversário ainda mais complicado que o Vila Nova, já que eles ainda lutam contra o rebaixamento (só de ter que me preocupar com as possíveis dificuldades que o 18º colocado da Série B pode nos trazer já faz a raiva voltar feroz). Mas não é possível que não consigamos ao menos um empate com a equipe cearense. Afinal de contas, empatar foi o que mais fizemos esse ano.

***

Vale um comentário sobre o nosso “comandante” Natalino.

O descontrole dele ficou visível (ou melhor, audível) desde o começo da partida. Berrando, xingando e esbravejando o tempo todo, Joel deixou clara sua falta de controle do grupo. Nem falo do verdadeiro bando que foi o Vasco ontem, quando não mostrou um mínimo de organização ao longo dos 90 minutos. O pior é a impressão de que, se suas instruções tivessem sido minimamente claras, ele não precisaria gastar tanto a garganta.

Um monte de gente vai falar que a culpa é da ruindade dos jogadores e que não existe treinador que dê jeito nesse elenco. Mas reflitam: o principal problema do time ontem foi de ordem técnica ou tática? Se foi tático, e efetivamente foi, então a culpa é do Joel sim.

***
As atuações…

Martín Silva – sem culpa no gol. Passou a segurança necessária no primeiro tempo e pouco teve que fazer no segundo.

Carlos César – apoia bastante, mas é difícil concluir uma jogada. Acabou sendo útil, como no jogo contra o ABC, aparecendo de surpresa na área, dessa vez empatando o placar ainda no primeiro tempo e tranquilizando o time para o segundo.

Luan – errou tudo o que tinha que errar e foi uma dos alvos preferidos dos xingamentos do Joel.

Rodrigo – tirando a espanada desastrada que acabou dando o gol para o Vila Nova, fez uma partida segura, muitas vezes livrando a cara do seu companheiro de zaga. Mas nas cobranças de falta foi uma negação.

Lorran – outro que errou muito mais que acertou. Parecia nervoso, mas me pergunto por quanto tempo a sua juventude servirá como desculpa para atuações ruins.

Guiñazu – é uma espécie de Chuck Norris do futebol: ele não precisa de instruções de treinadores, já que sabe o que precisa fazer. Marcou com a disposição de sempre, deu o combate mais que todos seus companheiros de defesa juntos e ainda tentou ajudar na criação. No segundo tempo errou um passe que originou um contra-ataque, mas nada que comprometesse sua atuação.

Fabrício – tenta fechar os espaços no meio, mas vive deixando buracos na meiúca; quando sobe ao ataque, ou erra o passe decisivo ou tenta uns arremates constrangedoramente ruins. Pelo menos correu no segundo tempo.

Douglas – para um camisa 10, com a responsa de organizar as jogadas do time, a preguiça com que jogou o primeiro tempo era passível de justa causa. Compensou na etapa final, suando um pouco a camisa e marcando o gol da virada. Jhon Clay entrou em seu lugar e não seria percebido se não tivesse fechado o caixão do adversário, definindo o placar com um belo chute de fora da área.

Maxi Rodríguez – é daqueles que precisaria de uma bola exclusiva ao longo da partida. Como tenta muitas jogadas individuais, acaba igualmente errando muito. Tem a desculpa de jogar fora da posição: seu estilo não é o ideal para jogar mais próximo à área, onde a marcação aperta, e sim vindo de trás, criando os espaços para seus companheiros. Pelo menos é um dos poucos que correm o jogo todo, e ontem teve participação no resultado, saindo dos seus pés o cruzamento para Douglas marcar.

Rafael Silva – foi citado duas vezes enquanto esteve em campo: quando não alcançou uma bola que tocaram para ele e quase marcando de cabeça (o que até é bom para alguém que podemos chamar de quase jogador). Thalles entrou em seu lugar e deu muito mais trabalho para a zaga adversária e ainda ajudou na defesa. Precisa urgentemente acertar a hora de chutar, dar um passe ou driblar: invariavelmente toma a decisão errada e desperdiça bons lances.

Kleber – só não é mais irritante que o Douglas por correr o tempo todo. Por outro lado, não faz gols como o camisa 10 e com isso acaba sendo pior. Edmílson entrou em seu lugar e pouco foi notado.

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Mais que merecido

Joinville, Icasa, Santa Cruz, Boa Esporte e Atlético-GO. Nenhum desses times conseguiu perder para o Ceará, na sua sequência de cinco jogos sem vitórias. De todos esses, apenas o Joinville está acima do Vasco na tabela. Um deles, o Icasa, inclusive está no Z4. Mas já faz algum tempo que uma das nossas manias é ressuscitar defuntos e ontem não poderia ser diferente: Ceará 2 x 0, com o Vasco reacendendo as chances do Vozão subir para a elite ano que vem.

Mas dessa vez nós ajudamos muito o adversário. Da armação do time ao aparente descompromisso dos jogadores, o resultado não poderia ser outro. A derrota acabou sendo mais que merecida, mas justa, já que nosso anfitrião acabou marcado seus gols meio que por acaso (o primeiro em lance irregular e o segundo numa cobrança de falta com um desvio providencial).

Joel Santana, que não tem conseguido fazer o time render nem com os esquemas manjados que usa desde que conseguia ter algum resultado como treinador, resolveu inventar um esquema com três zagueiros que não tinha como dar certo. Isso porque, além de Anderson Salles – o zagueiro que ele tinha à disposição para completar o esquema – ainda estar completamente sem ritmo de jogo depois de meses inativo, o 3-5-2 – ou ainda, o 3-6-1, já que Kléber era o único atacante no time titular – de ontem é uma formação que depende de muito treinamento para funcionar. E, como era de se esperar, não funcionou.

O Vasco ainda manteve mais posse de bola e perdeu alguns gols feitos, como sempre, até sofrer os dois gols. Mas depois disso e principalmente na volta do intervalo, a apatia e falta de disposição para buscar o resultado eram evidentes. E como as substituições do Natalino foram tão efetivas quanto seu esquema inicial de jogo, não chegamos a criar qualquer chance de mudar o cenário da partida. No final das contas, mesmo que o Ceará tenha contado com a incompetência de um bandeirinha e com a sorte para marcar seus gols, o mérito pelo resultado acabou sendo confirmado pela quantidade de oportunidades que criaram na etapa final. Se algumas delas entrassem, poderíamos ter passado mais um vexame de proporções avaianas nesse campeonato.

Nossa sorte é que a tabela acabou nos favorecendo e poderemos garantir a vaga em casa, em duas partidas contra equipes da parte debaixo da tabela, uma delas inclusive já rebaixada. Com o futebol apresentado pela equipe comandado por Joel, é bom saber que contaremos com a força da torcida e com a fragilidade dos adversários.

As atuações…

Martín Silva – nada podia fazer no lance do primeiro gol. No segundo, a cobrança de falta teve um desvio, mas há quem ache que, ainda assim, era uma bola defensável. Tenho minhas dúvidas.

Luan – dos três zagueiros, foi o que mais vacilou: no primeiro gol, deveria estar marcando o jogador que finalizou. No segundo tempo, quase permitiu que o Ceará ampliasse.

Rodrigo – ficou na sobra e não deu mole para o ataque alvinegro, travando um duelo em especial com o atacante Bill, contra quem se saiu melhor na maioria dos lances. Quase marcou um gol de cabeça no segundo tempo.

Anderson Salles – fora de ritmo, acabou cedendo alguns espaços na parte do campo que deveria cobrir. Ainda assim se saiu melhor que o Luan, principalmente no combate direto. Acabou sendo sacado no intervalo, dando lugar ao Rafael Silva, que puxando pela memória, só foi citado uma vez pelo narrador da partida após sua entrada em campo. E foi porque não alcançou uma bola tocada para ele.

Carlos Cesar – ontem, quando em teoria teria mais liberdade para apoiar, foi mais tímido que no jogo contra o ABC. De efetivo, apenas um bom cruzamento na etapa final.

Aranda – foi tão mal que os únicos feitos dignos de nota na sua atuação foram o desvio da bola no segundo gol (que bateu na cabeça do volante) e o amarelo que levou e o deixará fora da próxima partida.

Guiñazu – imagino o desespero do gringo, que sempre se doa ao máximo em todo jogo, ao ver a moleza dos seus companheiros. Ontem, além de se desdobrar na marcação, foi visto até no ataque, as vezes tabelando e até finalizando.

Douglas – seu “estilo cadenciado” já não engana: Douglas, com aquela pança que parece não parar de crescer, não corre em campo, apenas trota. De útil na partida de ontem, apenas um belo passe que deixou Kleber na cara do gol. É muito pouco para quem é titular absoluto e pretenso “maestro” da equipe. Saiu, não muito satisfeito, no segundo tempo para a entrada do Edmílson, que não podia fazer nada sem receber uma única bola sequer em condição de finalizar.

Maxí Rodriguez – o uruguaio já sofre tendo que jogar mais a frente do que deveria. Fazer isso em um esquema diferente e sem o tempo de treino necessário o prejudicou ainda mais. Volta e meia se embolava com Diego Renan e pouco conseguiu fazer. Acabou sendo substituído pelo colombiano Montoya, que trouxe outra nacionalidade para o time, mas nada de diferente na armação de jogadas.

Diego Renan – um pouco mais de consistência no apoio que nas últimas partidas, o que foi desperdiçado pela bagunça que o novo esquema provocou no time. Ele e Maxi (e depois Montoya) estavam disputando um espaço na mesma faixa do campo.

Kléber – não adianta nada correr muito, dar combate na frente e fazer declarações contundentes após resultados ruins se sempre peca na hora de fazer o trabalho pelo qual é pago. Depois de receber uma bola açucarada do Douglas, Kleber perdeu uma chance claríssima quando o placar ainda estava 1 a 0.

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Futebol pragmático

A Arena Maracanã com um ótimo público, 50 mil vascaínos fazendo uma festa linda, o fim da ridícula sequência de quatro jogos sem vitórias na Série B e a volta para a elite mais perto não foram o bastante para ignorarmos o fato de que o Vasco não fez nada de muito diferente do que vimos nos fracassos contra Paraná, Ponte, América-RN e Santa Cruz.

Não que tivéssemos algum motivo para acreditar numa mudança da água pro vinho só porque estaríamos em grande número no estádio. Aliás, o Joel já tratou de nos tirar essa esperança de véspera, já indicando que escalaria três volantes contra o 13º colocado da tabela. O resultado não poderia ser outro: mais uma vez tivemos muita posse de bola e pouca criatividade no meio. Foi o mesmo rame-rame de sempre, de toques para o lado e para traz e objetividade zero. E isso sem trazer a maldita segurança adorada ao nível da obsessão pelo Joel, já que o ABC ainda teve as melhores chances no primeiro tempo.

A torcida foi quem fez mais bonito na Arena Maracanã (foto: www.vasco.com.br)

A torcida foi quem fez mais bonito na Arena Maracanã (foto: http://www.vasco.com.br)

O que impediu que o time fosse para o vestiário no intervalo sob as vaias de todo o estádio foi o gol já nos acréscimos do primeiro tempo. Mas vale lembrar que o pênalti convertido por Douglas só aconteceu por conta de uma pixotada dupla da defesa do ABC até Carlos César se derrubado na área.

Começamos o segundo tempo com vantagem no placar e um jogador a mais em campo (o goleiro Gilvan foi expulso ao cometer a penalidade no primeiro tempo). Ainda assim isso não foi o bastante para que nosso treinador resolvesse dar um jeito na falta de criatividade do time. Foi preciso que Pedro Ken se machucasse no primeiro minuto da etapa final para que o Natalino decidisse jogar o time para frente, substituindo o volante pelo Thalles. Se por um lado a alteração fez com que o domínio da partida aumentasse, por outro serviu para que mostrássemos outro defeito mais que batido do time: a falta de qualidade nas finalizações. Perdemos uns três ou quatro gols por conta dos chutes fracos e/ou sem direção ou por nossos atacantes não chegarem a tempo de dar o toque para as redes.

Valeu pela vitória, por aumentarmos a diferença para o quinto colocado e por estarmos mais próximos da vaga para a série A. Mas não adianta esperarmos nas partidas que restam algo além da preocupação em garantir três pontos. Aparentemente, comissão técnica e jogadores ficaram satisfeitos com o resultado, independente do nível do futebol apresentado (tanto que já falam em “conforto” no caso de um empate contra o Ceará na próxima rodada). O vascaíno já pode conformar em guardar suas esperanças de ver o Vasco jogando como Vasco apenas ano que vem. Até o fim desse Brasileiro, nos restará aturar o futebol pragmático e de resultados que Joel tanto aprecia.

As atuações….

Martín Silva – no primeiro tempo evitou que o ABC abrisse o placar com pelo menos duas grandes defesas. No segundo tempo praticamente não trabalhou.

Carlos César – aparentemente quer conquistar a vaga na lateral direita em definitivo, mostrando muita disposição e velocidade no apoio. No primeiro tempo, o Vasco atacou praticamente o tempo todo pelo seu lado do campo, contanto várias vezes com sua ajuda, iniciando jogadas com algumas arrancadas. Foi decisivo para o resultado ao sofrer o pênalti convertido por Douglas.

Luan – praticamente não teve problemas com o adversário, fazendo uma partida tranquila.

Anderson Salles – parece ter sentido a falta de ritmo em alguns momentos, principalmente quando errou o tempo de bola em botes e divididas pelo alto. Mas também jogou com tranquilidade e mostrou que poderia muito bem ter tido mais chances no time. Quase marcou após cruzamento de Maxi no segundo tempo.

Diego Renan – apagado no primeiro tempo, quando quase não subiu ao ataque, cresceu de produção quando o Vasco passou a ter um jogador a mais e apoiou mais vezes. Foi quando acertou um belo cruzamento que só não terminou em gol porque Thalles furou o chute.

Guiñazu – a disposição de sempre no combate, mas dessa vez sem cometer tantas faltas (tanto que milagrosamente acabou o jogo sem ser advertido).

Aranda – errou alguns passes, principalmente quando esteve mais avançado e acabou cedendo alguns espaços no meio de campo quando passou a atuar mais recuado. Quase marcou em chute na entrada da área no segundo tempo.

Pedro Ken – discreto, participou muito mais da marcação que da criação de jogadas. Saiu no início do segundo tempo com dores. Thalles entrou em seu lugar e começou a partida apanhando da bola, errando passes em profusão e estragando jogadas por falta de domínio. Melhorou com o tempo e levou perigo algumas vezes, inclusive deixando Kleber na cara do gol.

Douglas – começou a partida sem conseguir criar jogadas de perigo e trotando em campo, aparentando estar até acima do peso. Ainda assim acabou resolvendo a partida ao converter a cobrança de pênalti que nos deu a vitória. No segundo tempo quase marcou em chute colocado de fora da área. No fim deu lugar ao Rafael Silva, que mesmo ficando pouco tempo em campo, conseguiu finalizar com perigo uma vez.

Maxi Rodríguez – mais uma vez não justificou a moral que tem com a torcida quando começa como titular. O uruguaio tem visão de jogo, mas na maioria das vezes erra o passe decisivo ou perde a bola quando tenta jogadas individuais. Tem a seu favor o fato de que jogou todo o primeiro tempo mais avançado do que deveria, tanto que melhorou um pouco com a entrada do Thalles e pode jogar mais recuado.

Kleber – luta sempre e com relação à disposição que mostra em campo não há do que reclamar. Mas sendo o único atacante em campo desde o início da partida, deixa muito a desejar, já que não consegue nem finalizar. Sua única boa chance aconteceu com o segundo tempo já bem adiantado, depois de receber bola açucarada de Thalles. Mas aí, o Gladiador chutou como uma mocinha, nas mãos do goleiro. Edmilson entrou em seu lugar e não teve tempo sequer para encostar na bola.

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Update: publiquei uma coluna nova no Vasco Expresso hoje: “Desculpe, Arena…

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Menos que pouco

O empate contra o ABC em São Januário foi terrível, mas acaba sendo o menos grave se analisarmos toda a situação com calma. O resultado de ontem, a forma como deixamos a vitória escapar e a postura do time foram as mesmas de tantos outros empates e derrotas esse ano. Com isso, infelizmente já deveríamos estar acostumados e não deveria ser mais um motivo de preocupação. Mais preocupante pra mim é o cenário da equipe sob uma visão mais ampla.

Sofrer um gol antes dos 5 minutos de bola rolando, pressionar sem conseguir levar muito perigo ao adversário, correr riscos nos contra-ataques, errar um caminhão de passes, perder gols e penar para conseguir um empate contra um adversário evidentemente inferior tecnicamente e que passou 80% do jogo se defendendo poderia ser, como falei acima, a descrição de outros tantos jogos do Vasco. Mas pior que o resultado e mesmo pior que complicar a classificação para as oitavas da Copa do Brasil é saber que, do Vasco sob o comando do Adilson, não podemos esperar nada muito diferente.

Estamos empatados com os líderes da Série B – repito, SÉRIE B! – por conta de uma sequência de vitórias, que por sinal não foram suficientes para nos levar ao topo da tabela. Isso porque o Vasco não consegue vencer adversários de uma fragilidade evidente. O treinador mexe daqui, muda dacolá, mas não sai disso: tem na sua mão um elenco absurdamente valorizado para o nível da competição e não faz mais que patinar.

Vem uma sequência de empates e caímos posições? Aí temos uma série de barangas pela frente, vencemos algumas partidinhas de forma medíocre e subimos de novo. Empatamos em casa na decisão de uma vaga da Copa do Brasil? Isso não quer dizer muita coisa, já que pelo Brasileiro vencemos o mesmo ABC na sua casa e podemos repetir o feito, mesmo jogando mal. E com isso, nessa gangorra de rendimento, vamos atingindo metas modestas e mantendo as coisas como estão.

Mas digamos que passemos pelo ABC – o que nem é, ou não deveria ser, uma missão das mais complicadas – e avancemos na competição? É quase certo que enfrentaremos nada mais, nada menos que o Cruzeiro. Acontecendo novamente a lógica, rodaremos na próxima fase. Mas aí, os responsáveis pelo futebol vascaíno certamente vão racionalizar o resultado e seguirão o “planejado”, já que ser eliminado para o melhor time do país há quase dois anos não é um absurdo.

Esse, amigos, é um problema muito pior que um empate contra o ABC (até porque, os caras tiveram méritos pelo resultado e futebol é assim mesmo). Enquanto quem dirige o futebol estiver satisfeito e os jogadores apoiarem o Adilson, nada mudará. Mesmo com o nível indigente do futebol que temos apresentado, vamos subir para a Série A. Mesmo com esse empate de ontem, ainda aposto na nossa classificação para as quartas da Copa do Brasil. O problema é que o desempenho ridículo do time não é o bastante para agradar nem o vascaíno mais tranquilo. Ficar satisfeito com o Vasco do Adilson é se contentar com menos que pouco; é se contentar com nada.

As atuações…

Martín Silva – não tinha o que fazer no gol sofrido e impediu pelo menos um outro. Contou com a sorte também em pelo menos dois outros lances no primeiro tempo, quando tirou as bolas da direção do gol com o olhar.

Carlos Cesar – correria e só: é fraco na cobertura – o gol saiu pela sua lateral – e no apoio erra tudo o que tenta. Saiu contundido e Aranda entrou em seu lugar e, mesmo contra um adversário que poucas vezes arriscou atacar no segundo tempo, deixou alguns espaços pelo meio.

Rodrigo – deu muito azar no lance do primeiro gol: tentou cortar uma bola que evidentemente iria para fora e acabou ajeitando o lance para o atacante do ABC. Com o time avançando desordenadamente para tentar o empate, teve alguns problemas com os contra-ataques adversários. Tomou um amarelo por reclamação, algo inaceitável para alguém com a sua experiência.

Douglas Silva – menos tenso que seu companheiro de zaga, acabou sendo importante ao ganhar uma disputa de bola na área adversária no lance do gol do Kleber.

Marlon – deve ser o dono do título mundial de lateral que mais isola cruzamentos.

Guiñazu – Um dos melhores da partida. Além de ser o monstro de sempre na marcação (talvez exagere um pouco na quantidade de carrinhos que dá), ontem até quando avançou foi bem, distribuindo bem a bola e quase marcando um gol ainda no primeiro tempo.

Fabrício – mostrou empenho, mas o gol logo no começo fez com que o volante avançasse mais que o normal para o ataque, onde tirando um chute de fora da área com relativo perigo, pouco fez. Foi para a lateral no segundo tempo e só fez uma coisa de marcante: conseguir ser expulso por reclamação.

Douglas – ontem até que correu bem mais do que estamos acostumados a ver, mas infelizmente não conseguiu ser o articulador de jogadas que o time precisava. E, mais uma vez, não foi bem nas bolas paradas.

Maxi Rodríguez – se movimentou bem, mas na maioria das vezes não conseguiu superar a marcação adversária. Sem repetir o bom desempenho da estreia, cedeu lugar ao Thalles, que jogando muito afastado da área pouco fez.

Montoya – não tem medo de arriscar jogadas e mostra muita raça. Mas sem concluir jogadas, acaba sendo pouco efetivo. Edmilson entrou em seu lugar e nos pouco mais de 15 minutos que esteve em campo foi mais notado ajudando na marcação que no ataque.

Kléber – no primeiro tempo, uma atuação que pode ter sido a sua melhor com a camisa do Vasco: correu, brigou, abriu espaços para os companheiros, criou jogadas e foi premiado com o gol de empate. Nessa, foi outro a tomar um amarelo ridículo, ao tirar a camisa na comemoração. No segundo tempo caiu de produção, não sendo nem de longe tão perigoso quanto na primeira etapa.

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Mais uma na conta do Adilson

Muito poderia se dizer sobre a derrota do Vasco para o lanterna da competição, o Vila Nova.

Que os desfalques fizeram falta.

Que o time não jogou nada no primeiro tempo, quando em vários momentos a displicência era evidente.

Que os jogadores erraram passes demais e em diversos lances sequer conseguiam matar as bolas recebidas.

Que o treinador ainda se mostra um incapaz na hora de armar o time contra retrancas, que faz escolhas esdrúxulas e que substituições estranhas.

Que no segundo tempo a incapacidade foi do time em construir jogadas que rendessem chances claras de gol.

Que, diferente do que fez nas últimas rodadas, o Vasco volta a não fazer a sua parte e perde uma partida que não poderia – e pelo jogo, nem merecia – perder, em um momento péssimo: além de não chegar à liderança, viu os adversários abaixo encostarem e terá que jogar sem Douglas na próxima rodada.

Mas, pelo menos pra mim, é IMPOSSÍVEL não considerar como lance capital da partida mais uma falha do Diogo Silva. O mesmo Diogo Silva que foi um dos grandes responsáveis pelo nosso rebaixamento ano passado, que continuou e continua falhando esse ano e que tem como justificativa para sua posição como reserva imediato de Martin Silva “ser experiente”.

O que adianta ser mais experiente se toda bola chutada, seja com qual força for, é rebatida pra frente da área, de preferência no pé do atacante adversário mais próximo? Ou ter experiência e cometer pixotadas como o lance em que ele erra o tempo de uma bola fácil e se viu obrigado a agarrar a bola fora da área?

Resumindo, o que adianta ser mais experiente se ele é um péssimo goleiro?

Então estou dizendo que a culpa da derrota é do Diogo Silva?

Não. A culpa não é do goleiro. A culpa é de quem o escala havendo opções melhores no elenco. A culpa, como na maioria das vezes, é do Adilson.

As atuações….

Diogo Silva – como de costume, sofremos um gol após mais uma – entre várias feitas na partida – rebatida pra frente da área. Além disso, protagonizou um lance bizarro em que teve que pegar a bola com as mãos fora da área.

Carlos Cesar –  marcou o gol – com uma grande ajuda do zagueiro que matou o goleiro do Vila Nova com um desvio – mas fora isso, deixou uma avenida pela sua lateral. E mesmo na marcação foi várias vezes envolvido, como no lance do primeiro gol, quando foi facilmente driblado. Saiu para a entrada do Aranda, que pode apoiar o quanto quis, já que o adversário se limitou a se defender na etapa final. Lutou, mas não conseguiu acertar um cruzamento sequer.

Luan – comprometeu completamente sua atuação ao fazer atrasado a linha burra no lance do segundo gol adversário. No resto, se saiu melhor que o ataque do Vila Nova na maioria absoluta das jogadas.

Douglas Silva – não conseguiu cortar o passe para o segundo gol do Vila, mas de resto não teve muitos problemas. Quase marcou um belo gol em cabeçada que obrigou o goleiro adversário a realizar um milagre.

Marlon – foi presença constante no apoio e poderíamos até dizer que teve uma boa atuação se conseguisse acertar mais os cruzamentos. Ontem, deve ter tido uma média de acerto de 10%.

Guiñazu –  fez o que tinha que fazer – teva a seriedade de sempre na marcação – e quando o jogo virou ataque x defesa, ainda tentou ajudar na criação de jogadas.

Fabrício – também se empenhou na marcação, mas com um time em câmera lenta no primeiro tempo, acabou sobrecarregado. No segundo jogou praticamente do meio pra frente, mas falhou sempre quando tentava cruzamentos.

Douglas – uma boa bola em profundidade no primeiro tempo e só. De resto, não foi bem nem nas bolas paradas.

Guilherme Biteco – errou muitos passes, foi individualista demais em alguns momentos e não chegou nem de perto a colaborar com a marcação como faz o Dakson. Saiu ainda no intervalo para a entrada de Montoya, que foi o motor para o abafa de 50 minutos que o Vasco impôs ao Vila Nova. O problema é que, apesar de ser muito voluntarioso e brigador, o colombiano não foi feliz na maioria das jogadas.

Kleber – foi o melhor do ataque, servindo os companheiros com boas bolas (inclusive a do gol do Carlos Cesar). Mas com o meio de campo apático e a marcação adversária muito forte, acabou jogando muito distante do gol. E jogando a base de um efeito suspensivo, a última coisa que ele poderia fazer era dar um tapa na cara de um jogador do Vila Nova.

Edmilson – apagado em campo, nas poucas chances que teve finalizou muito mal. Saiu para a entrada de Rafael Silva, que pior ainda, perdeu o gol mais feito do jogo ao mandar pelo alto uma bola cabeceada na linha da pequena área.

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Na hora certa

O Vasco vinha subindo de produção desde a volta do Brasileiro, o que não se refletia numa melhora técnica da equipe. O time vinha vencendo, mas estava muito longe de convencer a torcida. Por isso, todos esperavam uma partida complicada contra um Ceará cheio de moral. Mas depois de muito tempo e justo quando tínhamos pela frente o time de melhor campanha na competição, o Gigante fez a sua melhor partida e venceu o Vozão sem maiores complicações.

A atuação do time justo nesse momento serve para deixar a torcida mais confiante. Fazia tempo que o Vasco fracassava na hora em que precisava construir um resultado e dessa vez conseguiu, algo que não começou ontem, mas com as difíceis vitórias sobre o ABC e o Náutico fora de casa. Foram essas vitórias que nos permitiram chegar ao jogo em condições de empatar em número de pontos com o líder do campeonato.

E, diferente das últimas três vitórias, quando penamos para vencer adversários evidentemente mais fracos, conseguimos impor nosso futebol sobre uma equipe que vinha de resultados expressivos: longa invencibilidade, três vitórias consecutivas jogando fora de casa e eliminação do Internacional (no momento, líder da Série A) na Copa do Brasil, com duas vitórias. Mas seus resultados ou a motivação extra pelo bom desempenho não foi o bastante para que o Ceará pudesse nos trazer problemas na construção do resultado.

Partindo desde o começo para o atque, o Vasco encurralou o alvinegro em seu campo e, mesmo com nosso oponente muito bem preparado para atuar no contra-ataque, conseguimos criar jogadas e impedir que o Ceará partisse em velocidade quando recuperava a bola.

Com o meio de campo congestionado, o caminho era usar os lados do campo, explorados com eficiência tanto pelos laterais como por Guilherme Biteco. Em uma jogada assim quase abrimos o placar: Biteco avançou e recebeu pela direita e viu seu centro para o meio da área ser cortado com o braço por um defensor adversário. O juiz marcou pênalti e Douglas não conseguiu converter, vendo sua cobrança ser defendida pelo goleiro.

Mostrando uma atitude diferente da que tinha, o Vasco não se abateu com o lance e seguiu pressionando até marcar, menos de cinco minutos depois: Douglas deu excelente passe para Marlon, que cruzou para área. Kléber acertou um voleio de primeira após o corte do goleiro estufou as redes.

No segundo tempo era inevitável a expectativa da torcida por uma repetição do que temos visto há muito tempo: o Vasco se contentando com uma diferença mínima e dando espaços ao adversário. E isso até aconteceu. Ainda que sem levar muito perigo, vimos o Ceará finalizar mais vezes no começo da etapa final do que durante todo o primeiro tempo. Mas não demorou para o Vasco voltar a marcar bem e dar o golpe final logo aos 11 minutos, com um belo gol de falta de Douglas. Depois disso, o Vozão não mostrou qualquer força para reagir e controlamos o restante do jogo com muita facilidade.

A vitória, quarta seguida na competição, chegou no momento ideal. Vencemos com autoridade, contra um dos poucos adversários que poderiam nos trazer alguma preocupação. Além disso, chegamos à mesma pontuação do líder, abrimos quatro pontos para o terceiro colocado e teremos dois adversários teoriacamente fáceis nas próximas rodadas, o que pode facilitar nossa chegada ao topo isolado da tabela. Agora é esperar que o Vasco mantenha o nível e que não se deixe influenciar pela bagunçada política do clube para consolidar o caminho do título e, principalmente, da volta à elite.

As atuações…

Martín Silva – quase levou azar no primeiro lance do jogo, quando rebateu uma bola em cima do Douglas Silva que quase foi para as redes. Tirando isso, pouco teve o que fazer.

Carlos Cesar – foi útil como forma de escapar da forte marcação do Ceará pelo meio. Falta maior precisão nos cruzamentos. Na defesa não chegou a ter muitos problemas.

Rodrigo – se deu melhor sobre o ataque cearense na maioria absoluta dos lances. No início da partida cometeu uma falta violenta que poderia render um vermelho (e que pareceu uma forçada de amarelo, para desfalcar o time contra o lanterna Vila Nova, na próxima rodada).

Douglas Silva – também não teve muito trabalho com os homens de frente do Ceará e quase marcou um gol de cabeça no primeiro tempo.

Marlon – até ele foi bem no jogo, ajudando constantemente no apoio e fazendo o cruzamento que terminou no gol do Kléber. No segundo tempo, quase fez sua segunda assistência, mas Edmilson cabeceou pra fora.

Guiñazu – fechou bem os espaços, ajudando a parar o ataque mais positivo da competição. Chegou a ajudar a puxar contra-ataques no segundo tempo.

Fabrício – também acertou no posicionamento, sendo importante no bloqueio dos contragolpes do Vozão. Deu belo passe para Biteco no lance do pênalti.

Dakson – acabou ficando um pouco abaixo dos outros companheiros do meio por não conseguir fugir da marcação adversária. Que, a bem da verdade, o parou muito com faltas, inclusive obrigando Dakson a ser substituido por contusão. Jhon Cley entrou em seu lugar e foi mais presente ajudando na marcação que na criação de jogadas. Poderia ter feito uma assitência para o que poderia ser nosso terceiro gol, mas errou bisonhamente um passe simples.

Douglas – poderia terminar a partida como vilão depois de perder um pênalti com o placar ainda zerado, mas acabou sendo o nome do jogo: iniciou a jogada do primeiro gol com um passe que mostrou sua visão de jogo e marcou o outro cobrando falta com precisão. Saiu no final para a entrada do Montoya que não teve tempo para mostrar muita coisa.

Guilherme Biteco – um dos nomes da partida, foi a melhor opção no ataque ao longo do primeiro tempo. Caindo pela direita, deu trabalho para a zaga adversária e foi o autor da jogada que nos rendeu um pênalti. No segundo tempo caiu de produção e cedeu lugar para Edmilson, que mesmo sem ter tido muitas chances desde a volta da Copa, parece estar com um pouco mais de ritmo de jogo: mostrou bom posicionamento e teve duas chances de marcar em jogadas áreas.

Kleber – a luta de sempre e um belo gol, mostrando bom posicionamento e precisão no arremate.

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Vale comentar sobre a presença da torcida, pelo que houve de bom e o que houve de ruim.

Ponto positivo para os torcedores que lotaram São Januário e apoiaram o time como devem, ou pelo menos deveriam, fazer sempre. Se o time mantiver o nível das atuações, em breve a Colina ficará pequena para o número de torcedores que desejarão ver o time em campo.

Ponto negativo para a briga entre membros da Força Jovem do lado de fora do estádio. É inacreditável ver torcedores de um mesmo clube brigarem, mas ver membros de uma mesma torcida é algo estarrecedor. Essa cena deprimente é mais uma no longo prontuário de episódios negativos das organizadas. E mais uma que entra na conta da brigalhada política por conta da eleição no Vasco. E não será surpresa para ninguém se o nome de dois candidatos estiverem no rol de motivos para a pancadaria.

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