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Lobotomia

Segundo Joel Santana, a partida contra a Portuguesa ontem “Foi uma vitória que não deixou dúvida. Fomos superiores o tempo todo do jogo“. Para quem viu o que aconteceu ontem no Canindé, uma declaração dessas só pode significar que, além da vesícula, os médicos que o operaram retiraram também alguns pedaços do cérebro do Natalino.

A operação não foi responsável pela perda de visão do nosso treinador. Pelo contrário, para enxergar uma superioridade completa do Vasco no jogo é preciso ter uma visão além do alcance, no estilo olho de Thudera. Talvez o caso do Joel seja de alucinações intermitentes, que aparecem principalmente nos 45 minutos finais.

Esse diagnóstico ganha força se lembrarmos que, se o Vasco teve algum domínio em todo o jogo, ele só aconteceu no primeiro tempo. Ainda que não tivéssemos criado muitas chances de gol, o time controlou a partida, não sofreu riscos e teve a posse de bola na maior parte do tempo. Ainda que meio capenga, avançando apenas pela esquerda, chegamos ao gol quase no fim da etapa inicial, após algo totalmente inesperado acontecer: Marlon acertar um belo cruzamento e Douglas aparecer para cabecear e balançar a rede em um lance de bola rolando.

Mas no segundo, longe de termos sido superiores, simplesmente deixamos de jogar e chegamos ao ponto de tomar calor da fraquíssima equipe verde-rubra. A Lusa tomou a iniciativa desde o princípio e o que era maior posse de bola se tornou pressão na prática quando nosso meio de campo velhusco cansou de vez. Joel, no meio dos seus delírios de superioridade, demorou a ver que Fabrício e Douglas se arrastavam em campo. Com isso, não conseguíamos marcar, nem criar. E tome a Portuguesa, aos trancos e barrancos, chegando à nossa área. Nem a primeira alteração do Joel, Maxi no lugar de Crispim, mudou o panorama deprimente do jogo.

As alucinações do técnico vascaíno só pareceram terminar nos cinco minutos finais, quando Joel finalmente substituiu os rastejantes Fabrício e Douglas para as entradas de Dakson e Jhon Clay. Mas aí, não haveria muito mais coisa a se fazer. A Lusa, já combalida e prostrada, não tinha forças para reagir e o Vasco, satisfeitíssimo com os três pontos, não tinha vontade para nada além de dar bicões para afastar a bola do nosso campo.

Não vou bancar o chato e ficar apenas reclamando, já que a vitória e os resultados da rodada – tirando a vitória ganha de presente da Macaca – foram bons para o Vasco e na maciota vamos chegando ao topo da tabela. E, na realidade, a torcida já sofreu muito nessa série B pra se preocupar com exibições de gala. Vencer já está mais que de bom tamanho. Sendo fora de casa, melhor ainda.

Mas, na boa…jogar mal, até vai. Já dizer que o time foi bem, mesmo quando foi muito mal, não rola. A torcida ainda não foi lobotomizada para aceitar qualquer insanidade que nos falem.

As atuações…

Jordi – tirando algumas saídas estabanadas – e uma defesa meio no susto à la Diogo Silva – mostrou segurança e alguma sorte.

Diego Renan – pavoroso: nem apoiou, nem deu a segurança necessária na defesa. Ontem parecia mirar nos adversários antes de dar um passe.

Rodrigo – procurou orientar a defesa, passando segurança ao time no primeiro tempo; no segundo, quando tomamos calor da Lusa, fez o que devia ser feito e virou zagueiro-zagueiro. Cobrou uma falta com relativo perigo.

Douglas Silva – no nível do companheiro de zaga, mas perdeu alguns lances de velocidade que poderiam nos dar problemas. Marcou um golaço, infelizmente em posição irregular, no primeiro tempo e quase fez outro de cabeça no segundo.

Marlon – apoiou bastante, sendo boa opção ofensiva no primeiro tempo. Seria mais útil se conseguisse acertar mais passes, tanto que seu único cruzamento certo resultou no gol da vitória. Podia depender menos da cobertura dos volantes para proteger sua lateral.

Guiñazu – ontem foi um Guiña “de raiz“: ateve-se ao combate e distribuiu mais carrinhos que candidato a deputado em dia das crianças.

Fabrício – talvez uma das piores atuações individuais de um jogador vascaíno no ano. Não acertou nada que tentou. Até ao ser substituído deu uma vacilada ironizando as mais que justas vaias da torcida. Dakson entrou em seu lugar e apenas ocupou os espaços no meio de campo.

Pedro Ken – boa movimentação e alguma habilidade em alguns lances, apesar de não ter conseguido efetividade na criação. Faltou atenção à cobertura ao Marlon em alguns lances.

Douglas – vinha tendo uma atuação discreta e com mais passes errados do que se espera de um camisa 10, até garantir a vitória com um gol que mostrou precisão no arremate e bom posicionamento. No segundo tempo cadenciou demais o jogo quando precisávamos de velocidade. Saiu no final para a entrada de Jhon Cley, que só teve tempo de isolar a bola numa finalização equivocadíssima.

Lucas Crispim – procurou levar maior movimentação ao ataque e acabou sendo o jogador mais agudo do time. Se errasse menos passes teria sido mais efetivo. Maxi Rodriguez, entrou em seu lugar e dessa vez não conseguiu fazer nada de útil.

Kleber – seu estilo brigador errou o alvo e o atacante se digladiou principalmente com a bola. Quando não errava os passes, as jogadas morriam com a bola batendo nele e indo para os marcadores. Finalizou apenas uma vez, em chute fraco de fora da área no segundo tempo.

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Arquivado em Atuações, Resenhas, Vídeos

Três pontos….três pontos…três pontos…

hipnoVoltando ao trabalho depois de sua cirurgia, Joel Santana teve finalmente algum tempo para trabalhar com o grupo e, aparentemente, tentou aproveitar o tempo perdido. Nos treinamentos, Joel testou vários jogadores, mudou o esquema da última partida, treinou jogadas de bola parada, fez ajustes no setor defensivo…Ou seja, podemos dizer que o Vasco estreou seu novo treinador na prática.

Se isso vai trazer alguma melhora imediata ao time, só poderemos ver na hora do jogo. Mas para a sorte do Natalino, poucos adversários na competição poderiam ser mais indicados para qualquer time mostrar alguma evolução quanto a combalida Portuguesa. Na vice-lanterna, há oito partidas sem vencer e com apenas três vitórias nas 27 rodadas da competição, a Lusa está numa situação tão desesperadora que até para hipnose está apelando como ajuda na difícil missão de escapar da queda.

Mas talvez o nosso treinador também precise de um bom hipnotizador para entender que o Vasco pode ser mais ofensivo mesmo jogando longe de São Januário. Joel não confirmou o time que começará a partida, mas como Fabrício foi testado nos treinamentos, existe uma grande possibilidade de entrarmos no Canindé com três volantes. E não só isso, sem poder contar com Thalles, é capaz de vermos um ataque com Crispim e Kleber. Menos mal que o Joel não precisou de alguém balançando um relógio à sua frente para definir o Jordi como primeiro reserva no gol.

Seja com a escalação ou esquema que for, uma vitória hoje é importantíssima, já que Ponte e Avaí jogam fora de casa e temos chances concretas de chegar pela primeira vez à liderança. Até porque, se fazer uma campanha muito abaixo do esperado foi o motivo da Lusa contratar um hipnotizador, o fato do Vasco ainda não ter chegado sequer uma vez – em 27 rodadas! – ao topo da tabela é uma justificativa bastante aceitável para que todo o nosso elenco tenha o mesmo tratamento.

Campeonato Brasileiro 2014

Portuguesa x Vasco 

Rafael Santos; Arnaldo (Maycon), André Astorga, Brinner e Jean Mota; Renan, Diogo Orlando, Allan Dias e Léo Costa (Gabriel Xavier); Jânio (Alemão) e Bruno Morais.

Jordi; Diego Renan, Rodrigo, Douglas Silva e Lorran; Guiñazu e Fabricio (Pedro Ken); Dakson (Maxi Rodriguez), Douglas, Lucas Crispim (Edmilson) e Kleber.

Técnico: Wagner Benazzi.

Técnico: Joel Santana.

Estádio: Canindé. Data: 07/10/2014. Horário: 21h50.  Árbitro: Arilson Bispo da Anunciação (BA). Assistentes: Fabio Pereira (TO) e Adson Marcio Lopes Leal (BA).

O SporTV transmite para seus assinantes em todo o Brasil (exceto SP). O Premiere transmite para seus assinantes em todo país e no sistema pay-per-view. 

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