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Como no Estadual

Foi preciso um mês, três semanas e cinco dias para o Vasco voltar a vencer. Entre a final do Estadual e a primeira vitória vascaína no Brasileirão, foi preciso que um quarto da competição acabasse e, sintomaticamente, que enfrentássemos justamente um adversário local. E como na semifinal do Carioca, vencemos a mulambada pelo placar mínimo.

Teria mesmo que ser contra um representando do nosso fraco Estadual. De certa maneira, o Vasco conseguiu sua primeira vitória fazendo certamente uma das piores apresentações, se não a pior. Esperar que Roth fosse melhorar muita coisa em menos de uma semana era querer demais, mas não há quem possa dizer – como disseram em vários outros jogos – que jogamos bem. Não que “jogar bem“ seja prioridade ou mesmo importante nesse momento. Roth sabia disso e fez o que considerou a melhor estratégia: dane-se a posse de bola, o “jogar de igual para igual” e a ordem direta de termos um time ofensivo. Por mais feio que joguemos, seria ainda mais feio que segurar a lanterna por mais tempo.

Fechadinho, esperando contra-ataques e, aparecendo uma chance, marcando um gol para ficar ainda mais fechado. É “jogar como time pequeno”? Se essa for a solução para nos tirar de posições na tabela destinadas aos times pequenos, ótimo. Melhor isso que seguir inutilmente a diretriz presidencial de jogar no ataque quando não temos um elenco que nos permita atua dessa forma de maneira eficiente. O pragmatismo do Roth pode não ser bonito de se ver, mas deu certo ontem e parece ser a melhor opção. Pelo menos até sairmos do Z4 ou os reforços chegarem, o que acontecer antes.

Como eu disse ontem, a qualidade do adversário não seria motivo para nos deixar muito confiantes em caso de vitória. Pelo contrário, termos cedido tanto espaço para o Framengo jogar chega a ser preocupante. Mas a rivalidade com a mulambada era o ingrediente que poderia dar a um gosto especial a um resultado positivo. E pode dar a motivação que faltava ao grupo para reagir na competição.

As atuações…

Charles – não apenas não comprometeu como nos outros jogos, como fez pelo menos uma grande defesa, garantindo o resultado.

Madson – diante de um dos adversários do Estadual, teve sua melhor atuação desde o título. Não que tenha sido uma presença constante no apoio, mas a jogada do gol – com grande jogada no ataque e um belo cruzamento – reproduziu seus melhores momentos do Carioca.

Anderson Salles – com as últimas atuações que teve o Luan, não precisou muito além de seriedade para não comprometer.

Rodrigo – Não teve muitos problemas para segurar os atacantes mulambos.

Christianno – precisou de apenas cinco minutos para quase entregar a paçoca aos urubus. Nada explica a manutenção do sujeito entre os titulares.

Serginho – lutou o jogo todo, mas não fez nada além de marcar.

Guinãzu – marcou com precisão e lealdade (nem faltas cometeu), sendo importante quando o time passou apenas a segurar o resultado.

Jhon Cley – Roth exige que todos façam sua parte defensivamente. E deve ter sido por isso que apareceu mais na marcação que na criação, onde simplesmente não produziu nada. Rafael Silva entrou em seu lugar para puxar contra-ataques em velocidade. Apesar do esforço, não chegou a levar perigo.

Júlio César – pra fazer o que fez no meio de campo, seria melhor jogar na sua posição de origem e tirar Christianno do time.

Gilberto – não se omitiu, como sempre. E como sempre, na única chance que teve, finalizou mal. Sentiu dores e foi substituído por Lucas, que entrou com o óbvio objetivo de fechar ainda mais o time e segurar o resultado.

Riascos – é atacante e ter marcado dois gols em dois jogos seguidos mostra que ele tem feito seu trabalho direito. Mas além disso, também ajudou muito na marcação. Com a correria, acabou cansando e deu lugar ao Thalles, que acabou ajudando mais a marcar os adversários que tentar marcar gols.

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Mais a ganhar

Doriva teve um bom tempo para fazer com que o limitado elenco que tinha em mãos rendesse alguma coisa e não conseguiu.Não podemos tirar a parte de responsabilidade que cabe ao ex-treinador do Vasco na campanha tenebrosa que o time faz até agora: mesmo sabendo que o título estadual não seria garantia alguma de uma boa participação no Brasileirão, nem o mais pessimista dos torcedores imaginaria que teríamos as oito primeiras rodadas que tivemos.

Ter indiscutivelmente a pior campanha da competição é mais do que qualquer treinador poderia suportar. Obviamente, a falta de telento no grupo foi fator preponderante para passaramos oito rodadas sem vitórias e ter cinco derrotas seguidas. Mas Doriva também não parecia ter mais ideias para resolver os problemas da equipe e como não se pode demitir 30 e tantos jogadores de uma vez, o jeito é trocar o treinador.

Mas a busca afoita por reforços após o começo vergonhoso no Brasileiro deixa claro que o principal problema não era no comando técnico da equipe. Talvez Doriva conseguisse resultados melhores se tivesse recebido reforços, quem sabe? Nunca saberemos, já que agora o trabalho está nas mãos do Celso Roth.

Roth chegou em um momento delicadíssimo para o Vasco, tem pela frente a missão de conquistar praticamente metade dos pontos que disputará até o fim da competição e, para deixar a brincadeira um pouco mais apimentada, fará sua estreia justo contra a Mulambada, em mais uma edição do que para o atual presidente do clube significa um “campeonato à parte“. Apesar de tudo o que esse clássico significa para a diretoria e a natural pressão por conta de tudo o que acontece na Colina, o Framengo é talvez o adversário ideal para o momento.

Ideal porque a rivalidade entre os dois clubes fará com que uma vitória hoje tenha um significado simbólico muito maior do que o real. Na prática, vencer um adversário que também está no Z4 não deveria valer tanto (ainda mais sabendo que ganhar três pontos hoje não é o bastante para nos tirar da zona). Mas quem duvidará que uma vitória sobre a urubulândia hoje não nos dará muito mais moral que uma vitória sobre equipes em situação melhor no Brasileiro, como Goiás (15º colocado), Avaí (12º) ou Chapecoense (7º)? Pelo outro lado, podem dizer que uma derrota também terá um efeito potencializado. Talvez, mas estando na lanterna da competição, não há como nossa situação piorar, não é mesmo?

A questão é que, por falta de tempo e de reforços, Roth não terá muito o que fazer para mudar a equipe. Mesmo não confirmando os titulares e havendo a possibilidade de uma ou outra alteração, o novo treinador não tem como fugir completamente do grupo preferido do Doriva. Um melhor desempenho hoje, então, passará necessariamente por uma mudança de postura. E nessa, nos resta torcer que os gritos e broncas do Roth tenham tido um efeito positivo no grupo.

Sintetizando: temos muito mais a ganhar que a perder nesse clássico. Vencendo, o clima na Colina melhorará sensivelmente, o que pode ser o início de uma arrancada na competição (mesmo que nosso adversário de hoje não seja lá essas coisas). Perdendo, não temos como perder posições na tabela e nem a cobrança aumentará, já que não se pode exigir muito de um treinador que fará sua estreia hoje. Então o ideal é que o Vasco ignore as pressões extracampo e jogue com atenção, comprometimento e, dentro do possível, com inteligência. Fazendo isso temos plenas condições de ganhar a fraca equipe mulamba.

Campeonato Brasileiro 2015

Vasco x Flamengo

Charles; Madson, Anderson Salles (Aislan), Rodrigo e Julio César (Christiano); Serginho, Guiñazu, E. Biancucchi (Julio dos Santos) e John Cley; Riascos e Gilberto.

César, Luiz Antonio, Wallace, Samir e Pico; Jonas, Márcio Araújo e Canteros; Everton, Eduardo da Silva e Emerson.

Técnico: Celso Roth.

Técnico: Cristóvão Borges.

Estádio: Arena Pantanal. Data: 28/06/2015. Horário: 18h30. Arbitragem: Héber Roberto Lopes (SC). Auxiliares: Kleber Lucio Gil (SC) e Guilherme Dias Camilo (MG).

O PFC transmite para todo o Brasil para seus assinantes e no sistema pay-per-view.

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Os mesmos erros de sempre

Antes de começar a escrever sobre o 1 a 1 entre Vasco e Cuiabá, perdi um tempinho procurando algum adjetivo para descrever a partida. Me ocorreu “foi melhor que contra o Goiás”, “pra quem só jogou 45 minutos tá bão”  ou “pelo menos não perdemos”. Mais que isso só sendo o Marcinho, que declarou que ambos os times estão de parabéns e que ele estava satisfeito.

Se eu fosse o Marcinho, também estaria satisfeito. Ganhar o que ganha para não fazer nada e ainda eventualmente ser titular do Vasco é realmente um feito. E ontem, a “nãofazência” do jogador parece ter inspirado todo o time, pelo menos durante o primeiro tempo. O Vasco apenas olhava o esforçado Cuiabá jogar e não parecia minimamente preocupado com que se passava em campo. Tanto que o único lance digno de nota foi uma chance clara de gol desperdiçada pelo Gilberto, nascida (como não poderia deixar de ser) em uma bola parada.

No intervalo, após uma providencial bronca do Doriva – “Costumo ser calmo, mas no intervalo eu tive uma conversa mais ríspida com o elenco”, declarou o treinador – o time resolveu ao menos aparentar algum interesse. E isso foi o bastante para passarmos a dominar o jogo e pressionar nosso anfitrião. Mas, como já vimos várias outras vezes, nossa maior posse de bola raramente se transforma em efetividade ofensiva. Mesmo controlando o jogo, ameaçávamos pouco o gol do Cuiabá e as raras chances de gol que tivemos foram desperdiçadas em finalizações bisonhas.

A partir dos 15 minutos da etapa final, Doriva começou a fazer substituições. Mas as entradas de Bernardo, Yago e Jhon Cley (nos lugares de Julio dos Santos, Rafael Silva e Marcinho, respectivamente) só serviram como uma recarga de bateria: o time manteve o ritmo, mas continuou pouco ou nada criativo. E quando parecia que só um acidente traria alguma emoção à partida, e foi justamente isso o que aconteceu: o jogador do Cuiabá erra um passe, Madson apanha da bola, ela sobra entre Luan e lateral Maninho, que tenta um cruzamento e acaba acertando o gol.

Faltando pouco mais de 10 minutos para o fim, o Vasco tentou pressionar, mas quando não errávamos o último passe, o goleiro deles fazia milagres (fez pelo menos uma excelente defesa em cabeçada do Gilberto) ou tentávamos cavar faltas próximo à área ao invés de tentar criar alguma coisa. E conseguimos o empate em mais um lance de bola parada, com Rodrigo acertando um foguete no último lance do jogo.

Não concordo com a impressão do Reizinho, que comentando a partida na transmissão global disse que o Cuiabá foi melhor na partida. Principalmente no segundo tempo, nosso anfitrião não conseguiu fazer nada e só marcou seu gol em um lance completamente acidental. Mas, ainda que tenha sido melhor, o Vasco segue mostrando os mesmos defeitos que mostrava no Estadual, somado a uma falta de vontade no primeiro tempo que não há como se justificar. O empate conseguido no finalzinho facilita muito as coisas na Copa do Brasil, mas a atuação do time não tranquiliza em nada a torcida. Se continuarmos jogando dessa forma, sem conseguir se impor diante de adversários como o Cuiabá, o que poderemos esperar no Brasileiro? Doriva ainda pode alegar que seu elenco tem limitações. Mas e se não vierem reforços que realmente agreguem qualidade ao grupo? Ficar apenas no discurso não vai salvar a pele do nosso treinador. E nem o nosso time.

As atuações…

Martín Silva – se tivesse tido mais trabalho ao longo da partida, talvez estivesse mais ligado no lance do gol do Cuiabá.

Madson – mesmo sendo presente como sempre no apoio, ontem errou quase tudo o que tentou. E o gol que sofremos só aconteceu porque o garoto não conseguiu dominar uma bola fácil. E já está começando a exagerar nas quedas ao menor contato dos marcadores.

Luan – errou alguns passes bobos e não conseguiu evitar o cruzamento do Maninho que acabou dentro do nosso gol.

Rodrigo – se havia alguma crítica a ser feita à sua atuação foi compensada pelo gol de empate.

Christianno – continua merecendo todas as críticas que sempre lhe são feitas, mas ontem há um senão: acertou o que deve ter sido seu primeiro cruzamento usando a camisa do Vasco. E foi um belo cruzamento, diga-se.

Guiñazu – o Guiña de sempre.

Serginho – segue a sina de errar passes demais até para um volante.

Julio dos Santos – o mundo já sabe: quando o paraguaio vira o corpo para a direita, o passe é para o Madson. Falta ele descobrir outras maneiras de ajudar o time. Bernardo entrou em seu lugar e deu alguns bons passes e finalizou pelo menos uma vez com perigo. Mas não precisava ficar cavando faltas tantas vezes.

Marcinho – só foi notado quando deu lugar ao Jhon Cley, que também não fez muita coisa.

Rafael Silva – só começou a jogar no segundo tempo, quando passou a tentar jogadas individuais e ao menos chutou algumas vezes a bola na direção em que parecia estar o gol. Fez pelo menos uma bela jogada, limpando até a linha de fundo e deixando Gilberto na cara do gol. Yago acabou entrando em seu lugar e mais uma vez só conseguiu correr como um desesperado pela lateral e cair quando a marcação chega junto.

Gilberto – geralmente não recebe muitas bolas em condição de marcar, mas ontem nosso centro-avante não pode reclamar: teve pelo menos TRÊS chances claríssimas de gol e falhou em todas. E apenas uma delas o mérito foi do goleiro; no resto, foi ele quem finalizou mal mesmo.

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Dia de queimar a língua

imagesEnquanto está no seu começo, a Copa do Brasil é a festa dos times menores e uma obrigação chata para os grandes. Para os clubes pequenos, é uma chance de mostrar seus talentos, incluindo aí até eventuais viagens para os grandes centros do país. Já para os maiores clubes, vencer é sempre uma exigência. E daquelas que não rendem nem uma felicitação extra, já que ganhar dos menores é uma obrigação para os grandes.

E o Vasco hoje tem um adversário que, em se tratando de motivação, não tem do que reclamar: o Cuiabá conquistou semana passada a Copa Verde (que lhes deu o direito a disputar a Copa Sul-Americana do ano que vem) e na segunda-feira sagrou-se tricampeão mato-grossense. Diante disso, melhor será para o Vasco não encarar a partida de hoje como apenas mais um compromisso profissional a tirar seus jogadores de casa por alguns dias, porque do outro lado estará um adversário que verá a classificação como uma coroação da excelente fase que atravessam.

E se lembrarmos como foi a classificação na fase anterior da Copa, temos ainda mais motivos para torcer que o time do Doriva leve essa partida com toda seriedade possível. Penamos muito mais do que o esperado para passar pelo semiprofissional Rio Branco e o Cuiabá promete ser um adversário bem mais complicado. Talvez por imaginar que não terá vida fácil, Doriva escalou praticamente o time titular para o jogo, mas com uma única diferença que pode ser crucial. Dagoberto, que nem viajou, cede seu lugar ao Marcinho.

Mas a saída de Dagoberto mudará tanto o time assim? Não, não é a saída de Dagol que causa calafrios, e sim, a entrada do Marcinho. Dagoberto ainda não mostrou tudo o que pode, mas Marcinho já mostrou diversas vezes o que não pode: ser a referência do time para qualquer coisa. Um camisa 10 que não arma, erra uma penca de passes e raramente finaliza não tem muita serventia. E aí é que reside o problema. Se Marcinho mantiver o nível de atuação que mostrou no Estadual, jogaremos com menos um em campo.

Por isso, nem vou falar em eliminar o jogo da volta. Esperar que o Vasco faça uma partida aceitável e que facilite a classificação já basta. O Cuiabá vai jogar a partida da sua vida – talvez a mais importante da sua curta história – e vai fazer o impossível para conseguir um bom resultado. Já o Vasco terá que superar o impossível, que é fazer com que a bola chegue ao ataque em condições de serem finalizadas de maneira decente. Contra o Goiás, na estreia pelo Brasileiro, contaram-se nos dedos de uma mão as vezes que atingimos esse objetivo. Com Marcinho “organizando” o meio, as coisas devem ficar ainda mais difíceis.

Talvez eu esteja sendo pessimista demais. Mas é difícil lembrar qual foi a última vez em que Marcinho tenha merecido mais elogios que críticas ao fim do jogo. Faz tempo que torço para que o Marcinho queime a minha língua e faça uma boa partida. Quem sabe hoje não é esse dia?

Copa do Brasil 2015

Cuiabá x Vasco

Willian Alves, Gean, Ricardo Braz, Egon e Maninho; Bogé, Felipe Blau, Geovani e Raphael Luz; Kaique e Nino Guerreiro.

Martin Silva, Madson, Luan, Rodrigo e Christiano; Serginho e Guiñazu; Julio dos Santos, Marcinho e Rafael Silva; Gilberto.

Técnico: Fernando Marchiori.

Técnico: Doriva.

Estádio: Arena Pantanal. Data: 13/05/2015. Horário: 22h. Arbitragem: Vinicius Gonçalves Dias Araujo (SP). Auxiliares: Alex Ang Ribeiro (SP) e Gustavo Rodrigues de Oliveira (SP).

As redes Bandeirantes (RJ e parte da rede) e Globo (RJ, ES, MT, AM, RO, AC e RR) transmitem ao vivo. O SporTV 2 transmite para seus assinantes em todo país .

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Padrão CBF

Vejam vocês uma verdadeira ironia: o Vasco se despencou até Cuiabá para jogar em um estádio padrão Fifa e acabou apresentando um futebol padrão CBF. Quem não assistiu ao jogo contra o Santa Cruz e só ficou sabendo do placar (4 a 1 pra nós), pode facilmente se enganar pela goleada. Mas a verdade é uma só: jogamos tão mal que em alguns momentos deu saudade de ver a seleção brasileira.

A falta de ritmo do time, que não atuava desde antes da Copa, não serve como desculpa, já que nosso adversário estava na mesma situação. O tempo de inatividade não justifica falta de padrão de jogo, as falhas de marcação e a praticamente inexistente articulação de jogadas. Diante da elasticidade do placar, seria leviano dizer que o Santa mereceria melhor resultado, mas na prática, vimos o time pernambucano jogando com muito mais desenvoltura e, se tivesse um elenco com um cadinho a mais de qualidade, poderiam mudar a história do jogo, já que finalizaram mais vezes.

Adilson Batista não pode ser responsabilizado por erros dos jogadores (até Martin Silva falhou ontem!) ou pela falta de opções qualificadas do elenco. Mas é inadmissível que um técnico, que chegou à parada para o Mundial balançando no cargo, ganhe de presente um mês apenas para treinar e seu time apresente o futebol que o Vasco apresentou. Os velhos defeitos continuam lá e a mudança de esquema, que deveria trazer maior compactação e segurança para a defesa, mostrou uma fragilidade impressionante.

No fim das contas, Adilson falhou em fazer com que o Vasco seja um time: se estamos na sétima posição na tabela, é por conta dos lampejos dos nossos jogadores (ontem principalmente o Fabrício), que mal ou bem, estão acima da média da competição. Vendo apenas a organização das equipes, várias delas estão mais preparadas que a nossa. E isso, muito mais que a campanha vascaína e as derrotas para os luverdenses da vida, são um motivo mais que justo para a torcida pedir a cabeça do treinador.

As atuações…

Martin Silva – a bola do gol do Santa era defensável, mas Martin acabou compensando a falha com outras boas defesas.

André Rocha – pavoroso: depois de errar passes, tentar cruzamentos constrangedoramente ruins e ver o gol adversário sair após ser facilmente driblado, foi substituído antes da metade do primeiro tempo, possivelmente batendo o recorde no quesito ida mais rápida para o chuveiro. O estreante Carlos Cesar entrou em seu lugar e melhorou a atuação pelo setor (tendo participação fundamental no terceiro gol, inclusive), mas diante de uma apresentação tão desastrosa do André Rocha, precisamos vê-lo atuar mais vezes para ter uma impressão mais correta do seu potencial.

Luan – penou no começo da partida, já que atuou pelo lado do André Rocha e sua avenida. Com o problema na lateral resolvido, passou a jogar com mais tranquilidade, ainda que tenha tido problemas com a falta de uma boa proteção por parte do meio campo.

Douglas Silva – se saiu um pouco melhor que seu companheiro de zaga, e não apenas pelo belo gol que fez, mas por superar o Luan principalmente no combate direto e nas bolas alçadas à área.

Diego Renan – em uma atuação discreta, Diego esteve longe de ser o lateral participativo que costuma ser. Mas no geral, não comprometeu.

Guiñazú – meio que carregou piano como primeiro volante, já que os outros homens do setor não deram a necessária atenção à parte defensiva. Mas se saiu bem dentro das circunstâncias, inclusive fugindo de suas características: não errou passes e cometeu apenas duas faltas.

Fabrício – o nome do jogo, com dois bonitos gols e nenhum erro de passe. Se faltou participar um pouco mais na marcação, foi porque apareceu como homem surpresa na frente diversas vezes (o que era necessário, já que Dakson não foi bem).

Pedro Ken – também não errou passes, mas diversas vezes se perdeu no posicionamento, deixando espaços para os adversários e muitas vezes sendo obrigado a fazer faltas (foi quem mais as cometeu no time).

Dakson – só apareceu nas bolas paradas, cobrando duas faltas: uma no travessão e outra encontrando Douglas Silva para marcar o gol da virada. Perdido na função de armador – que na verdade não é a dele – acabou sendo substituído por Lucas Crispim, que estrou bem, levando maior movimentação para o setor e fazendo a assistência para o gol que fechou a goleada.

Thalles – lutou muito, como sempre, mas foi muito pouco efetivo. Na única finalização que teve, perdeu uma chance incrível (e ainda desperdiçou a única coisa que André Rocha acertou em sua curta passagem pelo jogo). Sem conseguir cumprir sua função de atacante, acabou ajudando na marcação da saída de bola.

Kléber – como não poderia deixar de ser teve uma estreia discreta, até pelo longo tempo inativo. Ainda assim deixou o dele, cobrando o pênalti sofrido por Carlos Cesar com categoria. Edmílson entrou no seu lugar no fim e só teve tempo de fazer uma boa tabela com Thalles, que acabou não rendendo nada.

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Chega de decepções

thalles-vasco-640x480-foto-arenaDepois do sonho que foi ver uma copa em nosso país, nós vascaínos voltamos hoje à nossa dura realidade, de jogos em dias estranhos, adversários nada tradicionais, partidas em locais exóticos e sem ter sequer o consolo de ter uma seleção da qual nos orgulhemos. De “padrão fifa” nesse retorno à rotina, só teremos o estádio, já que a Arena Pantanal  será o palco do confronto entre Vasco e Santa Cruz.

Mesmo que não possamos considerar o Santa um oponente tradicional – por conta das suas andanças nas séries inferiores do Brasileirão, faz quase 10 anos que não enfrentamos o tricolor pernambucano em uma partida oficial – não podemos negar que nosso adversário tem um nome a zelar. O que, aliás, tem feito com mais eficiência que o próprio Vasco, se considerarmos que estamos atrás deles na classificação (lembrando que temos um jogo a menos).

Mas se voltamos ao futebol “daquele jeito” que infelizmente nos acostumamos, também há novidades que podem ser interessantes. A mais óbvia é a estreia do Gladiador com a armadura cruzmaltina. Edmilson, que chegou a ser dúvida para o jogo, vai para o banco e o jovem Thalles formará o ataque com Kléber. Na teoria, teremos um equilíbrio maior no setor, com o estreante jogando pelos lados do campo e Thalles mais centralizado. Teoricamente porque não sabemos a quantas anda o futebol do Gladiador, depois de tanto tempo sem jogar uma partida oficial.

A outra novidade importante é a desistência do Adilson em manter o esquema com três atacantes. O treinador tirou um homem do setor e reforçou o meio de campo, que jogará com três volantes, em um 4-1-2-1-2. Guiñazu, voltando de contusão, ficará mais fixo à frente da zaga; Fabrício e Pedro Ken ajudarão a fechar os espaços no meio, cada um por um lado do campo. E Dakson, substituindo o suspenso Douglas, terá liberdade para criar jogadas e chegar próximo aos atacantes. Outro desfalque além do camisa 10 é o de Rodrigo, que ficará fora por duas rodadas e será substituído por Douglas Silva.

E por último, mas não menos importante, contaremos com a volta de Martín Silva, enviando de volta para a reserva – de onde nunca deveria ter saído – Diogo Silva.

A Copa comprovou que não existe mais bobo no futebol e eu poderia fazer uma analogia com nosso adversário de hoje. Mas simplesmente não posso fazer isso. De decepções futebolísticas, já basta o 7 a 1 que sofremos com a seleção. Já passou da hora do Vasco mostrar que a função de um favorito é vencer e não podemos permanecer no meio da tabela de um campeonato de segunda divisão. A partida de hoje, por conta da inaceitável quantidade de pontos que já perdemos, é uma briga direta por posições na classificação e a vitória é indispensável. Ainda mais sendo um jogo como mandante (mesmo não sendo em São Januário).

Campeonato Brasileiro 2014

Vasco X Santa Cruz

Martín Silva, André Rocha, Luan, Douglas Silva e Diego Renan; Guiñazu, Fabrício, Pedro Ken e Dakson; Thalles e Kléber.

Tiago Cardoso; Nininho, Everton Sena, Renan Fonseca e Renatinho; Sandro Manoel, Bileu (Wescley), Danilo Pires, Carlos Alberto e Pingo; Léo Gamalho.

Técnico: Adilson Batista.

Técnico: Sérgio Guedes.

Estádio: Arena Pantanal. Data: 15/07/2014. Horário: 21h50.  Árbitro: Anderson Daronco (RS). Assistentes: Marcelo Bertanha Barison (RS) e Jose Antônio Chaves Franco Filho (RS).

O SporTV transmite para seus assinantes de todo Brasil (exceto RJ e MT). O Premiere transmite para seus assinantes e no sistema Pay-per-view.

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Cara de B, disposição de segunda

A derrota do Vasco para o Luverdense veio na hora exata para confirmar o momento mais deprimente da sua história. Nem o vascaíno mais pessimista poderia apostar que chegaríamos ao segundo jogo na Série B sem vitórias e terminando a rodada quase no grupo de clubes que cairá para a terceirona.

Claro que há um ou outro atenuante. Se o time titular do Vasco não chega a ser o pior time do mundo, seu time reserva – ou pelo menos uma equipe com seis suplentes – não faria no campeonato muito diferente do que fez ontem: o time B do Vasco é uma equipe com cara de Série B.

O problema é que um time de Série B tem que jogar com a disposição que o campeonato exige. E esse foi o maior problema da equipe ontem: os jogadores entraram em campo como quem está cumprindo tabela e como se tivesse qualidade para vencer o jogo a hora que quisesse. Pressionou um pouco no começo, depois diminuiu o ritmo e, além dos milhares de erros, jogou com uma displicência inaceitável. Tomou o gol, continuou errando muito e foi para o intervalo com uma merecida desvantagem no placar.

No segundo tempo, a mesma coisa: jogadores fracos tecnicamente trotando em campo como se a tradição e a camisa do Vasco fossem resolver a partida. Como confundir grandeza com soberba nunca ajudou nenhum time a vencer, sofremos o segundo gol, depois de André Rocha cometer uma penalidade que um fraldinha mais ou menos não cometeria.

Adilson, que no intervalo fez duas trocas seis por meia dúzia, viu uma delas dar algum resultado com Yago,  que marcou um gol ocasional (ainda que muito bonito). Justamente um garoto que, mesmo não mostrando nada de fenomenal, pelo menos jogou com a disposição de quem ainda precisa provar o seu valor. Era o que todos em campo deveriam ter feito ao longo dos 90 minutos, mas que muito poucos fizeram.

Não por acaso, tanto Fellipe Bastos quanto Reginaldo, sintomaticamente dois dos substituídos no decorrer da partida, falaram à imprensa que o Vasco precisa “entrar no campeonato”. A declaração de ambos foi a coisa mais correta que fizeram ontem. Como ainda ficaremos um bom tempo sem os titulares, é bom que os reservas se conscientizem que mesmo que todos fossem fora de série, todos precisam se comprometer na competição.

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Ex-jogadores em atividade, que tenham tido passagem pela mulambada, preparem seus DVDs, voltem a malhar e avisem seus agentes: se o Vasco seguir levando gols de atacantes decadentes que atuaram na urubulândia, vocês terão um belo mercado na Série B esse ano.

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As atuações….

Diogo Silva – se não teve culpa nos gols, não deixou de mostrar sua habitual insegurança, uma delas numa bola alçada à área que estava nas suas mãos e deixou cair nos pés de um atacante adversário e depois numa saída de bola em que quase entregou a rapadura para o Luverdense.

André Rocha – um dos piores em campo, passou o primeiro tempo inteiro sem apoiar, mostrando uma falta de atenção incrível. No segundo, cometeu um pênalti infantilíssimo que acabou decretando nossa derrota. Depois disso, até tentou aparecer mais no ataque, mas não acertou nenhum dos seus lançamentos.

Luan – se foi facilmente driblado no primeiro gol, é preciso dar um desconto, já que foi deixado completamente na podre no lance. No resto da partida foi um dos poucos que não tiveram uma atuação constrangedora.

Rafael Vaz – não chegou a comprometer e quando o time partiu para o ataque depois de diminuir a diferença no placar, foi bem ao evitar contra-ataques com antecipações e fez boas invertidas de jogo. Quase marcou um golaço no fim do jogo.

Diego Renan – foi melhor opção ofensiva na esquerda que Reginaldo ou Barbio. Quase marcou o gol de empate após boa tabela com Talles.

Aranda – alguém que tem a responsabilidade de fazer a saída de bola não pode errar tantos passes. Foi num deles que o Vasco tomou o primeiro gol (e, além do passe errado, o paraguaio também não deu o combate como deveria para tentar recuperar a bola). Tantos erros de passe e chutes longínquos do gol nos faz pensar se Aranda não deve procurar um oftalmologista.

Fellipe Bastos – nem dá pra dizer que ele não se esforça, mas é impossível não se irritar ao ver ele dobrar o corpo todo para dar passes com estilo e ver a bola cair sempre nos pés do outro time. Tirando uma cobrança de falta com relativo perigo, não fez nada que preste. Foi substituído pelo Dakson, que nos pouco mais de 10 minutos em que esteve em campo foi ainda menos efetivo que Bastos.

Douglas – no primeiro tempo, um bom cruzamento para Reginaldo e uma bola na trave em cobrança de falta. No restante do jogo, foi um dos que mais andou que correu e pouco apareceu.

Montoya – tentou mostrar sua habilidade no começo do jogo, mas entre partir para uma jogada individual ou passar para um companheiro melhor posicionado, sempre escolheu a primeira opção. Depois de perder um gol feito – após belo passe de Thalles – caiu de produção e pouco apareceu. Saiu no intervalo para a entrada de Yago, que pouco apareceu caindo pela direita e subiu de produção quando inverteu posições com Barbio e deu algum trabalho pela esquerda. Teve o mérito de tentar finalizar de fora de área e foi premiado com um golaço, seu primeiro como profissional.

Reginaldo – não teve sucesso em praticamente nada que tentou, inclusive na única chance que teve para marcar, quando finalizando mal após receber boa bola de Douglas. Saiu no intervalo para entrada de William Barbio, que fez o de sempre: correu, correu, correu e não foi efetivo em momento algum.

Thalles – seus melhores momentos acabaram sendo ao servir seus companheiros (deixou Montoya e Diego Renan na cara do goleiro para ambos desperdiçarem). Praticamente não recebeu bolas em boas condições de finalização.

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Hoje saiu uma coluna de minha autoria no site “Ao Vasco Tudo!, na qual falo sobre a quase ignorada mudança no Estatuto do clube.

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