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No ponto pra azedar

Ao ser perguntado sobre o trabalho do Celso Roth no comando do time vascaíno, Eurico Miranda foi lacônico: “Não tenho o que falar. Se for levar em consideração as partidas que ele disputou, está 50% a 50%”. Infelizmente o presidente precisará refazer suas contas após a quinta partida de Roth no clube. Com a derrota para o Grêmio por 2 a 0, a terceira seguida, seu desempenho caiu para 33,3%.

Não que a culpa por mais uma derrota seja culpa exclusiva do treinador. Roth tem suas convicções, elas podem até ser discutíveis, mas o fato é que o técnico apenas diz o que os jogadores devem fazer. Se eles não conseguem, não há muito que um treinador possa fazer, já que eles não podem entrar em campo para resolver os problemas do time.

Na partida de ontem, Roth até tentou. Mudou o time colocando jogadores que – segundo os ainda confiantes no elenco – trariam mais qualidade para o grupo. Mas a volta de Dagoberto e as entradas de Eder Luis e Herrera no decorrer do jogo não resolveram. Claro que algumas escolhas do técnico não teriam como dar certo: insistir com o Christianno ou inventar o Júlio César no meio (o que acabou mantendo a equipe com três volantes) foram decisões que não teriam como dar certo. E efetivamente não deram, tanto que o primeiro foi substituído e o segundo acabou o jogo na lateral esquerda.

Mas a intenção do Roth, que claramente era conseguir sair da Arena Grêmio com um pontinho, até vinha funcionando. Era naquele esquema de aguentar a pressão e eventualmente chegar ao ataque, mas vinha dando certo. Funcionou o primeiro tempo inteiro, mas aos 14 minutos da etapa final, pagamos o preço por permitir que os donos da casa passassem o tempo todo no ataque: uma falha individual pôs tudo a perder. Charles mais uma vez rebate uma bola para frente da área, ela explode no Anderson Salles e acaba nas redes (exatamente como o quarto gol do São Paulo na rodada anterior).

Depois disso, se havia algum traço de estratégia na forma como jogávamos, ela se foi. Roth começou a fazer alterações e o esquema original com três volantes redundou em um time com três atacantes, que tentava atacar de forma descoordenada e cedia espaços para contra-ataques. O resultado? Nenhuma efetividade ofensiva e um segundo gol, nascido em um contragolpe em velocidade após perdemos a bola em mais um infrutífero ataque.

Na resenha feita após a derrota do Vasco na última rodada, tinha comentado que talvez a receita do Rothbol tivesse com a validade expirada. A derrota de ontem confirma essa impressão, mostrando que nosso treinador não consiga ter um desempenho aceitável nem nas tais 10 primeiras partidas comandando suas equipes. Alguns torcedores talvez ainda coloquem a culpa pela terceira derrota de Roth no lance de azar protagonizado por Charles e Anderson Salles. Mas tirando as duas vitórias que tivemos – em atuações lamentáveis, apesar do resultado, vale lembrar – estamos há 13 rodadas na mesma toada. Não há como culpar unicamente a falta de sorte por tantos fracassos.

Doriva não resistiu a uma sequência de resultados ruins. Roth pode não ter começado a balançar, mas se não conseguir tirar o Vasco da situação terrível em que se encontra, também deve virar a bola da vez em pouco tempo. Os dois se equivocaram muitas vezes, mas nenhum dos dois é milagreiro. Fazendo uma analogia culinária: nem sempre a culpa é do cozinheiro quando o bolo azeda. E se precisarmos contratar um terceiro mestre cuca, talvez seja a hora da diretoria começar a considerar que o principal problema são os ingredientes que temos.

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Preguiça monstro para falar das atuações dos jogadores. Como sempre, há muito mais a se destacar pelo lado negativo que pelo positivo, e chega uma hora que cansa ficar apontando o erro dos outros repetidamente. Quem fizer questão de uma análise sobre como se saiu individualmente a equipe, basta uma olhada nas resenhas dos outros jogos. As atuações foram basicamente as mesmas.

Pra dizer que não falei nada, comentários breves sobre as caras novas – ou nem tanto – do time:

Dagoberto  voltou depois de longa inatividade, mas podemos dizer que continua inativo. Não fez nada que mereça menção.

Andrezinho – ainda não correspondeu a imensa confiança depositada (unicamente pelo presidente) em seu futebol.

Herrera – fez sua estreia ontem. Dizem.

Eder Luis – substituiu o Riascos e não perdeu a quantidade inaceitável de gols que o colombiano perdeu. Isso porque não chegou a finalizar nenhuma vez.

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Update: acabei de publicar uma nova coluna no site Vasco Expresso. Cliquem aqui e confiram!

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Arquivado em Atuações, Resenhas, Update, Vídeos

Equação complicada

EquaçãoAssim como nas últimas sei lá quantas rodadas, o Vasco não pode pensar em outro resultado além da vitória. E o Grêmio, nosso adversário de hoje, tem uma campanha muito melhor, joga em casa e precisa se recuperar da derrota contra o a Chapecoense no jogo passado. Ou seja, um jogo complicadíssimo para nós, assim como os últimos sei lá quantos.

Celso Roth não confirmou o time, como sempre. E, igualmente como sempre, deve fazer mudanças significativas no time, depois de sofrer uma goleada. As alterações podem melhorar o desempenho da equipe, pelo menos é o que nós torcedores esperamos. Como sempre.

Esse é o problema. Se as coisas se repetem em sua maioria, como esperar um final diferente? E as possibilidades de mudança – deixando a inevitável torcida por um sucesso em Porto Alegre – não são capazes de trazer qualquer certeza para quem as analisar sincera e racionalmente.

Dagoberto era uma das grandes esperanças do time desde o Carioca, mas só jogou bem uma partida em toda sua permanência no clube. Jogará bem? Uma incógnita. Herrera talvez estreie e, caso jogue, pode se sair melhor que o apagado Gilberto. Mas depois do longo tempo de inatividade do gringo, quem pode afirmar com certeza? Roth pode manter Julio César na lateral, deixar Cristianno na sua melhor posição (o banco) e não apelar para o esquema com três volantes. Ou, como não confirmou o time, pode fazer exatamente o contrário, escalar Lucas mais uma vez, voltar com o Cristianno e armar um time com uma capacidade ofensiva ainda menor que aquela que começou o jogo contra o São Paulo.

As variáveis são muitas, mas nessa equação o resultado não pode ser outro: a vitória, por mais que pareça improvável, é a única opção aceitável. Outra derrota pode nos mandar novamente para a lanterna e abalar ainda mais a já pouca confiança da equipe. Por sorte, futebol não é matemática, e não dependemos da lógica para torcer por um resultado positivo. Quem sabe, em um confronto contra um pupilo – Roger Carvalho, técnico gremista, foi auxiliar do Roth – nosso treinador não saiba o que fazer para anular os pontos fortes do Grêmio? Não deixa de ser uma esperança.

Esperança essa que é uma das poucas coisas que nos restam para torcer pelo melhor. Acreditar numa vitória fora de casa, contra o vice-líder da competição, é uma daquelas situações improváveis que só um torcedor apaixonado é capaz. E é uma sorte o futebol não ser definido por cálculos matemáticos. Se fosse, na fase que o Vasco atravessa e com as opções que temos, a conta para os três pontos não fecharia.

Campeonato Brasileiro 2015

Grêmio x Vasco

Marcelo Grohe; Galhardo, Pedro Geromel, Erazo e Marcelo Oliveira; Walace, Maicon, Giuliano e Pedro Rocha; Douglas e Luan.

Charles; Madson, Rodrigo, Anderson Salles e Julio Cesar (Cristianno); Guiñazu, Serginho, Lucas (Julio César) e Andrezinho; Dagoberto (Riascos) e Gilberto.

Técnico: Roger Carvalho.

Técnico: Celso Roth.

Estádio: Arena Grêmio. Data: 11/07/2015. Horário: 18h30. Arbitragem: Luiz Flávio de Oliveira (SP). Auxiliares: Emerson Augusto de Carvalho (SP) e Daniel Paulo Ziolli (SP).

O SporTV transmite para todo Brasil (exceto RS). O Canal Premiere transmite para seus assinantes em todo país  e no sistema Pay-per-view.

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Bom, na pior das hipóteses, podemos contar com um reforço de “peso“:

“Eu afirmo e garanto, em especial ao torcedor: não tem hipótese de rebaixamento. Eu tenho crédito. Se eu digo que não vai cair, não vai cair. Se alguém não acredita, tem os seus motivos. A única diferença é que eu estou aqui. Sou o grande reforço. Não sou leviano de dar uma afirmação dessas”

Não creio que esse reforço possa nos ajudar em campo – seja jogando, seja trazendo reforços incontestáveis – mas a seguir nessa toada, talvez precisemos mesmo do seu “talento” nos bastidores. O que, para qualquer torcedor que compreenda a grandeza do Vasco da Gama, será vergonhoso.

Seja como for, torçamos que mais essa declaração bombástica do presidente não valha apenas 90%. Ou que não seja apenas mais uma bravata como a de que o Vasco não jogará com o Fluminense na Arena Maracanã.

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