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Vitoria da maturidade sobre o descontrole

Não precisou muito tempo para vermos quem sairia vencedor na primeira semifinal do Estadual desse ano. Aliás, não precisou sequer começar a partida: a intempestiva entrada mulamba em campo, que abandonou o protocolo para dar uma demonstração de…bem, não dá pra saber exatamente o que significou aquele gesto, mostrou o descontrole do nosso adversário mesmo antes da bola rolar. Se foi uma tentativa de intimidar nossoo time, não deu certo. Os mulambos simplesmente deram – perdoem-me pelo trocadilho – uma baita bandeira de que no futebol estão longe da maturidade que tem a equipe do Jorginho. O resultado não poderia ser outro: Vasco 2 a 0 e vaga na final garantida sem muitas complicações.

E o Vasco venceu sem precisar dar espetáculo ou jogar muito bem. Nem mesmo se valeu da vantagem do empate, buscando o ataque tanto quanto à mulambada, que precisava marcar gols. A diferença é que o Framengo tinha uma posse de bola estéril, que não nos ameaçava muito, enquanto o Vasco ia ao ataque na boa e levava mais perigo. Foi assim até os 21 minutos, quando abrimos o placar após Riascos dar uma série de dribles no zagueiro César Martins (que devem ter lhe provocado danos irreversíveis na coluna), passar para Nenê (que chutou em cima do Wallace) e Andrezinho aproveitar a sobra para estufar a rede com um chute na entrada da área.

Com vantagem ainda maior, o Vasco acabou recuando suas linhas de marcação, o que fez com que o Framengo fosse mais presente no ataque, principalmente pela esquerda. Jorge Henrique, Diguinho e Júlio César não conseguiam impedir os avanços do adversário e com isso a mulambada passou a cruzar bolas perigosas pela nossa área. Por sorte, os atacantes de grife do outro lado parecem ficar ainda menos eficientes diante do Rodrigo e não conseguiram aproveitar as oportunidades que tiveram.

No segundo tempo as coisas se resolveram ainda mais rapidamente. Voltando com uma marcação melhor, o Vasco precisou de apenas 11 minutos para ampliar: Júlio César avançou para o ataque, tocou para Andrezinho que encontrou Riascos na área. O colombiano chuta, Paulo Vitor defende e a bola bate em Wallace e vai para o gol. Foi contra, mas como a arbitragem deu o gol para o atacante vascaíno, Riascos chegou ao seu nono gol e à artilharia da competição.

Precisando marcar três gols para escapar da eliminação, a mulambada acabou se abatendo. E aí, o Vasco mais uma vez mostrou segurança, garantindo o placar sem correr muitos riscos. A expulsão do Alan Patrick aos 33 minutos – após falta desqualificante sobre Yago Pikachu – decretou o fim das esperanças rubro-negras. Daí em diante foi só esperar o apito final, dado em cima dos 45 minutos. Até o árbitro sabia que acréscimos seriam inúteis.

A nona partida sem derrota para a urubulândia serviu para evidenciar como o momento vascaíno é melhor que o do rival. Ainda que não tivéssemos marcado nenhum gol, a classificação do Vasco seria inevitável, já que os mulambos pouco nos ameaçaram. No fim das contas, nada mais justo diante da campanha das duas equipes na competição. Mas vale lembrar que, como disse o Jorginho em sua coletiva, não ganhamos nada ainda e o objetivo é o bicampeonato. Eliminada a mulambada, agora é se preparar para a segunda final seguida contra o Canil e mostrar a mesma tranquilidade que tivemos ontem nas duas partidas decisivas que teremos pela frente.

As atuações…

Martín Silva – segurança em todos os lances e pelo menos uma grande defesa, ainda no primeiro tempo.

Madson – com maiores preocupações defensivas, não foi tão presente no apoio. Se saiu bem na função.

Luan – superior aos atacantes mulambos em praticamente todos os lances. Acabou iniciando com uma espanada na bola um contra-ataque perigoso, desperdiçado por Nenê e Riascos.

Rodrigo – assim como o companheiro de zaga, não teve muitos problemas para parar o ataque urubulino.

Julio Cesar – voltando de contusão e aparentemente jogando no sacrifício, acabou não dando a proteção necessária à sua lateral, que foi o caminho mais utilizado pela mulambada para chegar ao ataque. No segundo tempo melhorou e até chegou a fazer algumas boas jogadas no apoio. Cansou e deu lugar ao Rafael Vaz, que entrando com o jogo resolvido acabou mesmo improvisado na esquerda, onde se preocupou unicamente em reforçar a marcação.

Diguinho – jogando à frente da zaga, poderia ter menos problemas se adiantasse um pouquinho mais a marcação – algo que não foi exclusividade sua, mas do time como um todo – e não permitisse a constante troca de bola framenga tão próxima à nossa área. Na saída de bola deu umas vaciladas. Também atuando meio que no sacrifício, deu lugar para o Yago Pikachu, que se ateve mais à marcação. A expulsão do Alan Patrick, que praticamente acabou com qualquer chance de reação mulamba, aconteceu em uma falta sofrida pelo lateral/volante.

Julio dos Santos – não é implicância, eu simplesmente sou incapaz de ver qualquer coisa de útil que o paraguaio faça em campo. Talvez seja porque ele só faça a tal “função tática” que os técnicos tanto gostem. Mas é aquilo: quem não faz nada, não erra. E como muito ajuda quem não atrapalha, nem dá pra falar muito do cara.

Andrezinho – mais uma vez ocupou o espaço que deveria ser do Nenê e fez muito bem. Iniciou as melhores jogadas do time, participou dos lances dos dois gols, mostrando boa visão de jogo e de posicionamento no que marcou e encontrando Riascos com um bom passe no segundo.

Nenê – mesmo tendo finalizado algumas vezes no primeiro tempo e tendo iniciado a jogada do primeiro gol, foi um dos mais fracos no time: perdeu um monte de bolas bobas (e um gol feito, ao preferir tocar ao invés de chutar para o gol), errou muitos passes e passou a maioria do tempo caindo. No segundo tempo melhorou, mas ainda ficou aquém do que se espera do craque do time.

Jorge Henrique – foi muito mais presente no apoio à marcação – onde não foi muito bem, já que não conseguiu impedir os avanços do Rodinei – tendo feito apenas uma boa jogada ofensiva, quando puxou um contra-ataque e deu ótimo passe para Nenê (que desperdiçou o lance). Pelo menos não se pode ignorar a entrega do jogador em campo.

Riascos – participou dos dois gols, entortou a coluna do zagueiro mulambo no primeiro, ganhou de presente da arbitragem o segundo e ajudou a levar o Vasco à final chegando à artilharia do campeonato. Foi ou não foi um bom dia para o colombiano? Eder Luis o substituiu depois dos 30 minutos para dar novo gás aos contra-ataques vascaínos, o que acabou não sendo necessário. Ainda assim, o Chico Bento participou de duas boas jogadas.

***

Antes da partida, a imprensa se esmerou em mostrar a festa da torcida rubro-negra em Manaus e em informar que os ingressos destinados ao Flamengo tinham grande procura. A intenção óbvia era mostrar que a movimentação do torcida adversária era mais intensa que a da nossa, ignorando que o Vasco jogava pelo segundo final de semana seguido na cidade e que, mesmo assim, fez uma recepção tão calorosa quanto a do rival e esquecendo de citar que não é fácil para o torcedor vascaíno pagar ingressos caros duas vezes no mesmo mês.

E qual foi a resposta do Framengo para o carinho do povo de Manaus? Ignorar os pequenos torcedores que entrariam em campo com os jogadores para fincar uma bandeira no campo. Para aliviar bastante a barra do time, podemos dizer que foi uma atitude bastante deselegante.

E no final das contas, não adiantou nada. Foram eliminados do mesmo jeito. Se a intenção ao espetar a bandeira mulamba no gramado era mostrar que “conquistariam aquele território”, o Vasco mostrou como se faz isso da maneira correta: com bola na rede.

Com a derrota, ficou claro que fincar bandeiras não adianta nada. Mas O Bandeira é quem deve estar querendo enterrar sua cabeça num buraco no chão.

***

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Frustração

A enxurrada de memês criados imediatamente após o fim da partida são um sinal de que a torcida vascaína deve ter ficado satisfeita com o empate em 1 a 1 com a mulambada. E até há motivos para isso, já que mantivemos o tabu de mais de um ano sobre o rival, a invencibilidade na competição e a liderança na Taça Guanabara. Mas se formos no ater apenas ao que aconteceu no jogo, o sentimento de frustração é inevitável, pelo menos para o torcedor mais atento.

Aliás, até a satisfação com o resultado é um sinal do quanto o Vasco foi mal na partida. Diante do que jogamos, o empate foi lucro: mesmo que não tenha faltado vontade ou que o time demonstrasse qualquer sinal de oba-oba (o que me preocupava um pouco), a equipe poderia muito bem ter perdido a partida e pelas chances criadas pelos dois times, talvez até merecesse a derrota. A mulambada não conseguiu exercer um domínio do jogo tão grande quanto o Botafogo nos impôs na última rodada, mas defensivamente o Vasco esteve ainda mais bagunçado que no domingo passado.

E não podemos esquecer que o Framengo era o mesmo time que estava há quatro jogos sem vencer, que perdeu para Volta Redonda e Atlético-PR e que estava há séculos sem sequer marcar um gol. Ainda assim conseguiu várias vezes furar nosso bloqueio defensivo com muita facilidade. E não creio que a predominância rubro-negra em boa parte do jogo tenha acontecido por eles terem entrado no clima da partida e nós, não. É que o Vasco estava realmente desorganizado, errando passes demais e aceitando que o rival dominasse as ações no meio de campo.

O treinador aparentemente tem sua responsabilidade nisso. Se perdemos a disputa no meio de campo, devemos muito disso à insistência do Julio dos Santos no meio. Com o paraguaio em campo, Marcelo Mattos fica sobrecarregado e Andrezinho fica sem liberdade para ajudar o Nenê. Contra um adversário de menor qualidade, até vai; em um jogo no qual a pegada e a correria são maiores por conta da rivalidade, isso é o mesmo que ceder o setor para o adversário. Isso ficou claro ontem depois da saída do Rúlio: a entrada do Diguinho fez com que tivéssemos o melhor momento na partida, com Andrezinho mais presente na criação/ataque e uma maior combatividade na marcação.

Mas o próprio Diguinho nos mostrou o dilema do nosso técnico. Com o passar dos minutos, vimos como o volante-volante piorou nossa saída de bola, o que acabou favorecendo a mulambada. Aos poucos eles voltaram a ganhar terreno e acabaram marcando numa cochilada da defesa que, há pouco tempo, não imaginaríamos ver acontecer. Por sorte, Nenê – que vinha tendo uma atuação apagada – mostrou mais uma vez sua importância para o time cobrando o escanteio na medida para o colombiano Riascos exibir sua estrela e aumentar sua vantagem como artilheiro do time. Ainda que tenhamos conseguido o empate nos minutos finais da partida, corremos sérios riscos de perder o jogo, com mais uma desatenção da defesa e a mulambada perdendo mais um gol inacreditável.

Chegamos ao oitavo jogo seguido sem saber o que é perder para o Framengo, mas não dá pra ficar satisfeito apenas por isso. É preocupante vermos o time do Jorginho atuar mal em dois clássicos justo quando o funil vai apertando. Quando a Taça Guanabara terminar, muito provavelmente teremos dois rivais entre nós e o bicampeonato. Se continuarmos fraquejando como aconteceu nas duas últimas partidas, o título pode ficar em risco.

As atuações…

Martin Silva – fez valer o gasto no voo fretado para sua participação na partida. Fez pelo menos três defesas espetaculares e garantiu o empate. No gol que sofremos não pôde fazer nada.

Madson – sofreu com Jorge, o lateral mulambo. Perdeu uma chance incrível por adiantar demais a bola e falhou no lance do gol adversário ao cortar uma bola para frente da área, no pé do Alan Patrick.

Rodrigo – vinha tendo sua atuação de sempre nos clássicos: jogando com firmeza, provocando os atacantes adversários e indo bem no combate de direto. Mas comprometeu sua atuação no lance do gol mulambo, quando ficou olhando o cruzamento enquanto deixou Marcelo Cirino livre para marcar

Luan – o aparente nervosismo do começo da partida foi diminuindo aos poucos. Fez uma partida correta.

Julio Cesar – esteve mal tecnicamente, errando muitos passes e sendo facilmente superado na marcação (sua lateral foi o melhor caminho para os mulambos atacarem) no primeiro tempo. Melhorou um pouco na etapa final, mas foi um dos que ficou olhando o Cirino entrar na área para fazer o gol sem fazer nada.

Marcelo Mattos – no primeiro tempo sofreu com a falta de ajuda na proteção à zaga; no segundo, teve mais liberdade para chegar ao ataque (quando quase marcou um bonito gol de cabeça) e acabou fazendo falta à frente da nossa área.

Julio dos Santos – em um clássico como o de ontem não dá pra manter em campo um jogador que marca tão pouco. Tanto foi que Jorginho o tirou ainda no intervalo para a entrada do Diguinho, que liberou o Andrezinho da marcação, mas piorou sensivelmente a nossa saída de bola e ainda fez uma penca de faltas.

Andrezinho – enquanto o paraguaio estava em campo não apareceu tanto na criação. Melhorou no segundo tempo, podendo iniciar as jogadas de ataque mais livremente e aparecendo mais para concluir jogadas.

Nenê – foi muito marcado? Foi. Não conseguiu criar tanto quanto se espera dele? Fato. Mas basta olhar quem bateu o escanteio que originou nosso gol para comprovarmos, mais uma vez, o poder de decisão do camisa 10.

Jorge Henrique – ontem não prestou nem pra tal “função tática” de recomposição da defesa: se tinha que acompanhar o Jorge pela lateral, foi extremamente ineficiente na tarefa. Se machucou e saiu ainda no primeiro tempo, para a entrada de Caio Monteiro, que se não chegou a fazer a diferença foi infinitas vezes mais efetivo no ataque, criando boas jogadas. Quase marcou um bonito gol.

Thalles – mesmo não marcando gol teve uma boa atuação. Fez jogadas de pivô, deu liberdade para os companheiros ao chamar a marcação e passou bolas com inteligência. Acabou saindo para a entrada do Riascos, que mostrou mais uma vez estar em boa fase: voltando depois de um mês contundido, precisou de poucos minutos para marcar seu sétimo gol e garantir o empate.

***

Vale um comentário: tivemos dificuldades na partida, mas tudo seria muito mais fácil se o Sr. Wagner Nascimento Magalhães fizesse o trabalho dele com correção. Como de costume, tivemos um juiz pusilânime no comando da partida o que permitiu que a mulambada continuasse com 11 jogadores em campo. Tivesse a coragem de cumprir o seu papel de forma decente, o Sr. Wagner deveria ter expulsado o Guerrero (por uma cotovelada em Rodrigo fora da disputa da bola) e o Márcio Araújo (que derrubou o Nenê por trás já tendo levado um amarelo). Se o Framengo passasse os 45 minutos finais com dois jogadores a menos, dificilmente teria feito um gol no Vasco.

Não que o juizinho tenha favorecido os mulambos. Se quisesse, o Sr. Magalhães também poderia ter marcado uma penalidade a favor do rubro-negro. Mas é aquilo: tendo afrouxado na hora de expulsar o atacante peruano, o juiz usou a famosa lei da compensação. Coisa de árbitro fraco mesmo.

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