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Empatando no cansaço

A impressão que tive ao ver o primeiro tempo do jogo do Vasco contra o Luverdense era de que o problema do time era tático e não técnico. Individualmente, a molecada que estava em campo não estava fazendo tão feio na comparação com os titulares, mas o time penava pela falta de entrosamento, principalmente na parte defensiva. Isso era algo natural, já que aquele time nunca havia atuado junto e muitos dos jogadores, que nem são a primeira (em vários casos, nem a segunda) opção no banco, estavam visivelmente sem ritmo de jogo. Ainda assim, mesmo com uma defesa muito exposta e sofrendo a pressão dos donos da casa, resistimos e fomos para o intervalo mantendo o placar inalterado.

Veio o segundo tempo e a conversa que Jorginho teve com o time no intervalo surtiu algum resultado. O time passou a ser mais preciso na marcação e mesmo tendo que trocar dois jogadores ainda no primeiro tempo por contusão (o que obviamente prejudicaria ainda mais o pouco entrosamento do time), conseguimos ser mais efetivos, tanto defensivamente como ofensivamente. O Luverdense ainda passava mais tempo com a bola, mas nossos contra-ataques começaram a funcionar. E num lance desses, abrimos o placar: uma bola vinda direto do Martin Silva é escorada pelo Thalles e vai para o Evander, que com um sutil toque de cabeça encontra o Pikachu avançando pela direita para, sem marcação, tocar na saída do goleiro.

O gol saiu aos 14 minutos da etapa final e controlamos bem a partida até o seu finalzinho. O Luverdense rondava nossa área, mas não permitíamos que criassem chances claras de gol; e conseguíamos sair com velocidade quando recuperávamos a bola, levando perigo nos contragolpes e até desperdiçando a chance de matar o jogo em alguns lances.

Tudo se encaminhava para uma boa vitória até que aos 45 do segundo tempo, o Luverdense empata em uma jogada que tentou a partida inteira, sem sucesso: cruzamento na área, Aislan (sempre ele!) fica olhando o lance enquanto deixa o atacante adversário livre para cabecear.

Com um time formado por garotos, que nunca jogou junto e que teve que mudar sua formação ainda no primeiro tempo, um empate fora de casa não seria um resultado horrível. Se levarmos em consideração que perdemos com titulares e jogando em São Januário e atuações bem piores, conseguir um ponto e manter a liderança isolada da competição ontem não chega a ser uma vergonha. Mas é impossível não se frustrar pela forma como deixamos escapar dois pontos. O cansaço generalizado e as contusões da equipe não se justificam apenas por conta da longa viagem para Lucas do Rio Verde. Isso fica claro se lembrarmos que os donos da casa fazem essa viagem pelo menos duas vezes no mês e correram o jogo todo, sem maiores problemas.

Os garotos fizeram uma partida aceitável e provavelmente teriam conseguido uma boa vitória se não fossem os problemas físicos. O CAPRRES tem sido o maior orgulho da atual gestão, mas não é a primeira vez que perdemos jogadores antes da metade das partidas por problemas que o centro deveria prevenir e evitar. A entrada do Aislan, mais uma vez decisiva para o adversário, talvez não acontecesse se o CAPRRES conseguisse, nos 10 dias entre a apresentação e a estreia do Rafael Marques, preparar o zagueiro para aguentar 90 minutos  em campo.

As atuações…

Martin Silva – não chegou a precisar fazer nenhum milagre, mas fez pelo menos duas grandes defesas. No gol não teve o que fazer.

Yago Pikachu – no primeiro tempo, sua lateral foi um convite ao ataque para o adversário. No segundo tempo melhorou e foi uma importante arma para nossos contra-ataques. Marcou seu primeiro gol pelo Vasco, o que não deve garantir sua titularidade.

Jomar – foi o melhor jogador em campo, sendo preciso nas roubadas de bola e antecipações.

Rafael Marques – ajudou nas várias bolas alçadas à nossa área, mas com a bola nos pés errou um monte de passes, algumas vezes inciciando jogadas perigosas para o Luverdense. Cansou e deu lugar para o Aislan, que além de isolar uma bola numa cobrança de falta, manteve sua impressionante marca de falhar em todos os gols que o Vasco sofre com ele em campo.

Alan Cardoso – mostrou personalidade no apoio, mas defensivamente mostrou inexperiência, sendo driblado algumas vezes com muita facilidade.

William Oliveira – nos poucos minutos que ficou em campo deixou muitos espaços no meio de campo para o adversário avançar. Antes de sair por contusão iniciou uma boa jogada com Alan Cardoso. Mateus Pet entrou em seu lugar e demorou um pouco para se acertar em campo, errando muitos passes nas saídas de bola. No segundo tempo melhorou e iniciou algumas boas jogadas de ataque.

Diguinho – passou boa parte do tempo miguelando em campo, olhando o toque de bola adversário numa distância em que não contribuía nada para a marcação.

Julio dos Santos – discreto como sempre, poderia ter sido mais efetivo no combate. Fez alguns bons lançamentos e inversões de jogadas.

Evander – substituindo o Nenê, muitos poderiam esperar um futebol vistoso, com muitos lances de efeito e dribles. Não foi assim na prática: ajudou na marcação mais que o camisa 10 e acabou sendo tão efetivo quanto o Nenê, já que participou do lance do gol dando o passe para Pikachu marcar. Também fez outra boa assistência para o Thalles, que demorou a finalizar e desperdiçou o lance.

Caio Monteiro – não teve tempo para fazer muita coisa, já que saiu ainda na primeira metade da etapa inicial. Andrey entrou em seu lugar e atuou mais recuado, tentando melhorar a saída de bola do time. Foi apenas razoável.

Thalles – uma boa chance no primeiro tempo, chutando por cima. Dois gols feitos desperdiçados no segundo. De positivo, a disposição que mostrou e ter iniciado a jogada do nosso gol.

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Reconstrução urgente

Na coletiva, após a derrota do Vasco para o Avaí por 2 a 1 – e a segunda seguida, algo que não acontecia desde o dia 5 de setembro de 2015 – Jorginho falou da arbitragem, da força do adversário, do reduzido plantel que tem em mãos e da necessidade de reforços. Falou também que confia no Aislan e de outras coisas, mas de importante mesmo, apenas uma frase: “temos que reconstruir nosso trabalho”.

Basicamente, é isso. Mesmo que todos os argumentos expliquem o resultado, não o justificam. O problema não foi a arbitragem – realmente péssima e justo quando o juiz é do mesmo estado do nosso principal concorrente ao título – ou os problemas com o elenco, nem a maratona de jogos. O problema é que o Vasco se tornou um time muito previsível, que qualquer retranquinha um pouco mais ajustada consegue complicar a vida irredutivelmente.

E não é de hoje que o Vasco não consegue jogar bem. O time vem tendo atuações abaixo da crítica há muito tempo, mesmo quando vence. Ontem não foi diferente. O Vasco pode até ter tido mais posse de bola, mas foi uma nulidade ofensiva. Ficou rondando a área, desperdiçou uma penca de jogadas de linha de fundo por ter laterais irritantemente incompetentes, e pouco chutou a gol. Os atacantes, que estão longe de serem uma maravilha, quase não recebem bolas. Quando pressionamos (e graças unicamente ao um total recuo do time catarinense), vivemos de balõezinhos para área sem qualquer efetividade.

Ainda assim, graças às limitações do Avaí, conseguimos marcar um golzinho na marra. Golzinho esse que, aliás, até poderia ter nos dado a vitória, se não fossem os erros individuais do time. Aliás, não do time, de um único jogador. Enquanto o Luan não estiver bem ou estiver com a Seleção, o Aislan até pode ficar no time; mas entregando gols ao adversário como tem feito todo jogo, precisaremos ser MUITO mais eficientes no ataque. Com o rapaz na zaga, já podemos considerar o placar pelo menos 1 a 0, seja qual for nosso adversário.

Apenas uma pessoa pode resolver esses problemas e o nome dela é Jorginho. Quem tem que pensar em alternativas táticas para o time é o treinador. Quem pode tirar a titularidade de quem não está jogando nada é o treinador. Quem deveria dar mais chances à molecada da base e dar um descanso para uns dois ou três veteranos que não rendem é o treinador.

Jorginho terá uma semana para pensar na vida e no seu trabalho até o, agora mais que nunca, importante jogo contra o Brasil de Pelotas. Um resultado ruim pode significar a saída da liderança pela primeira vez na competição e, em caso de derrota, um inesperado terceiro fracasso seguido dentro de São Januário. Caso isso aconteça, arbitragem, elenco reduzido ou falta de reforços não servirão como desculpa: as cobranças pela “reconstrução” do Vasco recairão todas sobre o mestre de obras do time.

As atuações…

Martín Silva – com a zaga que vem tendo à sua frente, vai precisar fazer mais que agarrar uma penalidade por jogo para não ver o Vasco perder.

Madson – como não teve chance de cobrar um lateral dentro da área, fez apenas o de costume: estragar jogadas de linha de fundo. Jorginho demorou séculos para colocar Yago Pikachu no seu lugar, quando o jogo já estava 1 a 0. E só de não ter aquela cara de chorão do Madson, o Pokémon já pode ser considerado melhor. Ainda assim, não conseguiu acompanhar o atacante que empurrou a bola pra rede no lance do segundo gol.

Rodrigo – estava desatento no lance do primeiro gol e levou um corte simples no segundo. Teve uma chance para marcar, mas seu chute acabou sendo bloqueado pelo braço do zagueiro do Avaí.

Aislan – é uma espécie de anti-Nenê: enquanto o camisa 10 participa dos lances de quase todos os gols feitos pelo Vasco, Aislan está sempre envolvido nos gols que sofremos: ontem, no primeiro gol, fez acidentalmente a assistência para o atacante adversário; no segundo, olhou o passe que originou o gol passar à sua frente sem esboçar qualquer reação além de observá-la.

Julio Cesar – não fosse a presença do Aislan seria indiscutivelmente o pior em campo. E mesmo com o Nenê do Mundo Bizarro na zaga pode haver dúvidas. Acabou com uma penca de jogadas no ataque, errou um monte de passes e vacilou também nos dois gols: o jogador do Avaí que marcou o primeiro passou pelas suas costas e no segundo tomou um drible vergonhoso.

Marcelo Mattos – pode parecer estranho, mas nem chegou a ter tanto trabalho assim. Mas com a defesa entregando a paçoca toda hora, não adianta ficar carregando piano. Quando o Vasco passou a pressionar, até arriscou algumas subidas, com resultados sofríveis.

Julio dos Santos – esteve em campo, dizem. Me lembro vagamente do paraguaio perdendo uma bola fácil perto da nossa área. Saiu para a entrada do Caio Monteiro, outro a entrar no jogo com o time já atrás no placar. Deu maior movimentação ao ataque e acabou marcando o gol vascaíno.

Andrezinho – jogou mais afastado da área para ajudar na saída de bola e, longe do ataque, não chegou a contribuir muito municiando o ataque.

Nenê – mostrou disposição e não fugiu do jogo, mas ainda não voltou a ser decisivo como era em outros tempos. Teve uma boa chance no primeiro tempo, mas chutou pra fora. Acabou participando do lance do gol: o rebote aproveitado pelo Caio veio depois de um chute do camisa 10 rebatido pelo goleiro Renan.

Eder Luis – substituiu Jorge Henrique, mas sem precisar executar as 468 funções que Jorginho lhe atribui. Com isso, tivemos efetivamente um atacante de lado de campo. E, surpreendentemente, Chico Bento foi bem, criando boas jogadas e dando trabalho à defesa adversária. Mas é aquilo: na hora de definir, Eder Luis é terrível. No segundo tempo perdeu o gol mais feito do jogo, mandando para fora uma cabeçada de frente pro gol. Cansou, sumiu e cedeu lugar ao Evander, que não precisou cansar para sumir.

Leandrão – pesado como um trator e com a velocidade de um (com o pneu furado), não conseguiu escapar da marcação avaiana em momento algum.

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E aí, Vasco???

Nesses quase 10 anos em que escrevo sobre o Vasco na internet, há uma coisa que sempre falo porque é minha convicção pessoal sobre o assunto: a torcida vaiar o próprio time é burrice. Vaiar um jogador não fará com que ele jogue melhor (menos ainda que aprenda a jogar) e é fazer o trabalho da torcida adversária.

Esse é um ponto. Agora, querer colocar qualquer tipo de responsabilidade sobre a derrota do Vasco para o Paraná Clube na torcida ou nas vaias vindas das arquibancadas de São Januário é mais que nonsense; é buscar uma desculpa esfarrapada para a incompetência do time.

Dizer que o time do Vasco, cheio de jogadores com mais de uma década como profissionais “se abala” com vaias a ponto de não conseguir vencer um time limitado como o Paraná é fazer pouco da inteligência do torcedor.

As vaias também justificam um time que teve 62% de posse de bola finalizar apenas 12 vezes em mais de 90 minutos? E explica o fato de metade dessas finalizações ter sido pra fora? Foi por causa das vaias que só conseguimos fazer um gol, mais uma vez, de forma acidental e não numa jogada trabalhada?

As vaias justificam as escolhas do treinador? Será que, mesmo com um elenco limitado em número – não falarei em qualidade – como temos, somente Diguinho, Eder Luis, William Oliveira, Leandrão e, para citar alguns titulares, Jorge Henrique e Madson merecem chances? São as vaias que impedem o Jorginho de ir colocando com mais frequência a molecada da base?

Foram as vaias que justificaram a renovação de contrato do Aislan? Ou o fato de não termos qualquer outra opção para a zaga além dele?

As vaias, que a bem da verdade foram direcionadas para um ou dois jogadores apenas, não explicam nada disso. O fato é que o Vasco não vem jogando bem há tempos. Seja ganhando, seja perdendo.

Falar que os jogos são difíceis porque os adversários jogam na retranca é retórica furada. O que a diretoria, a comissão técnica e os jogadores esperavam dos outros times jogando contra um gigante do futebol nacional, com um elenco várias vezes mais caro que os demais e franco favorito ao título? Mesmo que não tivéssemos passado por essa experiência outras duas vezes não seria necessária inteligência de sobra para saber que furar retrancas seria o trabalho primordial do Vasco nessa Série B.

O que Jorginho e seus comandados precisam é se justificar menos e trabalhar mais. O treinador precisa, mais que urgentemente, encontrar alternativas táticas para o time. E os jogadores, alguns de maneira extrema, precisam treinar mais e se aprimorar tecnicamente. Fora isso, é conversinha pra tentar acalmar a torcida que não resolve nada.

E aí, Vasco? Vamos voltar a justificar o favoritismo na competição ou não?

As atuações…

Martín Silva – nada pôde fazer nos gols. No resto do jogo, pouco teve a fazer.

Madson – mais um cruzamento certo. Com as mãos. Tirando isso, não se vê sendo efetivo em momento algum.

Rodrigo – começou entregando uma bola que quase virou um lance de perigo, mas depois não chegou a ter trabalho com o ataque adversário. Se lançou ao ataque no segundo tempo e quase marcou de cabeça. No lance do segundo gol, estava completamente vendido no lance.

Luan – se contundiu ainda no primeiro tempo e deu lugar ao Aislan, que entre lances bizarros e alguns bons cortes, falhou mais uma vez e foi responsável direto pela derrota.

Henrique – foi visto com frequência no apoio, mas não conseguiu acertar qualquer cruzamento. E ainda deixou sua lateral desguarnecida em vários momentos.

Diguinho – é praticamente um zagueiro jogando no meio de campo: sua irresistível vontade de sair dando bicões em qualquer bola que lhe apareça pela frente é irritante.

Julio dos Santos – vinha fazendo uma partida na média, e pelo que vinha apresentando, provavelmente seria substituído de qualquer forma, como acontece na maioria das vezes. Mas Jorginho acabou queimando o paraguaio ao tirá-lo de campo justo no momento em que ele começou a ser vaiado. William Oliveira entrou no seu lugar e, pilhado em excesso, não conseguiu fazer muito além de dar um novo gás ao meio de campo. Acabou sendo coadjuvante da pixotada do Aislan.

Andrezinho – tentou organizar o time, mas afunilou demais as jogadas e acabou errando os passes decisivos. Quase marcou um belo gol, em chute que só carimbou o travessão por conta do desvio do goleiro adversário.

Nenê – ontem até que resolveu jogar bola, voltando a marcar, criando boas chances e deixando companheiros na cara do gol, como fez com Andrezinho. Mas não foi o bastante para superar a retranca paranaense.

Jorge Henrique – um dia muito infeliz para o minicraque: além de fazer um gol contra, atrapalhou o Nenê numa chance clara de gol. Eder Luis entrou em seu lugar e não conseguiu fazer nada. Ou seja, por atrapalhar menos que o JH, se saiu um pouco melhor.

Leandrão – não conseguiu fazer muita coisa além de cavar penalidades e errar passes quando tentou ser o pivô. O lance do segundo gol começou com o centroavante apanhando da bola ao tentar dominá-la ao receber um lançamento longo.

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Esse dia foi loko!

Antes mesmo da bola rolar, a torcida do Vasco já podia esperar emoções extras na partida contra o CRB: Jomar, substituto natural do suspenso Rodrigo, sentiu uma contusão, não apareceu e quem foi a campo junto com os titulares foi o Aislan.

Nos minutos iniciais, vimos o Vasco se acuado, um time que não parecia muito ligado na partida e um adversário que não abriu o placar por perder uma penca de gols.

Quando resolvemos acordar – ainda demonstrando uma grande fragilidade defensiva – o CRB marca seu gol em um lance completamente controlado, depois de um recuo péssimo para um zagueiro desatento, o que deixou Martin Silva vendido na jogada.

Mas só precisamos de três minutos para igualar o placar, depois de uma saída de bola equivocada do CRB, um corte do Marcelo Mattos que parou nos pés do Leandrão, que lutando com a bola e com os marcadores, conseguiu marcar um belo gol.

Na volta do intervalo, ainda empatada a partida, o Vasco veio mais ligado. Ainda assim, nossa marcação ainda falhava e o CRB criava oportunidades para desempatar. Mas fomos nós quem marcamos, conseguindo a virada com um gol olímpico espetacular do Andrezinho.

No restante da partida, vimos o CRB partir pra cima e perder mais uma batelada de gols, se não por grandes defesas do Martin, por uma falta de mira de causar inveja aos nossos atacantes. Mesmo contra o adversário que parecia implorar por sofre um gol no contra-ataque, conseguimos sair da nossa defesa.

No minuto final a maior emoção, com Aislan mais uma vez envolvido: o zagueiro disputou uma bola com um atacante, que se joga. O árbitro não comprou o caô, mas o bandeirinha sim; cobrada a penalidade, San Martin impede que o Diego, ex-lateral do Vasco, marque seu segundo gol em 2016 no clube que o formou e garante os três pontos para o Gigante.

Numa partida em que o Vasco se viu dominado boa parte dos 90 minutos, em que vencemos mesmo com Aislan na zaga, em que Nenê mal apareceu em campo, que teve gol olímpico e defesa de penal no minuto final só pode ser classificada de uma forma: esse jogo foi louco!

As atuações…

Martín Silva – garantiu a vitória com uma penca de defesas, algumas difíceis, incluindo um penal aos 46 minutos do segundo tempo.

Madson – segue naquela de correr muito e fazer pouco. Ontem até que bateu uns escanteios com relativo perigo, mas nada MESMO que justifique manter o Yago Pikachu no banco. O Pokémon acabou entrando após Madson sentir uma contusão e no pouco tempo que ficou em campo quase marcou um belo gol em uma arrancada. O chute foi para fora.

Luan – pareceu ter sentido muito a falta do Rodrigo e em diversos lances foi superado (as vezes com facilidade inaceitável) pelos atacantes adversários. Nem a bela jogada de linha de fundo, com direito a caneta humilhante no marcador, serviu para dizermos que teve uma boa atuação.

Aislan – não tem jeito, o rapaz carrega uma zica que o torna inviável como zagueiro de um clube como o Vasco. Ontem, se não fosse por dois lances, poderia ter saído de campo como o melhor zagueiro do time. Pena que os lances foram capitais: no primeiro gol do CRB, não conseguiu pegar a bola recuada por Júlio César; e no final do jogo, o bandeirinha marcou um pênalti – maroto, é verdade – numa disputa de bola entre ele e o atacante adversário, que se jogou. O azar do sujeito é tão grande que, num lance que ele conseguiu espanar a bola da área, a bola bateu na bandeirinha de córner, voltou para o campo e o CRB conseguiu uma falta perigosa a seu favor.

Júlio César – pelo menos 50% do primeiro gol do CRB pode ir para a conta do veterano lateral, que recuou com um passe quadradíssimo justo para o zagueiro mais azarado do mundo. Sentiu uma pancada e acabou dando lugar para o Henrique, que entrou quando o Vasco estava sendo pressionado e acabou mais preso à marcação.

Marcelo Mattos – o estilo cão de guarda de sempre, sem conseguir fazer uma proteção à zaga de forma eficiente. Acabou participando do lance do primeiro gol do Vasco ao dar o bote na saída de bola do CRB que acabou sobrando para o Leandrão.

Julio dos Santos – com ele no lugar do William Oliveira, o meio de campo vascaíno ficou exposto como há muito não ficava, já que o Paraguaio cerca muito e pouco combate (e quando o faz, vive indo de primeira nas bolas e sendo driblado) Na criação foi irrelevante.

Andrezinho – foi o único a criar alguma coisa no time, e mesmo assim com muitas dificuldades, já que tinha que vir buscar o jogo quase sempre no nosso campo. Mas quem faz um gol olímpico como o que ele fez não pode receber críticas.

Nenê – uma completa nulidade em campo, nem bolas paradas cobrou (o que pareceu ser proposital). No único lance em que teve chance de fazer algo efetivo, deu uma de Casalbé e virou o braço no rosto do seu marcador, levando um amarelo.

Jorge Henrique – correu pelo campo todo como sempre e acaba não sendo visto no ataque. Acertou um bom chute de longa distância, obrigando o goleiro do CRB a fazer uma defesa difícil. Saiu para a entrada do Éder Luís que de marcante, só conseguiu errar um passe fácil e armar um contragolpe para o adversário.

Leandrão – mesmo sendo lento toda vida e limitadíssimo, incomoda a defesa adversária muito mais que o Thalles. Com o gol feito deve ter eliminado qualquer dúvida que restava sobre merecer ou não ser titular do time.

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Pé no chão e bola na rede

Sobre a estreia do Vasco no Brasileiro de 2016, fico com as palavras do treinador Jorginho na entrevista coletiva pós-jogo:

Mais do que uma vitória de 4 a 0, foi a postura da equipe, a organização tática, cada jogador se mantendo compromissado com o objetivo do grupo. Em momento algum a gente viu a equipe desestabilizada. A gente viu uma equipe querendo, jogando, sendo protagonista, com vontade, organização, lutando por cada bola, cada palmo dentro de campo.

Resumindo as palavras do técnico, golear o Sampaio Corrêa não foi o principal motivo para a torcida comemorar. E, diante da fragilidade do adversário, nem deveria ser mesmo. O mais importante foi ver um time que entrou em campo com vontade de vencer, que se empenhou ao máximo e que não deixou ao seu óbvio favoritismo a função de ganhar a partida. O Vasco ontem jogou como deve jogar sempre: aliando sua técnica superior à seriedade quando a bola rolou.

O que o Gigante fez ontem foi uma prova de respeito, ao adversário, à competição, à sua torcida e também à camisa que cada um dos jogadores estava vestindo. A exaltação do Jorginho à postura da sua equipe faz todo sentido. Foi a ausência dessa atitude que nos complicou durante toda a campanha de 2014. Pelo que vimos ontem, a história com Nenê e companhia será completamente diferente.

Vale dizer que o Sampaio Corrêa foi valente. Diante da sua torcida, o time maranhense não se contentou em fazer como a maioria absoluta das equipes que confrontam um clube grande e tentou fazer um jogo de igual para igual.  E talvez esse tenha sido o seu maior erro. Se tivessem optado pela retranca, talvez não sofressem tantos gols. Os donos da casa sofreram duplamente ao fazer essa escolha, já que nas poucas vezes que chegaram com perigo acabaram parando na nossa zaga ou no nosso goleiro e ainda deixaram espaços demais para que nosso ataque funcionasse sem muita resistência. A ousadia do Sampaio Corrêa teve o alto preço dos quatro gols (que poderiam ser cinco ou seis,  no barato).

Mas fez bem Jorginho em exaltar principalmente a postura da equipe. Oponentes como o de ontem, que não têm medo de atacar o grande favorito da competição, serão uma raridade. E quando o Vasco não encontrar a facilidade que teve ontem, será preciso demonstrar ainda mais empenho que o apresentado contra o Sampaio Corrêa. Tendo isso em mente – e aparentemente isso já está incutido na cabeça dos nossos jogadores – já teremos meio caminho andado para conquistar as vitórias. É mantendo o pé no chão que faremos a bola chegar nos gols adversários.

As atuações…

Martin Silva – mesmo com a superioridade vascaína na partida, foi obrigado a fazer uma ou outra boa defesa.

Madson – até cruzamento acertou ontem – vá lá, foi apenas um e a finalização do Nenê foi nas mãos do goleiro Mas já é pra se comemorar – mas deu umas vaciladas defensivamente.

Jomar – mal teve tempo para jogar e saiu com um corte no quengo. Rafael Vaz entrou em seu lugar e depois de um começo meio enrolado, não teve muitos problemas com o ataque adversário.

Rodrigo – mesmo correndo o risco de dar uma trombada com força na trave – o que acabou acontecendo – se atirou na bola para evitar um gol do Sampaio Corrêa. E isso quando já vencíamos por 3 a 0! Diante de tal mostra de comprometimento, nem precisamos falar mais sobre sua atuação. Faltando alguns minutos para o fim do jogo, o quase esquecido Aislan entrou em seu lugar e no tempo que esteve em campo não conseguiu cometer nenhuma bizarrice.

Julio Cesar – teve uma atuação mediana, mas deu excelente passe em profundidade para o Andrezinho, iniciando a jogada do terceiro gol.

Marcelo Mattos – se enrolou um pouco com os avanços do adversário. Melhorou no segundo tempo.

Julio dos Santos – os melhores momentos ofensivos do Sampaio Corrêa aconteceram com o paraguaio em campo. Talvez ele melhorasse junto com o time no segundo tempo, mas não teve tempo. Yago Pikachu o substituiu ainda no intervalo e apareceu mais no ataque que na defesa. Infelizmente o pokemón paraense não evoluiu o bastante para marcar gols. Mas foi quase: teve duas boas chances e uma delas caprichosamente bateu na trave.

Andrezinho – depois de um primeiro tempo entre o discreto e o apagado, a melhoria defensiva do time no segundo tempo deram mais liberdade para Andrezinho, fazendo aparecer seu futebol. Participou diretamente da jogada dos dois últimos gols: em um, fez bela jogada dentro da área colocando Nenê na cara do gol; no último, foi dele o lançamento para o Riascos, inciando a jogada.

Nenê – uma atuação irrepreensível do camisa 10: uma assistência, três gols e outras tantas boas chances impedidas pelo goleiro adversário.

Jorge Henrique – pode-se reclamar do sujeito o quanto for, mas não se pode negar que seu empenho na marcação de saída de bola desobriga o Nenê dessa função, dando mais liberdade para quem tem melhores condições técnicas para definir as jogadas.

Riascos se acertasse 25% do que tenta fazer, o Vasco teria o dobro de gols no ano. Mas por ontem, mesmo tendo o colombiano estragado pelo menos uns dois contra-ataques que seriam mortais, não se pode falar mal do atacante: marcou o primeiro gol, fez uma bela assistência para o segundo e teve participação direta no quarto.

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Titulares e reservas

O Vasco fez um jogo-treino contra o Barra Mansa ontem, em Pinheiral e venceu a partida por 2 a 1, com gols de Rafael Vaz e Thalles. O resultado e mesmo o nível de atuação dos jogadores, nesse momento, é indiferente. O adversário era inclassificável (como qualquer participante da segundona carioca seria) e jogamos com um time de reservas no primeiro tempo e com vários suplentes desses mesmos reservas no segundo. Ou seja, tirando a possibilidade de dar um cadinho mais de ritmo para os jogadores e a oportunidade do Jorginho observá-los em um treino com um nível de exigência um pouco maior, a serventia de uma partida como essa é nula.

Ainda assim – e lembrando que poucos viram a partida – podemos falar algo a respeito. O Barra Mansa pode estar longe de ser um oponente que imponha respeito, mas nosso time também não é essa maravilha toda e temos que lembrar que foram os reservas que jogaram. E, enquanto tivemos apenas os reservas em campo, sem os reservas dos reservas, marcamos dois gols e não sofremos nenhum. Não é uma maravilha, mas dá pra dar um desconto. E vale lembrar: pelo que vimos no vídeo com os gols da partida, o Barra Mansa marcou o seu aparentemente após uma falha do Aislan, o que explica muita coisa.

Outro comentário que podemos fazer é sobre as escalações, tanto do time considerado reserva como a do titular, que venceu hoje o Bangu, também por 2 a 1 – gols de Riascos e Nenê – em um outro jogo treino, numa programação que até faz sentido: os reservas jogaram contra um time da Série B do Estadual e os titulares terão pela frente um adversário da Primeira Divisão, teoricamente mais forte que o Barra Mansa. As escalações de Yago Pikachu, Marcelo Mattos, Bruno Gallo e Thalles no jogo de ontem e a escalação do time de hoje confirmam que Madson, Julio dos Santos, Mateus Vital e um ataque sem um centroavante são as preferências do Jorginho.

Por ter vindo como “grande” reforço nesse começo de temporada, o não aproveitamento do Pikachu na lateral talvez cause maior estranhamento. Mas isso pode significar que Jorginho tenha outros planos para o jogador, como por exemplo, aproveitá-lo no meio de campo. Foi o que o treinador fez na partida contra o Bangu e, aparentemente, com um bom desempenho por parte do Yago.

A resenha do jogo contra o Bangu publicada no site oficial do clube fala que em diversos momentos a partida foi parelha, o que poderia ser preocupante dado o nível do adversário. Mas como no treino contra o Barra Mansa, esperar um desempenho espetacular ainda na pré-temporada é pedir demais, mesmo dos titulares. Nas atuais circunstâncias, ganhar já está de bom tamanho.

Essas duas partidas marcaram o fim da pré-temporada desse ano e Jorginho disse estar satisfeito com o tempo de treinamentos que teve em Pinheiral. Se o treinador conseguiu definir a equipe titular para o Estadual, que para nós começa no próximo domingo, já terá valido a pena. Em um ano no qual disputaremos a Série B mais uma vez, Jorginho deve saber exatamente a importância que a diretoria dará à competição, ainda mais existindo a possibilidade de um bicampeonato (o que não acontece desde 1993). Ir bem no Carioca será fundamental para que o técnico tenha tranquilidade para trabalhar. E também para manter seu cargo no Vasco.

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Lembrando a todos que o segundo turno do Prêmio Top Blog já começou e esse humilde bloguinho precisa mais que nunca da ajuda de vocês para ganhar essa taça. Para dar aquela moral ao Blog, basta votar – o maior número de vezes possível – clicando no banner que está aí na lateral direita da página ou clicar aqui.

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Falácia

boardDepois de dois dias, Eurico Miranda soltou uma nota oficial no site do clube a respeito da informação sobre a alegada pedida de R$ 3 milhões para liberar o meia Nenê para o Atlético-MG (citada por mim no post de ontem).

Reproduzo a nota integralmente:

Presidente Eurico Miranda nega negociação por Nenê

Quero informar que é mentirosa a matéria divulgada hoje, em Belo Horizonte, que o Vasco pediu 3 milhões de reais pela liberação de Nenê para o Atlético Mineiro. Volto a repetir, a matéria é mentirosa.

Eurico Miranda

Presidente do Club de Regatas Vasco da Gama

Sucinta e direta, a nota deve tranquilizar boa parte da torcida, principalmente a que ainda crê piamente no que diz o Dotô.

A questão aqui é a seguinte: o que o título da nota vende não é exatamente o que disse o Presidente. Eurico Miranda nega que o Vasco tenha pedido os R$ 3 milhões para liberar o Nenê para o Galo. Mas ele não nega em momento algum que haja uma negociação em andamento.

Diante a enormidade de promessas não cumpridas pela diretoria, seria mais esclarecedor se o Presidente tivesse falado o que interessa: o Vasco NÃO ESTÁ NEGOCIANDO O JOGADOR. Negar um valor da margem para que se pense o seguinte: não são R$ 3 milhões, e sim outro valor qualquer. A nota do Dotô , da forma como foi feita, aparenta ser apenas uma falácia: simula uma realidade que interessa à torcida sem que se diga uma verdade. Enquanto o título diz que o Presidente não negocia Nenê, seu próprio empresário diz o contrário.

Lembrando o ponto crucial do post de ontem: não é uma questão de valores, nem mesmo de liberar ou não o Nenê (acho um jogador importantíssimo para o elenco atualmente, mas não acho que seja inegociável). A questão é o Presidente mais uma vez não sustentar suas promessas, e dessa vez, não mantê-las nem por dez dias. É inaceitável que um presidente do Vasco diga no dia 24 de dezembro que um jogador não sairá nem para o exterior para nove dias depois pipocarem notícias de que o clube o negocia com um time brasileiro.

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Vale citar: não apenas o empresário do Nenê e o jornalista Léo Gomide afirmam que há uma negociação entre Galo e Vasco pela liberação do jogador.

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Enquanto não sabemos se o Nenê fica ou mesmo se chega algum reforço, o Vasco renovou o contrato com o zagueiro Aislan. De todos os jogadores do elenco cujo contrato terminaram mês passado, ele foi o único a ter o vínculo com o clube renovado.  Deve ter sido pelos grandes serviços prestados ao clube em 2015, né?

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Sobre o novo gerente de marketing do clube, o confesso e orgulhosamente mulambo: parabéns a todos os envolvidos!

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A votação do primeiro turno no prêmio Top Blog se encerrou! A partir do dia 18 desse mês se iniciará o segundo turno e aí o Blog da Fuzarca precisará ainda mais dos votos de vocês para trazer esse título!

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