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Obrigado e boa sorte

JorginhoEncaremos os fatos: Jorginho já está fora do Vasco.

O zum-zum-zum na imprensa dizia que ele já teria feito o acordo verbal com o Cruzeiro, mas que ainda não tinha conversado com o Dotô a respeito. Depois de ter conversado, Jorginho seguiu não negando nada e o Eurico veio com o papinho de que “é preciso respeitar a decisão do profissional”.

Na coletiva após o treino de ontem, Jorginho foi tão incisivo ao falar que seu foco são os dois jogos contra o Botafogo que é impossível não ver o sentido por trás das suas palavras. O foco, ou sendo mais claro, seu compromisso com o clube, irá apenas até depois das finais.

Não há muito mais o que falar sobre o assunto, ainda mais depois das ótimas colunas do Garone e do Bruno Guedes a respeito. Mas sem querer apelar para emoção como fez o primeiro, nem utilizar argumentos racionais para deixar claro que esse não seria o melhor momento para o técnico sair do clube como fez o segundo, acho válido apresentar um outro ponto de vista.

E, na minha modesta opinião, se o Jorginho quer sair, que saia.

Não se trata de fazer pouco do profissional, que até fez um bom trabalho. Mas achá-lo indispensável é exagero. Até o momento, seus maiores méritos foram ter QUASE conseguido evitar um rebaixamento (e por mais que alguns não se lembrem, parte desse QUASE também foi responsabilidade do treinador) e chegar às finais do Estadual. Ou seja, o mesmo que fez Adilson Batista entre 2013 e 2014, e sejamos francos, com um elenco pior em mãos.

Não que para o Vasco a saída seja boa. Discordando um pouco da coluna do Guedes, pode até ser que Jorginho tenha mais a perder, mas também teremos problemas sérios. Por exemplo, se havia algum planejamento para o Brasileiro, que começa em duas semanas, podemos jogar tudo fora. Será preciso encontrar um treinador bom e que tenha a humildade de manter o que há de positivo no time. E mesmo que encontremos, qualquer mudança no comando da equipe irá fatalmente trazer reflexos negativos justo no começo da competição.

Claro também que é muito fácil para mim sair cornetando o Jorginho, ignorando completamente a montanha de dinheiro que o Cruzeiro jogou no seu colo. Igualmente não há como negar que se conseguir emplacar um bom trabalho no time mineiro fará um bem danado para sua carreira. Mas se Jorginho não enxerga que o oposto também pode ocorrer e que uma demissão precoce na Raposa pode fazer com que ele retroceda profissionalmente para um patamar abaixo do que estava antes do Vasco, o que se há de fazer? Ficar com um treinador insatisfeito no comando também não é a maior das maravilhas.

Se fosse eu a decidir, não teria dúvidas em manter o Jorginho como treinador do Vasco. Mas mesmo com todos os percalços que sua aparentemente certa saída trará ao clube, não será o fim do mundo. Há uma falta de técnicos bons e que não peçam exorbitâncias para trabalhar? Há. Mas esse fato não torna o Jorginho nem melhor, nem pior técnico do que é. E há o que, para mim como vascaíno, é imperdoável: cogitar abandonar a equipe às vésperas do Brasileiro, sabendo que isso vai prejudicar o clube que inegavelmente deu uma levantada na sua carreira. Grana é importante e comandar um time da elite é uma grande vitrine, mas uma saída dessa forma só pode ser adjetivada como ingratidão.

É por isso que reafirmo minha opinião. Se o Jorginho acha que o melhor é aceitar a proposta cruzeirense, só nos resta agradecer os serviços prestados ao Vasco e desejar-lhe boa sorte.

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Claro que, apesar de todas as evidências tanto vindas do Jorginho como do Eurico, não podemos descartar a avidez da imprensa em colocar profissionais de um clube em outro ao menor sinal de uma proposta feita. Ano passado, levando-se em consideração o que um monte de jornalistas disseram, Doriva não chegaria a ser demitido do Vasco porque teria ido de mala e cuia para o Grêmio. À época, Doriva também tinha sido reticente ao ser questionado sobre a transferência, também evitou negar que não estivesse indo para Porto Alegre e, no final das contas acabou ficando em São Januário.

Mas vale lembrar também que depois da conversa com o Eurico, o Dotô não falou momento algum em “respeitar a decisão do profissional” como fez agora.

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A espera de um presente

giftO Natal é essa semana e todo mundo gosta de ganhar presentes. E com os torcedores de futebol não podia ser diferente: não há um vascaíno na Terra que não esteja ansioso pelo anúncio de algum reforço, de preferência de qualidade comprovada, para terminar o ano com esperanças maiores de um 2015 melhor para o clube.

Mas, apesar dos acertos que tem até agora, a atual diretoria ainda não anunciou qualquer contratação. Isso é algo normal, já que o mercado da bola está parado, os jogadores estão em férias e mesmo a FFERJ está em recesso, o que inviabiliza a regularização de novos atletas.

O problema é controlar a ansiedade da torcida. Depois de um monte de especulações – a maioria completamente absurda – que foram prontamente negadas pelo próprio Eurico, nada de novo pintou no horizonte cruzmaltino. Aliás, até pintou, mas nada que fizesse a torcida se empolgar minimamente.

Claro que não há a impossibilidade de reforços menos cotados darem certo no time. Não se deve reclamar de alguém que sequer pisou no gramado de São Januário e é preciso dar uma chance para os atletas que chegarem. Mas só mesmo sendo um fã muito ardoroso do presidente para ficar animado com a chegada do volante Lucas, que se destacou pelo Macaé na Série C. Até porque, a busca de reforços nos clubes pequenos do Rio já pode ser chamada de tradição nas gestões do Eurico e todos sabemos que raros são os acertos.

O outro nome cogitado despertaria maior interesse: o meia Chiquinho, que teve algum destaque no Fluzim esse ano, não ficará no Laranjal e dirigentes vascaínos conversaram com seus representantes. Mas pelo que saiu na imprensa – sua saída do tricoflor por considerar baixa a proposta salarial e a falta de acerto entre o jogador e os cartolas do Vasco – me parece difícil sua vinda.

A diretoria certamente está a cata de reforços e faz muito bem em não divulgar quem interessa ou com quem negocia, já que isso só serve para criar leilões que prejudicam os acertos. Vamos torcer para que, mesmo com a diretriz para evitar gastos excessivos, a diretoria consiga reforçar o time com qualidade. E, se possível, que traga à torcida um bom presente antes do Natal.

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Quando houve a parada para a Copa do Mundo, Adilson balançava no seu cargo, mas não caiu. No final do primeiro turno do Brasileiro, Adilson acabou rodando e a diretoria tentou contratar o Enderson Moreira, que preferiu o Santos. Poderia ter tentado a contratação do Doriva – que estava sem clube – nessa época, mas os presidentes do clube e do Conselho de Beneméritos preferiram o nome do Joel.

Joel veio, fez um trabalho ruim e acabou não tendo o contrato renovado pela nova Diretoria. Antes de pensarem no Doriva, pensaram no Marquinhos Santos (que declinou do convite), conversaram com Gilson Kleina e até, pasmem, Celso Roth.

Nenhum deles aceitou o teto salarial oferecido. Só então resolveram conversar com o Doriva. Só que aí, o Doriva já tinha assinado com o Botafogo-SP. Ele desistiu do clube paulista e aceitou a proposta do Vasco. Só que ninguém lembrou de falar uma coisinha: nós teremos que pagar a rescisão ao Botafogo de Ribeirão Preto. Segundo um dirigente do clube paulista, um valor não estratosférico, mas razoável.

E assim o Vasco toma mais um prejuízo por demorar a iniciar uma negociação. O Doriva tinha assinado com o Bota alguns dias antes de receber a proposta vascaína. Se nossos dirigentes não tivessem perdido tempo com treinadores que obviamente não aceitariam os valores que oferecemos ou que simplesmente não mereceriam a chance de comandar nosso time, talvez evitássemos de gastar mais essa grana.

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Como falamos em Natal, não custa lembrar que a pedida certa para agradar um torcedor vascaíno que você tenha que presentear é visitar a loja Gigante da Colina e fazer suas compras. Dá uma clicada nesse link e confira as opções entre produtos oficiais do Vasco.

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Tem coluna nova também no site Vasco Expresso, falando sobre o intenso patrulhamento feito pelos fãs da nova diretoria.

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O fantasma de Adilson

jorge-luiz

“Nós estamos pensando, as duas formações têm grandes possibilidades de acontecerem dentro daquilo que a gente viu do time do América-MG (…)”

“(…) temos que criar alternativas para os que vão iniciar e até mesmo se caso viermos a precisar dentro da partida, de um pouco mais de força, de velocidade.”

 “O Edmilson é um jogador experiente, (…) temos muita confiança nele”.

 “(…) É o que a gente espera desses jogadores, para que eles possam cumprir logicamente o que conversamos dentro daquilo que eles possam produzir dentro do jogo (…)” 

Se alguém dissesse que essas declarações foram feitas pelo Adilson Batista, ninguém estranharia. Mas elas foram ditas pelo treinador interino Jorge Luiz, que pelo visto, incorporou não apenas o estilo – ou a falta de – de trabalho como também a maneira de falar do ex-treinador vascaíno. E se o Vasco continuar sendo assombrado pelo fantasma do Adilson, teremos problemas contra o Coelho. Jogando em casa e sabendo que uma derrota o deixará fora do G4, o América Mineiro certamente nos dará muito mais trabalho que o ABC nos deu na última partida.

Talvez isso possa até ajudar. Se o América partir pra cima, correremos mais riscos – ainda mais com Diogo Silva no gol – mas também teremos mais espaços para jogar. E isso é melhor que encarar um adversário retrancado: como todos sabemos, os times sobre os quais paira o espírito “adilsoniano” são incapazes de superar ferrolhos defensivos.

Fazer mistério sobre a escalação e a possibilidade de por em campo três volantes (com a recuperação do Pedro Ken, o jogador pode voltar na vaga do Dakson) também é um sinal de que o interino e o time ainda são assombrados pelo fantasma do ex-técnico. O mais provável no entanto é que Jorge Luiz mantenha o esquema com dois armadores, como não poderia deixar de ser, a última formação testada pelo Adilson. Sem Kleber e Montoya, Maxi Rodriguez e Thalles devem formar o ataque, um esquema mais interessante para o segundo, que deve ficar mais próximo à área. A outra opção, a troca de Maxi por Edmilson, faria com que o Thalles jogasse pelos lados do campo, reduzindo suas oportunidades para finalizar.

O América está numa boa fase, não perde a três jogos, voltou ao G4 e tem o retorno de vários jogadores importantes para sua equipe. Sem falar que não passa por todos os problemas, dentro e fora de campo, que o Vasco passa. Mas não podemos nos preocupar com nada disso: com os resultados de ontem, só uma vitória nos garante uma posição entre os quatro primeiros e qualquer resultado diferente disso nos afastará mais da liderança. E pior, fará com que Joel faça sua estreia no time ainda mais afundado na crise. Para evitar que isso aconteça, os jogadores precisarão esquecer da presença espectral do Adilson e jogar mais bola do que têm jogado nos últimos tempos.

Campeonato Brasileiro 2014

América-MG x Vasco 

Fernando Leal, Pablo, Renato Santos, Vitor Hugo e Gilson; Leandro Guerreiro, Andrei Girotto, Renan Oliveira, Mancini e Willians; Obina.

Diogo Silva, Diego Renan, Rodrigo, Douglas Silva, Marlon, Guiñazu, Aranda, Dakson, Douglas, Maxi Rodríguez e Thalles.

Técnico: Moacir Jr.

Técnico: Jorge Luiz (interino).

Estádio: Independência. Data: 06/09/2014. Horário: 16h10.  Árbitro:  Alinor Silva da Paixão (MT). Assistentes: Fabio Rodrigo Rubinho (MT) e Joadir Leite Pimenta (MT).

A Rede TV transmite para todo o Brasil (exceto MG). O Premiere transmite para seus assinantes em todo país e no sistema pay-per-view. 

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Só mudou a mosca

Pelo que vimos na derrota – e subsequente eliminação na Copa do Brasil – do Vasco para o ABC, podemos dizer que, finalmente, a Era Adilson acabou. Todos os defeitos que o time vinha apresentando sob o comando do agora definitivamente ex-treinador foram seguidos à risca pela equipe comandada pelo interino Jorge Luiz. Erros de passe em profusão, falhas de cobertura, criação inexistente e uma total incapacidade de variações táticas que fossem capazes de superar as mais ridículas retrancas é a descrição da partida. Resumindo, mudou a mosca, mas merda continuou a mesma.

No fim das contas, a pergunta feita no post de ontem só poderia ter uma resposta: Jorge Luiz não poderia fazer nada pelo time. E nada foi exatamente o que o interino fez. Até a mania do Vasco apenas assistir o adversário jogar um tempo inteiro (mesmo com a necessidade de marcarmos gols) para só tentar uma pressão na etapa final aconteceu mais uma vez.

Claro que a derrota não é culpa exclusiva da dupla Adilson/Jorge Luiz. A incapacidade de alguns jogadores, a queda de rendimento de outros e o descontrole geral da equipe também contribuíram para a bizarra eliminação. Tão bizarra que veio com um gol irregular do ABC e com Diogo Silva sendo um dos poucos destaques do Vasco, senão o melhor em campo. Esperar que algo desse certo num cenário como esse era demais.

A eliminação, com derrota, para um time que luta para não entrar no Z4 da Série B era a vergonha que faltava à gestão Dinamite, que pelo menos nas Copas do Brasil que disputou, não fez feio em nenhuma. E mais uma vez o time precisa se reconstruir depois de mais um fracasso, com o agravante de não ter um técnico para conduzir a renovação e com a instabilidade política comprometendo ainda mais o ambiente do clube.

Agora, sem a vinda de Enderson Moreira (que fechou com o Peixe em cima da hora) e sem um nome aceitável para assumir o grupo, a diretoria terá que se esforçar muito para reverter esse quadro. Rodrigo Caetano (que tem grande parcela de culpa nisso, por bancar a permanência do Adilson por tanto tempo) terá que tirar da cartola um treinador que ao mesmo tempo seja competente, aceite ganhar pouco e, tão importante quanto, que agrade a torcida. Porque nesse momento o Vasco não pode, de maneira nenhuma, prescindir do apoio dos vascaínos.

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As atuações? Uma preguiça absoluta e falar do que os jogadores fizeram ontem…Se salvaram Diogo Silva (!!!!) e Maxi Rodriguez, pelo gol.

Na defesa, mais uma gol de bola parada, ainda que em impedimento, é o bastante para mostrar como nossos zagueiros foram mal. E quando subiram, não foram melhores: Rodrigo desperdiçou duas boas cobranças de falta e Douglas Silva, que vacilou feio no segundo gol do ABC, ainda perdeu o gol mais feito do Vasco aos 47 do segundo tempo.

Nas laterais, Diego Renan nem comprometeu, se levarmos em consideração que acabou de voltar de contusão. Apoiou quando pode mas perdeu um gol feito. Na esquerda, uma lástima: tirando um cruzamento certo para o Kleber, Marlon foi uma negação em todos os sentidos. Nem foi visto onde deveria estar no lance do primeiro gol do ABC, que saiu pela ponta esquerda. Lorran entrou em seu lugar, não conseguiu executar o primeiro drible que tentou e aparentemente perdeu toda confiança, errando tudo o que tentou.

Sobre os volantes, Aranda surpreendeu positivamente, tentando criar e sendo até mais efetivo que os meias que tinham essa função. Também tentou finalizar duas vezes. Já o Guiña, foi o de sempre: produz mais carrinhos que a indústria automobilística. Mas é alguém a tentar acordar um time que parece dormir durante boa parte do jogo.

Os meias titulares foram terríveis: Douglas não fez nada e só apareceu quando, descontrolado, arrumou uma briga e foi expulso. Dakson até tentou se movimentar para criar opções de jogo, mas tentou resolver tudo sozinho vezes demais. Montoya foi só correria e quando tentou ajudar na defesa, tomou um chapéu ridículo e deixou o atacante do ABC livre para marcar o primeiro gol.

Os atacantes passaram em branco. Apesar da luta, Kleber pouco conseguiu fazer e Thalles entrou em campo numa posição muito longe da área para quem deveria entrar como centroavante.

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O que Jorge Luiz pode fazer?

Tentem imaginar o que se passa na cabeça o Jorge Luiz hoje. Recebendo no colo a interinidade como treinador do Vasco, tem a missão de conquistar a vaga para as quartas-de-final da Copa do Brasil, sabendo que, mesmo que o time faça a melhor apresentação do ano e goleie o ABC na Arena das Dunas, em pouco tempo ele voltará a ser um mero assistente técnico (provavelmente do Enderson Moreira que, dizem, está bem perto de ser anunciado).

Mas não deve ser apenas isso que passa pela cabeça do ex-zagueiro. Ele sabe que independente do empate em 1 a 1 na Colina, será uma vergonha absoluta perder a vaga. Não apenas porque estamos falando de um confronto entre um dos maiores clubes do mundo contra o 14º colocado da segunda divisão do combalido futebol brasileiro, mas também porque o elenco que ele tem em mãos é muito mais qualificado (pelo menos no papel e nos salários) que o do seu adversário.

O que fariam vocês se estivessem na pele do Jorge Luiz? Sabendo que não têm muito a perder fariam um time mais ousado? Ou seriam mais cautelosos, tentando o resultado com paciência, para não correr o risco de perder uma partida que definitivamente queimaria o filme de vocês?

Infelizmente, o que pensa o deixa de pensar a torcida é irrelevante. Somente o técnico interino tomará decisões hoje. E se analisarmos bem, Jorge Luiz nem tem muito o que fazer.

Ele pegará um time que não tem padrão de jogo e com desfalques. Terá pela frente um adversário que tentará a todo custo não sofrer gols, o que lhe garantirá a classificação. E, sejamos sinceros, se o Jorge Luiz tivesse tantas ideias assim sobre como melhorar o time, talvez o Adilson as tivesse escutado em algum momento.

Uma das provas de que não veremos muitas mudanças na partida de hoje começa logo pelo começo: com a saída do Adilson e a ausência do Martín Silva – que serve sua seleção – criou-se a expectativa de que poderíamos ver outro goleiro, que não o Diogo Silva, como titular. Mas Jorge Luiz não se fez de rogado e manteve o “goleirão”, o que significa que deveremos fazer, no mínimo, dois gols para conseguir a classificação sem precisar de penalidades. Para compensar a decisão discutível, Jorge Luiz deu alguma sorte por poder contar com Diego Renan, que volta de contusão. E ao invés de escalá-lo onde vinha jogando, na lateral esquerda, colocou-o na direita. Nessa o interino mandou bem, já que é melhor ter uma íngua como o Marlon em campo a ter André Rocha, que consegue ser muito pior.

 Na frente, Jorge Luiz também não ousou e nem teria como ousar. O rodízio de atacantes caindo pelos lados do campo já era uma prática com Adilson e a escolha pelo Montoya não foi uma tirada de coelho da cartola. Como Fabrício foi estupidamente expulso no jogo de ida, Aranda toma seu lugar, jogando ao lado do Guiñazu. Já vimos o Vasco tentar jogar com esse esquema, que na teoria até seria bom (dois cães de guarda, dois meias abertos pelos lados e Douglas centralizado). A questão é: se várias vezes o time falhou atuando de forma parecida, porque dará certo hoje?

 Se Jorge Luiz motivar os jogadores e conseguir transformar em superação o natural clima ruim depois de uma goleada humilhante e a demissão do técnico, o treinador interino terá feito metade do caminho para a classificação. E essa talvez seja a maior contribuição que ele pode oferecer nesse momento.

Copa do Brasil 2014

ABC x Vasco 

Gilvan, Patrick, Marlon, Samuel e Somália; Fábio Bahia, Daniel Amorim, Liel e Lúcio Flávio; Dênis Marques e João Paulo.

Diogo Silva, Diego Renan, Rodrigo, Douglas Silva e Marlon; Guiñazu, Aranda, Dakson, Douglas e Montoya; Kleber.

Técnico: Zé Teodoro.

Técnico: Jorge Luiz (interino).

Estádio: Arena das Dunas. Data: 02/09/2014. Horário: 19h30.  Árbitro:  Luiz Flavio de Oliveira (SP). Assistentes: Rogerio Pablos Zanardo (SP) e Anderson José de Moraes Coelho (SP).

O canal Fox Sports transmite para seus assinantes de todo o Brasil. 

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Lição desnecessária e atrasada

No post de sábado, falei em ultimato para o Adilson, mas sinceramente não acreditava na sua demissão, independente do que acontecesse na partida contra o Avaí. O leitor mais atento poderia perceber isso, já que falo em “última chance de dar uma esperança à torcida” e “situação insustentável”, mas não falo em demissão em lugar nenhum do texto.

Isso porque não acreditaria que a diretoria pediria a cabeça do Adilson caso o time jogasse mal, caso não chegasse a liderança ou até mesmo que perdesse. Sinais de que a tolerância com a incapacidade do agora ex-treinador era insuperável foram dados aos montes. Somente um cataclismo de proporções históricas faria com que a diretoria saísse de sua letargia, abandonasse a camaradagem ao treinador e o defenestrasse do cargo.

Aí, o inesperado cataclismo aconteceu. Nem a diretoria poderia deixar uma derrota por 5 a 0 dentro de casa, numa Série B, sem uma resposta. Mas não se enganem: se tivéssemos perdido por menos, Adilson ainda teria uma sobrevida no clube, pelo menos até a decisão na Copa do Brasil de terça que vem.

E não é preciso muito para ter essa opinião, basta lembrar que o Vasco não foi tão pior do que vem jogando há tempos. O Avaí também não é nenhuma máquina, pelo contrário, em muitos momentos mostrou menos futebol que outros times da Série B que já encaramos. A goleada aconteceu, mas poderíamos ter empatado ou até mesmo vencido o jogo, exatamente como vencemos outros adversários do mesmo nível jogando o mesmo futebol ruim de sábado.

A diferença é que dessa vez falhamos mais – quatro gols em bolas paradas e um entregue pela zaga é absurdo – e tanto que, se não fosse a contínua defesa do Adilson pelos jogadores em entrevistas, poderíamos desconfiar de uma fritada do treinador pelo time. Mesmo os que mais confiamos no elenco falharam de forma inaceitável. E depois do terceiro gol, o time simplesmente parou de jogar de deixou o time catarinense fazer o que bem entendesse em campo.

Mas o pior de tudo é saber que, nas mãos do Adilson, o time nunca jogaria muito mais que isso. Sem as falhas individuais, o jogo poderia ser outro. E se fosse outro, Adilson certamente ainda teria um emprego.

Então devemos encarar a goleada para Avaí como um mal necessário que veio em boa hora? È uma visão muito colorida da questão. Pra mim, levar um chocolate de um time fraco como o Avaí não era nem necessário e uma demissão que chega com meses de atraso não pode ser considerada vinda numa hora boa. A saída de Adilson era óbvia, aconteceria mais cedo ou mais tarde e qualquer torcedor sabia disso. Por isso, mais que ficar feliz com a mudança do comando do time, devemos ficar é mais preocupados com mais uma mostra da incompetência da diretoria.

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Falar individualmente da atuação dos jogadores diante de tal resultado seria um exercício irritante de redundância. Todos os setores e a maioria dos jogadores em campo foram muito mal e alguns tiveram responsabilidade direta no resultado: Martín Silva falhou feio no segundo gol e – posso estar enganado – sofreu um gol de falta que era defensável. A zaga toda vacilou feio ao longo de todo jogo nas bolas aéreas e Rafael Vaz entregou o quarto gol. O time como um todo, mesmo jogando contra mais um adversário que apenas esperou o contra-ataque, não teve uma postura defensiva sólida. Ofensivamente, apenas Dakson teve uma atuação positiva, e apenas no primeiro tempo. Vale citar o pênalti perdido pelo Douglas, o segundo seguido, que poderia ter mudado a cara do jogo.

E, como não poderia deixar de ser, muito da derrota teve a mão do Adilson: escolher poupar o Rodrigo justo nesse jogo, insistir com André Rocha – só para ter que substituí-lo de novo por conta da avenida na sua lateral- e com Guilherme Biteco no ataque foram os equívocos mais evidentes do ex-treinador vascaíno.

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Menos que pouco

O empate contra o ABC em São Januário foi terrível, mas acaba sendo o menos grave se analisarmos toda a situação com calma. O resultado de ontem, a forma como deixamos a vitória escapar e a postura do time foram as mesmas de tantos outros empates e derrotas esse ano. Com isso, infelizmente já deveríamos estar acostumados e não deveria ser mais um motivo de preocupação. Mais preocupante pra mim é o cenário da equipe sob uma visão mais ampla.

Sofrer um gol antes dos 5 minutos de bola rolando, pressionar sem conseguir levar muito perigo ao adversário, correr riscos nos contra-ataques, errar um caminhão de passes, perder gols e penar para conseguir um empate contra um adversário evidentemente inferior tecnicamente e que passou 80% do jogo se defendendo poderia ser, como falei acima, a descrição de outros tantos jogos do Vasco. Mas pior que o resultado e mesmo pior que complicar a classificação para as oitavas da Copa do Brasil é saber que, do Vasco sob o comando do Adilson, não podemos esperar nada muito diferente.

Estamos empatados com os líderes da Série B – repito, SÉRIE B! – por conta de uma sequência de vitórias, que por sinal não foram suficientes para nos levar ao topo da tabela. Isso porque o Vasco não consegue vencer adversários de uma fragilidade evidente. O treinador mexe daqui, muda dacolá, mas não sai disso: tem na sua mão um elenco absurdamente valorizado para o nível da competição e não faz mais que patinar.

Vem uma sequência de empates e caímos posições? Aí temos uma série de barangas pela frente, vencemos algumas partidinhas de forma medíocre e subimos de novo. Empatamos em casa na decisão de uma vaga da Copa do Brasil? Isso não quer dizer muita coisa, já que pelo Brasileiro vencemos o mesmo ABC na sua casa e podemos repetir o feito, mesmo jogando mal. E com isso, nessa gangorra de rendimento, vamos atingindo metas modestas e mantendo as coisas como estão.

Mas digamos que passemos pelo ABC – o que nem é, ou não deveria ser, uma missão das mais complicadas – e avancemos na competição? É quase certo que enfrentaremos nada mais, nada menos que o Cruzeiro. Acontecendo novamente a lógica, rodaremos na próxima fase. Mas aí, os responsáveis pelo futebol vascaíno certamente vão racionalizar o resultado e seguirão o “planejado”, já que ser eliminado para o melhor time do país há quase dois anos não é um absurdo.

Esse, amigos, é um problema muito pior que um empate contra o ABC (até porque, os caras tiveram méritos pelo resultado e futebol é assim mesmo). Enquanto quem dirige o futebol estiver satisfeito e os jogadores apoiarem o Adilson, nada mudará. Mesmo com o nível indigente do futebol que temos apresentado, vamos subir para a Série A. Mesmo com esse empate de ontem, ainda aposto na nossa classificação para as quartas da Copa do Brasil. O problema é que o desempenho ridículo do time não é o bastante para agradar nem o vascaíno mais tranquilo. Ficar satisfeito com o Vasco do Adilson é se contentar com menos que pouco; é se contentar com nada.

As atuações…

Martín Silva – não tinha o que fazer no gol sofrido e impediu pelo menos um outro. Contou com a sorte também em pelo menos dois outros lances no primeiro tempo, quando tirou as bolas da direção do gol com o olhar.

Carlos Cesar – correria e só: é fraco na cobertura – o gol saiu pela sua lateral – e no apoio erra tudo o que tenta. Saiu contundido e Aranda entrou em seu lugar e, mesmo contra um adversário que poucas vezes arriscou atacar no segundo tempo, deixou alguns espaços pelo meio.

Rodrigo – deu muito azar no lance do primeiro gol: tentou cortar uma bola que evidentemente iria para fora e acabou ajeitando o lance para o atacante do ABC. Com o time avançando desordenadamente para tentar o empate, teve alguns problemas com os contra-ataques adversários. Tomou um amarelo por reclamação, algo inaceitável para alguém com a sua experiência.

Douglas Silva – menos tenso que seu companheiro de zaga, acabou sendo importante ao ganhar uma disputa de bola na área adversária no lance do gol do Kleber.

Marlon – deve ser o dono do título mundial de lateral que mais isola cruzamentos.

Guiñazu – Um dos melhores da partida. Além de ser o monstro de sempre na marcação (talvez exagere um pouco na quantidade de carrinhos que dá), ontem até quando avançou foi bem, distribuindo bem a bola e quase marcando um gol ainda no primeiro tempo.

Fabrício – mostrou empenho, mas o gol logo no começo fez com que o volante avançasse mais que o normal para o ataque, onde tirando um chute de fora da área com relativo perigo, pouco fez. Foi para a lateral no segundo tempo e só fez uma coisa de marcante: conseguir ser expulso por reclamação.

Douglas – ontem até que correu bem mais do que estamos acostumados a ver, mas infelizmente não conseguiu ser o articulador de jogadas que o time precisava. E, mais uma vez, não foi bem nas bolas paradas.

Maxi Rodríguez – se movimentou bem, mas na maioria das vezes não conseguiu superar a marcação adversária. Sem repetir o bom desempenho da estreia, cedeu lugar ao Thalles, que jogando muito afastado da área pouco fez.

Montoya – não tem medo de arriscar jogadas e mostra muita raça. Mas sem concluir jogadas, acaba sendo pouco efetivo. Edmilson entrou em seu lugar e nos pouco mais de 15 minutos que esteve em campo foi mais notado ajudando na marcação que no ataque.

Kléber – no primeiro tempo, uma atuação que pode ter sido a sua melhor com a camisa do Vasco: correu, brigou, abriu espaços para os companheiros, criou jogadas e foi premiado com o gol de empate. Nessa, foi outro a tomar um amarelo ridículo, ao tirar a camisa na comemoração. No segundo tempo caiu de produção, não sendo nem de longe tão perigoso quanto na primeira etapa.

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