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Futebol pragmático

A Arena Maracanã com um ótimo público, 50 mil vascaínos fazendo uma festa linda, o fim da ridícula sequência de quatro jogos sem vitórias na Série B e a volta para a elite mais perto não foram o bastante para ignorarmos o fato de que o Vasco não fez nada de muito diferente do que vimos nos fracassos contra Paraná, Ponte, América-RN e Santa Cruz.

Não que tivéssemos algum motivo para acreditar numa mudança da água pro vinho só porque estaríamos em grande número no estádio. Aliás, o Joel já tratou de nos tirar essa esperança de véspera, já indicando que escalaria três volantes contra o 13º colocado da tabela. O resultado não poderia ser outro: mais uma vez tivemos muita posse de bola e pouca criatividade no meio. Foi o mesmo rame-rame de sempre, de toques para o lado e para traz e objetividade zero. E isso sem trazer a maldita segurança adorada ao nível da obsessão pelo Joel, já que o ABC ainda teve as melhores chances no primeiro tempo.

A torcida foi quem fez mais bonito na Arena Maracanã (foto: www.vasco.com.br)

A torcida foi quem fez mais bonito na Arena Maracanã (foto: http://www.vasco.com.br)

O que impediu que o time fosse para o vestiário no intervalo sob as vaias de todo o estádio foi o gol já nos acréscimos do primeiro tempo. Mas vale lembrar que o pênalti convertido por Douglas só aconteceu por conta de uma pixotada dupla da defesa do ABC até Carlos César se derrubado na área.

Começamos o segundo tempo com vantagem no placar e um jogador a mais em campo (o goleiro Gilvan foi expulso ao cometer a penalidade no primeiro tempo). Ainda assim isso não foi o bastante para que nosso treinador resolvesse dar um jeito na falta de criatividade do time. Foi preciso que Pedro Ken se machucasse no primeiro minuto da etapa final para que o Natalino decidisse jogar o time para frente, substituindo o volante pelo Thalles. Se por um lado a alteração fez com que o domínio da partida aumentasse, por outro serviu para que mostrássemos outro defeito mais que batido do time: a falta de qualidade nas finalizações. Perdemos uns três ou quatro gols por conta dos chutes fracos e/ou sem direção ou por nossos atacantes não chegarem a tempo de dar o toque para as redes.

Valeu pela vitória, por aumentarmos a diferença para o quinto colocado e por estarmos mais próximos da vaga para a série A. Mas não adianta esperarmos nas partidas que restam algo além da preocupação em garantir três pontos. Aparentemente, comissão técnica e jogadores ficaram satisfeitos com o resultado, independente do nível do futebol apresentado (tanto que já falam em “conforto” no caso de um empate contra o Ceará na próxima rodada). O vascaíno já pode conformar em guardar suas esperanças de ver o Vasco jogando como Vasco apenas ano que vem. Até o fim desse Brasileiro, nos restará aturar o futebol pragmático e de resultados que Joel tanto aprecia.

As atuações….

Martín Silva – no primeiro tempo evitou que o ABC abrisse o placar com pelo menos duas grandes defesas. No segundo tempo praticamente não trabalhou.

Carlos César – aparentemente quer conquistar a vaga na lateral direita em definitivo, mostrando muita disposição e velocidade no apoio. No primeiro tempo, o Vasco atacou praticamente o tempo todo pelo seu lado do campo, contanto várias vezes com sua ajuda, iniciando jogadas com algumas arrancadas. Foi decisivo para o resultado ao sofrer o pênalti convertido por Douglas.

Luan – praticamente não teve problemas com o adversário, fazendo uma partida tranquila.

Anderson Salles – parece ter sentido a falta de ritmo em alguns momentos, principalmente quando errou o tempo de bola em botes e divididas pelo alto. Mas também jogou com tranquilidade e mostrou que poderia muito bem ter tido mais chances no time. Quase marcou após cruzamento de Maxi no segundo tempo.

Diego Renan – apagado no primeiro tempo, quando quase não subiu ao ataque, cresceu de produção quando o Vasco passou a ter um jogador a mais e apoiou mais vezes. Foi quando acertou um belo cruzamento que só não terminou em gol porque Thalles furou o chute.

Guiñazu – a disposição de sempre no combate, mas dessa vez sem cometer tantas faltas (tanto que milagrosamente acabou o jogo sem ser advertido).

Aranda – errou alguns passes, principalmente quando esteve mais avançado e acabou cedendo alguns espaços no meio de campo quando passou a atuar mais recuado. Quase marcou em chute na entrada da área no segundo tempo.

Pedro Ken – discreto, participou muito mais da marcação que da criação de jogadas. Saiu no início do segundo tempo com dores. Thalles entrou em seu lugar e começou a partida apanhando da bola, errando passes em profusão e estragando jogadas por falta de domínio. Melhorou com o tempo e levou perigo algumas vezes, inclusive deixando Kleber na cara do gol.

Douglas – começou a partida sem conseguir criar jogadas de perigo e trotando em campo, aparentando estar até acima do peso. Ainda assim acabou resolvendo a partida ao converter a cobrança de pênalti que nos deu a vitória. No segundo tempo quase marcou em chute colocado de fora da área. No fim deu lugar ao Rafael Silva, que mesmo ficando pouco tempo em campo, conseguiu finalizar com perigo uma vez.

Maxi Rodríguez – mais uma vez não justificou a moral que tem com a torcida quando começa como titular. O uruguaio tem visão de jogo, mas na maioria das vezes erra o passe decisivo ou perde a bola quando tenta jogadas individuais. Tem a seu favor o fato de que jogou todo o primeiro tempo mais avançado do que deveria, tanto que melhorou um pouco com a entrada do Thalles e pode jogar mais recuado.

Kleber – luta sempre e com relação à disposição que mostra em campo não há do que reclamar. Mas sendo o único atacante em campo desde o início da partida, deixa muito a desejar, já que não consegue nem finalizar. Sua única boa chance aconteceu com o segundo tempo já bem adiantado, depois de receber bola açucarada de Thalles. Mas aí, o Gladiador chutou como uma mocinha, nas mãos do goleiro. Edmilson entrou em seu lugar e não teve tempo sequer para encostar na bola.

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Update: publiquei uma coluna nova no Vasco Expresso hoje: “Desculpe, Arena…

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Fazendo a nossa parte

Não é preciso ser um gênio para entender que o Vasco não tem feito o papel de um grande clube numa Série B. Ver a primeira vaga para a elite ir para outro time, muito provavelmente ver a segunda ir embora hoje e estar, faltando cinco rodadas para a final do campeonato, três vezes mais próximo da quinta colocação que da liderança são sinais óbvios de que a competência passou longe da nossa campanha.

Por sorte, enquanto nosso time claudica em campo, nossos adversários também se esmeram em não fazer a parte deles. Bastou que nós resolvêssemos que vitórias não são tão importantes para que se iniciasse a dança das cadeiras na quarta posição da tabela, com times se revezando em alcançar o G4 e perder partidas aparentemente para não nos tirar do terceiro lugar.

Mas eis que hoje, no meio de um mar de incompetência que assola esse 2014 vascaíno, alguém pode cumprir sua função como deve ser cumprida. Se não podemos esperar muita coisa da diretoria, da comissão técnica, dos jogadores, da arbitragem ou mesmo dos adversários, não podemos, de forma alguma, deixar de contar conosco mesmo, a torcida vascaína.

Nós, que pelo visto somos a única parte realmente interessada em que o Vasco sempre esteja bem, já começamos a fazer nosso trabalho direito enchendo a Arena Maracanã. Agora, a partir do momento que estivermos instalados nas arquibancadas do estádio, devemos fazer o máximo para empurrar os sujeitos que, no momento, andam maltratando a bola vestindo nossa armadura. È ignorar os nomes e lembrar que nossa torcida é por aquela camisa que carrega tantas glórias, e não por nenhum jogador.

Era basicamente isso que queria dizer sobre essa partida contra o ABC: já que teremos dezenas de milhares de vascaínos no estádio, quem estiver lá não pode ir apenas para reclamar. Nossa torcida é a única força com a qual o Vasco não apenas pode, mas DEVE contar sempre.

Campeonato Brasileiro 2014

Vasco X ABC

Martín Silva, Carlos César; Luan, Anderson Salles (Douglas Silva) e Diego Renan; Guiñazu, Aranda, Pedro Ken e Douglas; Maxi Rodriguez e Kleber.

Gilvan, Madson, Suéliton, Diego Jussani e Samuel; Fábio Bahia, Daniel Amora, Marcel e Ronaldo Mendes; João Paulo e Rodrigo Silva.

Técnico: Joel Santana.

Técnico: Roberto Fonseca.

Estádio: Arena Maracanã. Data: 08/11/2014. Horário: 16h20.  Árbitro: Guilherme Ceretta de Lima (SP). Assistentes: Fabio Rogerio Baesteiro (SP) e Leandro Matos Feitosa (SP).

A Rede TV transmite para todo Brasil (exceto Rio de Janeiro). O canal Premiere transmite no sistema pay-per-view e para seus assinantes em todo Brasil.

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Sem (boas) novidades

Queria ter tido tempo e boas novas para escrever um post ontem, mas nenhum dos dois apareceu. Até estava pintando uma grande notícia na noite de terça feira, mas ela foi impiedosamente detonada aos 28 minutos do segundo tempo do jogo da volta entre a molecada do Santos e do Vasco pelas quartas de final da Copa do Brasil sub-20. Ao marcar um gol, o Peixe nos eliminou da competição por conta do gol feito na Colina no jogo de ida, nesse critério de desempate que só é agradável quando nos favorece.

Estávamos até bem na partida, com uma proposta de jogo bem clara: compactação do time e jogadas no contra-ataque. No segundo tempo inclusive tivemos as melhores chances, a principal delas, perdida pelo Renato Kaiser (que só fosse pelo menos Skol, não deixaria de marcar um gol tão feito).

Mas, piadinhas a parte, a garotada está de parabéns. Jogaram de forma inteligente, muito mais organizadamente que os marmanjos do time principal. E chegar até as quartas da competição infelizmente já é um feito para os dias de hoje: se os profissionais estão tendo o tratamento que vemos, imaginem o que não deve faltar de estrutura para a base.

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Na parte política é mais difícil ainda aparecer uma boa notícia. Nos últimos dias, chapas desistiram de concorrer, ações rolaram na justiça e, como não poderia deixar de ser, o nível da campanha feita pelos eleitores de cada candidato é o mais rasteiro possível. Ontem se escreveu outro capitulo na rinha eleitoral que se transformou o clube: a justiça negou um pedido para a realização de eleições para a Assembleia Geral do Vasco.

A história é enrolada: Olavo Monteiro de Carvalho era o presidente da Assembleia até sua renúncia. Antonio Gomes da Costa, vice de Olavo, também teria renunciado. Por conta disso, Abílio Borges, presidente do Conselho Deliberativo, acumulou a função.

A questão foi a para os tribunais: para a chapa Sempre Vasco, o poder está vago; a chapa Volta Vasco – que se meteu na história como parte interessada no caso – argumenta que como Gomes da Costa não enviou uma carta de renúncia e disse apenas estar impossibilitado fisicamente para assumir o cargo, Abílio Borges seria naturalmente o próximo na linha sucessória, o que não deixa o cargo vago. Por falta de tempo para resolver a questão antes do dia 11, data da eleição no clube, o juiz que analisou o caso achou por bem manter Borges no comando da Assembleia Geral.

Até aí, tudo parece muito lógico. Se o Estatuto prevê que o presidente do Deliberativo assuma a Assembleia na falta de um presidente e de um vice, não há o que discutir. Mas a pergunta que surge é: por que tanto interesse em quem manda ou deixa de mandar na Assembleia Geral?

Ora, caro e desatento leitor! A Assembleia Geral é o poder responsável pelas eleições no clube! Comandando a Assembleia, Abílio Borges é quem vai decidir, por exemplo, se apenas os eleitores que participaram do recadastramento poderão votar. Apesar de isso parecer ser o mais lógico (já que o recadastramento foi feito para limpar o quadro de eleitores), tem gente que é contra essa ideia, inclusive o próprio Abílio. E, é claro, também Eurico Miranda (que, vale relembrar, entrou como “terceira parte interessada” na ação para manter o presidente do Conselho Deliberativo como responsável pela Assembleia).

Abílio ainda não sabe o que fazer, mas  sugeriu que os sócios que não se recadastraram possam fazer isso no dia da eleição, para poderem votar. Isso tiraria todo o sentido do prazo inicial de recadastramento e certamente provocará mais problemas no dia do pleito. Será que o procedimento será feito de forma correta no meio da votação?

Há também um dado muito interessante: dos 7.616 sócios que não foram se recadastrar, mais de 80% são não pagantes (Beneméritos e Grandes Beneméritos, Eméritos, Benfeitores, Campeões e Remidos). Ou seja, a extensão forçada do recadastramento até o dia da eleição favorecerá em grande parte apenas o pessoal da antiga no clube. Alguma dúvida sobre qual candidato deve ser a escolha da maioria desses sócios?

Como na história do mensalão, o ex-presidente pode acabar sendo beneficiado por uma jogada que pode ser correta sob a luz do Estatuto, mas que está longe de ser uma atitude ética.

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ingressosMas falando do que realmente interessa: vocês já compraram o ingresso para o Vasco x ABC? Lugar de vascaíno no sábado é na Arena Maracanã, apoiando – se não os sujeitos que vestem a armadura cruzmaltina por enquanto – o clube.

E falo “o clube” para lembrar a todos que ninguém aqui torce para Fabrícios, Andrés Rocha e Marlons. Nós torcemos para o VASCO. E quando gritamos nas arquibancadas, nosso grito e força é pela vitória do clube, não dos 11 que estão em campo.

Então não tem essa de “com esses pernas de pau jogando, eu não pago um ingresso”. Havendo a possibilidade, tem que ir ao jogo SIM. E tem que apoiar os 90 minutos. Os sujeitinhos que hoje (tentam) formam a equipe vascaína podem até comemorar as vitórias, mas elas são nossas. Até porque, jogadores vem e vão, mas quem fica com as glórias e decepções somos apenas nós: o Vasco e sua torcida.

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Só mudou a mosca

Pelo que vimos na derrota – e subsequente eliminação na Copa do Brasil – do Vasco para o ABC, podemos dizer que, finalmente, a Era Adilson acabou. Todos os defeitos que o time vinha apresentando sob o comando do agora definitivamente ex-treinador foram seguidos à risca pela equipe comandada pelo interino Jorge Luiz. Erros de passe em profusão, falhas de cobertura, criação inexistente e uma total incapacidade de variações táticas que fossem capazes de superar as mais ridículas retrancas é a descrição da partida. Resumindo, mudou a mosca, mas merda continuou a mesma.

No fim das contas, a pergunta feita no post de ontem só poderia ter uma resposta: Jorge Luiz não poderia fazer nada pelo time. E nada foi exatamente o que o interino fez. Até a mania do Vasco apenas assistir o adversário jogar um tempo inteiro (mesmo com a necessidade de marcarmos gols) para só tentar uma pressão na etapa final aconteceu mais uma vez.

Claro que a derrota não é culpa exclusiva da dupla Adilson/Jorge Luiz. A incapacidade de alguns jogadores, a queda de rendimento de outros e o descontrole geral da equipe também contribuíram para a bizarra eliminação. Tão bizarra que veio com um gol irregular do ABC e com Diogo Silva sendo um dos poucos destaques do Vasco, senão o melhor em campo. Esperar que algo desse certo num cenário como esse era demais.

A eliminação, com derrota, para um time que luta para não entrar no Z4 da Série B era a vergonha que faltava à gestão Dinamite, que pelo menos nas Copas do Brasil que disputou, não fez feio em nenhuma. E mais uma vez o time precisa se reconstruir depois de mais um fracasso, com o agravante de não ter um técnico para conduzir a renovação e com a instabilidade política comprometendo ainda mais o ambiente do clube.

Agora, sem a vinda de Enderson Moreira (que fechou com o Peixe em cima da hora) e sem um nome aceitável para assumir o grupo, a diretoria terá que se esforçar muito para reverter esse quadro. Rodrigo Caetano (que tem grande parcela de culpa nisso, por bancar a permanência do Adilson por tanto tempo) terá que tirar da cartola um treinador que ao mesmo tempo seja competente, aceite ganhar pouco e, tão importante quanto, que agrade a torcida. Porque nesse momento o Vasco não pode, de maneira nenhuma, prescindir do apoio dos vascaínos.

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As atuações? Uma preguiça absoluta e falar do que os jogadores fizeram ontem…Se salvaram Diogo Silva (!!!!) e Maxi Rodriguez, pelo gol.

Na defesa, mais uma gol de bola parada, ainda que em impedimento, é o bastante para mostrar como nossos zagueiros foram mal. E quando subiram, não foram melhores: Rodrigo desperdiçou duas boas cobranças de falta e Douglas Silva, que vacilou feio no segundo gol do ABC, ainda perdeu o gol mais feito do Vasco aos 47 do segundo tempo.

Nas laterais, Diego Renan nem comprometeu, se levarmos em consideração que acabou de voltar de contusão. Apoiou quando pode mas perdeu um gol feito. Na esquerda, uma lástima: tirando um cruzamento certo para o Kleber, Marlon foi uma negação em todos os sentidos. Nem foi visto onde deveria estar no lance do primeiro gol do ABC, que saiu pela ponta esquerda. Lorran entrou em seu lugar, não conseguiu executar o primeiro drible que tentou e aparentemente perdeu toda confiança, errando tudo o que tentou.

Sobre os volantes, Aranda surpreendeu positivamente, tentando criar e sendo até mais efetivo que os meias que tinham essa função. Também tentou finalizar duas vezes. Já o Guiña, foi o de sempre: produz mais carrinhos que a indústria automobilística. Mas é alguém a tentar acordar um time que parece dormir durante boa parte do jogo.

Os meias titulares foram terríveis: Douglas não fez nada e só apareceu quando, descontrolado, arrumou uma briga e foi expulso. Dakson até tentou se movimentar para criar opções de jogo, mas tentou resolver tudo sozinho vezes demais. Montoya foi só correria e quando tentou ajudar na defesa, tomou um chapéu ridículo e deixou o atacante do ABC livre para marcar o primeiro gol.

Os atacantes passaram em branco. Apesar da luta, Kleber pouco conseguiu fazer e Thalles entrou em campo numa posição muito longe da área para quem deveria entrar como centroavante.

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O que Jorge Luiz pode fazer?

Tentem imaginar o que se passa na cabeça o Jorge Luiz hoje. Recebendo no colo a interinidade como treinador do Vasco, tem a missão de conquistar a vaga para as quartas-de-final da Copa do Brasil, sabendo que, mesmo que o time faça a melhor apresentação do ano e goleie o ABC na Arena das Dunas, em pouco tempo ele voltará a ser um mero assistente técnico (provavelmente do Enderson Moreira que, dizem, está bem perto de ser anunciado).

Mas não deve ser apenas isso que passa pela cabeça do ex-zagueiro. Ele sabe que independente do empate em 1 a 1 na Colina, será uma vergonha absoluta perder a vaga. Não apenas porque estamos falando de um confronto entre um dos maiores clubes do mundo contra o 14º colocado da segunda divisão do combalido futebol brasileiro, mas também porque o elenco que ele tem em mãos é muito mais qualificado (pelo menos no papel e nos salários) que o do seu adversário.

O que fariam vocês se estivessem na pele do Jorge Luiz? Sabendo que não têm muito a perder fariam um time mais ousado? Ou seriam mais cautelosos, tentando o resultado com paciência, para não correr o risco de perder uma partida que definitivamente queimaria o filme de vocês?

Infelizmente, o que pensa o deixa de pensar a torcida é irrelevante. Somente o técnico interino tomará decisões hoje. E se analisarmos bem, Jorge Luiz nem tem muito o que fazer.

Ele pegará um time que não tem padrão de jogo e com desfalques. Terá pela frente um adversário que tentará a todo custo não sofrer gols, o que lhe garantirá a classificação. E, sejamos sinceros, se o Jorge Luiz tivesse tantas ideias assim sobre como melhorar o time, talvez o Adilson as tivesse escutado em algum momento.

Uma das provas de que não veremos muitas mudanças na partida de hoje começa logo pelo começo: com a saída do Adilson e a ausência do Martín Silva – que serve sua seleção – criou-se a expectativa de que poderíamos ver outro goleiro, que não o Diogo Silva, como titular. Mas Jorge Luiz não se fez de rogado e manteve o “goleirão”, o que significa que deveremos fazer, no mínimo, dois gols para conseguir a classificação sem precisar de penalidades. Para compensar a decisão discutível, Jorge Luiz deu alguma sorte por poder contar com Diego Renan, que volta de contusão. E ao invés de escalá-lo onde vinha jogando, na lateral esquerda, colocou-o na direita. Nessa o interino mandou bem, já que é melhor ter uma íngua como o Marlon em campo a ter André Rocha, que consegue ser muito pior.

 Na frente, Jorge Luiz também não ousou e nem teria como ousar. O rodízio de atacantes caindo pelos lados do campo já era uma prática com Adilson e a escolha pelo Montoya não foi uma tirada de coelho da cartola. Como Fabrício foi estupidamente expulso no jogo de ida, Aranda toma seu lugar, jogando ao lado do Guiñazu. Já vimos o Vasco tentar jogar com esse esquema, que na teoria até seria bom (dois cães de guarda, dois meias abertos pelos lados e Douglas centralizado). A questão é: se várias vezes o time falhou atuando de forma parecida, porque dará certo hoje?

 Se Jorge Luiz motivar os jogadores e conseguir transformar em superação o natural clima ruim depois de uma goleada humilhante e a demissão do técnico, o treinador interino terá feito metade do caminho para a classificação. E essa talvez seja a maior contribuição que ele pode oferecer nesse momento.

Copa do Brasil 2014

ABC x Vasco 

Gilvan, Patrick, Marlon, Samuel e Somália; Fábio Bahia, Daniel Amorim, Liel e Lúcio Flávio; Dênis Marques e João Paulo.

Diogo Silva, Diego Renan, Rodrigo, Douglas Silva e Marlon; Guiñazu, Aranda, Dakson, Douglas e Montoya; Kleber.

Técnico: Zé Teodoro.

Técnico: Jorge Luiz (interino).

Estádio: Arena das Dunas. Data: 02/09/2014. Horário: 19h30.  Árbitro:  Luiz Flavio de Oliveira (SP). Assistentes: Rogerio Pablos Zanardo (SP) e Anderson José de Moraes Coelho (SP).

O canal Fox Sports transmite para seus assinantes de todo o Brasil. 

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Menos que pouco

O empate contra o ABC em São Januário foi terrível, mas acaba sendo o menos grave se analisarmos toda a situação com calma. O resultado de ontem, a forma como deixamos a vitória escapar e a postura do time foram as mesmas de tantos outros empates e derrotas esse ano. Com isso, infelizmente já deveríamos estar acostumados e não deveria ser mais um motivo de preocupação. Mais preocupante pra mim é o cenário da equipe sob uma visão mais ampla.

Sofrer um gol antes dos 5 minutos de bola rolando, pressionar sem conseguir levar muito perigo ao adversário, correr riscos nos contra-ataques, errar um caminhão de passes, perder gols e penar para conseguir um empate contra um adversário evidentemente inferior tecnicamente e que passou 80% do jogo se defendendo poderia ser, como falei acima, a descrição de outros tantos jogos do Vasco. Mas pior que o resultado e mesmo pior que complicar a classificação para as oitavas da Copa do Brasil é saber que, do Vasco sob o comando do Adilson, não podemos esperar nada muito diferente.

Estamos empatados com os líderes da Série B – repito, SÉRIE B! – por conta de uma sequência de vitórias, que por sinal não foram suficientes para nos levar ao topo da tabela. Isso porque o Vasco não consegue vencer adversários de uma fragilidade evidente. O treinador mexe daqui, muda dacolá, mas não sai disso: tem na sua mão um elenco absurdamente valorizado para o nível da competição e não faz mais que patinar.

Vem uma sequência de empates e caímos posições? Aí temos uma série de barangas pela frente, vencemos algumas partidinhas de forma medíocre e subimos de novo. Empatamos em casa na decisão de uma vaga da Copa do Brasil? Isso não quer dizer muita coisa, já que pelo Brasileiro vencemos o mesmo ABC na sua casa e podemos repetir o feito, mesmo jogando mal. E com isso, nessa gangorra de rendimento, vamos atingindo metas modestas e mantendo as coisas como estão.

Mas digamos que passemos pelo ABC – o que nem é, ou não deveria ser, uma missão das mais complicadas – e avancemos na competição? É quase certo que enfrentaremos nada mais, nada menos que o Cruzeiro. Acontecendo novamente a lógica, rodaremos na próxima fase. Mas aí, os responsáveis pelo futebol vascaíno certamente vão racionalizar o resultado e seguirão o “planejado”, já que ser eliminado para o melhor time do país há quase dois anos não é um absurdo.

Esse, amigos, é um problema muito pior que um empate contra o ABC (até porque, os caras tiveram méritos pelo resultado e futebol é assim mesmo). Enquanto quem dirige o futebol estiver satisfeito e os jogadores apoiarem o Adilson, nada mudará. Mesmo com o nível indigente do futebol que temos apresentado, vamos subir para a Série A. Mesmo com esse empate de ontem, ainda aposto na nossa classificação para as quartas da Copa do Brasil. O problema é que o desempenho ridículo do time não é o bastante para agradar nem o vascaíno mais tranquilo. Ficar satisfeito com o Vasco do Adilson é se contentar com menos que pouco; é se contentar com nada.

As atuações…

Martín Silva – não tinha o que fazer no gol sofrido e impediu pelo menos um outro. Contou com a sorte também em pelo menos dois outros lances no primeiro tempo, quando tirou as bolas da direção do gol com o olhar.

Carlos Cesar – correria e só: é fraco na cobertura – o gol saiu pela sua lateral – e no apoio erra tudo o que tenta. Saiu contundido e Aranda entrou em seu lugar e, mesmo contra um adversário que poucas vezes arriscou atacar no segundo tempo, deixou alguns espaços pelo meio.

Rodrigo – deu muito azar no lance do primeiro gol: tentou cortar uma bola que evidentemente iria para fora e acabou ajeitando o lance para o atacante do ABC. Com o time avançando desordenadamente para tentar o empate, teve alguns problemas com os contra-ataques adversários. Tomou um amarelo por reclamação, algo inaceitável para alguém com a sua experiência.

Douglas Silva – menos tenso que seu companheiro de zaga, acabou sendo importante ao ganhar uma disputa de bola na área adversária no lance do gol do Kleber.

Marlon – deve ser o dono do título mundial de lateral que mais isola cruzamentos.

Guiñazu – Um dos melhores da partida. Além de ser o monstro de sempre na marcação (talvez exagere um pouco na quantidade de carrinhos que dá), ontem até quando avançou foi bem, distribuindo bem a bola e quase marcando um gol ainda no primeiro tempo.

Fabrício – mostrou empenho, mas o gol logo no começo fez com que o volante avançasse mais que o normal para o ataque, onde tirando um chute de fora da área com relativo perigo, pouco fez. Foi para a lateral no segundo tempo e só fez uma coisa de marcante: conseguir ser expulso por reclamação.

Douglas – ontem até que correu bem mais do que estamos acostumados a ver, mas infelizmente não conseguiu ser o articulador de jogadas que o time precisava. E, mais uma vez, não foi bem nas bolas paradas.

Maxi Rodríguez – se movimentou bem, mas na maioria das vezes não conseguiu superar a marcação adversária. Sem repetir o bom desempenho da estreia, cedeu lugar ao Thalles, que jogando muito afastado da área pouco fez.

Montoya – não tem medo de arriscar jogadas e mostra muita raça. Mas sem concluir jogadas, acaba sendo pouco efetivo. Edmilson entrou em seu lugar e nos pouco mais de 15 minutos que esteve em campo foi mais notado ajudando na marcação que no ataque.

Kléber – no primeiro tempo, uma atuação que pode ter sido a sua melhor com a camisa do Vasco: correu, brigou, abriu espaços para os companheiros, criou jogadas e foi premiado com o gol de empate. Nessa, foi outro a tomar um amarelo ridículo, ao tirar a camisa na comemoração. No segundo tempo caiu de produção, não sendo nem de longe tão perigoso quanto na primeira etapa.

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Legião Estrangeira

legião estrangeira

Nem vou comentar sobre o horário ingrato na qual a CBF resolveu marcar o jogo de ida do Vasco pelas oitavas de final da Copa do Brasil. Quem trabalha longe de casa e/ou não pode ir a São Janu pelo mesmo motivo, ou outros, dificilmente conseguirá ver os 90 minutos do confronto contra o ABC. Mas especificamente nessa partida, os vascaínos têm motivos para agradecer à nossa achincalhada confederação: se a entidade não tivesse aumentado o número limite de jogadores estrangeiros nos times brazucas, não poderíamos ver a escalação que o Adilson ameaça colocar em campo logo mais.

O Vasco deve encarar o alvinegro potiguar com nada menos que QUATRO gringos como titulares. Uma verdadeira legião estrangeira, formada por Martín Silva, Guiñazu, Montoya e Maxi Rodriguez. E tendo Aranda no banco, o Gigante pode terminar a partida com o número máximo de estrangeiros em campo.

A torcida, que já gosta de ver a gringaiada jogando, deve ir ao delírio. Numa competição de mata-mata então, a possível formação de hoje fará os olhos dos vascaínos brilhar. A imagem de raça e disposição dos sul-americanos – ainda que isso não seja uma verdade completa – é praticamente um dogma para os brasileiros em geral. Isso deve fazer com que o time seja aprovado de primeira.

Mas não apenas pela “raza sudamericana”, o provável time com os quatro gringos (reforço o “provável” porque nunca se sabe o que o Adilson pode fazer) é também mais ofensivo e, se tudo der certo, não acabando com o equilíbrio defensivo. Sem um centroavante fixo, a movimentação de Kleber, Montoya e Maxi facilitará o trabalho do Douglas, tanto por oferecer mais opções de passe como por dividir a atenção da marcação adversária. Com os armadores e atacantes se movimentando com mais constância, não precisaremos tanto do apoio dos laterais e nem das subidas do Fabrício. E isso pode garantir a segurança necessária à zaga.

(Parêntese: falo isso tudo como se fosse necessária tanta preocupação com o adversário de hoje. Em CNTP – pros esquecidos de física, condições normais de temperatura e pressão – o Vasco não deveria nem tomar conhecimento do ABC dentro da Colina. Mas com Adilson como técnico, sempre vale uma precaução a mais. Fecha parêntese)

O maior perigo que a Legião Estrangeira corre é o de não atuar bem ou não conseguir um resultado interessante. Isso certamente traria um retrocesso, já que Adilson mais de uma vez mostrou que, se um esquema não dá certo (dentro dos seus critérios alucinados, e mesmo que a equipe de hoje não tenha o entrosamento ideal), o que se deve fazer é muda-lo na próxima partida. E se isso acontecer, a chance de vermos uma formação mais defensiva contra o Avaí, mesmo sendo em São Januário, é enorme.

Por isso, os gringo hoje têm duas missões hoje: vencer e, se possível, jogar de forma convincente.

Copa do Brasil 2014

Vasco X ABC

Martín Silva; Carlos César, Rodrigo, Douglas Silva e Marlon; Guiñazú, Fabrício, Douglas e Maxi Rodriguez; Montoya e Kléber.

Gilvan; Patrick, Suéliton, Marlon e Luciano Amaral; Fábio Bahia, Liel (Somália), Daniel Amora e Júnior Timbó; João Paulo e Dênis Marques.

Técnico: Adilson Batista.

Técnico: Zé Teodoro.

Estádio: São Januário. Data: 26/08/2014. Horário: 19h30.  Árbitro: Wagner Reway (MT). Assistentes: Paulo Cesar Silva Faria (MT) e Rafael da Silva Alves (RS).

A Fox Sports transmite ao vivo para seus assinantes em todo Brasil.

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