Arquivo da categoria: Esporte amador

Palavras ao vento

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Um dos reflexos imediatos da definição eleitoral no Vasco foi o aumento do fervor quase religioso que os devotos de São Eurico nutrem por seu mestre. Essa adoração xiita é evidenciada por sintomas facilmente identificáveis, como a fé inabalável de que qualquer coisa que ele faça é perfeito, a memória seletiva (que os faz lembrar de cada detalhe do Eurico VP e os faça ignorar completamente o que aconteceu na sua primeira oportunidade como presidente) e a leitura seletiva do que a imprensa esportiva noticia.

Falemos dos dois casos mais recentes, que evidenciam o primeiro sintoma e o terceiro. O primeiro foi a nota oficial sobre os jogadores vindos do Olaria, que traz a informação de que eles não têm vínculo com a Brasport e chegaram a custo zero.

Tirando uma introdução na qual a diretoria – tão cheia de si pelo respaldo dado pelos pouco menos de 2.800 sócios que a elegeu – se mostrou desnecessariamente na defensiva, dizendo que os questionamentos sobre o assunto são “claramente, de tentar tumultuar o ambiente de trabalho” no clube, isso é tudo de relevante que traz a nota. Esclarecimentos de verdade, como a indicação de quem são os empresários dos jogadores, nada. E aí entra a total confiança dos defensores do presidente. Para eles, basta falar que uma coisa não aconteceu, e pronto. A situação está esclarecida. O pessoal da Petrobrás adoraria ter esse poder: bastaria dizer que não há corrupção na empresa, não mostrar qualquer documentação que comprove isso e o valor das suas ações voltariam a subir imediatamente.

O outro caso é o da previsão do presidente de que o Vasco terá R$ 251 milhões de receita e um superávit de R$ 73 milhões. Eurico disse que seria assim e pronto, seus seguidores tomaram esses números otimistas – não sou eu quem está dizendo, e sim o próprio VP de Finanças do clube – como fato consumado e um exemplo de como o “dotô”  é um gênio administrativo.

Se para fechar essa conta o presidente conta com R$ 45,9 milhões em patrocínios (coisa que ele não conseguiu em sete anos na sua primeira gestão) ou se prevê quase R$ 40 milhões em venda de jogadores (e para isso acontecer, nem precisamos pensar muito sobre que jogadores teriam que ser negociados) ou se a meta de superávit é praticamente impossível de ser cumprida,  isso não importa. O que importa é que, se o Eurico falou, a realidade se adaptará aos seus planos.

Tudo isso está nas matérias que falaram sobre a reunião do Conselho Deliberativo. Mas para os devotos de São Eurico, só é necessário ler o que diz o dirigente. O resto é coisa da “flapress“, dos “antis” e  “mulambos“. Ou, como diz oficialmente a diretoria, de quem “quer tumultuar o ambiente de trabalho“.

Diante desses dois casos, fica clara a situação: para os seguidores do “dotô”, basta que seu mentor jogue algumas palavras ao vento e todo “vascaíno de verdade” tem o dever de acreditar.

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Além dos delírios financeiros da diretoria, algo mais grave aconteceu na reunião: a proposta orçamentária foi aprovada unicamente com base na maioria que a diretoria possui no Conselho Deliberativo. A proposta só foi entregue na hora da reunião, sem que o Conselho Fiscal pude-se avaliar seu conteúdo.

Mas é melhor dar a palavra a quem esteve presente na reunião, o conselheiro Fabio Muniz:

Recebemos a proposta de orçamento na hora da reunião, ou seja, sem ter como opinar, sugerir ou criticar. Jamais iriamos aprovar algo sem estudar, tão pouco reprovar sem analisar, logo preferimos nos abster da votação. Não havia o que ser feito, a não ser debater os principais pontos e isso fizemos. Nem mesmo nosso representante no Conselho Fiscal teve acesso ao orçamento, para análise, estudo e emissão do parecer. Lamentável a postura do presidente Otto.

Os conselheiros Carlos Eduardo Rodrigues Pereira e Carlos Leão Junior, sugeriram reuniões de acompanhamento para que pudêssemos verificar a realização do orçamento, o Carlos Eduardo no meio do ano e o Leão com reuniões trimestrais ( realizado x planejado ).

Na tribuna alertei a diretoria executiva que a proposta orçamentária indicava um superávit de R$ 73 milhões em 2015. Ou seja, a diretoria do Vasco PROMETEU ao conselho, aos sócios / torcedores, credores e investidores que no ano de 2015 irá gerar um caixa positivo de R$ 73 milhões! Que será utilizado da seguinte forma:
R$ 30 milhões em investimento e R$ 43 em pagamento de dívida.

Ressaltei que R$ 73 milhões representa 29% dos R$ 215 da receita no ano. Algo extraordinário! Levando-se em consideração que recentemente o Governo Federal reduziu quase que a zero sua obrigação de superávit, tamanha a dificuldade de se cumprir tal meta. Particularmente creio ser muito difícil tal feito, mas torcerei para que ocorra. Estaremos de olho!

Lembrei ainda que com este magnifico superavit, se utilizarem os R$ 43 milhões de fato para pagar dívida seria algo sensacional, pois amortizaria em um ano quase que 10% de nossa dívida total, caso ela esteja em torno de R$ 500 milhões.

Reforcei o pedido do Carlos Eduardo, para que em junho tenhamos uma reunião extraordinária para verificarmos este superávit. Pra sabermos se estaremos com R$ 50 milhões positivo ou R$ 20 negativos. Aí o Eurico disse: “em junho vamos estar com uns R$ 50 negativos!” Não entendi nada…será que ele prometeu algo que não irá cumprir? Espero que em junho tenhamos a reunião para verificar. O presidente Luis Manoel Fernandes concordou em faze-la.

Não sabemos ainda ao certo se o respeito voltou. Mas as mesmas práticas empregadas na política do Vasco durante a primeira gestão Eurico já estão de volta.

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Mas falemos de algo bem mais agradável: hoje a molecada da Colina faz sua segunda partida pela Copa São Paulo, encarando o Serrano-BA. Uma vitória pode nos deixar na liderança do grupo e numa posição mais confortável para conseguir a classificação.

O time que entra em campo é praticamente o mesmo que venceu o Araxá-MG por 2 a 0 na primeira rodada, com exceção do meia Matheus Santana, que sentiu e desfalca a equipe. Evander e Caio Monteiro, que entraram ao logo do primeiro jogo e se sairam bem, disputam a vaga.

Se mantivermos o mesmo nível da atuação contra a equipe mineira, temos tudo para vencer. Só não podemos voltar a perder tantas chances de gol, até porque o saldo é um critério de desempate e precisamos balançar as redes do Serrano o maior número de vezes possível.

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Bancando a aposta

dorivaA nova diretoria vascaína anuncia pela segunda vez um novo técnico para o futebol em menos de uma semana. Mas como dessa vez o próprio treinador divulgou uma nota confirmando sua vinda, podemos ter certeza de que Doriva realmente assumirá o comando da equipe no início da próxima temporada.

Doriva era uma das possibilidades lembradas pela torcida, antes mesmo do Marquinhos Santos. Desde que conquistou o Paulistão do ano passado com o modesto Ituano, seu nome ganhou muito status no mercado nacional. Sua curta passagem pelo Atlético-PR no Brasileirão do ano passado acabou tirando Doriva dos spots da imprensa, mas isso não quer dizer necessariamente que ele não tenha competência para o cargo.

Pelo Ituano, Doriva mostrou ser tanto estrategista, utilizando os pontos fortes do grupo que tinha em mãos, como motivador, fazendo da união do elenco um dos  fatores que ajudaram a conquista do clube. Mas para repetir tal sucesso, é preciso que haja tempo para que o treinador conheça bem cada jogador, tempo esse que Doriva não teve no Furacão (que o demitiu depois de apenas oito partidas).

Sendo assim, a diretoria vascaína precisa ter paciência para que o trabalho do Doriva mostre frutos. Ele terá que montar uma equipe praticamente do zero e por isso a pressão por resultados positivos, seja da torcida ou da imprensa, não pode ser o principal critério para se avaliar o desempenho do treinador.

Doriva é um treinador jovem, nunca teve tamanha responsabilidade nas mãos e por isso podemos colocá-lo no rol das apostas. Mas atualmente, o Vasco não tem condições de esbanjar com treinadores com um currículo mais extenso (e, que no final das contas, podem acabar sendo apostas da mesma forma). Já que temos que apostar, que a diretoria banque a aposta. Essa é a melhor maneira do trabalho do novo treinador render tudo o que pode.

Foto: Paulo Pinto/ Fotos Públicas

Foto: Paulo Pinto/ Fotos Públicas

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Parabéns ao Vasco da Gama Patriotas pela conquista do Torneio Touchdown, Com uma dramática vitória sobre o T-Rex de Santa Catarina, a equipe sagrou-se pela primeira vez campeã brasileira de futebol americano. Que o exemplo de superação da equipe de “football” contagie o time de “soccer” para que tenhamos títulos com a bola redonda em 2015…

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Momento jabá: para dar uma força ao Vasco – e por tabela, ao Blog da Fuzarca – é importante que a torcida compre produtos licenciados pelo clube. E o melhor lugar para comprá-los é na Gigante da Colina, a loja oficial do Vasco na internet.

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Para quem quer dar uma camisa da Umbro de presente ou uma polo da linha casual, basta clicar nos links para mandar bem nesse Natal. E lembrando que a promoção da sacola ainda está valendo!

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Tem coluna nova também no site Vasco Expresso, onde dou meus pitacos sobre as quase duas semanas de trabalho da nova diretoria…

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Vitória controlada

Se não podemos dizer que o Vasco teve uma vitória convincente sobre a Ponte Preta, o 2 a 0 que conseguimos ontem ao menos mostrou mais pontos positivos que negativos. Se o time ainda oscilou ao longo da partida e a fragilidade da macaca facilitou as coisas pro nosso lado, por outro lado podemos afirmar que, como gosta muito de dizer o Adilson, tivemos um jogo controlado.

Isso porque a equipe conseguiu a tão desejada compactação, evitando na maioria do tempo os buracos entre os setores. Fora alguns minutos no sonolento primeiro tempo – quando permitimos que nosso adversário tivesse seu melhor momento – a proximidade da defesa, meio e ataque fez com que valorizássemos a posse de bola e ocupássemos bem os espaços quando estávamos sem ela. Isso também facilitou tanto na recomposição defensiva quanto nas jogadas de ataque, explorando muito bem as viradas de jogo.

Como eu disse, a vitória não foi daquelas para deixar o torcedor exultante, mas valeu por deixar nossa classificação para as oitavas de final da Copa do Brasil bem mais tranquila e pelo ligeiro progresso apresentado. Dessa vez, principalmente pelo segundo tempo da partida, Adilson pode falar com propriedade que o Vasco teve o controle do jogo. E se mantivermos esse nível de atuação, ou para ficar perfeito, se o melhorarmos, não apenas a vaga estará garantida, como nossa situação no Brasileiro ficará mais aceitável em pouco tempo.

As atuações…

Martin Silva – só precisou trabalhar efetivamente no finalzinho do jogo, fazendo uma grande defesa quando vários jogadores encobriam sua visão da bola.

Carlos César – não foi tão presente no apoio – para compensar a liberdade que teve o Diego Renan – e não comprometeu defensivamente. Se machucou e acabou sendo substituído pelo André Rocha, que já mereceria aplausos só por não ter dado nenhuma pixotada, mas também por mostrar, ao menos, empenho.

Luan – tirando uma vacilada no primeiro tempo, que acabou rendendo um contra-ataque para a Ponte, não teve muitos problemas com o ataque adversário.

Douglas Silva – algumas falhas de posicionamento na etapa inicial, mas nada que trouxesse muito perigo. No segundo tempo teve menos trabalho.

Diego Renan – uma das melhores opções ofensivas do time, também não fez feio na cobertura. Acabou sendo um dos nomes do jogo por ter aberto o placar com um belo gol.

Guiñazú – teve uma noite de cão de guarda, fazendo com eficiência a proteção à zaga (ainda que para isso tenha aberto a caixa de ferramentas algumas vezes).

Fabrício – foi bem ao fechar os espaços pelo meio de campo mas quando tentou ajudar na criação, acabou pecando na qualidade do passe.

Aranda – se saiu bem melhor que contra o América, errando apenas um passe em quase quarenta. Bem ao cobrir os avanços do Diego Renan, apareceu pouco na criação e finalizou uma vez.

Douglas – ditou o ritmo do time, cadenciando – as vezes em excesso – o toque de bola ou acelerando o ataque com bons lançamentos (como no lance do primeiro gol). Se perdeu em alguns momentos em toques sem muita objetividade, mas foi importante enquanto esteve em campo. Dakson entrou em seu lugar no fim e pouco acrescentou.

Thalles – se movimentou bastante, buscou o jogo incessantemente e ainda marcou um gol por acreditar no lance e aproveitar o rebote. Mas parece afobado em alguns momentos (como no gol mais que feito que perdeu ainda no primeiro tempo). Deu lugar ao Yago, que correu bastante e ajudou a marcar a saída de bola adversária, sem no entanto fazer algo de prático para o ataque.

Kléber – vem adquirindo ritmo aos poucos, melhorando gradualmente sua movimentação. Ontem não deixou o dele, mas deu trabalho para a zaga símia (tanto que foi o jogador que mais sofreu faltas) e teve importante participação no segundo gol, tabelando com Thalles e dando o chute que originou o rebote do goleiro.

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O basquete sempre foi – com uma larga distância para o futebol, evidentemente – meu segundo esporte favorito. E fico muito feliz em ver o Vasco novamente com uma equipe profissional e não só isso, fazer sua reestreia na modalidade com um título. Por isso, nada mais justo que darmos nosso parabéns à equipe vascaína, campeã do Torneio Carioca. Que esse seja apenas o primeiro passo rumo à conquistas maiores, como é apropriado ao clube carioca mais vencedor no esporte.

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